Notas iniciais
Tô de volta meu povo.Talvez esse capítulo confunda um pouco vocês,mas por favor prestem atenção aos mínimos detalhes se não quiserem se perder na história.Nos vemos lá em baixo e boa leitura.

Pov’s Ally

Acordei sobressaltada. Minha respiração estava entrecortada e minha cabeça parecia ter levado uma martelada. Para completar minha visão estava um pouco turva e eu suava.

—Ally. -Eu ouvia a voz de Austin como plano de fundo. Ela estava ali, mas ainda difícil de escutar por conta de ela estar abafada.

—Ei acorda. -Ele voltou a repetir e então como se uma luz tivesse acendido em minha cabeça eu me dei conta de que minha filha ainda estava em perigo.

Rapidamente me sentei no chão e senti ele equilibrar meu corpo para que eu não voltasse a cair.

—Você também se suicidou, não é?Precisamos achar Cassidy. -Coloquei minha mão em minha cabeça e aos poucos minha respiração voltava ao normal à medida que minha visão começava a clarear.

Austin parecia estar confuso e preocupado comigo.

—O que foi?Audrey morreu?Onde esta Sarah?-Me desesperei o agarrando pela gola de sua camisa.

—Acho que a batida foi muito forte. -Ele disse olhando para minha nuca.

—Do que esta falando?-Minhas mãos começaram a tremer.

—Estávamos brigando sobre o trabalho e sem querer você pisou em uma das velas, caiu e bateu a cabeça na quina da minha cama. -Ele disse como se fosse o óbvio.

Só então olhei ao meu redor. Eu estava no quarto de Austin. Na casa dos pais dele. Havia velas espalhadas ao nosso redor e a porta da sacada estava aberta como eu me lembrava, mas como? Foi tudo um sonho?Não pode ser, passaram-se anos e tudo ainda acontecia. Eu não devo ter passado tanto tempo assim desacordada.

—O que esta acontecendo?-Sussurrei para mim mesma enquanto me ajoelhava.

Ele ignorou completamente a minha pergunta como se ela não fosse nada.

—Eu nem devia estar te perguntando isso, mas você quer água?-Ele arqueou a sobrancelha. Esse não era o Austin frio, carinhoso ou muito menos aquele que um dia disse que me amava.

—Por favor. -Foi o que consegui dizer com minha voz ainda tremula e então ele sumiu em um piscar de olhos.

Não era possível. A tela do meu celular era uma foto de Audrey e eu no jardim da nossa casa, era real. Eu sabia que era.

Ainda hesitando tateei o celular no bolso esquerdo da minha calça e o desbloqueei com os dedos totalmente trêmulos. Percebi que aquela foto não estava mais ali. Ela tinha dado espaço para uma foto minha com Cassidy no banheiro do colégio. Não podia ser não era pra ser. Com o susto joguei meu celular no chão.

Minha cabeça fervilhava, pensando em tudo o que aconteceu e esta acontecendo. Era para eu ter me tornado humana e não voltado no tempo.

—O que foi?-Austin apareceu der repente com um copo d’água em mãos e olhando para o meu celular no chão assustado.

Ele viu que eu ainda encarava o aparelho com os olhos arregalados. O loiro talvez até estivesse mais confuso que eu.

—Aqui. -Ele se ajoelhou ao meu lado e me entregou o copo d’água.

—Você esta bem?-Perguntou tentando não soar de forma agressiva.

—Não. Eu não estou bem. -Admiti olhando em seus olhos.

—Um minuto atrás eu estava me tornando humana, tentando salvar minha filha, me livrar de Sarah e agora estou aqui no quarto com você?Como isso é possível?-Indaguei incrédula.

—Você tem uma filha?Uau. -Ele disse rindo.

—É sério Austin. Ou aconteceu de verdade ou eu estou ficando louca. –Gritei me exaltando.

—A pancada foi muito forte Ally, talvez você deva ter tido um sonho nessa meia hora em que esteve desacordada. –Ele deu de ombros.

—Meia hora?Eu vivi seis anos e não meia hora. -Disparei.

—Mas você nem saiu daqui. -Ele tentava achar uma maneira de dizer que eu estava errada.

