The Killers II- Interativa
21 Capítulo 17 - I Love Her Anyway
Notas iniciais
Eu a amo mesmo assim
“É preciso apenas um pouco de água para que a tinta saia e nosso eu se revele” — Autor Desconhecido.
Miss Jackson- Panic At The Disco
Dali de cima dava para ver tudo, toda a paisagem desolada que um dia fora uma floresta. Agora as árvores estavam queimadas até as cinzas e haviam carcaças carbonizadas de animais mortos por todos os lados. Sua roupa antes branca agora enchia-se de uma coloração enegrecida e sua garganta queimava por conta da fumaça. Não sabia quem iniciara o incêndio, mas não era mais seguro ficar ali, não enquanto “eles” a perseguissem, precisava fugir o mais rápido possível. Cobriu o rosto com um pano e colocou os sapatos, pondo-se a correr para longe do fogo.
Corria o mais rápido que podia, desviando de todos os obstáculos a sua frente e sem prestar atenção a sua volta, tudo o que precisava era correr, correr, correr o mais rápido que pudessem. Havia fugido aquele tempo todo, não iria dar o braço a torcer, nunca iria se render a eles. Ela era livre para tomar as próprias decisões, não precisava de tratamento, nem escolher entre Desespero ou Esperança, pois ela própria era um misto dos dois.
O calor se aproximava cada vez mais, ela apenas acelerou a corrida, suas pernas doíam e tremiam, mas ela pouco se importava. Foi quando parou repentinamente, diante dela havia um penhasco, alguns metros abaixo um rio caudaloso. Ele olhou para trás, mas as chamas engoliam tudo rapidamente. Voltou-se para o rio lá embaixo:
– Eu não vou morrer aqui! – e saltou, não iria ser presa, iria ser livre para sempre.
° ° °
Yuuka Misaki
Olhei mais uma vez para o mapa, aquele X vermelho denunciava um local qualquer. Confesso que me senti um pouco tentada, o que seria esse “tesouro” tão valioso a ponto de alguém cometer um assassinato por causa dele? No fundo eu tinha medo de que um dos meus amigos o fizesse, de que um deles encontrasse o tesouro e se perdesse para sempre cometendo um erro irreparável, já faziam dois dias que recebemos o motivo e nenhum assassinato. E eu não queria pensar nisso, pelo menos não por agora. Resolvi que hoje seria o dia de me aventurar pelas trilhas do novo bairro, talvez eu chamasse alguém para ir comigo e com a ajuda do ID não me perderia- pelo menos eu acho que não- e quem sabe houvesse algo útil nelas, e ainda tenho que explorar a sala de arquivos com Mikazuki mais uma vez.
Cheguei na entrada do quarto bairro, passando com desprezo pela estátua que a decorava, Branca de Neve? Sério? Às vezes eu ficava admirada com a criatividade bizarra que o manda-chuva possuía. Andei um pouco pelo local, notei que havia algo diferente no ar, aquele lugar estava silencioso demais, procurei pelos meus colegas no cais, mas não achei ninguém, então decidi dar uma olhada no zoológico. No entanto o que recebi ao chegar lá foi uma surpresa, primeiro eu vi alguns macacos selvagens pulando pelas árvores, macacos que eu tinha certeza que estavam presos, depois vi uma serpente exótica se esgueirando para dentro do bosque e por fim vi Yui e Kocho correrem rapidamente na minha direção, seguidos de Kon. Eles corriam depressa e pareciam apavorados, foi quando eu vi, atrás deles que corria feroz um rinoceronte... Espere, era mesmo um rinoceronte? Gritei de susto, era sim um rinoceronte furioso que vinha em nossa direção, e mesmo sem esperar um aviso prévio comecei a correr para fora do lugar.
– O que está acontecendo? – gritei o mais alto pude enquanto corria desenfreadamente.
– Os animais do zoológico- Kon gritou- foram soltos, estão por todos os lugares, temos que nos esconder.
