The Killers II- Interativa

24 Capítulo 20- Can Anybody Hear Me?


Notas iniciais
Olá pessoal, sei que demorei anos para postar, mas sabe como é né, muitos imprevistos. Esse capítulo ia ficando muuuuuito longo, por isso dividi ele em duas duas partes :3 Espero que gostem.

Alguém pode me ouvir?

“Estou falando para mim mesma?”

Tag You're It- Melanie Martinez

Pisquei os olhos surpresa, tentando entender o que estava acontecendo. Estava numa espécie de sala de aula, vazia e escura. As lâmpadas piscavam freneticamente de forma assombrosa e eu podia sentir calafrios por todos o meu quarto, olhava em volta e tudo o que conseguia ver eram carteiras desarrumadas, atiradas pelo chão, cobertas por manchas rubras que eu podia jurar que eram de sangue. O cheiro de poeira era muito forte e eu tive de tapar o nariz com o casaco para não senti-lo. As luzes se apagaram e eu fiquei presa no escuro, sem conseguir me mover.

Quando elas voltaram novamente, eu os vi. Todos os meus colegas de classe jogados pelos cantos da sala, no chão, em cima das carteiras. Todos mortos, Albert estava junto aos meus pés asfixiado, Kazuyo com o corpo completamente machucado jogada em um canto da parede, pude ver que todos estavam ali mortos do mesmo modo que morreram anteriormente. E que os que ainda continuavam vivos – Yui, Kocho, Kon, Cody, Nathan, Onihiru e Mikamaru- estavam pregados a lousa, presos por estacas de ferro, o sangue gotejava. E embora eu pudesse reconhecer cada um dos mortos ali, eu não conseguia focar em seus rostos, como se eles fossem desconhecidos para mim, como se suas faces estivessem borradas.

Um grito foi sufocado em minha garganta, e eu pude ver algo se movendo entre eles, uma sombra, um vulto escurecido que carregava outras estacas de metal e parecia divertir-se como uma criança, saltitando entre os corpos, brincando com eles e com seu sangue. Eu sentia meu estômago revirar cada vez mais com aquela, foi quando a sombra olhou para mim e disse com uma voz andrógena e quase incompreensível:

— Olhe seus amigos Yuuka, veja o que aconteceu com eles. Veja como eles terminaram e veja como você vai terminar também- ele disse apontando uma das estacas para mim, eu queria gritar, porém não conseguia- mas deixa eu te contar um segredinhos. Um deles está te enganando, sim, está. Olhe para eles, não consegue ver seus rostos, não consegue ver porque a mentira os oculta, a mentira de um deles os oculta.

E começou a dançar ao redor de mim, cantarolando uma música que de início eram só palavras emboladas e sem sentido nenhum, mas que aos poucos tornava-se mais clara e eu podia compreender o que ela dizia, a sombra continuava repetindo aquela canção sem parar até que eu pudesse perceber o que ele queria transmitir:

“Os coelhinhos foram procurar

Um novo bosque para brincar,

Se aventuraram na escuridão

Em busca de mais diversão

Mas ao chegarem em seu novo lar

Um lobo faminto os esperava por lá

E começou a perseguição

Os coelhinhos corriam de montão

O primeiro sufocou-se com o susto que tomou

A coelha dos disfarces, foi o lobo que espancou

A terceira foi afogada num lago que ali havia

O quarto nem se fala, com uma explosão partia

Com pauladas na cabeça, outros dois ele levou

A sexta coelhinha, uma sereia a afogou

A sétima então foi devorada pelo tigre

A oitava atropelada, uma confusão que Deus me livre

A coelhinha- mãe logo terá que morrer,

O coelhinho irônico ao desespero irá ceder,

O coelho impostor dará lugar a escuridão

E os outros coelhinhos terão que fugir então.

Cuidado meus queridos, cuidado coelhinhos

O lobo vem aí, para roer os seus ossinhos

O desespero vai tomar conta de tudo

E essa cidade vai afundar no escuro”.

Tapei os ouvidos para não escutar mais aquilo. Fechando os olhos com força enquanto a canção ainda continuava, não entendia a quem ele se referia quando falava dos coelhos. Eu tinha a sensação de que sabia do que a sombra falava, mas minha mente não conseguia processar nada. Foi quando a música cessou, abri os olhos assustada e o que vi foi a mesma sala, porém esta estava organizada e bem arrumada, a luz do dia penetrava ali levemente. E vi meus colegas conversando normalmente uns com os outros. Olhando livros e ouvindo música, algumas lições anotadas no quadro. Todos inclusive eu estávamos usando uniformes da academia, e era como se fosse um dia de aula normal. Senti alguém segurar minha mão e olhei para o lado, era Albert que sorria meigamente:

— Amor, o que acha de irmos na lanchonete ao lado quando a gente sair da escola- eu senti aquela palavra como um chute no estômago, como assim “amor”? – estou avisando logo antes que o trio do terror te arraste para algum lugar.

