The Lady And The Druid

1 The Lady And The Druid


Avalon... Meu doce e saudoso lar. Por mais que nunca tenha passado um mísero momento dentro de seus domínios, sentia uma enorme saudade daquele lugar. Sou Sophia, uma Sidhe, criatura original de Avalon, banida de seu lar para este mundo terrível neste corpo perecível por erro de meus pais. Não consigo contar quantos dias passei nutrindo a vingança, a dor, o sofrimento e a saudade, mas hoje isso tudo iria acabar. Viajo em direção a Camelot... minha passagem de volta para casa está lá, e desta vez eu não vou falhar.

Aaron´s POV

Camelot!!! Tão linda e tão cruel para aqueles que possuem magia. Meu povo fora dizimado pelo ódio que consome o coração do Rei, mas tamanha dor não consegue ofuscar os meus olhos ao avistar os enormes portões que dão passagem à cidade. Então, aqui vou eu, um simples druida, escondido embaixo de sua capa marrom, pisando em terreno inimigo apenas para aprender com o mago da profecia, com aquele que guiará todo o povo ao tempo da bonança e da união... Merlin, como é conhecido por muitos... e Emrys, para meu povo e para mim.

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O cavalgar do meu cavalo corta a floresta ao passo que sinto o vento chicotear meu rosto. Meu sangue ferve ao avistar a os altos muros de Camelot e meu plano para ter de volta a minha imortalidade ganha força. O meu alvo, Arthur Pendragon, o procedimento é simples... seduzi-lo e matá-lo. Impulsiono o cavalo a ganhar velocidade e prossigo em direção aos portões da cidade, mal percebendo o que estava a minha frente. A cidade era muito agitada, muitas pessoas na rua, comprando e vendendo, crianças correndo atrás das outras, muito barulho, uma enorme confusão, que acabou por assustar o meu cavalo, fazendo-o empinar e me derrubar. Seria uma queda bem feia, confesso, mas algo me segurou, e nem chegaria a tocar o chão, se não fosse pela barra da minha capa.

- Está tudo bem milady? – ele perguntou-me, assim que me pus de pé, largando o seu abraço. Por um segundo perdi-me admirando os seus olhos verdes; eles me olhavam com tanta intensidade que eu não conseguia desviar-me deles. Sorri boba por alguns segundos, corando assim que percebi que ele me retribuía.

- Perdoe-me, estou bem sim! – falei sem graça segurando as rédeas do meu cavalo e acariciando seu pelo para que se acalmasse. Notei que ele recolhia os livros caídos do chão, provavelmente os largou para me segurar. Amarrei o meu cavalo em um tronco próximo e voltei para ajudá-lo. – Fiz uma bagunça aqui não é?!!

- A culpa não foi sua do cavalo se assustar e também não poderia deixá-la cair no chão não é mesmo?! – respondeu-me rindo um pouco, olhando brevemente em meus olhos. Meu coração acelerou por um breve momento e sorri desconcertada com seu olhar sobre mim.

- Então fico muito grata pela sua escolha – disse sorrindo para ele que se levantava com seus livros em mãos. Entreguei-lhe aqueles que eu havia recolhido vendo sorri em agradecimento. – Sophia De Timor – estendi minha mão, em sua direção, que fez um arranjo todo estranho no corpo para que pudesse segurar a minha mão em resposta.

- Aaron! Muito prazer – permanecemos de mãos dadas por sei lá quanto tempo, só despertando quando ouvimos o barulho do sino do castelo soar, anunciando que o dia iria findar. Largamos nossas mãos e nos despedimos, um para cada lado da cidade. Por um segundo esqueci que estava em Camelot com um propósito e só desejei ver Aaron mais uma vez.

Aaron´s POV

Dias passaram desde que salvei Sophia daquele tombo feio. Juro que pensei haver o mesmo sentimento nela que há em mim, mas desde que nos separamos na rua, ela só anda com o Arthur, cavalga com o Arthur... É como se aquele nosso momento nunca tivesse existido. Andando pela floresta, encontrei um belo lago escondido entre as árvores altas. Sentei-me à sombra de uma delas e comecei a ler um dos livros de magia que trouxera da casa de Gaius. Não sei bem quanto tempo passei ali, despertei apenas ao ouvir o barulho do trote de cavalos vindo em minha direção. Instintivamente me levantei e corri para as árvores, escondendo o livro em minha túnica, permanecendo atendo a movimentação a minha frente. Ao avistar sua figura a minha frente, meu coração momentaneamente parou. Era ela! A minha amada, a minha Sophia de mãos dadas com Arthur, acariciando-lhe o rosto, beijando-lhe a boca. Meu sangue ferveu e minha vontade era sair de entre as árvores e socar a cara desse principezinho com toda a minha força, mas agir assim colocaria a minha vida e a dos meus amigos em risco. Merlin e Gaius não podem se punidos por eu me apaixonar por essa garota.

- Eu devia saber que ela não ia querer um plebeu como eu. – falei olhando-a abraçá-lo forte, virando seu rosto em minha direção. Olhei-a por alguns segundos e então sai dalí voltando para a cidade. Teria que tirá-la da minha mente e do meu coração... não importava o quanto eu já a amasse, ela nunca seria minha.

