The King on Crimson

1 Chapter 01 - Memories from the Past


Notas iniciais
"Arise, awake, the king in crimson, crimson comes He knows the weakness that you can't fight Stone of night that weighs you downIf you only could see the visions His hand is death if you take it now (...)"

Existem muitos mitos ao redor do mundo.

Com o passar dos séculos, grandes guerras foram travadas, grandes reis surgiram e bravos cavalheiros se tornaram conhecidos por seus feitos, tornando-os lendas, mitos. Porém, apenas uma dessas lendas é conhecida ao redor do mundo inteiro.

A lenda da espada cravada na pedra.

Excalibur, a espada com poder de corte ilimitado, confeccionada com pura magia e forjada por um dragão que protegia seu portador do mal. A espada cortava ferro como um machado afiado corta uma madeira.

Excalibur ou Caliburn é a lendária espada do Rei Arthur. Sem sombra de dúvida, a mais famosa espada de todos os tempos. De acordo com as lendas, ela foi criada nos reinos mais distantes e místicos de Arcádia¹, pela fenticeira conhecida como Nimue, Viviane ou apenas como a Dama do Lago. Todos conhecem a história do Rei Arthur – um homem que governou seu reino de Camelot com sabedoria, poder, glória e justiça. E, como em toda boa história, existe um vilão que almeja destruir o reino e roubar toda a fonte de seu poder, no caso, a espada Excalibur.

Uma feiticeira poderosa, Morgana Le Fay, queria a espada e o trono de Camelot. Mas Arthur enfrentou ela em uma sangrenta batalha, onde ele foi o vitorioso. Dizem que o Rei Arthur a matou com a espada forjada pelo, impedindo-a de prejudicar seu povo novamente. O Rei venceu a luta, porém ficou gravemente ferido nesta. Ele pegou a espada e navegou para Avalon para se curar, prometendo retornar um dia...

Porém o que ninguém nunca soube é que o rei Arthur nunca deixou seu reino completamente, vigiando-o intensamente mesmo com o passar dos séculos.

“Arthur, Arthur! Ei, você está me ouvindo? Ei, seu velho surdo!”

Alguém começou a sacudir uma das mãos em frente ao rosto da personificação da Inglaterra, para levá-lo de volta a realidade. O loirinho piscou inúmeras vezes, despertando de seus devaneios e então olhou para cima, encontrando um par de olhos azuis cristalinos, tão azuis quanto o céu. O americano voltou a balançar uma de suas mãos em frente do rosto do britânico que, com a irritante insistência de Alfred, apenas arqueou uma de suas sobrancelhas, nítidamente irritado com sua atitude.

Hey, dude! A reunião já acabou! Por que você continua sentado aí, encarando o nada? Está tudo bem? – perguntou o americano nitidamente preocupado.

– Ahn? Ah, sorry, Alfred... – o britânico suspirou, levando uma de suas mãos até os cabelos loiros, tentando ajeitá-los inutilmente – Estou bem...

– Cara, você está estranho... Não parece que é você. Quero dizer, você está distraído o dia inteiro, nem parece que está aqui... – ele sussurrou enquanto ajeitava os óculos – Bem, é que normalmente você sempre interrompe os meus discursos heroicos discordando com tudo o que eu falo... Você está doente ou algo do tipo, Artie? – questionou inocentemente enquanto suas mãos pousavam contra os ombros de Arthur.

O inglês franziu o cenho em desaprovação ao apelido ridículo que o americano insistia em lhe chamar, expelindo um longo suspiro.

– Não estou doente, Alfred. Agora suma daqui. Preciso ir pra casa, voltar a minha agenda diária. Diferente de você, eu tenho muito trabalho a fazer.

Arthur agarrou as mãos do americano que ainda continuavam pousadas sob seus ombros, empurrando-as violentamente, fazendo com que o maior se afastasse de si. Ele se levantou de sua cadeira, em seguida varrendo a poeira invisível contida em suas roupas e organizando alguns papéis espalhados pela mesa. Alfred se recuperou do repentino “ataque” de bipolaridade do inglês, cruzando os braços e inflando as bochechas.

