The King
34 Capítulo XXXIV – Nostalgia.
Notas iniciais
Capítulo XXXIV – Nostalgia.
Era uma manhã muito bonita.
O sol estava a pico, e estávamos prontos para sair.
Papai levaria nossas roupas, e eu uma pequena trouxa com frutas e refeições, que a gentil dona daquela hospedaria havia nos dado de despedida. – Somos gratos por sua hospitalidade, senhora. – Após pagá-la, papai curvou-lhe a fronte de maneira respeitosa; eu o imitei.
– Oras, não fiz mais que a minha obrigação! – A mulher sorriu em resposta, e eles deram um cordial aperto de mãos em despedida.
– Cuidar de Kasumi enquanto trabalho não era uma obrigação, e muito menos nos fornecer suprimentos para a viagem. – A mulher riu. Uma risada estridente, mas surpreendentemente encantadora, que me fez sentir vontade de sorrir.
– Que bobagem! Quando não está brincando com as crianças, Kasumi é quieta como um ratinho, pobrezinha. – Então ela me olhou; eu quase pude sentir o amor por baixo dos óculos redondos; aquilo me fez sentir estranha.
Sempre vivi em hospedarias, mas aquela era especial.
Nonou Yakushi era uma mulher especial.
Gentil, bondosa... E sempre olhava para mim como uma mãe.
Papai e eu ficamos bastante tempo naquele lugar, cerca de nove ou dez meses, por isso lembro-me de ter me apegado muito à Nonou e seus dois filhos. – Mamãe, porque a Kasumi tem que ir?! – Kabuto, o garotinho caçula quis saber.
Embora um tanto mais velho que eu, ele era pequeno e tímido. Tínhamos personalidades parecidas, e por isso nos dávamos muito bem. – A Kasumi é minha amiga! Eu não quero que ela vá! – O garotinho choramingou, e a senhora Yakushi foi obrigada a pegá-lo no colo para acalmá-lo.
– Kasumi tem que ficar com o pai dela, não acha Kabuto? – O menino fungou.
– Mas ela podia ficar aqui, com a gente... Você podia adotar ela também, mamãe! Podíamos ser irmãos, eu a Kasumi e o Urushi! – Nonou tornou a rir.
– Ora, isso seria maravilhoso, querido. – Ela concordou. – Mas a Kasumi tem uma família, não é? Não podemos deixar o senhor Obito de lado. – Mas ao invés de concordar, Kabuto começou a chorar. – Vamos, querido... Não chore... – A senhora Yakushi tentou consolá-lo. – Você tem que se despedir direitinho da Kasumi, não é?
Particularmente, eu não me importava se ele se despedia ou não de mim.
Naquele momento, eu não me importava com nada...
Não conseguia dar atenção a nada, além da cena de Nonou o consolando. “Ele não merece esse carinho”, lembro-me de ter pensado. “É uma criança mal criada, e não merece carinho da senhora Nonou”.
Na verdade, eu só estava com inveja.
– Vamos, Kasumi. – Ouvi meu pai falar, mas ainda assim não consegui me mover.
Acho que a mãe de Kabuto pareceu perceber os meus sentimentos, então sorriu para mim, com a gentileza estampada em seus olhos verdes.
Ela soltou o filho e pediu para que ele acordasse o irmão para se despedir.
Bastou o garotinho virar o corredor para ela se aproximar. – Lembra-se do que eu disse, Kasumi? – Ela questionou carinhosamente, e eu anuí. – Não se esqueça disso. E quando estiver se sentindo assim, olhe para o céu estrelado. – Eu concordei, mas não consegui retribuir ao sorriso dela.
Depois daquilo, os dois garotos vieram, correndo pela casa.
Todos se despediram. Os meninos choraram com a minha partida, e acho que também devo ter chorado.
Papai agradeceu mais uma vez. Tanto à mulher, quanto aos seus filhos, e então fomos embora... Para mais uma jornada sem destino.
Ao longo da estrada, não consegui evitar aquele sentimento estranho de tristeza.
Como seria se minha mãe estivesse ali, naquele momento?
Papai certamente estaria feliz se ela estivesse lá. Eu sabia disso, porque sempre o ouvia chorar por ela.
De repente, senti meu chão sumir. Literalmente.
Papai havia deixado as trouxas de lado e agora me suspendia do chão para colocar-me sobre seus ombros. – Parece-me muito pensativa, garotinha. – Ele sorriu. – Você e a senhora Yakushi estavam muito íntimas e misteriosas naquela despedida. O que ela quis dizer quando falou para você olhar para as estrelas? – Eu pensei por um instante antes de responder, pois aquele era um assunto triste para nós dois.