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O grande dia havia chegado! Esta noite, eu mataria Arthur e teria de volta vida que antes me pertencia e poderei sei uma Sidhe novamente. Enquanto arrumava as coisas necessárias para o ritual, peguei-me pensando no Aaron. Como ele estava, o que estaria fazendo naquele momento, o que estaria pensando sobre mim... Um nó se formou em minha garganta e não pude conter a lágrima que se formou em meus olhos. Eu o vi, naquela tarde, escondido entre as árvores; eu vi o seu olhar pesado, tristonho sobre mim. Queria poder correr, e dizer-lhe que não havia nenhum sentimento meu para com o Arthur, que eu só estava usando-o para conseguir minha liberdade, que minha real paixão era ele... mas eu não podia. Passei tantos anos da minha vida presa neste corpo, vagando por esta terra estranha, sofrendo pelos erros que eu mesma não havia cometido que acabei por esquecer que podia amar alguém. Então, ele apareceu e balançou meu mundo inteiro. O que eu devia ter feito em dois dias durou quase duas semanas inteiras... protelei tanto quanto pude, mas eu tenho que fazer isso. Por mais que eu o ame, não posso fugir do meu destino, e o meu destino é ser um Sidhe, em Avalon... tenho que voltar para casa.

- Sophia? – a voz de Arthur por trás da porta me despertou do devaneio, fazendo com que eu agilizasse a arrumação.

- Já estou indo Arthur! – respondi baixo, para que não alertasse aos outros. Para Arthur nós estávamos fugindo para viver o nosso amor, deixando Camelot, pois seu pai nunca permitiria tal união. Ele estava enfeitiçado, o comum azul dos seus olhos fora preenchido por um vermelho vivo e sua mente estava sobre o meu controle. Descemos as escadas do Castelo e deixamos a cidade por uma entrada secreta. Cavalgamos rápido em direção ao lago, aquele em que Aaron nos observou, era lá onde seria feito o sacrifício e ali se abririam os Portões de Avalon.

Aaron´s POV

- MERLIIIN – um grito ecoou na casa de Gaius, nós corremos em direção à voz que insistentemente o chamava. Era a Lady Morgana. Ela estava ofegante e com lágrimas nos olhos, como se tivesse visto um fantasma, sei lá, parecia transtornada. Gaius pediu para que ela sentasse e deu-lhe água para que se acalmasse.

- Merlin, por favor acha o Arthur! Ele não está no castelo. Eu passei no quarto dele pra desejar boa noite e ele não estava lá. O armário estava todo aberto e vazio. – ela falava entre os soluços. Merlin abaixou-se próximo a ela e ouvia atentamente tudo o que ele dizia.

- Você acha que ele fugiu? Mas qual seria a razão disso? – disse Merlin confuso, buscando em sua memória, algo que pudesse esclarecer o fato.

- É culpa daquela garota. Aquela loira que está hospedada no castelo há alguns dias. Eu... – pausou por um momento, analisando se devia ou não revelar-nos mais essa informação.

- O que aconteceu Morgana? –disse Gaius, que permanecera em silêncio desde a chegada da lady.

- Eu... vi essa Sophia afogando o Arthur, em meus sonhos. Sei que parece idiota e impossível, mas eu a vi, e agora o Arthur sumiu. Com certeza algo ruim vai acontecer com ele. – ela fechou os olhos com força, mas não pode evitar que mais uma lágrima caísse de seus olhos. E como chorava Morgana por Arthur, eu chorava pela Sophia. Então essa era a sua intenção desde o começo. Ele nunca chegou a amá-lo de verdade, só queria tirar-lhe a vida. Só me resta entender o porquê!

- Há tantos lagos nas redondezas... será difícil achar o certo.- Merlin falou, andando de um lado para o outro da sala. Observei os presentes ali por alguns segundos. Todos estavam visivelmente aflitos com essa situação, e não é para menos. Tanto Arthur quanto Sophia estavam em perigo agora; se Uther descobrisse que ela possuía magia estaria condenada a morte mesmo que não fizesse mal algum ao herdeiro do trono. Eu precisava ajudá-los, eu precisava salvar ambos da morte. Se eu ao menos soubesse em que lago eles estavam...

- O Lago! – gritei, assustando os outros três ali presentes. Eu havia lembrado daquele dia, em que ele o beijou. Eles estavam próximos aquele lago escondido entre as árvores. Certamente aquele era o lugar. – Eu sei onde é o lago. Vamos Merlin!

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Chegamos ao lago rapidamente. Arthur, ainda sobre meu controle, desceu do cavalo e vagarosamente andou em minha direção. Eu o levava para dentro do lago, cada vez mais fundo. Seus olhos cobertos pelo denso vermelho olhavam fixamente para mim e arrepios tomavam conta do meu corpo. Ele realmente merecia tal destino? De fato, ele não participara do massacre à aldeia onde eu me abrigava; a ordem fora dada pelo seu pai, e cumprida por outro cavaleiro qualquer. Arthur não se envolvera desta vez, mas apenas a vida dele seria suficiente para que eu tivesse a minha de volta. E por mais que ele não merecesse tal fim, era exatamente assim que isso acabaria. Andamos mais alguns passos e então comecei a citar as palavras necessárias para completar o ritual.