– Pfff, não precisava ficar irritado assim, eu só estava brincando...

O norte-americano estendeu os braços, deixando um bocejo alto e nítidamente entediado escapar pela sala enquanto o mais velho organizava suas coisas em sua mala para partir dali. Um pequeno sorriso se delineou pelos lábios da nação mais jovem e este avançou no britânico, colocando um braço em volta do pescoço deste.

Arthur arregalou os olhos esmeraldinos, tão surpreso com o inesperado e abrupto ato do maior que acabou por deixar de lado sua mala.

– Ei, Artie, você está trabalhando muito, sabe? E um velho como você tem que ficar mais relaxado...

O loirinho rosnou ferozmente com o insulto e agarrou a mão de Alfred, empurrando-a de seu ombro.

– Eu não sou velho, seu gordo idiota. – ralhou o britânico, já tão irritado com as atitudes tão irresponsáveis do mais novo – E o trabalho é importante! Você devia leva-lo mais a sério, Alfred. Pare de comer essas comidas gordurosas e de ficar jogando videogame o dia inteiro, você é uma nação, não um adolescente! Liderar um país é algo muito sério!

O americano ergueu as mãos e forçou uma expressão séria enquanto encarava o menor.

– Calma, Artie... Eu sei disso e eu estou fazendo o meu trabalho, mas ás vezes todos nós temos de fazer pausas, sabe, para se divertir um pouco... – outro sorriso surgiu nos lábios do maior, alargando-se à medida que continuava a falar – Talvez seja por isso que eu sou tão animado e não um velho chato e mal-humorado como você, hahahaha~!

O americano riu escandalosamente e o inglês apenas revirou os olhos, voltando a apanhar sua mala.

Bloody Hell², Alfred! – sibilou o loirinho com os olhos estreitos em fúria e indignação – Por que mesmo que eu insista em dizer inúmeras vezes que o nosso trabalho é importante, você nunca me leva a sério?

– Talvez pelo simples fato de eu não ser mais uma de suas colônias e, não dar a mínima para o que você diga? – retrucou o americano irrequieto – Pare de me tratar como se eu ainda fosse sua propriedade, eu sou livre e faço o que eu quiser.

O inglês expeliu um longo e desapontado suspiro, aquelas memórias do passado ainda o machucavam. Ele sabia que Alfred não era mais uma de suas colônias, é claro que ele sabia... Mas recordar-se daquela época era doloroso demais. Por mais que ele tentasse esquecer, Alfred sempre sabia o que dizer, onde apontar.

– É, eu sei disso... disse em um sussurro desapontado, rodando os calcanhares e caminhando em direção a grande porta de madeira no final da sala de reuniões. – Me pergunto onde foram parar todos aqueles ensinamentos sobre respeito e etiqueta que eu fiz questão em te ensinar, há mais ou menos trezentos anos atrás, Alfred...

O loirinho esticou uma das mãos e, assim que esta agarrou a maçaneta, uma súbita dor o atingiu. Os olhos esmeraldinos se arregalaram em choque e o inglês arquejou violentamente quando uma dor excruciante atingiu seu peito em cheio. Um curto e desesperado gemido de dor fora expelido dos lábios do menor que, com a dor, deixou a mala que carregava em sua mão direita caísse sob o piso. Seus joelhos fraquejaram e ele despencou no chão enquanto sua mão esquerda ia de encontro ao seu peito que ainda latejava com a dor. Arthur agarrava o tecido de seu uniforme firmemente enquanto utilizava sua outra mão como apoio. Assim que ele cerrou os olhos, um flashback de seu passado surgira em sua mente.

(...)

Os olhos tão verdes e profundos do poderoso rei de Camelot encaravam a plana paisagem ao redor de suas terras. O vento frio fazia com que os cabelos loiros do rapaz balançassem sobre a moldura de seu rosto, dando-lhe uma aparência tão jovem, de no máximo dezoito anos. O amplo campo que se encontrava era tão verde-vívido quanto seus olhos, porém, naquele momento estava encoberto por gigantescas nuvens lúgubres que tingiam o céu de cinza. Seu corpo inteiro estava protegido por uma resistente armadura de metal com alguns pequenos adornos e sua capa, de um vermelho escarlate esvoaçava ao vento. Em uma de suas mãos, ele segurava a alça de uma bela e afiada espada, a famosa Excalibur.

