The Lady In My Life

23 Emma Swan: filha, irmã, namorada, mãe e... tia?


Notas iniciais
- Matheus Roberto, somos gratas pela bonita recomendação que você dedicou a fic. - Pedimos desculpas pela demora, mas desejamos que a espera tenha válido a pena, e adiantamos que essa história está na reta final. - Boa leitura!!!

{Regina}

– Meu reino por seus pensamentos! – declaro, percebendo que minha namorada está absorta, olhando fixamente para o teto.

Antes da festa terminar, subimos para o nosso quarto e nos deitamos abraçadinhas embaixo das cobertas. Permanecemos assim, apenas sentindo o contato de nossas peles nuas, trocando carícias e olhares apaixonados até que Emma pareceu ficar alheia e começou a fitar o vazio.

Ela sorri e volta a ficar de lado, encarando-me, enquanto coloca uma mecha dourada do cabelo por trás da orelha : — Estava pensando no nosso bebê... Em como a chegada dele mudará nossas vidas... e nas possíveis dificuldades que vamos ter! – suspira, fazendo uma pausa – Por exemplo, já pensou em como Cora irá reagir? Ou mesmo Margaret que, apesar de ter mudado nos últimos tempos, pode não estar preparada para uma notícia como essa?! — confessa seus temores.

Chego mais perto dela, debruçando-me sobre seu corpo e encostando minha testa na sua: — Creio que não há nenhuma maneira da reação de Cora ser boa, mas não vou levar isso em consideração porque já faz muito tempo que decidi romper as amarras que me prendiam a mamãe! Os conflitos começaram ainda na minha adolescência, quando resolvi cursar Psicologia e fui morar numa república de Yale...

– Não sabia que você tinha morado numa república em Yale! – ela me interrompe, deslizando a mão por baixo do lençol que nos cobre, acariciando meu bumbum – Aposto que aprontou muito, bebendo e indo a festas do pijama! – afirma, apertando ainda mais minhas nádegas, fazendo com que eu sinta seu membro já um tanto endurecido.

Fui uma estudante normal, meu amor! Realmente frequentei algumas festas onde rolava de tudo, mas também era uma aluna disciplinada e séria! – replico, brincalhona – E, embora você aparente ficar muito excitada quando pensa que tive um hipotético passado devasso, prefiro deixar sua fértil imaginação agir sozinha...- digo, agarrando-a pelos pulsos e prendendo-os sobre o travesseiro, recebendo como resposta um muxoxo frustrado porque interrompi sua travessura – Voltando ao assunto Cora, quando conclui o curso e comecei a trabalhar na área, não demorou muito para que eu comprasse o apartamento, já que uma vez longe da minha mãe, não queria tornar a morar sob o mesmo teto que ela! No dia que a convidei para conhecer meu futuro lar, estava me sentindo tão orgulhosa dos meus feitos que tive a doce ilusão que ela ia se sentir feliz também por ver sua filha evoluindo. Todavia, Cora limitou-se a olhar com cara de desdém para tudo e perguntar até quando eu pretendia morar naquele cubículo — falo, sentindo ainda uma pontada de tristeza ao relembrar desse dia.

Emma se solta do meu agarre e me abraça carinhosamente, provocando a mesma sensação de proteção e amor que experimento toda vez que ela me envolve em seus braços fortes.

Não vou procurá-la para falar sobre minha gravidez, pois não preciso mendigar por uma aprovação que no final das contas sei que não terei! Já dei a Cora uma última chance de fazer parte da minha vida, no dia que te levei para apresentá-la como minha namorada, mas ela nem sequer se deu ao trabalho de ponderar sobre a situação. Portanto, se vier me questionar acerca disso, simplesmente direi que numa noite intensa de amor, algo mágico e sublime aconteceu, daí então engravidei da minha namorada – falo e, apesar do tom brincalhão, meu lado mais romântico e sonhador me faz perceber o quanto é poético e excepcional eu estar grávida de uma mulher.

Amor, acho que existe uma grande possibilidade de sua mãe acreditar nesta explicação, desde que ela seja grande fã de ficção científica! – responde e suas sobrancelhas erguidas, além do timbre de sua voz, denunciam a zombaria de sua afirmação.

Sorrio e devolvo a ironia: — É esse tipo de sarcasmo que apimenta a nossa relação!