- NÃO FAÇA ISSO! – me assustei ao ouvir aquela voz. Era ele! Há quanto tempo não ouvia aquela voz?! Virei-me rapidamente e pude vê-lo ao longe, acompanhado do servo do Arthur... acho que o nome é Merlin.

- Não faz isso Sophia, por favor – Ele falava enquanto se aproximava do lago com Merlin em seu encalço. Paralisei. Não me movia, não falava, só conseguia olhá-lo. – Eu não sei bem porquê você quer prejudicá-lo, mas se o fizer, você será a maior prejudicada. Nós vimos que você tem magia e outros podem ter visto também. Você corre perigo. Venham comigo meu amor, esqueça esse ato insano e fuja ao meu lado. – Amor? Ele me chamou de amor? Instintivamente eu sorri; então o que eu sentia por ele era recíproco, e ainda existia mesmo depois de tudo o que eu fiz. Olhei de sua mão estendida a minha frente para Arthur ao meu lado, com mais da metade do corpo coberta pela água. Será eu que devia abrir mão do meu objetivo? Será que ele realmente me ama? Seria este amor suficiente para apagar toda a mágoa do meu coração? Hesitei por um tempo que me pareceu longo, fechei os olhos por um momento, e a imagem do nosso encontro se formou. Pode até ser que eu esteja errada e que tudo isto que ele acabou de dizer seja um mentira, mas eu estava disposta a arriscar... Por ele valia muito a pena.

- Olen julkaissut tämän julman loitsu – pronunciei as palavras que liberaram Arthur do controle da mente. Ele estava tão fraco que acabou desabando na água, mas Merlin prontamente o segurou, impedindo que se afogasse.

- Não se preocupe Lady Sophia, seu segredo está guardado comigo! – Merlin disse após colocar Arthur ainda desacordado sobre seu cavalo. – Espero que essa feliz decisão perdure para todo o sempre. – sorri grata. Talvez ele tivesse vindo aqui para me matar e proteger seu mestre, mas ainda assim ele se mostrou misericordioso comigo. Vi-o desviar seu olhar para Aaron, e dar alguns passos em sua direção.

- Vai ser feliz cara! Muito amor pra você e pra sua lady – Merlin falou e entre risos, os dois se abraçaram, como uma despedida. E então eu pude entender que não apenas eu fizera um sacrifico; por me amar ele também abria mão de um grande amigo. Aproximei-me de Aaron e ambos observamos Merlin se afastar puxando o cavalo em direção à Camelot.

- Eu não sou bem um lady, Aaron. – falei enquanto era puxada para cima do meu cavalo, onde ele já se encontrava. Eu sou uma Sidhe, uma espécie de fada que vive em Avalon. Essa era a razão de eu matar Arthur... só a vida dele me levaria de volta para casa. – Aaron respirou fundo e por alguns segundos permaneceu em silêncio.

- Você está arrependida da decisão que tomou? – perguntou-me tão baixo que quase não pude ouvi-lo. Delicadamente virei um pouco seu rosto em minha direção, e vi seus lindos olhos verdes me encararem tristes.

- Claro que não! – acariciei sua bochecha, vendo-o fechar rapidamente os olhos. – Minha casa agora é aqui... Com você! Não importa para onde vamos e o que faremos, contanto que eu esteja ao seu lado. Só com você eu serei plenamente feliz. – um sorriso brotou naqueles lindos lábios, que só me fez desejá-los junto aos meus.

- Eu te amo minha Sidhe, minha lady, minha princesa, meu amor... – ele dizia depositando beijos pelo meu rosto.

— Eu também te amo. Obrigada por me salvar de mim mesma e por não desistir de mim. Aaron sorriu mais uma vez antes de selar nossos lábios naquele tão esperado beijo. Ali, ao lado dele eu me sentia finalmente feliz e completa. A minha vida ganhara um novo sentido, muito mais nobre e mais belo que o primeiro: Amá-lo por todos os dias que esta forma mortal possuísse; segui-lo aonde quer que ele vá; ser dele, hoje e para sempre. Ele separou nossas bocas e virou-se, dando impulso para que o cavalo cavalgasse com velocidade.

- Tem ideia para onde vamos? – perguntei, sentindo a brisa da noite balançar meus cabelos. Ele virou minimamente seu rosto e sorriu o mais belo sorriso que já avistei.

- O lugar não importa, estando ao teu lado, qualquer lugar deste mundo será perfeito. Abracei-me firmemente ao seu corpo e então partimos dali para viver aquilo que a vida nos reservasse.

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Uma Sidhe, um Druida, e um amor que nasceu frente aos Portões de Avalon, dentro dos Muros de Camelot e que ganhou o mundo. Uma história de amor que desafiou a razão e que, como qualquer outro conto, permanece em “felizes para sempre”, porque amores como esses jamais chegarão ao final...

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