Pequenas gotículas de suor e um largo filete de sangue escorriam pela face do rapaz enquanto este observava a feiticeira Morgana conjurar um círculo de magia negra e deste saírem criaturas horrendas, vindas das trevas. Morgana era uma mulher com feições duras e selvagens, possuía belíssimos olhos azuis e seus cabelos negros caíam sob os ombros e ela trajava um longo vestido negro que marcava sua silhueta. Um sorriso sádico surgiu nos lábios da feiticeira e esta começou a comunicar-se com o rapaz em uma linguagem antiga, old english³.

– Oh, meu querido Rei Arthur... Esperei tanto por este momento! Seu reino será MEU ao término deste dia!

Morgana riu sadicamente, movendo os dedos elegantemente para puxar as cordas imaginárias que a ligavam com as criaturas que havia conjurado, fazendo com que estas avançassem na direção do jovem Arthur.

As criaturas rugiram ferozmente e pularam no ar, prontos para cortarem o cavaleiro em pedaços com suas poderosas garras. Arthur sussurrou algumas palavras em uma língua antiga, deslizando o dedo indicador sob a lâmina da espada. Ao receber o toque, a lâmina começou a brilhar intensamente em uma luz azul safira. Houve um tilintar da espada e as criaturas caíram em pedaços, sem muito esforço. O sangue negro destas respingou em sua armadura, mas Arthur não se importava naquele momento. Os olhos verdes correram pela área, fixando-se sob a figura da poderosa feiticeira. Ele a encarou com ódio e correu em sua direção, para ataca-la diretamente.

– MORGANA!

Os lábios da bruxa se curvaram em um sorriso sádico e os olhos antes tão azuis cobalto se tornaram dourados enquanto suas mãos se erguiam na direção da jovem personificação da Inglaterra, fazendo com que seu poder mágico fluísse em nestas e uma corrente elétrica fosse deferida ao cavaleiro. A corrente elétrica atingiu Arthur com força total, percorrendo toda a extensão de seu corpo, pele e músculos, paralisando-o temporariamente. Ele gritou assim que o golpe lhe atingiu e seu corpo despencou, chocando-se violentamente contra a terra. O súbito choque fez com que o inglês soltasse a espada, deixando que esta caísse próxima de seu corpo.

A feiticeira riu sadicamente, satisfeita com o estado do bravo e tão imponente cavaleiro. Ela se divertia ao vê-lo sofrer daquela forma.

– Oh my! What a golden voice you have, boy. Eu amo ouví-lo gritar desta forma, reizinho! – exclamou ela, extasiada.

Seu longo vestido arrastou sob a terra enquanto esta se dirigia até o corpo de Arthur, ajoelhando-se ao lado do cavaleiro ainda paralisado e lançou-lhe um sorriso abarrotado de veneno.

“Que garoto persistente...” Pensou enquanto movia uma de suas mãos até os cabelos dourados do rapaz, repuxando-os com violência.

O inglês grunhiu de dor assim que outra corrente elétrica percorreu seu corpo. Morgana alargou o sorriso enquanto observava o corpo do loirinho se contorcer dolorosamente.

– Eu sabia que você não era um humano normal, Arthur. Ninguém estaria vivo após um ataque como este... Você é realmente intrigante, rapaz...

Os olhos da feiticeira vasculharam a área ao redor do cavaleiro e se fixaram contra a lâmina de sua espada. Ela moveu uma de suas mãos para alcançar o pomo da espada, mas, assim que esta o tocou, uma onda de energia a atingiu em cheio e a feiticeira arregalou os olhos, expelindo um urro de dor. Morgana se levantou rapidamente enquanto segurava a mão que tocara o pomo da espada, notando que as pontas de seus dedos estavam queimadas. Ela rosnou ferozmente e fuzilou os olhos esmeraldinos do cavaleiro.