Continuamos a correr em disparada. Até alcançarmos a cabana com itens de acampamento, nos trancamos na mesma, pondo uma pesada mesa na frente da porta, paramos ofegantes, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Ficamos ali por longos minutos, eu ainda não havia me recuperado totalmente do susto que levei, não é todos os dias que se vê um rinoceronte louco correndo atrás de você, na realidade em uma situação aquilo nunca aconteceria.
– Upupu- Monokuma saltou de lugar nenhum como sempre, tinha a expressão risonha e maquiavélica de quando conseguia pregar uma peça na gente- o problema com os animais já foi resolvido, estão agora todos dormindo tranquilamente em suas jaulinhas.
– Que tipo de pegadinha de mau gosto foi essa? – Kocho gritou com o urso- poderia ter nos matado.
– Ora, ora, acho melhor poupar esses seus gritinhos para quando alguém morrer de verdade- o urso falou enquanto andava em direção a porta- e essa não foi uma pegadinha, pelo menos não minha.
Colocamos a mesa em seu lugar e o urso saiu rindo das nossas caras, eu realmente odiava o Monokuma. Saímos da cabana e vimos que realmente não haviam sinais dos animais, em nenhum lugar. Ficamos até mais tranquilos, mas resolvemos verificar o que havia acontecido no zoológico, teria sido uma falha do sistema? Ou teria sido causada por alguém? Quando chegamos no zoológico encontrei Mikazuki e Onihiru, ambos pálidos de susto e medo.
– Vocês estão bem? – perguntei imediatamente ao vê-los- sofreram alguma coisa?
– Não, nós mal chegamos no zoológico e vimos um leão enorme vindo na nossa direção- Onihiru explicou ofegante- nós dois corremos e nos escondemos na floresta, olha, nunca tente subir uma árvore com esses sapatos.
– Foi realmente horrível- Mikazuki comentou ajeitando os cabelos- e vocês? Se machucaram com algum deles?
– Não, mas quase fomos atropelados por um rinoceronte- Yui foi quem falou sentando-se em um dos bancos extremamente cansada- parece que todos eles foram dopados para poderem ser trazidos de volta para as jaulas.
– Temos que procurar os outros- Kon disse- eles podem estar machucados.
Concordamos e começamos a andar pelo zoológico, um estranho silêncio se fazia e por onde quer que se olhasse víamos os animais dormindo. Mayu, Watashima e Nathan não haviam dado as caras ainda e talvez pudessem estar feridos, ou não, talvez ainda estivessem tranquilos em seus quartos como se nada tivesse acontecido. Espero que eles estejam bem, íamos andando entre as jaulas até Yui parar do nada, encarando um tigre-de-bengala que dormir a sono solto:
– O que houve Yui? – Kocho perguntou aproximando-se da garota- alguma coisa errada?
– Essa jaula está destrancada- ela falou apontando para a entrada da jaula, esta estava entreaberta, mas por quê? – e aquilo nos pelos dele? É... Sangue?
Olhei para o animal e senti meu estômago revirar mais uma vez, os pelos brancos do tigre agora estavam avermelhados, e não um vermelho qualquer, mas um vermelho que eu reconheceria a quilômetros de distância. Era sangue, disso eu tinha certeza. Mas talvez não fosse humano, talvez fosse algum outro animal que ele devorou quando fugiu, pelo menos era o que eu queria que fosse. Andei lentamente até a porta da jaula e a empurrei, esta abriu-se num rangido. Andei para dentro da jaula com cuidado, sendo seguida pelos outros, analisei a jaula com cuidado. Vi que o compartimento onde isolamos o animal para limpar a jaula estava aberto, o que não era para estar, fomos até ele lentamente e entramos, meus olhos não queriam acreditar no que viam, mas era a pura e simples realidade.
No centro do compartimento, em cima de uma poça enorme de sangue estava o corpo de Mayu, estava de bruços, mas era possível ver os arranhões em suas costas, a camisa da garota estava destruída e haviam algumas mordidas aqui e ali, pelas marcas em sua pele ficava claro que o tigre havia matado ela, meu estômago embrulhou e saí dali correndo o mais rápido que pode, senti a cabeça tontear um pouco, aquela cena... Era horrível demais.
