The Lady In My Life
25 Eu te amo, Emma Swan!
Notas iniciais
{Margaret}
— Onde você aprendeu essas coisas? – indago, olhando para Constance que escova os cabelos, sentada em frente a uma penteadeira branca, estilo vintage.
— Que coisas? – devolve a pergunta, fitando-me através do reflexo do espelho com ar dissimulado.
— Você sabe ao que estou me referindo, não banque a fingida! – replico, mudando de posição na cama e apoiando a cabeça na mão, enquanto com a outra puxo o lençol até cobrir meus seios.
— Queria poder lhe dizer que nunca havia estado com uma mulher até hoje, porém seria mentira... – começa, erguendo-se da banqueta e andando de volta para a cama – No entanto, sempre pensei que sexo fosse instintivo... Suponho que você jamais esteve com uma mulher antes, mas não deixou nada a desejar e suas reações as minhas carícias foram tão naturais que fiquei deslumbrada com a nossa primeira vez – completa, deitando-se ao meu lado e colocando gentilmente uma mecha do meu cabelo por trás da orelha.
— Hmmm... Pela sua resposta, imagino que você já esteve com muitas mulheres! – afirmo, experimentando certa insegurança ao constatar esse fato.
Ela me encara com expressão séria e após alguns segundos em silêncio, responde-me: — Sim! Depois de vinte anos de casamento, o sexo se tornou monótono e cada vez mais escasso, muito embora Patrick e eu ainda tivéssemos uma relação de companheirismo e carinho – faz uma pequena pausa e me olha como se tivesse querendo adivinhar a reação que terei ao que dirá na sequência - Então, tivemos uma conversa franca sobre relações extraconjugais e decidimos abrir nosso casamento. Foi quando começamos a frequentar casas de swing e, às vezes, também contratávamos garotas de programa para apimentar a nossa relação – finaliza e sua voz soa preocupada.
Sento-me e apoio minhas costas no espaldar do leito: — De certa forma, eu já sabia que não tinha sido a primeira mulher em sua vida... – começo, sentindo um gosto amargo invadindo a minha boca – Quando cheguei aqui, o porteiro me deixou subir sem avisar, porque me confundiu com uma de suas “amigas” que tem acesso livre ao apartamento – prossigo, num tom meio cáustico – Imagino que ela também já dormiu nesta cama! – ressalto, enojada ao verificar que sou apenas mais uma de suas amantes.
Dito isso, faço menção de sair da cama, mas ela, que também já estava sentada, é mais rápida e senta-se sobre meu colo, impedindo minha ação: — Margaret, por favor, pare de tirar conclusões precipitadas... – pede, segurando meu rosto com as mãos e erguendo-o – Eu não amava Patrick, então, para mim era normal vê-lo com outras mulheres, pois não havia nenhum sentimento de posse envolvido no meu casamento! Mas, com você, meu amor, é totalmente diferente, eu jamais vou te propor algo semelhante. Desde que cheguei a Boston, tive alguns encontros sim, não vou mentir, mas relacionei-me com algumas dessas “amigas”, porque me sentia só e no fim das contas era apenas sexo, já que a única mulher que realmente me interessa além da cama é você! – enfatiza, fitando-me de maneira intensa com seus expressivos olhos cor de mel.
Desvio meu olhar do seu e murmuro: — Desculpe-me... Não queria parecer uma idiota puritana, afinal, era esperado que você tivesse tido uma vida nesses anos que passamos sem nos ver. Porém, não tive uma existência tão estimulante quanto a sua! Não fui um exemplo de esposa ardorosa e nem sei por que James ficou tanto tempo casado comigo, levando em conta que sou muito travada na cama – explico, meio envergonhada, mas convicta que é melhor ser honesta com ela – Você vai ter que ser paciente comigo, pois estou muito insegura e tudo isso é novo para mim – admito, levantando as pálpebras e voltando a encará-la.
—Travada, é?! – fala, sorrindo de maneira divertida – Fico imaginando o dia que você se soltar... É possível que a gente quebre a cama juntas! – comenta e tenho certeza que fiquei ruborizada.
— Constance, não acho que o sexo entre duas mulheres de sessenta anos possa ser tão intenso assim! – rebato, parecendo mais velha do que a idade que tenho.
— Meu amor... – a forma como profere a frase, soa como se tivesse falando com a mais ingênua das pessoas – Não acredite nos tabus da nossa sociedade! O sexo não é um privilégio de gente jovem, magra e bonita, embora muitos pensem que sim! Acredite que, para muitas pessoas, o sexo só se torna prazeroso e libertador depois dos 40 ou 50 anos – diz, categórica.
Antes que eu possa fazer qualquer comentário, beija-me com ardor, acariciando com a ponta do dedo um dos meus mamilos. Contrariando minhas próprias reservas, meu corpo reage aos seus estímulos e, quando percebo, já estamos deitadas sobre o colchão, amando-nos mais uma vez como duas mulheres apaixonadas que se permitem descobrir novas sensações e prazeres.