Abracei-o. – Numa noite, enquanto você trabalhava... A senhora Nonou percebeu que eu estava triste, e veio até meu quarto. – Deitei o rosto sobre a cabeça dele. – Ela me disse que eu não devia ficar triste, que você estava se esforçando para cuidar de mim... E me falou que, quando eu estivesse sozinha, deveria olhar para o céu. – Suspirei. – Ela disse que todos os mortos vão para o céu. Disse que a mãe dela também está lá... – Papai continuou em silêncio. – Ela disse que a mamãe virou uma estrela, e por isso, quando eu me sentir sozinha, devo olhar lá para cima, porque ela vai olhar para mim também. – Ele manteve-se em silêncio por mais um longo minuto, então se agachou.
Ele me tirou de suas costas, e pôs-me sobre seu colo. – Isso é tolice. – Disse-me com um sorriso torto. – Sua mãe não é uma estrela. – E então me abraçou. – Se ela é uma estrela, quer dizer que só olha para você à noite, não é? – Parei para refletir por um minuto, e concordei.
– Mas, se a mamãe não é uma estrela, isso quer dizer que ela foi para o paraíso? – Encolhi-me em seus braços, e senti meus olhos queimarem. – Uma vez me disseram que os mortos vão para o paraíso... Ele também fica no céu. E, enquanto estão lá, ficam esperam os vivos. – Papai negou com a cabeça.
– Eu não acho que sua mãe está no céu, muito menos que ela está esperando você lá. – Ele me apertou, e riu baixinho. – A mamãe quer que você viva muito, disso eu tenho certeza. – Mas mesmo que ele risse, eu só consegui chorar.
– Se a mamãe não é uma estrela, e nem está no céu... – Perguntei em murmúrios chorosos. – Onde ela está? – Papai pareceu pensar por um instante.
– A mamãe está ali. – Ele apontou para um canto florido da floresta.
Eu olhei, estreitei meus olhos, mas não consegui enxergar nada além de um bocado de flores e folhas. – Sabe, a mamãe gostava muito de flores do campo. – Contou-me; aconchegou a cabeça em meu ombro e, assim como eu, fitou o jardim natural. – Então, eu tenho certeza de que ela está ali, com aquelas flores. – Funguei baixo, mas minhas lágrimas eram pesadas.
Eu não estava habituada àquele assunto, portanto, era muito difícil falar da mãe que nunca conheci. – A mamãe não está no céu te esperando, Kasumi. E nem é uma estrela. Ela está olhando para você nesse momento. – Ele beijou meu rosto. – Então, quando o papai estiver trabalhando... Sempre que estiver sozinha, lembre-se disso. De que a mamãe sempre vai estar aqui, com você. Todos os minutos... Assim como eu.
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Kasumi despertou naquele momento, mas não quis se levantar. Ela tentou fechar os olhos e retornar ao sonho, retornar à sua vida fácil e despreocupada. Retornar à sua infância, retornar ao momento em que era simplesmente a filha de seu pai.
Cinco, dez, quinze minutos haviam se passado, e ela ainda não havia movido um músculo sequer; seus pensamentos estavam completamente fixos às memórias daquela floresta, àquele jardim natural, às palavras do pai.
Aquela era uma memória bastante antiga. Ela devia ter cinco ou seis anos na época, mas nunca conseguiu esquecer. Francamente, duvidava que pudesse algum dia.
Como ele poderia dizer que a odiava com tanta convicção, quando havia sido aquele tipo de pai, em sua infância? Enquanto estavam juntos, Obito sempre se mostrou esforçado, carinhoso e cuidadoso... Como ela poderia acreditar nele agora, quando se lembrava do seu amor? Era impossível. Kasumi nunca aceitaria facilmente a ideia de que Obito Uchiha não era seu verdadeiro pai.
Suspirou longamente, quando a amarga lembrança do desagradável reencontro começou a contrastar com as doces memórias de sua infância, e decidiu que era hora de se levantar.
O dia mal havia raiado, e ela duvidava que alguém estivesse acordado àquela hora, então apenas vestiu o penhoar vermelho de tecido grosso, deu uma olhada rápida na filha adormecida e seguiu pelos corredores da mansão Uchiha, em direção à cozinha.
Realmente surpreendeu-se quando encontrou Mikoto sentada à mesa das criadas. Ela não só estava desperta, como vestida para uma caminhada. – Duquesa?! – Kasumi exclamou ao aproximar-se. – Já está acordada?! – A duquesa a olhou de soslaio, e sorriu-lhe.
– É claro que estou... – Ela se levantou, ajeitando as tranças que havia feito nos cabelos negros. – A princesa está para chegar. Hinata está ficando louca com os preparativos, então pensei em ajudá-la... Mas tenho que visitar o túmulo de sua irmã, antes disso. – Kasumi estreitou as sobrancelhas. – Hoje é o aniversário da Rin. – Mikoto lhe explicou.
– Oh... – A mais jovem colocou a mão sobre a cabeça. – É verdade, falamos disso ontem. – A duquesa anuiu. – Ainda assim, acho que acordou muito cedo... – A mais velha deu os ombros.
– Tive que colher essas flores. Quis fazer algo bonito para ela, este ano.