– Desgraçado. Essa maldita espada está ligada a você, não é...? Bem, neste caso... – Ela ergueu ambas as mãos aos céus e seus olhos mudaram novamente para o tom dourado – Eu vou quebrar a ligação que vocês compartilham, destruindo esse seu mísero corpo em pedaços! – exclamou ela, proferindo uma perigosa e poderosa magia antiga.

Arthur finalmente começava a se recuperar do ataque, mesmo que seu corpo ainda estivesse sendo castigado pelas correntes elétricas que insistiam em golpear seus músculos. Porém, ao ver que Morgana pretendia fazer, ele entrou em súbito pânico. Ela conjurava uma magia negra poderosa... Ele precisava detê-la a qualquer custo! Com certa dificuldade, o rapaz estendeu um dos braços e alcançou a espada, puxando-a para si.

O feitiço que Morgana conjurava já exalava um nível de magia tão alto que o corpo desta começava a ser envolvido por uma aura de tom púrpura. Arthur sabia o quão perigoso poderia ser aquele golpe, talvez fosse forte o suficiente para eliminá-lo mesmo que este não fosse apenas um rei, mas sim, uma nação. Destruí-lo era uma questão delicada, mas em uma situação como aquela e se tratando de uma feiticeira negra como ela era, a chance de ela ser capaz de mata-lo não estava fora de questão.

Uma súbita lembrança veio-lhe em mente. Arthur recordou-se de um feitiço que o próprio Merlin havia lhe ensinado não muito tempo atrás, algo que poderia salvar sua vida e que este poderia realizar com facilidade. Um sorriso vitorioso surgiu nos lábios do cavaleiro e este se levantou abruptamente, apesar dos ferimentos. Ele cerrou os olhos e moveu sua mão elegantemente enquanto um círculo de magia surgia ao seu redor e este proferia a magia que Merlin lhe ensinara. Morgana percebeu o que Arthur fazia tarde demais, um flash de luz brilhante se formou em volta do cavaleiro e o brilho quase cegou a feiticeira. Ela gritou e protegeu seus olhos com as mãos, perdendo toda a concentração de seu feitiço.

“Essa é minha chance!” constatou Arthur em seus pensamentos. Aquele era o momento perfeito para ataca-la. O inglês pegou impulso e avançou na direção da mulher, empunhando a arma e cravando a lâmina desta contra o estômago de Morgana. Ela urrou com a dor e o sangue começou a fluir para fora do ferimento.

– This ends today, Morgana! – ralhou, deslizando a arma para fora do corpo da feiticeira em um movimento suave, fazendo com que esta caísse no chão.

O corpo desta despencou sob a grama e ela levou ambas as mãos contra o sangramento proveniente de seu estômago. Ela grunhiu de dor e Arthur ergueu novamente a espada, apontando a ponta da lamina desta contra a jugular daquela mulher, porém, quando ia finalmente degolá-la, não conseguiu. Seus olhos esmeraldinos encheram-se de tristeza e este abaixou a arma, encarando a mulher com uma expressão desolada.

– Morgana... Isso não deveria acabar desta forma... Eu não sei por que você tem tanta raiva de mim, mas... Por favor, desista desse seu desejo por poder... – suplicou o inglês, com um tom de voz ameno – Sua magia pode ser usada para o bem, para cuidar do nosso povo...

Ele pousou uma das mãos sob o próprio peito enquanto observava os olhos cintilantes daquela mulher. As expressões de Morgana haviam mudado e ela parecia... Melancólica.

– Oh, Arthur... Você é tão gentil... – o olhar melancólico fora substituído por uma expressão fria e indiferente que fez com que um arrepio percorresse toda a extensão da espinha do loirinho – ...You fool... Mordred!

