The Killers- Interativa

21 Capítulo 20- Espalhando Desespero


Notas iniciais
Foi mal pela demora gente, mas aí está, um novo assassinato, um novo caso. Espero que gostem.

Carlos Lins

“O futuro é consequência do presente”.

Sarcasm

Me sentia incapaz, incapaz de proteger os meus amigos. Incapaz de proteger aqueles que amo, incapaz de proteger sequer a mim mesmo. Eu não entendo qual o real motivo de estarmos aqui, apenas desespero? Francamente isso é idiotice, nenhum ser humano é capaz de se comprometer assim apenas para espalhar desespero. Me pergunto se isso já aconteceu antes. Se outras pessoas já passaram por esse jogo maldito. Se o Monokuma obrigou outros alunos da Topo da Esperança se matarem assim como nós estivemos fazendo a um bom tempo.

Mas teve algo que eu aprendi no tempo em que passei preso aqui, que mesmo que tudo pareça estar perdido em meio ao desespero, sempre há uma centelha de esperança, sempre existe um pensamento de que no fim tudo vai dar certo e as mortes não foram em vão. Eu sei que vamos encontrar a saída deste inferno, e que todos nós, todos que ainda estão vivos vão sair daqui.

Mesmo que para isso eu tenha que me sacrificar, porque eu me sacrificaria por meus amigos, se Klev ainda estivesse vivo, eu me sacrificaria por ele. E em honra a ele, eu posso me sacrificar pelo resto, apesar de nem sequer saber qual é o significado de um sacrifício. Coço os olhos enquanto me levanto, não é hora de pensar nisso, no momento tenho que concentrar minhas forças em ajudar os meus amigos. Olho o relógio, seis e meia, não quero ser acordado por aquele demônio em forma de urso, vou sair do quarto antes disso.

Tomo um banho quente e revigorante, visto-me e saio do quarto, vejo que todos os outros ainda estão dormindo. Devem estar mesmo muito cansados, afinal nenhum de nós. Mas antes de sair, tropeço em algo, era uma caixa pequena e dourada, decorada com uma fita laranja e as inscrições “Para Carlos”. O que é isso? Pegou a pequena caixa em minhas mãos e abro, era um presente? Se sim, de quem era? Do Monokuma? Bom, de todo modo era uma caneta, daquelas modernas e cheias de funções, era cinza metálica com detalhes em azul marinho, pelo que pude ver algumas pedrinhas brancas eram encrustadas no cabo da caneta, com certeza ela era muito cara. E dentro da caixa havia ainda um bilhete dizendo “Não perca a Esperança!”. Sinto as lágrimas chegarem aos olhos, um dos meus amigos tinha feito aquilo, para que não perdêssemos a esperança. Depois vejo que na frente de cada porta havia um deles, guardo a caneta no bolso com cuidado. Acho melhor dar uma volta pela escola antes que eles acordem, eu faria o café, mas pra ser sincero não tenho muito ânimo para cozinhar, deixarei isso por conta de Natsuri e Ryan, eu nem esperava que aqueles dois precisassem cozinhar, mas tudo bem, acho que se tivéssemos aceitado viver aqui para sempre e nos adaptado a situação. Nenhum de nós teria morrido.

Agora que penso nisso, eu sequer sabia algo sobre Miranda ou Sea, não tive muito contato com elas, não ao ponto de conhecer quem elas realmente eram. Droga, porque eu estou pensando nisso? Elas morreram não é? Não há mais porque me preocupar com isso. Fico andando sem rumos pelos corredores da escola, apenas para passar o tempo, tenho certeza de que sou o único ainda acordado. Quando ao chego ao hall do terceiro andar, posso ouvir a voz daquele urso demoníaco:

– São 7 horas desgraçados, é hora de levantarem dessas camas e desfrutarem de um dia incrível e desesperante- e ele fez uma pausa repentina- muito desesperante... Upupu!!!

Reviro os olhos, ele era mesmo muito irritante. Dei meia volta e fui para o refeitório, em breve todos os outros estarão lá. Ao chegar no refeitório posso ver que Esther e Kanoto já estão lá, é reconfortante saber que elas estão bem. Sento-me na mesma mesa que elas e pergunto de cara:

– O que vocês ganharam?