— Claro que sim amor, nós vamos- eu disse rapidamente, mas eu não queria dizer aquilo, as palavras saíram da minha boca sem que eu pudesse controla-las.

— Como assim trio do terror? – Watashima falou irritada, apontando para Albert.

— Deixe eles Watashima-san – foi Mayu quem falara agora, dando uns tapinhas nas costas da loira- você sempre se estressa por pouca coisa.

— Mas o Albert-kun tem razão, sempre arrastamos a Yuuka-san para os lugares todos os dias- Kazuyo disse com um sorriso, mas logo tomou uma expressão pensativa- se bem que hoje tinha um evento de cosplay no shopping, seria legal se ela fosse.

— Nem vem- Albert falou abraçando-se a mim de forma possessiva- hoje ela vai sair comigo.

Continuei a conversar animadamente com eles, eu não sabia o que estava acontecendo. Era como se eu não conseguisse controlar meu próprio corpo, pois tudo o que eu falava e fazia eram coisas que eu nunca imaginar estar fazendo. Era estranho e bastante assustador, mas de certa forma era reconfortante estar com eles daquele jeito, vê-los sorrindo e não sermos tomados pelo desespero. E continuei ali alguns minutos, vendo Kon fazer alguns truques de mágica com papel, Aru maquiando Miya que apenas fofocava o tempo todo. Aya e Yui que conversavam com Kocho sobre assuntos espirituais enquanto Annie praguejava algo a cada minuto, Cody agarrando-se ao braço de Percy implorando que este o levasse uma pista de skate aquela tarde. Mikazuki organizando seu material escolar, dando algumas risadinhas as vezes, Onihiru sentado mais atrás lendo um livro qualquer, do seu lado Nathan jogava em seu celular. Foi quando o notei, estava sentado no canto da parede, com fones de ouvido e um folheto que lhe tampava a face, não sabia quem era, mas podia perceber que era um homem de cabelos castanhos escuros. Fiquei olhando para ele fixamente, quem era ele? De onde ele viera? Porque ele estava ali?

Foi quando tudo ficou escuro outra vez, e eu não sabia mais dizer o que era sonho e o que era realidade.

° ° °

Acordei sobressaltada, minha respiração estava ofegante. Fora só um sonho? Um simples sonho? Respirei fundo me livrando das cobertas enquanto rastejava até o banheiro. Minha cabeça latejava um pouco, por algum motivo eu me lembrava de tudo do sonho, o que não era comum, pois eu nunca me lembrava do que eu sonhava. Talvez não fosse um sonho qualquer. Tomei um banho e vesti uma roupa limpa, ajeitei os cabelos rapidamente e sai do meu quarto o mais rápido possível.

Provavelmente uma nova área seria aberta hoje e eu estava disposta a explorá-la, para quem sabe descobrir algo de valor- o que seria muito difícil-, assim que sai do meu quarto olhei para os lados buscando algum dos meus colegas, mas as ruas pareciam vazias. Talvez eles estivessem indo explorar a nova área. Puxei meu ID do bolso e dei uma olhada no mapa, segui direto para a nova área que estava indicada como “Bairro Acadêmico”. A entrada era bastante simples, apenas alguns bancos aqui e ali com alguns espaços gramados e uma estátua do Monokuma vestido de formando segurando papel e pena e olhando para estes como se realmente fosse um estudante.

— Pelo menos é uma escultura decente- comente baixinho enquanto passava pelo lugar- onde devo ir primeiro?

Segundo o mapa do meu ID ali haviam três laboratórios, um de química, um de física e um de Biologia, um prédio para os professores, uma espécie de loja de materiais ou almoxarifado, um cybercafé, e um prédio maior cujo mapa indicava como prédio escolar. Fiquei em dúvida sobre qual deles visitar primeiro, então optei pelo mais próximo: a loja de materiais que ficava bem próxima a entrada.

Era um estabelecimento pequeno e de paredes amareladas, com desenhos de lápis espalhadas aqui e ali, no banner que dizia “Almoxarifado” havia um desenho de um Monokuma desenhado de forma infantil, segurando lápis e papel na mão como uma criança estudante. Revirei os olhos e entrei empurrando a porta de vidro, lá dentro era um tanto frio devido ao ar condicionado do local, e ali dentro era até organizado.

Havia um pequeno balcão parecido com o do mercado e diversas prateleiras e suportes da cor branca com materiais escolares, estavam divididos em setores, desde materiais simples como lápis e borrachas, até cadernos, compassos, marcadores de texto e outros materiais mais complexos que eram usadas em aulas de química, física ou afins. Nos fundos do local havia um computador ligado a uma impressora de última geração e qualquer estudante na volta as aulas poderia encontrar tudo o que precisasse ali. Fiquei mexendo nas prateleiras e percebi que todos os produtos tinham o símbolo da Hope’s Peak e um selo de autenticação, a escola tinha sua própria marca de materiais e isso me deixou surpresa.