***
{Regina}
Hoje é o último dia que passarei com Emma antes de voltar para Nova Iorque, mas, para meu espanto, diferente dos outros dias, ela não estava ao meu lado na cama quando despertei. Já estou tão acostumada com sua presença constante que é inevitável não sentir sua falta ou estranhar o fato dela não ser a primeira pessoa que vejo ao abrir os olhos.
Visto uma de suas blusas e uma calça jeans, que já está ficando apertada nos meus quadris, e saio do quarto. Poderia comer um banquete no café-da-manhã, mas contento-me em pegar uma maçã da bandeja que está em cima da mesa e pergunto a Sidney sobre o paradeiro da minha namorada. Ele avisa que Emma provavelmente está no seu estúdio e saio para o jardim à procura dela.
Enquanto sigo para lá, vejo alguns beija-flores polinizando os hibiscos rosas e as borboletas espalhando o pólen sobre as verbenas roxas, um tipo de planta brasileira e de ramagem delicada que empresta um ar campestre ao jardim da minha sogra. Pego algumas delas e faço um pequeno buquê para entregar a Emma.
Já na trilha de pedras que conduz até o estúdio, ouço uma melodia e não preciso apurar muito a audição para identificar a voz de Chico Buarque, que conheci por intermédio do presente que Emma me deu no dia dos namorados. Ao olhar para dentro do ambiente, através de uma das janelas de vidro, vejo-a compenetrada, usando seus óculos de grau de armação grossa e desenhando alguma coisa sobre a mesa.
Permito-me ficar alguns minutos em silêncio, observando-a deslizar o lápis pelo papel com tanta desenvoltura e segurança, que qualquer um diria que é muito simples desenhar. Por mais estranho que possa parecer, excito-me, contemplando o ar intelectual e sério que ela estampa no rosto nesse momento.
Sorrio, constatando que a gravidez já está afetando minha libido e, como se tivesse ouvido meu pensamento, ela volta sua atenção para onde estou e também sorri ao me flagrar “espionando-a”.
— Apesar da sua ingratidão, ao abandonar-me no leito depois do amor...- entro no estúdio, falando de forma dramática — colhi essas flores para você! – continuo, entregando-lhe o pequeno e simples buquê – Porém, espero que a senhorita tenha tido um bom motivo para ter saído da cama sem se despedir, deixando-me preocupada e solitária! – completo, recebendo um lindo sorriso dela.
Emma cheira as verbenas e depois pega na minha mão, puxando-me e fazendo com que eu me sente no seu colo: — Amor, se alguém te ouvisse falando assim, pensaria que eu te abandonei por dias e que você veio a me encontrar em terras estrangeiras — ela zomba da minha carência – E, respondendo ao seu questionamento, eu te deixei “só” por um bom motivo... Como vocês três – diz, acariciando ternamente o meu ventre – estão dormindo até o meio-dia, pensei em lhe fazer uma surpresa, mas, para isso, eu precisava vir até o estúdio antes.
— Que surpresa você pretendia me fazer, senhorita Swan? – questiono, bastante interessada.
— Já faz alguns dias que venho trabalhando no projeto da nossa casa e tencionava terminá-lo hoje para lhe mostrar! – explica, dedicando-me aquele olhar afetuoso que me deixa ainda mais apaixonada.
— É esse? – pergunto, apontando para a planta arquitetônica sobre a mesa.
— Sim... Mas falta terminar alguns detalhes! Já quer dar suas sugestões? – indaga, passando uma das mãos pelas minhas costas, enquanto me observa.
— Eu confio no seu bom gosto e talento, meu amor... – começo, já emocionada, dando-me conta que Emma realmente conseguiu me surpreender, pois nem desconfiei que ela estivesse trabalhando nesse projeto e, mesmo que seja apenas um desenho, ao visualizá-lo senti uma sensação tão boa, como se eu visse em cada traçado do papel, o meu lar sendo construído – Mas acho que seria interessante ter um gazebo com uma jacuzzi aqui! – digo, brincalhona, apontando um ponto específico na parte do jardim.
— Hmmm... Acho que nossos vizinhos também acharão muito interessante termos uma jacuzzi no jardim, principalmente se minhas suspeitas sobre a finalidade que você quer dar a ela estiverem certas – replica, um tanto maliciosa.
— Não seja maldosa, Emma... Vamos usar a jacuzzi apenas para relaxar e nos divertir! – respondo, tentando parecer séria, mas pensando nas possibilidades de diversão que essa banheira nos trará — Porém, eventualmente, podemos também estar nuas, sem que isso nos leve a um comportamento libidinoso que possa chocar nossos amados vizinhos! – concluo, irônica, e ambas caímos na gargalhada com meu último apontamento.