– Fala dos presentes em nossas portas? – perguntou-me Kanoto, eu assenti com a cabeça- eu ganhei esse lindo colar! – ela retirou do bolso um colar dourado, como uma corrente, bastante reluzente e na ponta um pingente em forma borboleta cujas azas ostentavam algo parecido com safiras- é maravilhoso!

– E você Esther? – perguntei, a loira apenas moveu os cabelos para mostrar um par de brincos prateados e bastante reluzentes- eu ganhei essa caneta, é bem bonita não é?

– Sim, e deve ser bem cara. Quero saber onde foi que eles arrumaram isso.

– No Depósito eu acho, lá tem de tudo lembra? Mas eu agradeço a quem quer que tenha feito isso, o trabalho de procurar presentes para nós.

Daniel entrou no refeitório exibindo um novo par de tênis, estava mais animado do que de costume, pelo menos do que eu esperava, até porque semanas atrás ele parecia estar emburrado com tudo, mas acho que a situação mudou o seu jeito de ser. Logo após ele entrou Natsuri, seu presente fora uma pulseira bastante bonita na verdade, e logo após ela entra Joey, ele estava com um sorriso estranho no rosto e aparentava ter dormido bem:

– Oi pessoal, todos dormiram bem? – todos assentiram- Que bom, olhem, eu ganhei esse relógio hoje de manhã, alguém deixou na minha porta. Revelem logo, quem foi?

– Não faço ideia- riu Natsuri- mas a propósito, alguém viu o Ryan? Eu chamei no quarto dele, mas ele não respondeu.

Foi então que aquele pensamento passou por minha mente. Será que ele? Não, nenhum de nós faria isso não é? Ele deve estar, é só procurar.

– Porque não procuramos? Ele deve estar praticando esgrima. Eu e Carlos vamos na frente não é? – Disse Esther me puxando pelo corredor e quando ouvimos o barulho dos outros, ela me fez acelerar o passo e sussurrou- acho que aconteceu de novo, vamos logo procurar.

– Tem certeza? – perguntei um tanto assustado enquanto subíamos as escadas.

– Não tenho certeza, mas ontem... Bem, depois eu te conto vamos logo.

Corremos para o quarto andar. Ele sempre costumava ficar por ali, praticando esgrima até tarde, talvez por eu ter ido somente até o terceiro andar hoje pela manhã, não tivesse visto ou escutado ele. Fomos calmamente até a sala de esgrima, Deus do céu, não pode ter acontecido de novo, não pode, isso seria horrível. Viramos o corredor com os corações na mão, sentia a adrenalina pulsar em minha corrente sanguínea, apenas por saber que em breve poderia ter uma notícia muito ruim, e quando finalmente chegamos a sala. Ela finalmente se concretizou.

Corpo Descoberto

Dentro da sala de esgrima estava Ryan, encostado contra a parede, o olhar gélido e surpreso como quem foi atacado sem esperar, uma espada de esgrima empalava seu estômago e uma poça de sangue estava espalhada ao seu redor. Não podia acreditar, justo ele, justo ele teria que morrer assim. Que droga! Me aproximou calmamente do seu corpo, pego seu pulso, ele está mesmo morto. Como um de nós teve coragem de fazer algo assim? Depois de tudo o que passamos.

Ouço o grito de Esther e corro para ampará-la, logo vi que Natsuri entra na sala, lágrimas chegam aos seus olhos e ele cai de joelhos, eles eram muito amigos, desde o começo, entendo por ela estar assim. Kanoto chega logo depois, ela nem demonstrou surpresa, provavelmente já sabia que isso tinha acontecido.

– Upupu. Um cadáver foi encontrado, depois da investigação vamos iniciar o Julgamento Escolar.

– Droga, droga, droga! Eu juro que vou matar quem fez isso, vou acabar com a vida de quem fez essa merda acontecer.

Logo os outros três se juntam a nós, sinto o meu Cartão Eletrônico vibrar, vai começar de novo, discussões, acusações, mais mortes. Eu não quero mais isso, tudo o que eu queria era sair daqui, me sacrificar pelos meus amigos, mas nem isso eu pude fazer.