– Você sempre faz, duquesa. – Kasumi lhe lançou um olhar divertido, que fez a outra rir. – Precisa de alguma ajuda? – A Uchiha negou; foi até a bancada, onde um pequeno bule fumegava.
– Você quer um chá? – Ela questionou enquanto preparava duas xícaras.
– Não, eu estou bem... – E só então Kasumi pôde perceber.
Ela estreitou os olhos, e se aproximou da mesa onde descansavam as flores que Mikoto havia colhido mais cedo. Eram um bocado de plantas aleatórias, e o ramalhete médio tinha um adorável ar campestre. – Tome um pouco. – A sogra colocou a xícara em suas mãos, antes de tonar a se sentar. – Você estava febril ontem a noite, então tome e vá descansar. – Mas Kasumi não conseguiu responder. – O que foi?... Tem algo errado?! – A duquesa ergueu o ramo para verificar.
– São flores do campo... – Kasumi balbuciou baixo, como se estivesse falando consigo mesma, surpresa com a conclusão.
– Oh... – Mikoto olhou para as flores, e anuiu. – Sim, sua irmã gostava dessas flores... – Então estreitou os olhos, e tornou a olhar para a nora, preocupada. – Eu sempre faço esses arranjos, não é a primeira vez que você vê.
Era verdade.
Desde que Kasumi havia começado a viver com os Uchiha, Mikoto nunca havia deixado sequer um aniversário de Rin despercebido. Todos os anos ela se levantava cedo, colhia flores e fazia belos arranjos para a amiga de infância. – Eu... Não tinha prestado atenção nisso. – Ela confessou, e estreitou os olhos.
– Querida, você está bem? – Mikoto soou sinceramente preocupada, mas nem isso afastou a perturbação da esposa de Itachi.
Ela anuiu, mas aquela era uma mentira muito óbvia. – Você quer comer algo? Realmente devia voltar a se deitar...
– Será que eu poderia acompanhá-la este ano? – A pergunta repentina realmente surpreendeu a duquesa, que por um instante ficou sem resposta.
Ela olhou para a nora, abismada com aquele súbito interesse. Desde que era menina, Kasumi nunca havia demonstrado sequer o mínimo interesse na família Nohara. Na verdade, ela sempre pareceu querer ficar o mais distante possível deles.
Por anos e anos a Uchiha a havia convidado para visitá-los: em seu aniversário de morte, no aniversário dos pais e no aniversário da irmã; até em dias comuns, mas ela nunca quis ir. – E por que essa repentina vontade? – Kasumi hesitou.
Muito, ela pôde perceber. – Eu... Eu estou curiosa. – Ela sorriu à desconfiada sogra. – E acho que a Akane deve conhecê-los. – Mikoto sabia que Akane era apenas uma desculpa, mas imaginou que, talvez, de fato ela estivesse curiosa.
A duquesa estava ciente das cruéis ações de Obito, dois meses atrás, que acabaram resultando no retorno de Kasumi para a mansão Uchiha, então imaginou que talvez ela começasse a imaginar que os Nohara fossem mesmo sua família.
Além disso, como ela recusaria um pedido daqueles? – Tudo bem... – A Uchiha anuiu. – Vá se ajeitar, nós partimos em uma hora.
~
Era a terceira semana de novembro, e fazia quase dois meses que Naruto havia partido de Konoha.
Dois longos meses, que tiveram insuportáveis semanas de viagens.
Naruto havia passado a maior parte daquelas semanas a cavalo – o que, a propósito, tinha acabado com seu corpo –, enquanto seguiam até um dos portos do país do Fogo – que ficava em uma vila um tanto distante da cidade imperial – para embarcar em um navio que os levaria até o país das Águas.
Assim como havia sido planejado, chegaram ao país em questão após quatro semanas de uma longa e cansativa viagem; três delas por terra, e uma por mar.
Haviam sido muito bem recebidos pela rainha Terumi Mei e seus súditos, ainda que, assim como o rei da nação do Fogo, a majestade das Águas não estivesse muito confortável com o fato de ter dois Akatsukis seniores debaixo do mesmo teto. Ela não havia convivido o suficiente com a irmã mais jovem para sentir afeto instantâneo pelo sobrinho.
Mas diferente de Naruto, Mei foi uma ótima atriz. Agiu da maneira mais natural, cortês e gentil possível para com o príncipe perdido.
Naruto e Nagato foram exibidos para os nobres da corte das Águas na segunda noite após chegarem, bailes haviam sido organizados em sua homenagem, e uma programação desnecessariamente extensa foi idealizada pela própria rainha, para apresentá-los às belas propriedades de seu país.
Mas não importava o quanto todos ali fossem hospitaleiros, a cada dia que se passava, o rei arrependia-se mais por ter ouvido os avôs.