Depois de trocamos um beijo gostoso, que me deixa ainda mais afogueada, volto a falar: — Meu amor, agora falando sério... Eu queria te fazer uma proposta — começo, pegando suas mãos e admirando a imensidão verde do seu olhar – Confesso que pensei em fazer isso de outra forma, de um jeito mais elaborado... romântico... Mas, já que a senhorita me deu a coragem que eu precisava, revelando o projeto de nossa casa... – digo, soltando um breve suspiro e sentindo o suor molhando minhas palmas devido à ansiedade.
— Suas mãos estão geladas, meu amor! – ela comenta, apertando-as.
— Não é para menos, minha princesa! Estou prestes a pedir a mão do amor da minha vida em casamento, é natural que meu coração pule freneticamente no peito, minhas mãos suem e minha voz saia estrangulada... – digo, vivenciando cada um desses sintomas.
Acho que ela já suspeitava que eu a pediria em casamento, mesmo assim, sua expressão mudou: as pupilas dilataram, o rosto ficou mais pálido e o aperto em minhas mãos tornou-se mais forte: — Emma Swan, você aceita se casar comigo e ser a senhora Regina Mills? – proponho, por fim, vendo as primeiras lágrimas descerem por sua face, parecendo um reflexo das minhas.
— Sim, eu quero dividir a minha vida com você! – afirma, enfática — Quero receber esses filhos que chegarão com o maior amor do mundo e formar uma família feliz para eles... Vamos criá-los e educá-los bem para que sigam seus próprios caminhos como pessoas realizadas, sendo o que quiserem ser...– prossegue, emocionada – Eu quero amar você, quero me divertir com você, quero brigar com você e fazer as pazes no instante seguinte, de uma maneira bem gostosa – fala, apaixonada e divertida — E, quando estivermos bem velhinhas, caminharemos juntas, de mãos dadas pela praia, admirando o pôr-do-sol e eu ficarei torcendo para vê-lo no dia seguinte, pois cada dia passado ao seu lado, não será suficiente para saciar minha fome de amor por você! – conclui, com voz embargada, selando nossos lábios e permitindo que as lágrimas vertidas por nós duas seja o sabor desse beijo cheio de carinho, amor e companheirismo.
Quando nossos lábios se separam, dou-me conta que, durante todo o tempo, as canções do cantor brasileiro continuaram ecoando dentro do estúdio e, mais recuperada das emoções sentidas, falo: — Amor, qual a música que estava tocando quando te pedi em casamento?
— Você não reconheceu? – questiona, franzindo o cenho.
— Não!
— Não acredito que deixei de colocar em seu iPod uma das canções mais lindas que eu já ouvi! – fala, fazendo uma autocensura – Chama-se “Mar e Lua*”! A letra narra à história de duas adolescentes que se apaixonam e passam as noites contemplando a lua e sonhando com o mar que não existe no pequeno vilarejo onde elas moram...
— Que poético! – digo, imaginando as moças se encontrando furtivamente para viverem seu amor proibido.
— Mas tem um final trágico: elas se suicidam, jogando-se no rio, quando entendem que aquele amor jamais vai ser compreendido pelos outros habitantes do vilarejo! – acrescenta, contornando meus lábios com a ponta de seus dedos.
— Sem querer, escolhi uma música muito melancólica para marcar o momento que te pedi em casamento! – observo, triste com a história da canção.
— Meu amor, mas é nesse momento que a genialidade e a sensibilidade desse poeta chamado Chico Buarque aparecem — ela replica, com os olhos brilhando de paixão – Depois que se afogam, seus corpos se fundem com a paisagem natural que tanto contemplavam e as duas tornam-se parte do cenário que dará lugar aos encontros de muitos outros casais apaixonados – conclui, sorrindo.
— Essa forma apaixonada como você fala da arte me comove demais! – afirmo, admirada — Nunca imaginei que encontraria alguém que tivesse tanta compatibilidade comigo... Que amasse a música, o cinema e a literatura com a mesma intensidade que eu...- digo, eufórica – Cada dia, tenho mais certeza que fomos feitas uma para a outra! Por isso, nem sei como vou ficar até o próximo final de semana sem poder desfrutar da sua companhia! – concluo, fazendo um biquinho amuado.
Ela abre seus lábios num sorriso que chega até os olhos: — Quem disse que você vai ficar sem me ver até o próximo final de semana?! Vamos juntas para Nova Iorque! Acha mesmo que você é a única disposta a abrir mão dos seus compromissos nesse relacionamento? – questiona, erguendo a sobrancelha de forma zombeteira.
— Eu... te... amo! – digo, destacando cada uma das palavras, enquanto a puxo pelo pescoço, beijando-a e sem dar oportunidade para que ela diga mais nada.
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