—Você estava lá Austin,você passou meses me procurando,disse que me amava que morreria por mim. -Sacudi seus ombros como forma de desespero, porém Austin estava se segurando para não rir e então eu cai na real.

—Você nunca faria isso por mim. -Murmurei já sentindo as lágrimas já queimarem meus olhos.

—Olha Ally não é nada com você, no entanto, brigamos a nossa vida inteira, como eu poderia te amar se nem ao menos nos damos bem?-Ele estava prestes a secar uma lágrima minha quando eu virei o rosto.

Francis veio em minha cabeça.

—Você. -Apontei para ele. —Você nunca matou Francis, ele esta por ai. -Eu sorri involuntariamente.

Austin arregalou os olhos totalmente surpreso.

—Como sabe disso?-Sussurrou olhando para os lados.

Então foi real. Como eu saberia disso se não fosse?

—Você sabe sobre o livro. Sabe sobre Alex e Agnes.

—O que esta acontecendo com você?-Ele questionou me olhando completamente perplexo.

Antes que eu pudesse sorrir novamente minha cara voltou a se tornar séria mais uma vez. Então ao invés de um sonho teria sido tudo uma visão?Daqui a alguns anos eu realmente estarei passando por aquilo?Não quero ninguém sofrendo por mim.

—Tudo bem, acho que você não esta em condições de fazer o pacto hoje. Eu falo com a professora amanhã e marcamos para outro dia. Acho melhor você ir pra casa. -Ele estendeu a mão para me ajudar e flashes me vieram à cabeça. Austin me levantando no banco em chamas. Desequilibrei-me e quase cai no chão novamente se não fosse por Austin segurando minha cintura.

—Eu te levo. -Se ofereceu já me guiando para fora do quarto quando lembrei do meu celular.

Austin fez o favor de pegá-lo para mim.

Eu estava quase fora do quarto quando involuntariamente olhei para uma das muitas prateleiras dele. Apertei meus olhos e pude enxergar ele. Aquele maldito livro. Destination rings. Agora tudo parecia fazer sentido. O destino dos anéis era a minha filha. Eu fiz ou farei um colar para ela com os anéis para que ela se proteja do sol. Isso valeria muito se eu ainda estivesse no banco.

—Vamos. -Austin ainda com sua mão entrelaçada na minha me guiou pela escada e mais flashes vieram à tona. Eram de quando fomos para Hills Valley e que me atingiram em cheio. Lembro de descer as escadas da minha casa e Austin estar me esperando lá embaixo enquanto conversava com o meu pai.Quando dei por mim já estávamos entrando em seu carro.

Mais lembranças vinham, tentando me atingir da pior forma possível. Eram lembranças desse mesmo dia, porém de anos atrás, eu e ele estávamos indo para a balada depois do pacto e não ele me levando para minha casa sem nem termos feito o pacto.

—Esta tudo errado. -Falei, no entanto, Austin nem se deu ao trabalho de me questionar.

—Austin me leve ao cemitério da cidade agora. -Falei decidida.

Ele nem moveu um músculo.

—O que foi?-Arqueei a sobrancelha.

—Porque eu te levaria ao cemitério?-Perguntou entediado.

—Eu preciso confirmar que tudo isso não é uma alucinação da minha cabeça Austin. Eu preciso ir até lá. -Implorei.

—Não. O que você precisa é descansar.

—Tudo bem então. Se não quer me levar eu vou sozinha. -Ameacei sair do carro, mas ele segurou meu pulso antes. Tentei esconder um sorriso.

—Eu te levo. -Foi tudo o que disse.

Ajeitei-me melhor no carro. A maior parte de mim estava se sentindo aliviada por não ter Sarah, Agnes ou até mesmo Lucy, mas ainda assim eu não conseguia colocar em minha cabeça que elas não estavam por perto ou até mesmo planejando minha morte.

Inutilmente coloquei o cinto, eu não precisava daquilo, mas me questionar no momento era a coisa mais perigosa a se fazer.

O som do motor era a única coisa que podíamos escutar além dos batimentos de nossos corações. As ruas estavam desertas demais e já devia se passar de uma da manhã.