Ele sabia que, devido às circunstâncias, visitar a parenta distante e relembrar os laços há muito esquecidos era o correto a se fazer como rei, mas ainda que fosse o certo a se fazer, não parecia certo para ele.
Naruto havia passado seu aniversário de dezessete anos ao lado do avô, como sempre até então. O rei, o príncipe e seus acompanhantes, em homenagem ao aniversariante, foram homenageados com uma apresentação cultural cheia de danças e histórias. Foi bonito, ele tinha que admitir, mas não o suficiente para suprir o estranho sentimento de vazio que o Uzumaki tinha ao imaginar o quanto Hinata se divertiria, se estivesse ali.
O Rei estava triste. Todos os que o conheciam – ou fossem minimamente perceptivos – puderam notar. Mas ainda que se sentisse triste e vazio, Naruto continuava cumprindo seus deveres. Ainda que estivesse a ponto de fugir para qualquer barco que o levasse de volta à nação do Fogo, ele continuava ali, pronto para qualquer uma das ideias insanas que Mei costumava a ter periodicamente.
Sempre pronto para cumprir seu dever com o mais mentiroso dos sorrisos estampado no rosto.
Nagato Uzumaki não era a pessoa mais próxima ao rei – e verdade fosse dita, ele não queria ser –, mas ainda que não fossem nem minimamente próximos, mesmo que nem gostasse um do outro, Nagato foi capaz de enxergar além da máscara de satisfação, e percebeu o quão abatido estava sua majestade.
Um dos motivos de o Akatsuki estar ali era observá-lo. Nagato tinha a ciência de que conhecer o inimigo era crucial para se começar uma revolução; afinal, não há revolução sem revolta, e para que uma revolta se iniciasse, ele precisava enxergar além do bom rei que todos viam, e precisava mostrar isso aos súditos do Uzumaki. Só assim, através das falhas daquele rei tão jovem, ele poderia conquistar o trono que deveria ser seu por direito.
Ele sinceramente pensava estar fazendo o melhor, não só para o país do Fogo, como também para Naruto. Afinal, não tinha como um rapaz de dezesseis anos – ou dezessete – ser capaz de governar uma nação como o país do Fogo sozinho.
Todas as pessoas do mundo tinham defeitos, e Naruto Uzumaki não era uma exceção. O único problema, no entanto, era o fato de que os defeitos de Naruto eram extremamente similares aos defeitos de Nawaki.
Assim como Nawaki Senju havia sido um dia, Naruto Uzumaki era agitado e irritável; ambos eram dificilmente manipulados, e estupidamente teimosos.
Mas eles não se pareciam apenas em defeitos. Naruto e seu falecido pai eram parecidos em aparência, personalidade e senso de dever.
Ele havia percebido que tanto para Naruto quanto para Nawaki, a ideia de dever a ser cumprido parecia ser primordial, e não importava o quão desagradável ele fosse, sempre o cumpriam com dedicação e um sorriso no rosto... Ou ao menos se esforçavam para isso.
– Nagato, temos uma carta da Konan. – A voz de Yahiko não fez com que os olhos lilás do príncipe se desprendessem da imagem de Naruto.
Naquele momento, o rei estava sentado à mesa ao lado da rainha Mei, que mesmo no café da manhã, já parecia ter bebido um bocado e nesse momento tentava jogar charme para um de seus guardas. O jovem monarca ria e sorria, brindava às palavras da rainha das Águas, mas estava visivelmente desconfortável. – Nagato? – O príncipe olhou de soslaio para o amigo. – Konan. – Yahiko ergueu uma carta aberta, e Nagato suspirou longamente.
– Quais são as novas? – O Akatsuki sorriu, divertido com a surpreendente falta de interesse do amigo.
– Parece que Karin só vai chegar à Konoha durante essa semana. – O ruivo arqueou as sobrancelhas, surpreso.
– Só agora?! – Yahiko anuiu.
– É época de tempestade em nossa vila, você sabe. O tal Suigetsu achou melhor acomodar os folhas em um hotel e esperar até que as estradas estivessem decentes para a viagem... – O príncipe sorriu, e ergueu uma taça de suco ao amigo.
– Eu sabia que podia confiar minha filha àquele rapaz. – Yahiko franziu o cenho. Ele sabia bem que Karin não suportava seu guarda-costas, mas imaginou que não devesse comentar isso com o amigo. – E como vão os preparativos para a chegada dela?
– Segundo Konan, a rainha parece bastante empenhada. – O Akatsuki se ajeitou na cadeira. – Reformou pessoalmente um quarto próximo aos nossos aposentos, e escolheu a dedo duas criadas para servirem-na. – Nagato não conseguiu não sorrir ao imaginar a surpresa que a filha teria, quando pisasse na Torre e tivesse tanta atenção para si, tantas pessoas à sua volta.