– Upupu- a voz de Monokuma pode ser ouvida por todo o local- um corpo foi encontrado, após um período de investigação, iniciaremos mais um julgamento. Boa sorte nesse caso bastardos.
Me apoiei nas grades da jaula, ofegando um pouco, não sei se iria conseguir ajudar em nada naquela investigação. Senti alguém tocar meu ombro, e quando olhei era Mikazuki, ela sorria pacificamente enquanto me levava até um banco próximo com cuidado. Ela sentou-se ao meu lado, me confortando por um tempo:
– Desculpe, eu só não me senti bem ao ver a Mayu daquele jeito- falei quando tentava me recompor- como consegue se manter tão calma com tudo isso?
– Eu apenas... consigo- ela disse com um leve sorriso- agora vamos, uma investigação nos espera não é mesmo?
– Sim, você tem certeza- falei me levantando, enquanto via os outros estudantes se reunirem por perto- vamos acabar logo com isso.
– Yuuka- um grito veio detrás de mim, quando me virei era Watashima, estava cansada, provavelmente correu até chegar ao local- quem foi? Quem é o assassinado?
– Bem- fiquei com certo receio de falar, afinal elas eram amigas, não queria entristece-la, mas ela precisava saber- foi a Mayu.
Ela recuou para trás um pouco e piscou surpresa algumas vezes, sentou-se no banco com a face desolada enquanto era consolada por Mikazuki. Eu sabia o quanto era difícil, havia passado por aquilo com Albert e não era nada fácil, a sensação de dor, de vazio que ficava em você. Mas ela teria de superar, iríamos descobrir o mistério daquele caso e sermos livres mais uma vez.
Puxei o ID do bolso para ler as Monokuma Files, a vítima era Mayu Yamamoto, a causa da morte foi hemorragia interna, havendo perfuração de alguns órgãos interno e marcas de garras e mordidas distribuídas pelo corpo. Segundo o arquivo, o horário da morte foi a pouco menos de quarenta e cinco minutos, ou seja, bem recente. Seu corpo foi encontrado no zoológico mais precisamente na jaula do tigre-de-bengala, e segundo os arquivos ela não se debateu durante a morte. Guardei aquelas informações pois seriam extremamente necessárias para nós.
(Prova N°1- Monokuma Files)
Como da última vez nos dividimos, só que dessa vez eu e Mikazuki ficamos com a cena do crime, enquanto que Onihiru e Watashima dariam uma olhada pelo zoológico e os outros se dispersariam em busca de pistas importantes. Para mim era um tanto óbvio o que acontecera, houve uma falha no sistema, os animais fugiram e Mayu foi atacada pelo tigre enquanto tentava se esconder, mas creio que se tivesse sido morte acidental não teríamos que investigar, Monokuma nos diria... ou não? Era muito confuso, mas talvez eu comentasse aquilo com alguém depois.
– Então, pelo que começamos? – ela me perguntou com a expressão séria que fazia quando estava investigando- pode ser pelo corpo?
– Tudo bem- sibilei me abaixando junto ao corpo de Mayu.
Comecei a analisar os ferimentos que haviam na garota, haviam realmente mordidas em diversos lugares e marcas de garras também, principalmente na região do seu estômago, não dava para medir a profundidade dos cortes, mas segundo os Monokuma Files elas atingiram seus órgãos internos, Mayu deve ter sofrido bastante com tudo isso. Olhei em volta do corpo, procurando por algum objeto, mas não encontrei nada. Mikazuki vasculhava o compartimento e a jaula com uma perícia assustadora, me perguntava se estávamos fazendo aquilo tudo em vão, afinal o tigre não seria executado se ele fosse o assassino, era pura baboseira.
– Acha que foi um acidente? Digo, que ela foi pega pelo tigre quando os animais se soltaram? – perguntei, Mikazuki olhou para mim séria e apontou-me a porta do compartimento.
– Poderia ser, mas acho um tanto difícil. Esse compartimento tem três fechos e não são elétricos, ou seja, a menos que o tigre saiba como abrir portas, como ele trouxe Mayu até aqui. E ela não seria tola de se esconder aqui dentro.