Mas a lua continuava bela e forte em cima de nossas cabeças. Sempre nos seguindo na escuridão de nossos próprios caminhos.

—Como soube de Francis?-Austin olhou em minha direção. Ele parecia não estar nervoso com a pergunta que acabou de fazer, mas seus olhos diziam o contrário. Eles não tinham como me enganar sobre o medo que sentiam.

—Tudo esta muito confuso para que eu consiga lhe responder algo Austin.Se tudo o que sei for realmente acontecer então teremos que mudar a nossa vida.-O olhei convicta.

—Do que esta falando?-Sua expressão mudou para choque.

—Um de nós dois terá que ir embora. -Foi tudo o que eu disse antes de fechar os olhos e tentar esquecer os últimos quinze minutos da minha vida ou os seis anos jogados fora. Pensei até em tentar dormir, mas se Austin é realmente aquele cara arrogante e vazio de antes não é muito confiável deixá-lo me guiar para onde bem entender.

É difícil decidir qual posição é a pior. Por um lado já vivi seis anos de pecados, mentiras, ódio e dor, mas por outro agora esta tudo surpreendentemente perfeito. Não existe ninguém atrás de mim ou da minha filha que não existe, mas que um passo em falso e posso reviver tudo aquilo de novo.

Fico me perguntando o que estaria acontecendo neste exato momento lá se eu tivesse acordado humana. Talvez eu tivesse salvado Audrey ou Austin. Matado Sarah ou estar debaixo da terra neste instante. Agnes e Alex teriam se acertado visto que nenhum dos dois vale nada. Cassidy provavelmente estaria presa em algum porão no fundo da casa de Elliot porque seria difícil demais para ele matar o amor de sua vida e por último as bruxas. Minhas amigas talvez tivessem sido queimadas no banco e Lucy já teria fugido há muito tempo. Seria loucura se aluguem me escutasse dizer que eu morreria feliz, no entanto era a verdade. Ao menos morreria tentando.

—Chegamos. -Ele disse estacionando o carro em frente ao cemitério da cidade. Parecia que o tempo estava correndo contra o meu favor.

Seu portão enferrujado era moradia de teias de aranha e cobras a espera do bote perfeito. As tumbas obviamente no maior silêncio possível. Algumas delas tinham vasos com flores já murchas em memória do falecido, outras objetos pertencentes às famílias e alguns não tinham absolutamente nada o que era o caso das tumbas de Agnes e Alex.

Pareciam estar intactas a milhares de anos e a única coisa que não se desfez com o tempo foram os nomes em suas lápides. Parecia que o ouro que banhava seus nomes queria demonstrar orgulho, admiração e respeito por nossas famílias coisa que nenhum dos dois tinham. Eram dois adolescentes egoístas e esnobes que não conseguiram resolver assuntos como pessoas normais e precisaram matar um ao outro por um orgulho idiota.

—Era isso o que você queria ver?-Austin me despertou.

—Não. -Sussurrei me lembrando do real motivo por eu estar ali.

—Preciso encontrara minha cova. -Falei voltando a caminhar por entre o lugar.

—Você não tem uma cova Ally. Não sei muito sobre você, mas sei muito sobre sua família. Você não foi humana e se tornou vampira, é impossível ter um caixão em sua memória porque você nunca morreu. -Ele disse calmamente como se eu estivesse louca e precisasse de seu esforço maior para compreender as coisas ao meu redor.

Apenas o ignorei e continuei procurando.

—Não acha que esta exagerando?Não é porque você bateu a cabeça que agora precise checar tudo ao seu redor para saber se as coisas estão ou não como no seu sonho infernal. -Disse me seguindo a passos rápidos, mas não lhe dei muito ouvidos. Estava mais concentrada lendo os nomes espalhados por toda a parte.

—É sério isso?Não vai me responder agora?Sei eu nem devia ter te trazido aqui, deveria ter te deixado sozinha sem saber o que fazer talvez assim juízo entrasse na sua cabeça. -Voltou a insistir.

—Quer saber?Eu vou embora, se quiser bancar à dramática que banque só, não irei mais perder meu tempo com você. -Meu coração parou. Eu sentia meu corpo todo entrar em choque e eu não conseguia nem ao menos mexer a ponta dos meus dedos.