Nagato sempre foi muito cuidadoso com sua família, mas depois do falecimento da esposa, tornou-se excessivamente protetor com a filha. E, como resultado, Karin não conhecia muitas pessoas que não pertencessem à Akatsuki. – Só espero que aquela maluca se comporte na Torre. – Yahiko riu com seu próprio comentário. – Ou então vai enlouquecer a rainha... – E bebericou de seu próprio suco. – Embora isso não seja tão ruim, para os nossos objetivos.
– Não... – O ruivo sorriu, e suspirou saudoso. – Eu estou certo de que minha Karin vai agir bem.
~
Obito não conseguiu dormir àquela noite.
Era a primeira vez, em vinte anos, que ele estava em Konoha no dia quinze de novembro. A primeira vez que estava perto de Rin, em seu aniversário.
Não havia um dia sequer em que Obito não pensasse na amada, em que lamentasse sua morte, em que sentisse dor em sua perda... Mas era surpreendente como a dor parecia aumentar, em datas como aquela.
Era como se dias como aquele existissem simplesmente para lembrá-lo de que ela não estava mais lá.
O Uchiha havia passado toda a madrugada fria – porque ele não poderia ir de dia, afinal de contas – em frente ao túmulo de sua amada, lembrando-se dos exatos doze aniversários em que haviam passado juntos, enquanto ela era viva.
Inundado por memórias, desolado pela dor, ele simplesmente não conseguia dar importância ao fato de que Karin Uzumaki estava prestes a chegar a Torre.
Ele sabia o que devia fazer. Sabia que devia se mostrar prestativo e respeitoso, mas não sentia forças para tal. – Tobi? – A voz de Konan soou na soleira da porta de seu quarto, mas ele não conseguiu erguer os olhos.
Estava cansado demais.
A mulher chamou-o mais uma vez, mas de novo, ele não conseguiu respondê-la, então ela simplesmente entrou.
Ficou sinceramente surpresa ao vê-lo deitado, pois sabia que era o tipo de homem acostumado a madrugar.
Obito grunhiu, irritado. O que tinha de errado nas mulheres comprometidas? Por que elas tinham que invadir seu quarto?! Quando, ele se perguntava, quando invadir o quarto de um homem solteiro tinha virado costume?
Se ao menos alguma daquelas malucas não fosse sua filha, ou tivesse algum interesse...
Ele olhou para Konan com os olhos cerrados. – Desculpe. – Ser encarada fez seu rosto enrubescer. – Mas a rainha está organizando um grupo para ficar nos portões de Konoha, para esperar a princesa. Já que você conhece a Karin, eu pensei que... – Ela não concluiu a frase, porque ele não parecia disposto a ouvi-la.
Na verdade, Obito não tinha a menor intenção de sair do quarto àquela manhã.
Ele estava irritado e triste, e simplesmente não conseguia pensar em como se comportaria, naquele estado de espírito, na frente dos demais guardas do rei. – Quem vai? – Quis saber.
– Sasuke Uchiha vai comandar um grupo de três guardas. Ainda estão decidindo quem vão, então pensei que você poderia ir... – Obito suspirou longamente.
Definitivamente, ter o filho de Mikoto e Fugaku por perto pioraria seu humor.
Ainda assim, ele não estava ali para fazer o que queria. Estava ali como o “fiel servo da Akatsuki”, e não podia deixar toda a Torre saber que, por estar de mau humor, não iria cumprir as ordens da representante da organização. – Eu vou me aprontar. – Seu senso de responsabilidade o fez concordar. – Fale para o rapaz que farei parte do grupo.
~
Em seus vinte anos de vida, Kasumi nunca havia visitado o túmulo daqueles que todos julgavam por sua família. Na verdade, mesmo sem tê-los conhecido, mesmo só ouvindo boas coisas a seu respeito, sentia grande antipatia pelos pobres falecidos; julgava que, graças a eles, todos viam seu adorado pai como um tipo de vilão.
Ela havia passado quase dez anos rejeitando as ofertas de Mikoto e de Kakashi, negando-se a prestar respeito à sua suposta família, sempre inventando uma desculpa menos convincente do que a outra... Mas agora estava ali, vestindo preto, com a filha nos braços, ao encalço da sogra – que parecia conhecer o caminho com a palma de sua mão.
No fundo, Kasumi não estava insatisfeita com aquela situação. Ela sabia que sua antipatia pela família Nohara sempre fora sem sentido, e até injusta.
Ainda que não fosse sua família, e ainda que nem a tivessem conhecido, a verdade é que eles haviam lhe dado um nome. Um nome respeitável e uma herança, e só por isso ela estava ali, vivendo bem.
Sim, era graças a eles que ela havia se tornado quem era: a futura duquesa Uchiha. Graças àquela desconhecida família, que ela tanto havia desprezado.
Ela tinha que admitir, no entanto, que a culpa de seus sentimentos injustos não era o que a trazia ali, naquela manhã. Na verdade, a única coisa que a fizera ter iniciativa foi o fato de que ela finalmente percebera que, coincidentemente, as flores favoritas da falecida Rin Nohara eram as favoritas de sua suposta falecida mãe.