— Yuuka, é bom te encontrar aqui- virei-me dando de cara com Cody, ele tinha um cara sonolenta e parecia ter acabado de levantar- Monokuma me deu outros retratos para pôr no nosso.. memorial. Depois de explorarmos a área, quer me ajudar? Não queria fazer isso sozinho.

— Claro que sim Cody- disse sorrindo- pode deixar que eu te ajudo, mas agora vamos dar uma olhada aqui.

— Sim- ele disse retribuindo ao meu sorriso.

Começamos então a olhar tudo naquele lugar, dentro dos cadernos, embaixo dos armários, dos suportes, dentro das caixas com materiais. Não sabíamos o que podia ter escondido ali ou em qualquer outro lugar. Olhei dentro dos potes de vidro com lápis e borrachas, nas caixas de canetas, praticamente fizemos uma limpa no lugar, já estava perdendo as esperanças quando Cody disse:

— Encontrei isso- ele disse feliz, me mostrando uma espécie de pendrive- estava dentro de uma dessas pastas de plástico, o que será que tem aqui?

— Vamos ver- peguei o pendrive de sua mão e o levei até o computador, o aviso de que algo estava sendo enviado apareceu, depois abriu uma pequena janela com uma espécie de documento, abri o arquivo- me parece que há uma pista aqui, bom trabalho Cody.

— Obrigado- ele falou animado.

O arquivo abriu revelando ser um documento da escola, havia diversas fichas e as mesmas continham nossos nomes, resolvi abrir a minha primeiro. Havia uma foto minha com o uniforme que identifiquei ser da academia, o que era estranho já que nunca recebi nenhum. Haviam dados sobre mim, sobre minha família, sobre meu comportamento durante as aulas- outra coisa muito estranha-, mas o que me intrigou de fato foi uma seção de dados que dizia:

YUUKA MISAKI- SHSL JOURNALIST- PROJETO CIDADE ESPERANÇA.

PRESENTE NO PROJETO? SIM(X) NÃO( )

STATUS: VIVO

DETALHES(Durante): Bastante comunicativa e o pilar da maioria dos seus colegas, não se abala nem mesmo pela morte de pessoas queridas mais próximos ou por descobrir o segredo do seu pai. Me parece muito inteligente e determinada. OBS: Por mais pressão em cima da mesma.

DETALHES(Antes): Seu relacionamento com Albert McFilligan parece ser a única coisa que a sustenta, está instável e não tem mais força para ajudar os outros, sua esperança está acabando.

— Isso é estranho- Cody comentou apreensivo- tem dados aí que não deveriam existir, e esses textos, quem os escreveu? O manda-chuva?

— Não faço a mínima ideia, talvez seja apenas uma pista falsa plantada aqui, ou talvez tenha um significado maior- comecei a abrir e ler outros arquivos, todos tinham dados escolares e aqueles dados estranhos sobre o projeto, exceto que os meus colegas que já morreram que continham a palavra “Morto” em seu status- todos dizem a mesma coisa, isso é muito bizarro, tem detalhes aqui que não fazem o menor sentido.

— Tem razão, eu particularmente não me lembro de ter “fugido” de algum lugar com medo- Cody falou ajeitando os cabelos, quando olhou para a tela do computador e arregalou os olhos- e esse arquivo? — ele apontou para um em especial que eu ainda não tinha percebido, e dizia Haruka Tatsumi.

— Quem é Haruka Tatsumi? — Cody fez um gesto de dúvida com as mãos, voltei a olhar para o computador abrindo o arquivo.

Ali mostrava a foto de um rapaz de cabelos castanhos num tom escuro, o rosto oval e um tanto pálido me era meio familiar, mas não conseguia me lembrar dele em lugar algum. Seus olhos também castanhos pareciam olhar menosprezando tudo, era alto e forte e me lembrava muito alguém que eu devia ter visto recentemente “Mas quem” era o que eu pensava. Seu título dizia que ele era um espião, coisa que eu nunca imaginaria existir.

PRESENTE NO PROJETO? SIM (X) NÃO ( )

STATUS: VIVO

DETALHES (DURANTE): ???

DETALHES (ANTES): Ao que parece ele e seu comparsa são os membros mais instáveis que em momento algum deveriam ter sido esquecidos, esperamos que possamos reabilitá-los o mais rápido possível, para que eles não infectem os outros.

— Mas o que é isso? Algum tipo de brincadeira? – Cody disse surpreso- então quer dizer que ele está aqui conosco? Onde?