– Mas no desespero as pessoas cometem algumas tolices- disse- ainda mais quando se tem um animal feroz atrás de você.
– Claro tem razão, mas precisamos investigar mais afundo. Esse compartimento pode ser a chave para esse mistério sabia? E o tigre também, se isso foi um assassinato planejado ele é nossa arma do crime.
– Isso é permitido?
– Creio que seja, ou o culpado já teria sido punido pelo Monokuma. Mas acho que vamos precisar investigar outra coisa, faria isso para mim Yuuka?
– Claro, o que é?
– Preciso que descubra o que ocasionou a falha que abriu as jaulas, se foi intencional ou não.
– Tudo bem- disse me levantando e saindo de dentro do local- vejo vocês depois.
(Prova N°2- Compartimento da Jaula)
(Prova N°3- Tigre)
Saindo da jaula comecei a andar a esmo pelo zoológico, como eu iria descobrir o que ocasionou a falha? Talvez eu pudesse perguntar ao Monokuma, mas ele certamente não diria nada de muito importante. E não sabia exatamente onde ficava o sistema central, se a falha havia sido lá eu nunca saberia. No máximo o que poderia fazer era checar as jaulas em busca de falhas nelas talvez, mas isso tomaria muito tempo. Meu Deus, isso era muito confuso. Enquanto andava notei que Cody analisava alguma coisa no centro do zoológico. Me aproximei dele rapidamente:
– Olá Cody- o garoto me encarou com seus olhos azuis cintilantes- achou alguma coisa?
– Sim, e creio que é algo muito importante- ele apontou para uma jaula frente, a qual o painel eletrônico estava completamente destruído, e fora substituído por um novo ao lado- os painéis com botões ao lado das jaulas estão completamente destruídos e foram substituídos por um novo, parece que receberam pancadas ou algo do gênero.
– Pancadas?
– Sim, como se alguém tivesse pego algum objeto pesado e saído pelo zoológico destruindo todos os botões, acho que a escapatória dos animais não foi acidental.
– Entendo perfeitamente- falei me aproximando um pouco mais de um dos botões- acho que isso explica porque os animais fugiram daquele jeito, alguém pode ter quebrado os botões e não foi uma falha no sistema.
– Bom, isso pode ajudar no caso, agora vou indo, ver se encontro mais alguma coisa. Até mais Yuuka.
– Até.
(Prova N°4- Botões Destruídos)
Voltei a andar pelo zoológico, quando vi de relance que passava pela jaula do rinoceronte que dormia tranquilamente, não me parece tão durão agora não é mesmo? Continuei andando até a clínica veterinária, talvez Onihiru e Watashima tivessem encontrado alguma coisa. Ao chegar lá, me deparei com os dois procurando nas prateleiras e armários do local. Me perguntava se realmente havia uma pista interessante ali, talvez não houvesse nada demais.
– Olá pessoal- falei chamando a atenção de ambos- encontraram algo?
– Não, nada demais- Watashima disse lentamente enquanto vasculhava umas caixas de remédios- ao que parece tudo aqui está “normal”, fora é claro aquele vidro quebrado ali atrás, devem ter sido os macacos.
– Entendo- comentei me aproximando de Onihiru- mas não tem nada mesmo?
– Não, parece que está tudo em ordem por aqui. Mas sabe Yuuka, eu queria testar uma coisa com você.
– Pode falar.
– O “tesouro” que o Monokuma nos ofereceu- ele disse me mostrando o mapa- se descobrirmos o que era podemos entender algo sobre esse caso, se alguém é assassinado precisa de um motivo para isso, sabendo o motivo, chegamos ao culpado.
– Entendi perfeitamente- te ajudarei no que puder.
– Vamos então desvendar isso, Watashima vai continuar dando uma olhada por aqui?
– Claro- a loira comentou rapidamente voltando a olhar as prateleiras, então eu e Onihiru saímos.