Suas mãos voltam a agarrar meu bumbum: — Sabe o que também apimenta a nossa relação? – indaga-me, maliciosa, enquanto mordo o lábio inferior e faço um gesto negativo com a cabeça, adorando a ousadia de suas carícias – A sua nudez libidinosa sobre os meus lençóis – geme, invertendo as posições, retendo-me entre seu corpo forte e a maciez do colchão – Acho que já está na hora de você me dar o terceiro presente da noite, senhorita Mills! – afirma, rouca, roçando a ponta do membro no meu clitóris e deixando-me ainda mais excitada com esse estímulo.

Fico louca quando você me toca assim! – sussurro junto ao seu ouvido, erguendo as pernas e prendendo-a entre as minhas, aproveitando para chupar seu lóbulo direito – Você sabe como dar prazer a uma mulher... mesmo sem penetrá-la! – confesso, entre suspiros, sentindo os lábios dela subindo pelo meu pescoço.

Emma grunhe ao ouvir o que disse e arrebata a minha boca num beijo molhado e faminto, esmagando seus seios contra os meus. Ato-me a ela não só com as pernas, mas também com braços e mãos, sentindo nossos corpos tão unidos que não sei onde eu começo, nem onde minha namorada termina.

Neste instante, estou plena de desejo e felicidade, certa que esse terceiro presente virá em forma de muito prazer.

***

{Emma}

No dia seguinte, desperto ouvindo o cantarolar dos pássaros nos ninhos que há nas árvores plantadas no jardim da mansão. Regina permanece ainda adormecida, deitada de lado e a serenidade de sua expressão a deixa ainda mais bonita e encantadora. Meus olhos vagueiam pelo seu corpo desnudo e se detém na mão esquerda descansando sobre o ventre.

A notícia de sua gravidez me pegou completamente desprevenida, mas, mesmo sabendo que essa novidade pode chocar alguns dos nossos familiares, fico deslumbrada com a possibilidade de daqui a alguns meses o nosso bebê estar em meus braços, brincando com seus pequenos dedinhos e balbuciando coisas incompreensíveis.

Coloco minha mão sobre a sua, emocionada, e beijo suavemente a testa dela: -Eu amo vocês! – sussurro, num tom quase inaudível, pois quero que ela continue dormindo enquanto vou preparar-lhe uma bandeja com café da manhã.

Desço da cama e visto meu pijama xadrez de flanela, saindo do dormitório e fechando a porta silenciosamente.

No corredor, encontro Mary deixando furtivamente o quarto de David, vestindo uma calça jeans e uma camisa branca que suspeito pertencerem a ele: — Bom dia, prima! – digo, sorrindo.

Bom dia, loira! – devolve o cumprimento, passando a mão pelos cabelos desalinhados — Que noite, hein? – acrescenta e não compreendo o seu último comentário – As paredes são finas, Emma! – conclui, apontando para o meu quarto que fica ao lado do de David.

Quando volto a encará-la, ambas caímos na gargalhada e lembro que durante a madrugada também escutei uns barulhos estranhos vindos do dormitório do meu irmão. Porém, como Regina e eu estávamos em pleno ato não dei atenção ao ocorrido.

Imagino que tenhamos tido a mesma ideia de irmos nos alimentar para repor as energias! – comenta, enquanto descemos juntas as escadas.

Esqueceu que não tomo café da manhã?

– Nem depois de passar a noite toda... ? – faz um gesto com a mão fechada, como se estivesse socando o ar.

Que porcaria de analogia para sexo é essa, Mary? – repreendo-a, imitando seu gesto de “socar o vazio” – Mas, respondendo a sua pergunta... – continuo, enquanto ela ri da minha censura - Eu ficaria três dias na cama com Regina, sem precisar me alimentar para repor as energias, só comendo ela mesmo – digo, cheia de malícia.

– Nossa... Nunca pensei que fosse ouvir Emma Swan, a pessoa mais intelectual e séria do mundo, usando o termo “comer” se referindo a sexo. Isso só vem comprovar as minhas suspeitas do quanto seu envolvimento com Regina te faz bem! Nunca te vi tão leve, tão descontraída... – observa e pelo tom de sua voz, percebo que parece aliviada e alegre por me ver feliz.

Pois é... Nada de “Uma Linda Mulher*”, a história de Emma e Regina é o verdadeiro conto de fadas moderno! – respondo, meio brincalhona, meio séria – Mas, você e David finalmente se acertaram? – indago, curiosa.

Digamos que estamos nos conhecendo melhor! – replica, com ar de mistério– Sabe como é, conviver com David é uma missão impossível, mas como eu não acredito em amor à primeira vista, resolvi dar uma chance a ele. Porém, deixei claro que nosso relacionamento só terá futuro caso ele se torne uma pessoa melhor, mais tolerante, menos agressiva... Quem sabe não consigo transformar esse sapo em um verdadeiro príncipe encantado?! – conclui, erguendo as sobrancelhas numa expressão zombeteira.