— Yui estava aqui o tempo todo também, talvez haja mais algum estudante escondido ou quem sabe até preso em algum lugar dessa escola- voltei a olhar a tela do computador- mas se ele está aqui ou não é um mistério, talvez seja tudo uma brincadeira do Monokuma- retirei o pendrive do computador e o guardei no bolso do casaco- vou manter isso em segurança. Tudo bem?

— Claro que sim- o loiro sorriu- vamos olhar outros lugares?

— Vamos- e assim saímos do local e nos separamos.

Olhei no meu ID qual o outro local mais próximo e lá indicava “Laboratórios”, resolvi ir até o mesmo, já que me intrigava haverem laboratórios ali. Eram três prédios, um colocado ao lado do outros. Todos com paredes brancas e aspecto simples e também pareciam idênticos, exceto pelos letreiros que indicavam a qual disciplina pertenciam. Sendo Fisica a direita, Química a esquerda e Biologia no centro, resolvi entrar no de Física primeiro.

Era um local simples com mesas e carteiras de estudos, o piso era azulado com o símbolo da escola desenhado no chão, as paredes e o teto continuavam brancos. Haviam estantes abarrotadas de livros de física e outros com instrumentos que eu desconhecia a função, mas que deveriam servir para alguma coisa, notei que na parede esquerda havia uma pequena porta de madeira, depois eu veria o que havia ali. Ao que parece aquele lugar era feito para aulas ou coisas do gênero. Comecei a dar uma vasculhada pelo local quando notei mais alguém entrando ali, vire-me dando de cara com Yui que apenas sorriu simpaticamente:

— Bom dia Yuuka-san, imaginei que estivesse investigando a nova área também- eu retribui o sorriso e já iria perguntar onde estava Kocho, mas como se lesse meus pensamentos ela rapidamente disse- Kocho foi olhar outros lugares e eu resolvi vir aqui quando te vi entrar. Não conheço muito de laboratórios, mas esses utensílios me parecem ser de última geração.

— Concordo- disse pegando em alguns deles que eu nem sabia para que serviam- essa escola preparou mesmo essa cidade para que os alunos vivessem para sempre.

— Me parece estranho, uma cidade escolar sem professores- Yui comentou cabisbaixa- digo se isso fosse mesmo plano da escola deveria haver algum professor de verdade aqui não? Não aquela imitação de diretor do Monokuma.

— Ei, isso ofendeu- o urso surgiu do nada entre nós duas, nos encarando de forma irônica- não sou nenhuma imitação, já que eu sou o diretor legítimo da escola. Mas de qualquer forma não importa agora, ouvi o comentário da chatinha aí e quis contar uma historinha para vocês.

— Que tipo de historinha? – Yui disse cruzando os braços apreensiva- tem algo a ver com os professores da academia?

— Oh sim, os professores da Academia Topo da Esperança, os mais prestigiados pesquisadores de todos os tempos que estão lá com um único objetivo: estudar o talento. No caso vocês- ele apontou para nós duas numa animação infantil- oh, eles ensinavam tudo a vocês, mesmo o que não era necessário, mas no fundo o único objetivo deles era extrair de vocês uma coisa muito preciosa...

— E que coisa seria essa? – perguntei imediatamente.

— Em breve entenderão o que seria, o que interessa é que agora os professores estão... Afastados permanentemente de seus cargos... Upupu... muito divertido não é mesmo? Agora se me permitem tenho que ir, precisam de mim por aí.

E o urso saiu andando naturalmente deixando um ar de dúvida para trás. O que ele realmente quis dizer com os professores na verdade estarem nos estudando para extrair algo de nós? Estaria ele falando das nossas habilidades? Ou algo que ainda não sabemos? E o principal, QUANDO os professores nos estudaram, já que nenhum de nós nunca sequer passou um dia naquela escola maldita... ou talvez não, era tudo muito confuso.

— Esse urso só me deixa mais confusa- Yui disse massageando as têmporas- vou pegar um ar, vejo você depois Yuuka-san.

— Até mais.

Quando ela saiu, me lembrei da porta de madeira que ainda não tinha checado. Quando a abri dei de cara com um pequeno corredor branco que levava até outra porta idêntica aquela, caminhei rapidamente até a próxima a porta e abri, e esta levava até o laboratório de biologia que ficava ao centro, então os laboratórios eram conectados assim como os locais de esporte do terceiro bairro. O laboratório de biologia mantinha os mesmos padrões de cores do outro, no entanto este armários com utensílios diferentes, ao invés de mesas haviam bancadas de mármore dispostas em fila, todas com uma pequena pia ao meio, para o caso dos estudantes precisarem se limpar eu acho. Os utensílios usados ali eram bem diferentes- incluindo alguns perigosos como bisturis, e materiais para dissecação- havia um refrigerador com potes transparentes, armários menores com livros de biologia, e um mural com fotos de diversos animais e plantas, apontando nome científico e outros dados- todos os animais que haviam no zoológico do quarto bairro.