Ele olhava o mapa atentamente enquanto saíamos do zoológico, olhando em volta uma vez ou outra como se procurasse por algum ponto de referência. Eu não o questionava, afinal ele era um perito criminal, já havia lidado com aquilo centenas de vezes, devia saber o que estava fazendo. E por mais que meu instinto de repórter quisesse arrancar o mapa das mãos dele e resolver tudo por mim mesmo, aguardei ele falar alguma coisa:
– Já encontrei- olhei para ele surpresa, com um certo ar de curiosidade, ele pareceu entender e começou a explicar- o local inicial é basicamente onde o Monokuma deu o motivo, ou seja, o píer do lago, e esses desenhos ao longo do caminho indicam alguns locais, basicamente onde ocorreram os outros assassinatos, o X está em algum lugar do Hotel, onde Albert foi morto.
– Você é bem esperto não é mesmo- falei pegando em seu braço e puxando- então vamos logo, não temos tempo a perder.
Fomos rapidamente ao hotel, precisávamos ver aquilo antes que o tempo acabasse, e não tínhamos pistas o suficiente para resolver o caso e encontrar o possível culpado. Mas ainda assim não sabia bem o que procurar no hotel, com certeza não encontraria um X vermelho desenhado em algum lugar ou muito menos uma placa mecânico do Monokuma apontando e dizendo “Está aqui”. Olhamos a sala, os banheiros, o restaurante, a cozinha. Faltava agora apenas um lugar: A sala de arquivos. Eu levei Onihiru até lá, e passamos a dar uma rápida olhada no local, quando reparei num X vermelho desenhado em uma pasta jogada no canto, peguei-a no mesmo momento.
– Será que esse é o tesouro? – disse mostrando a pasta para Onihiru- espero que valha a pena.
Abri a pasta e me surpreendi com o que tinha escrito. Era um plano de assassinato completo, mostrando como destruir os botões das jaulas, quais rotas de fuga usar para se livrar dos animais, e havia ainda uma página ensinando a usar a dosagem certa de sedativos, era algo realmente estranho aquilo, mas o que mais me intrigou foi uma espécie de pasta pequena do tamanho de um diário que se encontrava vazia, contendo somente um bilhete anexado a ela, que dizia:
“Upupu, achou esse tesouro significativo meu caro aventureiro ou aventureira? Pois lhe digo que não lhe dou somente o plano para cometer todo esse assassinato, como também a vítima em potencial, o diário que aqui tenho tem a identidade de um espião especial, e também um assassino procurado, preciso que se livre dele para mim. Boa sorte com seu assassinato
– Monokuma”
– Isso sim foi inesperado- Onihiru comentou- acho que temos um caso bem difícil em ação. Vou guardar isso, pode ser necessário.
– Sim, proteja bem- falei entregando a pasta a Onihiru- eu acho melhor dar uma olhada no quarto da Mayu, talvez eu encontre algo de interessante por lá.
– Tudo bem.
(Prova N°5- Tesouro do Monokuma)
Nos separamos quando saí do hotel, e comecei a andar na direção do quarto da Mayu, como quando aconteceu com Miya eu esperava que o quarto estivesse destrancado para investigação. Mas caso contrário, talvez fosse fácil achar a chave nas vestes dela. Para minha sorte não só a porta estava aberta, como havia uma pessoa lá dentro. Era Kon. Ele me olhou um tanto surpreso, mas depois fez um sinal para que eu entrasse:
– Pensei em dar uma olhada no quarto dela, e encontrei umas coisas no mínimo intrigantes- ele me disse apontando para a cama da garota, que permanecia arruma não fosse por uma caixa de papelão em cima da mesma- você precisa ver o que tem aqui.
Me aproximei da cama e abri a caixa de papelão, lá dentro haviam diversos bonequinhos de cera. Quatorze ao todo, eram pequenas réplicas de nós, havia uma minha, uma de Kon, e uma de todos os outros, até mesmo dos que morreram. Haviam também algumas folhas com rabiscos de planos de assassinato, e quando olhei um pouco para o lado me deparei com uma pá ao lado da cômoda.