Era por causa daquela estranha coincidência que ela estava ali, agora.
Rin Nohara, sem sombra de dúvidas, havia sido o amor da vida de Obito. E, aparentemente, era graças a ela que Kasumi havia sobrevivido ao incêndio na mansão dos Nohara...
– Nós estamos chegando. – Mikoto lhe avisou, tirando-a de seus devaneios. – Está cansada? Se estiver, podemos parar... – Mas Kasumi negou quase instantaneamente.
– Estou bem. – Garantiu, e sorriu timidamente. – Só um pouco ansiosa... – Confessou, e aquilo fez a duquesa sorrir.
– Você devia ter vindo mais cedo. – Ela disse quando voltou a caminhar.
– Eu sei...
– Eles eram boas pessoas, sabe. Os Nohara... Foi um fim trágico, o deles. – Kasumi não pôde comentar sobre o fato. – Eu já te contei isso, mas eu e Rin éramos muito amigas, quando meninas... – Os olhos negros foram até o céu, saudosos. – Nós duas colhíamos flores; vivíamos fazendo arranjos, mesmo que fôssemos péssimas nisso... – Ela sorriu com a lembrança, e baixou a cabeça. – Foi muito triste, quando ela se foi... – Ajeitou as flores que carregava no cesto de palha.
– Vocês eram muito amigas? – Kasumi questionou com hesitação. Ela queria ser discreta, mas estava sinceramente curiosa para saber mais sobre a tal Rin Nohara.
– Não... – Mikoto riu tristonha. – Depois que me casei, nós não conversávamos muito, mas... – Ela estreitou as sobrancelhas negras. – Foi muito estranho para mim, saber que a Rin não estava mais viva... Depois da morte dela... – Cerrou os olhos. – Eu acabei perdendo muito... – Por perceber a tristeza crescente na expressão da sogra, Kasumi preferiu não fazer mais nenhum comentário.
Elas continuaram andando, e a esposa de Itachi não conseguiu deixar de notar que os túmulos ficavam consideravelmente afastados dos demais. Quis perguntar o porquê, mas calou-se ao ver a imagem de um homem na direção em que elas seguiam.
Mikoto não se surpreendeu quando, ao alcançar a árvore que marcava o túmulo da família Nohara, deparou-se com Kakashi Hatake em pé, em frente à lápide que pertencia à falecida Rin.
Ele usava o uniforme do exército; escondia as mãos nos bolsos e tinha um olhar perdido, enquanto observava o curto epitáfio da amada. – Veja só! – Mikoto exclamou quando estavam próximos. – Você também veio mais cedo... – Kakashi virou-se de soslaio, e ao percebê-las, curvou a fronte.
– Bom dia, duquesa.
– Ora, não precisa me tratar por duquesa, quando estamos a sós... – A Uchiha agachou-se em frente ao túmulo da velha amiga; tirou o ramalhete médio do cesto de palha e colocou ao lado de outro maior, mas muito mal feito.
Ela riu ao ver o trabalho. – Você é muito desajeitado com as flores, Kakashi. Veja esse ramalhete, que desastre! Essas flores estão todas soltas! – O olhou com um sorriso divertido. – Ano que vem, lembre-me de ensiná-lo à como ajeitar flores... – Mas sua voz falhou, quando enxergou o pequeno buque de rosas compradas nas mãos do Hatake.
Ele sorriu desgraçadamente. – Não fui eu quem fez isso... – Confessou com a voz baixa, e Mikoto baixou os olhos.
Ela sorriu, tristonha.
Soltou a fita que juntava suas próprias flores, e prendeu as que – ela tinha certeza – Obito havia trazido. – Aquele garoto é um desastrado. – A duquesa comentou enquanto suspirava. – Nunca vai tomar jeito... – Kasumi sentiu o estômago embrulhar, por imaginar do que ela estava falando.
Mikoto soltou o chapéu, e colocou-o sobre o colo. – Eu sinto muito por isso, Rin. – Ela juntou as mãos e fechou os olhos. – Sinto muito por ele ser tão desajeitado... Mas você deve saber que ele tem as melhores intenções. – Ouvir Mikoto Uchiha falar de maneira tão natural com o túmulo de Rin sobre Obito foi tão incômodo, que Kakashi imaginou que talvez devesse ter feito aquela visita ao anoitecer.
Aquela não era a primeira vez que eles se encontravam naquele lugar, e nunca era agradável, quando acontecia.
Ele desejou ir embora imediatamente, como sempre acontecia naquela situação, e também como sempre, suas pernas não conseguiram se mover. Ele quase podia ouvir a amada sussurrar “fique”, quase podia ouvi-la pedir “reze ao lado dela”, mas tudo o que pode fazer foi continuar parado, observando a irmã do homem que odiava rezando pela alma da mulher que ele amava. – O que Rin Nohara foi para você? – A voz de Kasumi soou como um sussurro sinistro, que o fez se virar abruptamente, assustado.