— Essa área é mesmo bem equipada- Onihiru entrou no lugar, observando tudo minunciosamente- daria mesmo para ser uma cidade acadêmica, já que tem mais do que o suficiente para manter alunos aqui.

— Tenho que concordar, mas revirei tudo no outro laboratório e não achei nada, será que teria alguma coisa nesse?

— Vamos ter que descobrir- ele disse com um sorriso leve.

Então começamos a vasculhar tudo, os armários, o refrigerador, embaixo das bancadas, mas não havia nenhuma pista significativa. Nada que nos chamasse atenção, após alguns minutos desistimos de procurar ali, fui boba de pensar que teria alguma coisa ali. Fomos nos preparando para sair quando eu tonteei. Minha mente deu uma espécie de “flash” rápido, nele pude ver um casal, uma mulher de longos cabelos vermelhos e olhos azuis cristalinos, e um homem de pele morena e cabelos crespos que sorriam para mim: “Vamos salvar vocês”, ela disse calmamente, “Vamos levar todos para um lugar seguro”.

— Yuuka?- a voz preocupada de Onihiru me tirou do meu transe momentâneo, ele me olhava assustado e me abanava frequentemente com as mãos- o que houve? Você me deu um susto terrível agora.

— Não sei dizer- eu disse lentamente- foi como uma visão, algo assim. Primeiro foi aquele sonho esquisito e agora... Tudo tão estranho.

— Que sonho? – ele me questionou confuso, eu sorri nervosa e comecei a contar tudo a ele, com os mínimos detalhes, tudo o que eu lembrava do sonho- nossa, isso é mesmo uma surpresa. Talvez tenha sido o nervosismo e a pressão por estar presa aqui.

— Talvez, mas eu acho que não... Será que tem algo que não estamos nos lembrando? – Onihiru apenas meneou a cabeça como quem diz “não faço ideia” — esquece, deve ser só paranoia minha.

— Você vai ficar bem Yuuka, agora vamos dar uma olhada em outros lugares- ele disse sorrindo enquanto saia do local.

Tentei me recompor, aquela visão foi mesmo muito estranha, mas talvez só tivesse sido fome ou algo do tipo, ainda não tinha passado no restaurante para comer alguma coisa, depois eu deveria ir lá ou iria acabar desmaiando. Abri a outra porta de madeira que levava ao próximo laboratório, ao de química. Novamente os padrões de cores eram os mesmos, esse possuía bancadas iguais aos de Biologia, no entanto cheias de ensaios, béqueres e frascos vazios, um armário grande estava abarrotado de substâncias perigosas e haviam algumas outras num pequeno refrigerador, o armário dividia-se em setores, desde as não nocivas até as mais perigosas.

— Esse lugar é tão... Perigoso- quase que magicamente Onimaru apareceu ao meu lado, as mãos entrelaçadas e abaixadas como quem espera ordens, e um olhar curioso especialmente nos venenos- tem muitas coisas aqui que poderiam matar outras pessoas, não que eu queira que isso aconteça claro.

— Melhor manter esse lugar sob proteção ou algo do tipo- eu falei pondo minha mão em seu ombro- vai ficar tudo bem.

— Sim, eu sei- ela abriu uma das portas do armário, analisando os frascos cuidadosamente, pegou um com um líquido roxo em mãos- esse veneno por exemplo mata em cerca de dois minutos.

— Como você sabe tantas coisas sobre... Assassinato? – não queria perguntar aquilo, mas foi algo tão automático que não consegui me conter.

— Tem uma coisa sobre mim que ninguém sabe, uma empregada famosa que nunca foi vista por ninguém? Não faz sentido, mas a verdade é que eu e minha mãe trabalhávamos para um empresário que gostava de matar pessoas, desde criança eu ouvia os gritos de suas vítimas e minha mãe me mandava ficar quieta, quando eu cresci, fui obrigada a ajudar a cuidar dos corpos e armas do crime como parte dos afazeres domésticos, acabei me familiarizando com tudo isso- ela disse num tom neutro e calmo, eu fiquei abismada, mas ela parecia não se importar com nada- eu recebia aulas particulares na mansão dele e de certa forma fui descoberta pela academia, e agora estou aqui.

— E o que aconteceu com sua mãe ou seu patrão? – outra pergunta que não queria fazer.

— Pelo vídeo do Monokuma sei que ele está morto e minha mãe capturada, e não sei de mais nada.

— Entendo, desculpe ter perguntado.

— Tudo bem, estava na hora mesmo de saberem sobre mim não é? Cansei de ser só mais um grande enigma para vocês- ela pegou um frasco com um líquido amarelado e um pequeno pote com um pó cinza- ora, esses são famosos entre os assassinos, se você misturar eles em alguma bebida a pessoa só morre muitos minutos depois, serve para te livrar de suspeitas.

— Interessante- comentei atordoada.