Austin também pareia ter parado ou ido embora porque não ouvi mais nenhum som que viesse dele. Eu realmente estava vendo a minha cova ali. Ela estava na minha frente.

Tinha uma foto minha de quando ainda era criança em frente à lápide. Ela já estava muito gasta por conta do tempo, do sol e da chuva. Também havia velas derretidas e que pareciam terem sido acessas há alguns meses, rosas brancas também murchas sendo o tempo seu causador e um moinho de terra que parecia ter sido desenterrado há pouco tempo o que me intrigou um pouco.

Ao julgar pela terra ainda um pouco fresca franzi a testa.

Com o resto de forças que eu tinha me ajoelhei ao lado da cova e comecei a desenterrar aquele pequeno monte de terra.

Senti a mão de Austin tocar meu ombro, ele não disse nada, mas aquele pequeno gesto era o bastante. Parecia que ele estava dizendo ‘’tudo bem, eu estou aqui’’. E continuei a cavar com a mão aquele pequeno buraco que parecia não ter fim. Meu braço já havia entrado até o cotovelo e nada. Estava pensando em desistir quando senti um metal frio tocar a ponta dos meus dedos. Estremeci na hora e sem pensar duas vezes puxei o que quer que fosse aquilo.

Mesmo ainda coberto de terra eu podia reconhecer aquele colar em qualquer lugar. Era o colar de Audrey. Mas como?Ela não nasceu não ainda e talvez nunca chegue a nascer então como esta ali?

Olhei para minha mão e meu anel ainda estava ali, virei o rosto na direção do meu ombro onde a mão de Austin ainda repousava e o seu anel também ocupava seu dedo.

Não era possível aquele colar estar ali se nunca foi feito, ou melhor, alguém ter colocado ele ali. Minha cova também não deveria estar ali se nunca morri. De acordo com as datas ainda estou no dia do pacto e não dias ou anos após o forjamento da minha morte. Nada mais fazia o mínimo sentido possível.

Foi inevitável conter as lágrimas e pela primeira vez eu não tinha vergonha delas. Eu não sabia o que fazer, não sabia a quem pedir ajuda ou muito menos a quem confiar. Talvez confiar em mim mesma tenha sido o pior delas. Ao menos antes eu tinha um propósito: defender minha filha. Mas e agora?Não tenho por quem lutar e não posso fazer absolutamente nada em relação a tudo.

—Calma. -As mãos de Austin me puxaram para cima e involuntariamente me envolvi em seus braços chorando em seu peito. Ele estremeceu com meu gesto, mas não disse nada. Apenas me deixou chorar enquanto afagava meu cabelo.

Austin sempre foi rígido e nunca baixava a guarda, mas por uma fração de segundos senti seus ombros caírem e ele me deixar me aconchegar ainda mais em si.

—Eu não sei o que esta acontecendo com você ou o que esta passando, mas sei que tem problemas e que estou aqui para o que precisar. -Disse baixo em meu ouvido.

Em outro momento talvez isso me acalmasse, porém não hoje.

—Não, você não esta Austin. -Me afastei um pouco dele, o bastante para encarar seus olhos. —Você diz isso porque não sabe o quão grave é a minha situação e o que ela envolve. Talvez se eu te contasse a verdade você me deixaria aqui sozinha como em minha cabeça deveria ter feito anos atrás. -Por mais que minha voz estivesse embargada eu não vacilei nenhuma vez.

—Então me conte. Assim saberemos o que vai acontecer depois dessa noite. -Disse voltando a sua forma dura de sempre.

O que eu tinha a perder?Praticamente vivi um sonho que de início parecia uma visão e que agora parece que eu viajei no tempo até o dia da minha morte que pode ser a forjada ou a real depois do dia do banco. Nada faz sentido mais.

Suspirei profundamente e então o encarei de novo. Por cima dos seus ombros vi uma árvore de aparência velha e que tinha seu tronco um pouco envergado, ela era alta e parecia já ter visto mais choro do que qualquer outra pessoa na terra.