Nesse momento ouvimos um grito vindo do topo da escada: — EU VOU SER PAI! – Jefferson berra, assustando nós duas e fazendo meu coração palpitar freneticamente.

O que houve? Que gritaria é essa? – Mamãe irrompe na sala, olhando assustada para Mary e eu.

Você vai ser avó! – meu irmão responde, apontando para mamãe e descendo a escada deslizando pelo corrimão.

Ao chegar embaixo, corre até onde estamos e levanta Margaret, rodopiando com ela pela sala, enquanto mamãe sorri, beijando-o na face: – Que bom, meu filho... Meus parabéns! Onde está Tinker? – pergunta, quando ele finalmente a solta.

No quarto, ajoelhada e chorando de felicidade, já que tinha perdido as esperanças que eu a engravidasse – replica, brincalhão – Mary e Emma, vocês não vão me abraçar? – pergunta, vendo-nos paradas, apenas observando a cena entre mamãe e ele.

Juntamos-nos aos dois e damos um abraço coletivo, congratulando-o pela boa-nova. Olho para minha mãe que aparenta estar feliz e tranquila com a notícia. Embora eu tenha pensado em falar sobre a gravidez de Regina com ela só daqui a alguns dias, sou invadida por uma onda de coragem e suspeito que talvez esse seja o melhor momento para lhe contar a novidade, já que, de qualquer forma, tem um neto a caminho.

Mãe, posso falar com você? – pergunto, quando percebo que Mary e Jeff se afastam, andando abraçados na direção da cozinha, enquanto meu irmão não para de falar sobre o quanto está feliz e assustado com o fato de ser pai.

Claro, meu amor! – responde, cortando os talos de algumas flores e colocando-as dentro de um jarro sobre o console que há no canto da sala.

Pode ser na biblioteca? – pergunto, tentando não demonstrar minha apreensão.

Olha-me com ar curioso, mas acata meu pedido, seguindo-me até o referido cômodo.

É melhor sentarmos! – sugiro, acomodando-me no sofá branco de dois lugares.

Ela faz o mesmo: — Você está com algum problema, minha filha? – indaga e sinto um nó se formando na minha garganta ao ouvi-la me tratando assim.

Pego em sua mão e fico alguns momentos contemplando suas unhas bem feitas, pintadas de azul. Quando volto a encará-la, seus olhos estão fixos em mim, aguardando com indisfarçável ansiedade o que tenho a dizer.

Mãe... Regina está grávida! – anuncio e esboço um leve sorriso, tentando diminuir o impacto da minha revelação.

Ela me fita como se tivesse entrado em estado catatônico. Não se passou nem um minuto desde que lhe contei a novidade, mas, devido a sua completa mudez e falta de reação, parece que já faz uma eternidade.

Por favor, não me magoe novamente! – suplico, com voz estrangulada – Já tinha me acostumado com a ideia que você realmente estava fazendo um esforço para me aceitar como eu sou! – admito, deixando as primeiras lágrimas caírem – Eu vi como ficou feliz com a notícia que Jefferson vai ser pai... Não sei por que o fato de Regina e eu termos um bebê pode lhe parecer tão diferente – tento argumentar, mas já começando a ficar desesperada com uma possível reação negativa da parte dela.

Não é isso, meu bem! – finalmente fala, diminuindo um pouco minha aflição – Jefferson e Tinker estão casados há muitos anos e era esperado que a qualquer momento eles decidissem ter um filho ou mesmo que isso acontecesse naturalmente, sem os dois planejarem – explica – Mas, você e Regina estão juntas há poucos meses e não imaginava que isso fosse acontecer tão rápido! – esclarece, sorrindo nervosamente – Realmente tenho tentado entendê-la e já aceito quem você é mais do que pensa! – assegura, apertando minha mão – E acredite que pretendo nunca mais magoá-la, porque tenho consciência do quanto a minha incompreensão já lhe fez sofrer! Arrependo-me de cada um dos momentos em que não soube ser uma mãe tolerante! – afirma, começando a chorar também e, sem dizer mais nada, abraça-me, afundando seu rosto no meu pescoço, enquanto me pede perdão.

Beijo seu cabelo, apertando-a em meus braços e estou tão comovida que não consigo dizer mais nada. De todos os cenários que supôs, quando lhe contasse sobre a gravidez de Regina, em nenhum deles imaginei que terminaríamos nos abraçando e chorando, depois de termos, pela primeira vez, uma verdadeira conversa franca entre mãe e filha.