— As lindinhas aí já acabaram- a voz de Nathan nos chamou a atenção, ele estava parado na porta nos encarando com seu sorriso sarcástico- preciso que vejam uma coisa aqui e só encontrei vocês.

° ° °

Nathan nos levou até a área que no ID dizia “Salas de Aula”, que era na verdade um prédio gigantesco de três andares, cheio de salas de aula. Todas as salas eram idênticas, com as paredes vermelhas e o símbolo da escola esboçado nas carteiras de cor bege, não havia muito a se explorar ali, exceto por uma sala aos fundos a qual Nathan nos levou, era uma sala que dizia: “Sala especial”, e estava trancada, pelo menos era o que parecia.

— Eu consegui destrancar ele falou abrindo a porta- mas realmente não entendi nada do que tem aí.

Quando entramos vimos que não se tratava de uma sala de aula, era apenas um lugar vazio e escuro, com algumas prateleiras cheias de papéis onde não estava escrito absolutamente nada. Lembrava muito um almoxarifado, ficamos mexendo naqueles montes de papel, mas não havia nada escrito lá, era só uma sala empoeirada com nada de importante:

— Eu olhei o resto das salas e não achei nada de interessante- ele falou brincando com seu pingente- mas essa sala me intrigou, digo, porque manter uma sala que aparentemente não tem nada a não ser papéis.

— Concordo- eu falei- já podemos sair daqui, vamos Onimaru-san.

A empregada no entanto, mantinha-se com o indicador no queixo, como se pensasse. Após um tempo ela pegou um dos papéis e começou a analisa-los. Depois começou a revirar tudo enquanto eu e Nathan apenas observávamos curiosos, tentando entender o que ela fazia, quando ela olhou para nós sorrindo segurando em suas mãos um monte de fotografias:

— Como você...- eu perguntei surpresa, Nathan apenas pegou os papéis que ela olhara e riu, eu continuava sem entender nada.

— Era um jogo não é? Quanto mais amarelado o papel, mais perto da pista você estava- Nathan disse com os papéis em mãos, só então percebi que os tons variavam do branco a um amarelo mais visível- devia ter percebido antes.

— Olhem isso- eram centenas de fotografias, mas o seu conteúdo era no entanto o mais intrigante.

Eram fotos da nossa turma, fotos que nenhum de nós lembrava de ter tirado. Uma delas mostrava Cody e Percy fazendo o sinal de “V” e sorrindo para a câmera, outra mostrava Miya, Aya e Yui na piscina, jogando água umas nas outras, com Onihiru mais ao fundo observando tudo. Outra mostrava Albert de joelhos segurando minhas mãos, enquanto recitava algum tipo de poema, e as fotos continuavam variando, Aru fazendo uma maquiagem em Kon, Kocho dormindo na aula, Onimaru tentando bater em Nathan com uma expressão irritada enquanto o garoto apenas ria, Annie olhando para a câmera de forma “sexy” enquanto empunhava uma arma de brinquedo, Kazuyo, Mayu, Watashima em um parque fazendo caretas para a câmera, mas o mais intrigante eram fotos em que “ele” aparecia. O garoto de cabelos castanhos escuros e olhar curioso dos arquivos haviam no pendrive.

— Essas fotos devem ser montagem, nenhum de nós se lembra de termos tirado elas, deve ser alguma armadilha do Monokuma para nos confundir- Nathan falou pegando algumas em suas mãos- é estranho.

— Realmente muito estranho- Onimaru comentou levando a mão ao queixo- mas quem é esse garoto? Seria algum outro colega nosso?

— Eu sei quem ele é, achei alguns arquivos sobre ele- falei lentamente- é Haruka Tatsumi, o Super Highschool Level Spy, ao que parece ele para estar aqui conosco, mas...

— Não sabemos se ele pode estar preso em algum lugar ou se ele é a pessoa por trás do Monokuma- Onimaru falou instantaneamente- mas vamos descobrir uma hora ou outra... espere, olhem essa daqui- ela apontou uma foto que havia caído no chão, esta mostrava todos nós sentados nos fundos da escola para uma foto de turma, mas o intrigante era que máscaras de Monokuma foram colocadas a frente de nossos rostos, embora fosse possível identificar quem era quem- esse mais afastado dever o Tatsumi não? Digo, talvez ele fosse da nossa turma.

— Acho melhor guardar essas fotos- recomendei- podem ser uma pista importante no futuro.

Onimaru disse que as guardaria e então saímos dali, eu estava realmente com muita fome agora, e vi no ID que havia uma espécie de cybercafé por ali, talvez houvesse comida o que para mim já era um alívio. Resolvi ir então ao cybercafé, uma pequena construção que lembrava muito aos bares modernos frequentados por jovens, tinha as cores em vermelho e azul e desenhos do Monokuma estudante em alguns locais, lá dentro lembrava muito a uma lanchonete comum, com cadeiras acolchoadas e bancos altos perto do balcão, não fosse pelos laptops em cima das mesas que como eu esperava não funcionavam, para minha sorte haviam lanches ali então me adiantei em pegar um salgado qualquer para comer.