Apontei com o queixo para ela e em seguida saltei até um de seus galhos mais firmes em um único pulo. Austin não ficou para trás e logo estava sentado ao meu lado.

Por mais que estivéssemos em um cemitério à visão dali de cima conseguia superar a cobertura de qualquer hotel de luxo ou qualquer montanha que existe no mundo. Era bonito da sua simples maneira.

—Se tudo corresse como no sonho. -Dei ênfase na última palavra. —Iríamos nos tornar amigos, na verdade um pouco mais que isso. -Falei sem saber o jeito correto de como explicar tudo isso para ele.

—Agnes e Alex iam voltar praticamente nos obrigando a fazer um pacto, não igual esse do colégio, mas sim um de verdade que caso algo desse errado poderia acabar matando um de nós, mas nunca chegamos de fato a fazê-lo. -Por conta do meu nervosismo eu gesticulava com as mãos. Austin por sua vez tentava ao máximo acompanhar minha história totalmente concentrado no que eu dizia.

—Eu havia engravidado e você era o pai do bebê. Se eu fizesse o pacto poderia morrer junto ao bebê ou até mesmo matar nós três e então eu escondi isso de você. Não podia te contar porque na minha cabeça você seria o primeiro a me julgar e talvez a me matar por conta disso e então forjei a minha morte no dia do pacto junto a Agnes. Fui com ela e Sarah para Louisiana criar minha filha. Eu sabia que isso teria um preço caro a se pagar, mas mesmo assim concordei. Era a única maneira de mantê-la segura até vir às conseqüências. Eu teria que te matar ou o que aconteceria no dia do pacto viria à tona de novo. Como planejado fiz o que ela pediu e depois de muito pensar resolvi junto com você matar Sarah em um banco abandonado da cidade, só que eu precisaria ser humana e você também. A última coisa que me lembro é do suicídio que cometi. -Meu olhar agora estava vago, tentando compreender o que eu acabei de dizer por que nem eu mesma sabia se eu tinha falado coisas sensatas.

—Tem certeza de tudo o que você esta falando?-A voz dele saiu surpreendentemente suave. Nada de ironia, risada ou raiva.

—Sim. -Deixei que minhas palavras saíssem firmes.

—Tudo bem. -Ele assentiu com a cabeça.

—Mas posso te fazer uma pergunta?-Me encarou hesitante. Por mais que ele sempre fosse seguro de si mesmo parecia se conter ao máximo para não dizer algo que pudesse me ferir.

—Claro. -Dei de ombros balançando minhas pernas na tentativa de me distrair com algo.

—Porque é tão egoísta?Talvez você não faça por mal, mas realmente acha que sua morte vale a de dezenas de pessoas?Você é uma vampira Ally. Foi criada para matar. Existem pessoas lá fora que perderam pais, mães, filhos, namorados e esposas por sua culpa e no final do dia não é você que deita em um travesseiro e chora por não ter mais alguém que você amava tanto ao seu lado.Talvez você não os mate por opção,mas não pode negar que suas mortes não lhe afetam em nada então porque esta preocupada com a sua?Ela vale mais que a dos outros?

Aquilo foi como uma facada em meu coração. Por mais que suas palavras fossem verdadeiras e tranqüilas eu não podia deixar de notar a dor que elas me causavam. Eu nunca havia parado para pensar daquela maneira e não tinha resposta para suas perguntas tão amarguradas.

—Eu... Eu só queria a minha filha a salvo. -Foi tudo o que consegui dizer em uma voz mais baixa que um sussurro. Eu estava com vergonha.

—Pra que?Pra no futuro ela se tornar uma cópia da mãe?Tenho certeza que você já a ensinou a matar pessoas, mas nunca lhe deu uma casa de bonecas de presente.

Outro golpe ainda mais forte. Como algo que ainda não aconteceu poderia me ferir tanto?

—Eu apenas estava tentando prepará-la para o mundo. -Engoli em seco.

—A transformando em uma assassina?Que ótima mãe você devia ser. -Cravei minhas unhas em sua garganta em menos de um segundo.

Com apenas uma mão o levantei pelo pescoço consciente de que o galho era forte o bastante para nos manter de pé.