Os olhos verdes do britânico se arregalaram em espanto após ouvir aquele nome. Ele sentiu alguém esgueirar-se por trás de si e tentou se virar, mas era tarde demais. Um objeto pontiagudo fora cravado em suas costas, penetrando sua armadura e, consequentemente, seu corpo. O objeto perfurou sua carne e atravessou seu corpo com facilidade, saindo pelo outro lado de sua armadura. Arthur encarou a lâmina ensanguentada que atravessava seu corpo e armadura, com os olhos esmeraldinos ainda arregalados. Ele queria gritar, mas nenhum som sequer escapara de sua boca, talvez por causa do choque que tomara. Ele tentou caminhar tropegamente, porém seu corpo pendeu para a direita quando ele agarrou a lâmina que jazia cravada próxima ao seu órgão vital. Seus olhos verdes se focaram no homem que lhe atacara e ele o reconheceu imediatamente, era Mordred, o sobrinho de Morgana.

– M... Mor...dred... – o inglês arquejou com dificuldade, podendo sentir o gosto férrico do sangue se formar em sua boca – C... Como—

– Ah, quer saber como eu cheguei aqui? Bem, seus cavaleiros tentaram me afastar, mas parece que você não os treinou o suficiente.

Arthur cambaleou para trás novamente, sentindo sua visão embaçar e seus sentidos se esvaírem pouco a pouco. Ele não iria aceitar a derrota. Ele não poderia aceitar uma derrota, afinal, ele era o rei de Camelot, seu povo precisava dele! Morgana ignorou o próprio ferimento, se levantando e encarando o bravo e insistente cavaleiro a sua frente.

– Vamos acabar logo com isso, Rei Arthur. Seus homens não são mais capazes de lutar e você está a beira da morte.

Arthur balançou a cabeça negativamente, respirando com dificuldade e uma grande quantidade de sangue começou a deslizar por seus lábios e rosto.

– Não... Morgana... Eu pensei que... Tinha certeza que... Algo bom ainda restava em você, mas... – o loirinho balançou a cabeça tristemente, fazendo com que um pequeno sorriso sem qualquer humor se formasse em seus lábios. – You leave me... No choice...

A personificação da Inglaterra agarrou Excalibur com ambas as mãos e bateu a ponta da lâmina desta contra o chão, caindo de joelhos sob a mesma. Seus olhos se cerraram e as sobrancelhas se franziram enquanto ele começou a proferir um encanto em uma linguagem muito antiga, tão antiga que a própria Morgana não conseguira entender. Pouco tempo depois um círculo mágico começou a surgir sob os pés da feiticeira que pulou para trás em surpresa. Ela arregalou os olhos e entrou em pânico, porém, ao tentar correr, seu corpo se chocou contra uma barreira invisível que a impediu de sair do círculo.

– O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – ela gritou exasperada e tentou conjurar magia, porém nada aconteceu. Era como se toda sua magia estivesse se esvaído de seu corpo. – MORDRED! FAÇA ALGUMA COISA! – bradou novamente para o mais jovem que permanecia a poucos metros de distância de ambos.

Mordred assentiu e empunhou a espada, virando-se para o cavaleiro, pronto para cortar-lhe a cabeça. Assim que o rapaz preparou para atacar, a nação abriu os olhos que brilhavam em um tom extasiante por conta da magia que conjurara. Arthur levantou-se novamente, parecendo não se incomodar com a lança cravada em seu corpo, focando seu olhar sob o homem que segurava a lâmina em sua direção. Mordred não conseguiu parar o ataque, avançou na direção do inglês, porém sua lâmina não conseguiu entrar em contato com o corpo do rapaz, mas sim com um escudo que o protegia. Tentáculos de luz surgiram dentre o escudo que envolvia a nação e agarraram Mordred, enrolando-se em torno de todo o corpo deste, o levantando no ar. O homem começou a gritar e se debater na tentativa de se soltar dos tentáculos, inutilmente.

May God have mercy on your soul. – proferiu Arthur, com um estranho tom de voz metálico e inumano.

Os tentáculos foram pressionados contra o corpo do homem violentamente e o atiraram para o ar, em direção à floresta, onde este se chocou contra uma das árvores e quebrou o pescoço, caindo sob a grama, já sem vida.