– Pessoal, devemos nos acalmar e investigar, se não todos nós vamos ter o mesmo fim- disse Joey em tom calmo- Precisamos ir em frente, apesar de tudo.

– Ele tem razão- comentou Adari ajeitando os cabelos- só choramingar não vai ajudar em nada, precisamos descobrir quem fez isso. Vamos começar logo.

Investigação

A vítima é Ryan Queen. Segundo as MonoFiles, o horário da morte foi cerca de 23h20min, um horário em que eu acredito em que todos estavam dormindo. Dizia também que a causa da morte era por hemorragia, e com toda certeza o local do crime fora a sala de esgrima, e a arma era essa espada de esgrima fincada em seu abdômen. Eu e Esther ficamos responsáveis por cuidar da cena do crime e não deixar que ninguém a adultere, aé porque comparado ao caso da Nina, ninguém mais vai cometer nenhum erro.

(Prova N°1- MonoFiles)

– Esther, lembra que você me falou antes sobre desconfiar que isso aconteceria por algo de ontem a noite? – ela assentiu- pode me dizer ontem a noite.

– Bom, ontem á eu tinha ido a cozinha para beber água, e quando voltei eu deixei a porta entreaberta, os quartos são insonorizados mas quando se deixa a porta entreaberta você pode escutar os sons do corredor. E eu escutei passos, fiquei junto a porta, achando que era o Monokuma, mas a pessoa apenas deixou algo na minha porta e saiu.

– Tenho certeza de que era a pessoa que estava distribuindo os presentes.

– Então ela é o assassino? Será que ela aproveitou a chance para matar alguém?

– Não tenho certeza, mas é uma suposição.

(Prova N°2- Presentes Misteriosos)

(Prova N°3- Testemunho de Esther)

– Essas marcas vermelhas em seu rosto e corpo, o que será que são?

Esther olha para o corpo com certa curiosidade, ela examina as marcas cuidadosamente, pelo modo, devem ser de socos ou chutes, parece que houve uma briga ou que ele foi espancado.

– Acho que ele foi acertado com socos, nas lutas é comum ficarem marcas assim pelo corpo, são resultado dos golpes que levamos.

– Então ele lutou aqui?

– Não há sinais de luta, provavelmente ele apenas apanhou, é estranho não é? Ninguém se deixaria apanhar desse modo.

– Talvez ele estivesse desacordado- ela sugeriu- é possível que tenham acertado ele com alguma coisa, ou dado um sonífero.

– Não, as MonoFiles não falam sobre isso, acho que ele se deixou ser atacado.

– É muito estranho.

(Prova N°4- Sinais de Violência)

– Vamos falar sobre a arma do crime agora, aqui está cheio de armas de esgrima, então só posso deduzir que o culpado a pegou daqui mesmo para usá-la contra Ryan.

– E ele não se defendeu? Isso está mesmo muito estranho, porque ele não se defenderia de um ataque assim.

– Ele só pode ter sido pego de surpresa. Não existe outra explicação, a menos que ele quisesse morrer, o que não é muito plausível no momento.

– Bom, pelo menos sabemos o que é a arma do crime, depois vamos ver o que realmente aconteceu por aqui, e se isso nos leva a algum suspeito em potencial.

(Prova N°5- Espada de Esgrima)

– Ei! O que é isso? – Esther pegou a mão do herdeiro, seus dedos estavam fechados sobre algo, ela os abriu com cuidado e pegou o papel que ele guardava, estava manchado de sangue, mas dava para ver claramente as inscrição “Você é adotada!”- Mas o que significa isso?

– Sabe, eu começo a achar que ele não veio treinar esgrima, acho que ele deve ter vindo aqui se encontrar com alguém.

– Adotada? Será que ele veio contar algum segredo a alguém? Pra ser sincero nunca achei que o Ryan tivesse realmente algum segredo sobre um de nós guardado.

– Então ele mostrou isso para alguém, e provavelmente pra uma mulher. Nossa, parece que não há nenhuma pista que nos leve diretamente ao assassino, com toda certeza ele ou ela é bem inteligente.