A voz dela, quando sussurrada, era muito parecida com a da mãe.
Aquela foi a primeira vez que ele pôde perceber isso. -... Kasumi...! – Kasumi sentiu o rosto enrubescer, diante a surpresa dele. – O que você-...? – Ela deu os ombros, e olhou para os três túmulos.
– Eu decidi vir... – Ajeitou Akane em seus braços. – Estou... Curiosa. – O fato de ela estar tão constrangida com aquela situação tão comum fê-lo sorrir.
– Eles devem estar muito felizes por você ter vindo. – Ele garantiu, sincero. E pela primeira vez, desde que o conheceu, Kasumi sentiu que Kakashi estava feliz por estar em sua companhia.
Aquilo foi estupidamente constrangedor.
Com o rosto vermelho, ela tornou a olhar para os túmulos, e estreitou os olhos por ver a diferença nos epitáfios da família. – “Infinitamente Amada”? – Ela leu o da mãe em voz alta, abismada. – Ela só teve isso para ser lembrada? – Kakashi sorriu, tristonho, e baixou a cabeça.
Lá estava Kasumi, sendo filha de Obito, ele pensou. – Na época, eu não pude pensar em palavras melhores para descrevê-la... – Ele admitiu.
–... Você a amava? – Ela sussurrou a pergunta.
– Eu a amo. – Ele respondeu sem hesitação.
–... Ele a amava? – Kakashi estreitou os olhos.
– Ele a ama... – Murmurou a resposta.
– E ela...? – Kasumi questionou com hesitação; sentia o estômago revirar com a ansiedade. – Quem ela amava? – Kakashi ergueu os olhos, e Kasumi pôde enxergar a dor escondida por um manto de fúria.
– Que tipo de pergunta é essa?! – Ele questionou com a voz alta, e o Akane, assustada, começou a chorar.
Mikoto finalmente havia interrompido sua oração, olhou para ambos, inicialmente com surpresa, e posteriormente com irritação. – O que vocês dois estão fazendo?! – Ela questionou irritadiça. – Estão aqui para prestar seus respeitos, não é? Então se ajoelhem, e mostrem seus respeitos.
Kakashi e Kasumi se entreolharam mais uma vez, magoados um com o outro, mas acabaram por obedecer à duquesa.
O tempo inteiro durante a visita, Mikoto falou com o Rin, e unicamente com ela.
Ela apresentou Akane, e fez comentários banais sobre o casamento de Itachi e Kasumi, como se fosse muito engraçado o fato de os dois estarem juntos.
E cada palavra dita por sua sogra parecia aumentar as suspeitas de Kasumi.
As suspeitas de que aquelas estranhas coincidências entre a mãe de Kasumi apresentada por Obito, e irmã que a fizeram crer ser sua, poderiam não ser só coincidências... Fizeram-na imaginar que, talvez toda a resistência que havia tido pelos Nohara, no fim das contas, beirasse à crueldade... Porque talvez o senhor e a senhora Nohara realmente fossem parte de sua família...
Ainda que não fossem seus pais.
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Sasuke estava satisfeito por finalmente poder sair da Torre, ainda que fosse para ficar cavalgando pelo nada, esperando ninguém.
Ele sabia que Hinata estava louca de ansiedade, graças à demora incessante da bendita princesa. Era até compreensível, visto que pela primeira vez, ela tinha que decidir tudo sozinha.
Geralmente, esse tipo de recepção costumava ser organizada pelos conselheiros, mas Itachi e Shikamaru aparentemente estavam ocupados demais com suas desconfianças para com a Akatsuki. Talvez, se Kasumi e Mikoto estivessem na Torre, ela poderia ter mais calma. As Uchihas estavam acostumadas com aquele tipo de coisa, afinal de contas, mas ao invés disso, só podia contar com a esforçada, porém inexperiente Sakura.
Um sorriso se fez no rosto do Uchiha, ao lembrar-se de sua esposa.
Ela devia estar tão ansiosa quanto à própria rainha, se não mais. Afinal, a antiga senhorita Haruno estava decidida a se mostrar uma senhora Uchiha competente.
Ele estava pensando nisso quando, pela visão periférica, pôde notar uma carruagem passar numa velocidade incrível pelos portões de Konoha. Ele levou sua atenção até o transporte, um pouco surpreso e se espantou ao ver a carruagem descontrolada. – Vamos! – Ele exclamou para os demais guardas, e apressou o cavalo para seguir a condução.
O condutor, um pobre homem de cabelos loiros cumpridos, que xingava até a mãe enquanto tentava conter os cavalos não conseguiu conter o grito quando esses decidiram fazer uma curva estúpida, que consequentemente fez a carruagem virar, tropeçar nas pontudas rochas cair de lado.