— Esse lugar é incrível- a voz era de Kocho, virei-me em sua direção, ele saía do banheiro do lugar- oh, oi Yuuka-san, esse lugar tem de tudo sabia? Lanches bons, jogos eletrônicos, jogos de mesa, e outras coisas que eu adorei.

— Parece ser um lugar para os estudantes relaxarem durante o intervalo entre uma aula e outra, e a comida é uma delícia- falei um tanto gulosa, mas a fome estava falando mais alto no momento- encontrou algo importante.

— Infelizmente não- ele disse se aproximando- revirei tudo e não encontrei uma pista... importante. Acho que não deve ter nada nesse lugar.

— Entendo, mas e esses jogos? Poderia me mostrar?

— Claro- e ele me levou a um local mais afastado, havia uma TV com um videogame anexado, e vários pufes espalhados, havia um armário inteiro cheios de caixas de jogos- não é tão legal quanto o fliperama, mas dá para quebrar um galho.

— Verdade- comentei dando uma olhada nos jogos, em sua maioria eram de tabuleiro, mas teve um que me intrigou “Batalha Naval: Edição Topo da Esperança- o que é isso?

Peguei a caixa e a abri, era um jogo comum de batalha naval, mas ao invés do mar, aquelas eram as áreas da cidade, mostrando seus respectivos locais, e os navios bem... Eramos nós, dezoito bonequinhos colocados em pequenas caixinhas transparentes... Espere, dezoito? Sim, eram dezoito, o boneco de Haruka Tatsumi estava ali com os outros. Será que ele realmente estava na escola? Seria ele o controlador do Monokuma e que nos pôs nessa situação? Preferia não pensar nisso agora.

— Talvez possamos jogar isso depois- Kocho comentou com um leve sorriso- sinto que está precisando relaxar.

— É, preciso sim. Mas antes vou dar uma olhada nos outros lugares- ele assentiu com a cabeça e eu sai do local.

Havia apenas um lugar que eu precisava visitar, o intitulado “Prédio dos Professores”, era bem próximo ao cybercafé então não demorei muito a chegar lá. Era um local pequeno comparado ao Prédio escolar, as paredes numa cor bege simples e uma imagem do Monokuma lecionando na entrada- mais uma daquelas pinturas ridículas- lá dentro no entanto era bem aconchegante. Haviam pequenas mesas redondas distribuídas pelo local, com cadeiras acolchoadas, máquinas de doces, salgados e refrigerantes, uma mesa menor num canto com café, chá e biscoitos. Além de armários e afins para professores utilizarem. Vi que Kon já estava ali, dando uma olhada em algumas fichas:

— Olá Kon- o cumprimentei, ele apenas forçou um sorriso ao me ver- achou algo interessante aqui?

— Na verdade não- ele disse no seu habitual tom tranquilo- os armários estão vazios e não há nenhum arquivo ou nada do gênero, aqui, já olhei tudo e não achei nada.

— Entendo, não acho que o Monokuma vá facilitar em deixar pistas para nós não é mesmo? Mas encontramos algumas, já é um começo- disse dando uns tapinhas em seus ombros.

— Encontraram? Isso é bom- ele sorriu estalando os dedos e fazendo uma pequena nuvem brilhante aparecer e se espalhar rapidamente- muito bom na verdade. Mas eu achei uma coisa intrigante, vem cá.

Ele me levou até um canto da sala, onde havia alguns quadros, alguns eram apenas molduras vazias sem nada demais exceto por duas. Um dos quadros mostrava uma mulher aparentemente estrangeira, com cabelos ruivos ondulados e longos, seus olhos azulados pareciam olhar algum ponto distante, além da câmera. O outro mostrava um homem forte e moreno, cabelos crespos e olhos amendoados num tom raivoso, foi quando me lembrei, eram eles, eram o mesmo casal que aparecera na minha “visão” de mais cedo.

— Eles deviam ser os professores responsáveis daqui- Kon disse me tirando a atenção deles- e a julgar pelo que anda acontecendo, acho que Monokuma os prendeu em algum lugar ou, fez coisa pior.

— Entendo, talvez possamos descobrir mais sobre eles.

— Claro, vamos procurar por mais pistas depois- ele disse brincando com minha trança- vamos?

— Vamos.

° ° °

Voltei para ajudar Cody com o memorial naquele dia, discutimos as pistas que tínhamos e ao que parece estava tudo indo bem, os dias se passavam sem que nada acontecesse. Até que o odioso dia chegou, o dia em que Monokuma nos chamou para comparecer a área escolar, naquele tom sarcástico que ele mantinha quando estava prestes a nos botar em desespero. Como eu odiava aquele urso:

— Upupu, já devem imaginar porque os trouxe aqui não é mesmo? – ele dizia dançando, enquanto nós apenas observávamos- vocês são tão tediosos, mesmo com mais possibilidades de assassinato, continuam tentando manter a paz, sempre tenho que dar uma ajudinha.