Arthur desviou seu olhar para Morgana que, observara toda a cena atentamente, ainda presa sob o círculo de magia.

– Morgana Le Fay, eu não irei lhe julgar apenas como o rei de Camelot, mas sim como uma nação. Irei baní-la para o abismo, onde você nunca mais será capaz de machucar alguém de novo. Sua alma deverá ser julgada e condenada à solidão eterna!

Um buraco negro se abriu sob os pés de Morgana e gigantescas correntes surgiram deste, agarrando o corpo desta e a puxando para o abismo. Ela começou a gritar descontroladamente, tentando se soltar das correntes que a prendiam, inutilmente.

– GUARDE MINHAS PALAVRAS, ARTHUR! Eu ainda vou possuir a espada e a sua alma, nem que seja a última coisa que eu faça! Isso ainda não acabou... NÃO ACABOU! SEU REINO SERÁ MEU! TODO O MUNDO SERÁ MEU! – ela gritou e, uma risada doentia escapou de seus lábios assim que o último pedaço de seu corpo desapareceu na escuridão. Algum tempo depois o círculo magico desapareceu e o escudo sob o corpo de Arthur se desfez. Ele ficou a encarar o vazio por um longo tempo até que seu corpo perdeu todas as forças, fazendo-o desabar sob o chão. Uma poça de sangue se formou ao seu redor em questão de segundos e sua visão começou a embaçar lentamente... It was over...

(...)

“Art...”

“...thur...”

“ARTHUR!”

Arthur entreabriu os olhos lentamente, ainda abatido por aquela memória de um passado tão longínquo. Ele ainda conseguia sentir a dor em seu peito, como se a lança ainda estivesse cravada sobre sua carne, mas ele não estava mais no campo de batalha. Ele encarou o teto e pode constatar que estava novamente na sala de reunião, mas sua visão ainda estava muito embaçada. Ele vasculhou o local, podendo notar suas pessoas próximas de si, não conseguindo reconhece-las de imediato.

– Cara, você consegue me ouvir? o americano perguntou, agoniado.

– Alfred-san, deixe-o respirar, por favor... – o tom de voz do nipônico era baixo, porém, extremamente calmo.

“Alfred...? Kiku...?”

O inglês piscou algumas vezes, forçando seus olhos a recuperarem o foco e sua visão se tornou mais clara. Ele estava deitado no chão com Kiku e Alfred o encarando preocupados. Alfred é o que parecia estar mais desesperado, nunca vira o os azuis cristalinos do americano tão trêmulos como estavam naquele momento.

Dude, what the hell happened? Você desmaiou de repente!

– O... O quê? – o inglês sussurrou com dificuldade, tentando mover-se, porém a dor em seu peito era agonizante demais no momento. Ele se esforçou novamente, tentando se sentar, porém o nipônico o impediu de fazer isto.

– Não, Arthur-san! Você não deve se mover até se sentir melhor...

– Eu estou bem, ugh... – o loirinho grunhiu de dor e voltou a encarar o japonês, sussurrando-lhe um pedido – Kiku... Você teria a bondade de...

O nipônico entendeu o que o outro país desejava, assentindo e agarrando um dos braços do britânico cuidadosamente, auxiliando-o a se sentar. O americano apenas assistia a cena, completamente confuso e inquieto.

– V-você mentiu pra mim, Artie! Você disse que não estava doente... – a voz do maior estava trêmula e este parecia prestes a desabar em lágrimas. Aquela cena, de alguma forma, trazia ótimas recordações ao britânico.

– Eu não menti para você, Alfred... Eu não estou doente. Eu... Só... – o inglês interrompeu-se enquanto as memórias voltavam a atormentá-lo. Ele balançou a cabeça na tentativa de espantar aqueles pensamentos, porém algo que ele não conseguia entender era... Por que ele conseguia sentir a ferida ainda daquela época? E por que sua mente insistira em lhe mostrar aquela cena novamente? Algo não parecia certo...

O japonês notou que algo muito errado acontecia com o loirinho e desviou o olhar para o americano, tocando um de seus ombros levemente.