O condutor, que Obito havia identificado como Deidara assim que conseguiu enxergá-lo, foi lançado para longe da carruagem, e por pouco se salvou de ser pisoteado pelos cavalos perturbados, que continuaram a puxar a carruagem, que capotou uma vez antes de finalmente soltá-los.
O pavor tomou conta de todos os pensamentos de Tobi, ao perceber que a carruagem tombada era a mesma em que a filha de Nagato estava. – A princesa está lá dentro! – Ele gritou com todos os seus pulmões, e Sasuke, irritado, aumentou a velocidade de seu cavalo.
Ele foi o primeiro a chegar até o local do acidente. Ele se esgueirou pela parte lateral do veículo, que estava de ponta cabeça, e com um pouco de dificuldade, abriu uma das portas de madeira. – Todos estão bem? – Ele perguntou com a voz firme.
– Quem estaria bem depois disso?! – Um rapaz que o Uchiha não conhecia resmungou.
Sasuke ajudou quando Shizune, mais assustada do que machucada, engatinhou, saindo da carruagem. Ela foi prontamente acudida por um dos guardas. – Onde está a princesa? – Sasuke se apressou em questionar.
– Ela está aqui. – O desconhecido respondeu, e Sasuke notou que devia ser a ruiva desacordada, escorada sobre o corpo do rapaz de cabelos claros. – Ah, porcaria! Acho que ela desmaiou! – Ele praguejou alto. – Ajude-me a tirá-la.
Sasuke imediatamente obedeceu; Suigetsu ergueu Karin pelos quadris, com um pouco de dificuldade, e o Uchiha puxou-a, desajeitadamente, pelos ombros e cintura. Em poucos segundos, estava com a ruiva nos braços. – Ajudem, ajudem! – Ele exclamou aos colegas, e correu até Shizune com a garota nos braços. – Shizune, desculpe por isso. Sei que está assustada, mas... – A mulher assentiu, um pouco perturbada, mas mais calma, e verificou a pulsação da filha de Nagato.
– Ela está viva. – Garantiu, mas isso ele já sabia.
Observou, angustiado, enquanto a mulher procurava algum ferimento na moça e pôde respirar aliviado, quando nada foi encontrado. – Ela deve ter desmaiado com o susto. – Concluiu. – Mas ainda assim, vamos levá-la à Torre. – Sasuke concordou, e imediatamente tornou a se levantar com a moça.
– Tobi, você levará o condutor. Chouji e Shizune devem ajudar o rapaz da carruagem; ele protegeu a princesa, então deve ter ferimentos mais sérios. – Os dois últimos anuíram. – Depois que Shizune aplicar os primeiros socorros, traga-o para a Torre, Akimichi. – O gorducho anuiu. – Raidou, Genma deve estar chegando a cavalo; avise-o que todos foram levados para a Torre, e então traga Shizune. – Os guardas fizeram continência, mas Tobi apenas foi até o irritável Deidara.
Sasuke montou no cavalo negro, ajeitou a princesa entre seus braços e galopou o mais rápido possível, sem esperar, até à Torre.
Obito quis rir daquela cena, pois imaginou que certo duque ficaria emocionado ao vê-la.
Ele pegou Deidara sem cuidado nenhum, e jogou-o sobre seus ombros. – Seu bastardo maldito! – O loiro gritou, frustrado com a dor. – Eu vou explodir o seu crânio, Tobi! – O Akatsuki riu, divertido.
– Ora, Deidara! Eu também senti sua falta. – Ele jogou o corpo do loiro sobre seu próprio cavalo, e bateu amigavelmente na perna quebrada do rapaz, que urrou de dor.
– Eu falo sério, Tobi! Eu vou explodir sua cabeça! Explodir essa maldita mãozinha! – Mas o Uchiha riu ao subir no cavalo.
– Segure-se. – Ele pediu. – Porque eu definitivamente não serei tão cavalheiro quanto o senhor Sasuke Uchiha foi com a princesa. – Deidara tinha certeza de que ele estava falando sério, então choramingou, e se agarrou à parte traseira do cavalo, que após do comando, trotou na mesma direção em que o Uchiha mais jovem havia seguido.
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Karin sentia sua cabeça doer muito, e o barulho do cavalo fazia com que doesse ainda mais. Ela estreitou as sobrancelhas ruivas, incomodada, e lentamente, abriu os olhos.
Estava sem os óculos, então não pôde enxergar nada além de um borrão negro à sua frente, segurando-a firmemente em seus braços. – Você está bem, alteza? – Ouviu a pessoa perguntar, e só o som de sua voz fê-la estremecer.
Era tão... Intensa.
– Alteza? – O homem tornou a questioná-la, com o tom de voz preocupado.
– Eu estou bem... – Ela balbuciou, confusa. – O que houve...? Onde estou...?
– Você está em Konoha, alteza. Os cavalos de sua carruagem ficaram fora de controle, e ela tombou. – Ele suspirou longamente. – Eu sou Sasuke Uchiha, da guarda real. Vou levá-la até a Torre.
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