***

{Margaret}

Emma saiu da biblioteca há alguns minutos, dizendo que ia preparar o desjejum de Regina, deixando-me sozinha com meus pensamentos.

Ao contrário do que ela possa ter pensado, em um primeiro momento, a minha reação taciturna logo quando soube da gravidez de Regina, não teve nada a ver com preconceito de qualquer natureza. Até porque, com o entendimento que tenho hoje, não existe nenhuma razão para que eu não ame essas duas crianças que vão chegar da mesma forma.

O que me deixou realmente abalada, foi constatar que a relação de Emma e Regina é séria o suficiente para que brevemente minha filha deixe esta casa e vá construir uma vida e uma família fora daqui. Não sei por que, mas sempre tive a certeza que Emma ia ser minha companhia quando eu envelhecesse.

Sorrio ao perceber a ironia que existia nesse meu pensamento: no fundo, sempre vi no meu Eric a mulher na qual ele se transformou (Emma). Afinal, essa é uma atitude que se espera muito mais de uma filha, que ela cuide dos pais na velhice.

Lembro que quando James e eu levávamos os meninos para o rancho, David e Jefferson queriam logo sair para cavalgar ou tomar banho no riacho com o pai, enquanto Eric ficava comigo na casa, observando-me cozinhar, ajudando-me a lavar a louça ou simplesmente segurando a linha para que eu tricotasse.

Sempre foi tão doce e gentil, meu anjinho loiro!– Penso, levantando-me do sofá e enfiando a mão no bolso da calça. Sinto a textura de um papel e lembro que ainda não li o bilhete que acompanhava o buquê de flores enviado por Constance hoje pela manhã.

Retiro- o do bolso e abro-o, identificando sua bonita caligrafia:

Margaret,

Hoje cheguei a conclusão que a minha abordagem (e estou falando das “milhares” de flores que lhe tenho enviado), foi um pouco infantil.

Eu até me divirto escrevendo esses bilhetes que nunca são respondidos. É como escrever um diário e deixar que sua melhor amiga leia. Mas, a cada resposta que não vem, tenho mais certeza que tudo isso não dará em nada.

Aproveitando-me da coragem que a falta de contato visual me dá, devo confessar que ao tomar a atitude ousada de procurá-la em sua casa, não estava buscando reaver a amizade e o companheirismo que tivemos no passado.

Acredito que várias pessoas passam pela vida sem saber o que é amar alguém e há outras que defendem ser possível ter um amor em cada porto. Mas eu faço parte de um terceiro tipo de pessoas, que só tiveram um amor em toda a vida. E, mesmo nunca o vivendo plenamente, conseguiram guardá-lo, apesar da distância.

Não pense que acalentei, por todos esses anos, a esperança de reencontrá-la. Quando nos despedimos há quarenta e cinco anos, imaginei que era a última vez que nos veríamos. Minha vida seguiu, mas aquele amor que eu julguei ser uma loucura de adolescente sempre esteve “lá”, impedindo que eu amasse outras pessoas, até mesmo o meu marido, Patrick, a quem admirei muito, porém que jamais conseguiu fazer meu coração palpitar da forma intensa que senti ao vê-la naquele clube.

Essa emoção forte que experimentei foi o que me motivou a ir atrás de você, mesmo tendo como certa uma rejeição de sua parte. Esse sentimento também foi o responsável pelos incontáveis buquês e bilhetes que lhe enviei e com os quais pretendia mostrar meu arrependimento e derrubar as suas defesas em relação a mim.

Mas hoje, dei-me conta que provavelmente você nem está lendo-os e possivelmente joga as flores no lixo, o que torna este último bilhete uma inutilidade. Mesmo assim, quis desabafar, nem que fosse só com o papel, o que sinto!

Enfim, não vou mais te incomodar, nem te procurar, mas não posso prometer que não pensarei em você.

Espero que tenha uma boa vida, meu amor!

C.L.

Maldita Constance Langdon e seu dom de me fazer chorar! – murmuro, entre lágrimas, relendo a última frase da carta e pensando que boa vida posso ter, agora que tenho a certeza que estarei sozinha nesta enorme mansão.

Saio da biblioteca, enxugando as lágrimas e subo apressadamente as escadas, torcendo para não encontrar o que vou procurar no meu quarto.

Notas finais
* Uma Linda Mulher (Pretty Woman) é um filme lançado em 1990 com Julia Roberts e Richard Gere nos papéis principais. A obra é apontada tanto pela crítica, quanto pelo público, como um conto de fadas moderno e já considerado um clássico do cinema americano.