— E que tipo de ajudinha você tem para nós hoje? – Onihiru disse irritado- não acha que já está bom de nos atormentar?

— Claro que não meu querido, sempre é bom atormentar vocês, mas vamos logo com isso- ele entregou a cada um de nós um pequeno envelope- já brincamos de “Assista até o final”, “Proteja seu Ouro”, “Descubra o Segredo” e “Caça ao Tesouro do serial killer”, mas agora chegou a hora de brincarmos do “Rei Mandou”, eu serei o seu Ousama.

— Ousama? – sibilei atordoada.

— Sim, cada bilhete contém uma ordem direta que vocês devem cumprir, se não cumprirem dentro de 72 horas, serão EXECUTADOS.

— O que? – Kocho falou surpreso- no que essas ordens vão nos fazer matar alguém.

— Aí é que está meu querido, a ordem de um de vocês É matar alguém, ah, e não vale mostrar o objetivo pro coleguinha ou vão morrer do mesmo jeito entenderam? Ninguém pode saber que foi você- e dizendo isso o urso sumiu, nos deixando para trás cheios de dúvidas. Todos nós olhamos uns para os outros com medo nos olhos, não sabíamos ainda quais eram nossos motivos, mas sabíamos que teríamos que cumpri-los... E que em breve um de nós estaria morto. Saindo dali abri o meu envelope, e as letras ali destruíram o meu coração:

“Destrua o Memorial”.

° ° °

Onimaru estava com muita dor de cabeça, toda aquela conversa de cumprir objetivos só lhe fazia pensar em como eles eram frágeis. Sim, muito frágeis, por mais que tentassem eles não podiam enfrentar o grande mal: Monokuma. Aquele urso embora pequeno e risonho eram quem comandava suas vidas de agora em diante, por mais que as fagulhas de esperança aparecessem ele sempre estava lá para caçá-los, como um urso faz quando está com fome. Ela tomara alguns remédios para dor de cabeça e agora se sentia zonza, sua vista estava um tanto embaçada e ela tentava-se manter acordada em seu quarto.

— Você está bem? – a voz masculina foi a única coisa que ouviu, era uma voz calma e neutra, e claro, totalmente desconhecida, ela virou-se na direção da voz- não precisa ficar assustada Onimaru-chan.

Era ele, o tal do “Haruka Tatsumi”, estava ali diante dela com um sorriso nos lábios, seus cabelos num castanho mais claro do que no da foto, mas os mesmos olhos pretos curiosos, a pele pálida porém bem cuidada. Ele pegou em sua mão com cuidado e sentou-se ao lado dela na cama, por algum motivo ela não reagia, ele então selou os seus lábios no dela a fazendo a recuar um pouco. “Mas o que diabos é isso?” ela pensou enquanto ele ria.

— Você realmente não deve lembrar de mim, mas saiba que estarei sempre com você, apesar de tudo de errado que tive que fazer desde que isso começou, mas não vou deixar vocês sem nada, eu sei o que ele está tramando e vou ajudar vocês.

— Mas você... é real?

— Sim, eu sou- ele afagou os cabelos dela- sou muito real.

Haruka Tatsumi- Super Highschool Level Spy

— Mas porque tudo isso está acontecendo? Porque nós fomos presos aqui para nos matar?

— Tem coisas que eu ainda não posso contar, mas vá a sala de tecnologia no segundo bairro e procure pela fita, a fita azulada, lá tem tudo que precisa saber sobre mim e sobre algumas coisas. Não temos tempo a perder- ele levantou-se, tirando algo do bolso e entregando a ela, era uma foto deles dois, de mãos dadas em um balanço- quero que fique com isso, por favor.

Ela pegou a foto com as mãos trêmulas, enquanto o garoto deixava o recinto. Sua vista tonteou mais um pouco antes de tudo ficar escuro, escuro como o breu e ela sentia-se como se estivesse caindo. Quando acordou sobressaltada, estava confusa e atordoada, olhando para os lados assustada. Teria sido tudo um sonho? Sim, claro que foi, era tudo apenas confusão da sua mente, era o que pensava pelo menos, até ver a foto caída em sua cama.

Notas finais
Hello waifus, espero que tenham gostado da revelação :3 Abaixo os mapas do bairro anterior que esquecemos de por e o deste agora: Bairro Florestal- http://i.imgur.com/YBfkl0X.png Bairro Acadêmico- http://i.imgur.com/gMA8kVZ.png Antes de mais nada quero dizer que de certa forma estamos entrando na reta final da fanfic, preparem seus corações e suas teorias para o que está por vir ^^