– Alfred-san, acho melhor levarmos ele para casa, ele precisará de algum tempo para descansar depois do que aconteceu...

– M-mas eu estou bem... Não precisam se preocupar com—

– Shhh! – o americano levou o indicador próximo aos lábios do inglês, impedindo-o de continuar – O Kiku tem razão, Artie! Eu... Ahm, nós precisamos te levar para casa, assim você pode descansar...

O japonês segurou um dos braços de Arthur, pedindo para que este se apoiasse em um de seus ombros, assim o erguendo cuidadosamente.

– A-Ah, K-kiku! – o americano exclamou de repente, fazendo com que ambos os rapazes o encarasse atônitos – Eu posso leva-lo para casa, sabe? Afinal, eu sou o herói!

– Não, Alfred... Kiku... Eu estou bem... – o inglês expeliu um longo suspiro, soltando-se do nipônico cuidadosamente – Estou bem, de verdade... Posso ir pra casa sozinho.

Arthur tentou se equilibrar assim que se soltou, tropeçando por um breve momento – fazendo com que os outros dois rapazes se alarmassem. O japonês se aproximou novamente para segurar o inglês, porém este o impediu, esticando uma de suas mãos em um breve sinal para que este não o ajudasse.

– Obrigado pela ajuda, Kiku... Mas eu estou bem, agora. Posso cuidar de mim.

– Tem certeza? Você parece estar com dor, Arthur-san, eu posso ajudar—

– Não, está tudo bem, really. Obrigado pela sua ajuda. – forçou um pequeno sorriso, se dirigindo até a mala e a apanhando cuidadosamente.

O inglês caminhou lentamente até a porta, parando no meio do caminho e utilizando a mesa de reuniões como apoio momentâneo apenas para voltar a encarar os outros dois rapazes.

– Não se preocupem comigo.

– Pfff, como se eu fosse me preocupar com um velho como você... – retrucou Alfred, num tom ofendido.

O japonês curvou-se para baixo assim que o Inglês deixou a sala de reuniões e se dirigiu a saída do prédio. O japonês simplesmente observou enquanto o inglês atravessava todo o corredor e desaparecia de sua vista, fazendo com que o asiático franzisse o cenho, desconfiado.

Estranho... Algo não está certo... Eu posso sentir isso...

Notas finais
+Legenda: 1. Arcádia: Arcádia era uma província da antiga Grécia. Com o tempo, se converteu no nome de um paísi maginário, criado e descrito por diversos poetas e artistas, sobretudo do Renascimento e do Romantismo. 2. Bloody Hell: É uma palavra utilizada pelos britânicos como gíria ou expressão de uso comum, sendo usada em vários contextos. No geral, costuma ser usada para expressar ênfase ao que está sendo dito. 3. Old English: A primeira forma de linguagem do idioma inglês, entre os séculos V e XI. O idioma começou a nascer nas ilhas britânicas e, apartir de então, recebe o nome de Old English, Anglo-saxão ou até mesmo como Englisc, que significa língua dos anglos. -------------------------------------------------------- Hey there~! Olha eu aqui novamente, com outra fic... Ah, essa fic... Eu simplesmente AMO a história do Rei Arthur, esse nome me persegue desde sempre... E eu já tenho em mente que vou ter de colocar esse nome no meu filho (imaginem que lindo se ele nascer loiro, ainda por cima). Well... Ciaoooo~! Espero que tenham gostado deste primeiro capítulo, apesar de ser curtinho... Eu vou aproveitar para dar alguns pequenos e importantes avisos. Eu sou universitária (sim, na área da saúde ainda por cima) e faço estágio, portanto... Eu demoro um pouquinho pra atualizar minhas fanfictions, mas não se preocupem, eu não as abandonei mesmo que demore muito tempo! Portanto, não desistam de mim, sim? Eu vejo vocês na próxima semana, não tenho um dia certo pra postar (ás vezes posto cedo demais ou tarde demais), mas não se preocupem... Não vai demorar! See yaa~ ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.