—Olha aqui você não sabe absolutamente nada sobre mim. E principalmente não sabe nada sobre Audrey então se não quiser que eu te jogue daqui acho melhor calar a boca. -Sibilei cada palavra.

Ele, porém parecia estar entediado.

—Me jogue,queime,afogue, se quiser até me enterre vivo, mas isso não vai mudar o fato de que você é apenas mais uma vampira egoísta que só liga para as pessoas que estão ao seu redor por medo de que elas também te abandonem. -Suas palavras eram como navalhas por todo o meu corpo.

Com a mão livre lhe acertei um soco no meio de sua bochecha e um chute em seu estômago o fazendo cair da árvore gemendo de dor.

Pulei logo em seguida. Estava pronta para enfiar o salto da minha bota em sua garganta quando ele agarrou meu pé fazendo com que eu caísse ao seu lado.

—Acha mesmo que tem alguma chance de me vencer?-Riu na minha cara ainda urrando de dor.

—Eu não acho, tenho certeza. -Em um movimento rápido nós dois já estávamos de pé de novo.

Ele tentou meu acertar um soco que esquivei me abaixando e lhe dando uma rasteira que ele logo notou e pulou.

Antes que eu pudesse atacar o senti atrás de mim segurando meus braços.

—Você é tão linda Dawson, realmente não queria te matar. -Sussurrou em meu ouvido me apertando ainda mais forte. —Mas é uma pena você ser tão idiota. -Senti meus músculos estralarem com isso e sem pensar duas vezes tentei dar um passo a frente, o bastante para eu conseguir chutar seu estomago ganhando impulso para dar um mortal até estar bem longe dele.

Eu não iria ganhar nada com aquela luta inútil ou muito menos ele. Agora era certo de que nunca iríamos fazer o pacto da escola e começar toda aquela confusão. Na verdade estou feliz desse ser o meu maior problema no momento. Chega até a ser cômico.

—Porque esta com tanta raiva Ally?Falei alguma mentira?Se a resposta for sim você não teria motivos para estar tão zangada comigo, mas se a resposta for não é porque tem medo e sabe que eu apenas disse à verdade que ninguém nunca teve coragem de te dizer. -Disse cuspindo sangue.

Era muita coisa para processar e mesmo que toda aquela luta no banco não tivesse de fato acontecido parecia que eu tinha enfrentando mil homens, pois sentia todo o meu corpo gemer de dor.Eu não iria vencer ele tão impotente do jeito que estou.

Mal senti quando ele me encurralou naquela mesma árvore.

—Eu não bato em mulheres ou até mesmo mato elas, isso esta fora do meu código de sobrevivência, mas não posso deixar que tudo o que você previu se torne verdade não é?-Ele acariciou meu rosto com o carinho mais fingido que já vi e o que me fez estremecer ao seu toque.

—Lembre-se. Não vou destruir minha vida por um erro. -Aquelas palavras que eu tanto temia saíram mais uma vez da sua boca, agora quase nem me abalavam mais.

Era impossível eu sair dali, eu estava imóvel em seus braços quando ele colou seus lábios nos meus. Triste dizer que a única coisa que aquele seu gesto me provocou foi nojo. Afastei meu rosto do dele e cuspi em sua cara. Era o pior que eu podia fazer em minhas condições.

Ele apenas riu de mim limpando o rosto.

—Não importa o que acontecesse, eu nunca iria estar do lado de uma Dawson. -Vociferou e então senti sua mão adentrar meu peito.

Era uma dor totalmente nova e agonizante. Em todos esses anos da minha vida nunca senti nada que chegasse ao menos aos pés disso.

E por mais que eu não respirasse por ser vampira ainda assim sentia como se aquilo estivesse me sufocando. O movimento foi tão rápido que só tive tempo de ver meu coração pulsando em sua mão enquanto eu caia ajoelhada aos seus pés. Minhas pálpebras ainda estavam abertas, eu sentia isso, mas a única coisa que eu conseguia enxergar era a escuridão.

Notas finais
Sinto falta das minhas antigas leitoras :( e também não gosto dos leitores fantasmas.Bom não é que eu não goste de vocês,mas sim que eu não gosto que vocês não interajam comigo.Quero comentários gente,como antigamente.