– Não acha que é uma mulher? — perguntei.

– Pode ser, mas existe também a possibilidade de que quando a pessoa com quem Ryan conversava saiu, outra entrou e o matou.

– É, mas sabemos que existia uma pessoa aqui com Ryan.

(Prova N°6- Papel com segredo)

(Prova N°7- Pessoa Secreta)

– Eu vou dar uma olhada no depósito dessa sala, pode ser que tenha algo lá- Esther falou- se quiser, pode ir investigar com os outros, já vimos o suficiente da cena do crime.

– Tem razão, vou ver o que os outros descobriram.

° ° °

Começo a voltar para o terceiro andar quando avisto Natsuri, ela está com uma cara realmente péssima, acho que ela chorou muito depois de ter visto Ryan daquela maneira, entendo como ela se sente, senti o mesmo quando Klev morreu. Chamo-a e ela para de andar, olhando em minha direção, eu corro até ela e abraço, acho que é só o que ela precisa no momento, de alguém que a acolha:

– Natsuri, o Ryan te contou algo ontem, que ia falar com alguém ou contar algo a um de nós?

– Não Carlos, ele me contou que queria treinar ontem a noite, ele disse que estava enferrujado e que ia praticar. Mas fora isso ele não me contou nada.

– Tem certeza de que você não escutou mais nada dele, não, mas se bem me lembro, eu vi ele falando com alguém ontem a noite, falavam sobre algo que iam fazer durante a noite, eu pensei que ele estivesse ensinando alguém a fazer esgrima, então não me importei.

– Desculpe te fazer tantas perguntas Natsuri, mas você por acaso viu ele conversando muito com alguém?

– Olha, não quero acusar ninguém, mas ele tinha conversado muito com o Daniel ultimamente, pareciam estar combinando algo desde o último julgamento.

– Entendo, bom eu vou andando está certo? – deixei-a para trás e fui em direção ao quarto dele, com toda certeza devia ter algo lá.

(Prova N°8- Testemunho de Natsuri)

Andei até o primeiro andar, devia ter mais alguma prova, algo que realmente dissesse quem havia matado Ryan e porque o havia feito, eu esperava que todos nós pudéssemos viver em paz nessa escola, mas parece ser impossível, parece que a cada dia nós somos encurralados pelo desespero.

Agora eu me lembro de uma coisa, Natsuri também tem andado muito durante a noite, ela vive trancada naquela Sala de Manutenção, e não conta nada para ninguém, será que ela sabe de algo? Será que ela sabe quem realmente estava com Ryan no momento em que ele morreu? Centenas de perguntas sem resposta.

(Prova N°9- Natsuri e a Sala de Manutenção)

– Upupu- posso ouvir a voz do Monokuma ecoar pelos corredores- o tempo acabou, vamos iniciar o nosso julgamento escolar.

Droga! Eu precisava ter ido ao quarto do Ryan, mas acho que as provas que temos devem ser suficientes. Calmamente eu vou até o elevador onde os outros me esperam. Estamos prestes a começar outro julgamento, está tudo muito confuso, mas aos poucos sei que vamos descobrir quem é o culpado dessa vez.

– Descobriram alguma coisa- perguntei aos outros, Kanoto balançou a cabeça negativamente, mas Joey e Adari me mostraram algo- o que é esse papel?

– É um convite, Ryan chamara alguém para treinar esgrima com ele ontem a noite, é a letra dele posso ter certeza.

– Mas ninguém treinou- disse Esther, o depósito estava intocado, o que faltava lá era apenas a arma do crime.

– Realmente muito estranho.

(Prova N°10- Convite de Ryan)

(Prova N°11- Depósito Intocado)

Estamos prontos para mais um Julgamento Escolar.

° ° °

Alunos Restantes (07/16)

Miranda Taylor –X-

Sea Daliver –X-

Klev Bisharp –X-

Crucius Seamakker –X-

Tyler Beackforth –X-

Rachel Summers –X-

Aya Nakamura –X-

Alina Romanova(Nina) –X-

Ryan Queen –X-

° ° °

Notas finais
Espero que tenham gostado, será que alguém sabe quem é o assassino? Veremos!