– O que será que significa isso? – Kon perguntou sentando-se na cama- já olhei e faltam os bonecos de Mayu e o da Watashima, me pergunto se isso era dela ou... Do culpado que colocou isso aqui para nos confundir.
– Está tudo bizarro demais para o meu gosto- falei enquanto fechava a caixa- me parece que o assassino ia usar a pá, mas não teve oportunidade. Talvez mudou de ideia no último minuto.
– Mas me pergunto, se os bonecos de Mayu e Watashima sumiram, então o assassino faria algo com elas não? E a única pessoa que consigo pensar que fica perseguindo as duas por aí é o...
– Nathan- falei automaticamente, me lembrando de como o garoto tinha uma fascinação pelas duas, pela Mayu em especial- vou falar com ele assim que der, obrigado por me mostrar isso Kon.
– Está tudo bem, vou dar mais uma olhada e já saio para procurar mais- disse no seu habitual tom tranquilo.
(Prova N°6- Pá)
(Prova N°7- Bonecos de Cera)
A única coisa que passava pela minha cabeça no momento era encontrar Nathan e questioná-lo sobre aquilo, talvez ele soubesse alguma coisa, algo que ajudasse realmente. Procurei-o por todos os lugares, até que finalmente o encontrei junto a estátua do novo bairro, olhando para algum ponto qualquer no meio da floresta, ele era um garoto realmente muito estranho, confesso que as vezes até eu sentia um pouco de medo do seu modo de agir, era difícil esquecer o que ele fizera com o corpo da Miya apesar de tudo.
– Nathan- o garoto encarou-me com seus olhos de cores diferentes- preciso falar com você sobre uma coisa.
– Pode perguntar- ele disse encostando-se na estátua.
– Você era uma pessoa que andava observando muito a Mayu e a Watashima, e uma delas foi assassinada e eu preciso saber, se você viu ou notou alguma coisa estranha nela, algo do gênero.
– Na verdade sim- Ele falou com um leve sorriso- a Yamamoto-san estava muito estressada ultimamente, e piorava quando ela aparecia nesse bairro, dizia querer libertar todos esses animais do sofrimento e outras coisas. Ela tinha uma força de vontade invejável. Já a Utsutsuki-san estava normal, até tranquilizava a amiga quando ela se estressava demais. Mas ontem eu vi que elas estavam perto do lago e estavam brigando, por algum motivo.
– E não conseguiu ouvir o que era? – perguntei apreensiva.
– Não, fiz um barulho pisando num galho e Watashima olhou-me furiosa, saí dali o mais rápido possível- ele disse levando o indicador ao queixo como se pensasse- ela escuta bem demais na verdade, até chego a me assustar.
– Mas e a Mayu? Viu o que ela fez depois?
– Ela passou naquele local com itens de acampamento hoje bem cedo e levou algo, fiquei curioso para saber o que era e o que ela queria com aquilo, mas eu apenas voltei para o Fliperama e fiquei lá o resto do dia sabe? E foi a última vez que vi Mayu.
– Entendi Nathan- falei dando uns tapinhas em seu ombro- mais alguma coisa?
– Não, creio que não.
– Vou indo então, preciso falar com a Watashima-san- falei enquanto saía na direção do zoológico mais uma vez.
(Prova N°8- Testemunho de Nathan)
Continuei caminhando depressa pela estrada principal, quando cheguei ao píer, duas folhas de caderno trazidas pelo vento acertaram meu rosto em cheio. As peguei ajeitando os óculos, me perguntando o que era aquilo. Quando dei uma olhada nas folhas quase caí para trás:
“Dia 5- O primeiro motivo foi dado, Kazuyo Sakey age estranhamente durante o dia. Miya Watanabe chora em um banco sendo consolada por Onihiru Mikamaru. Yuuka Misaki trancou-se em seu quarto durante todo o dia...”
“Dia 6- Albert McFilligan foi assassinado, está tudo em ordem, não será necessário pôr em prática o plano B.
“Dia **- EU CANSEI DISSO MISERÁVEL, VOCÊ PRENDE AQUELAS ALMAS INOCENTES SEM NENHUM PUDOR, EU DESCOBRI QUEM VOCÊ É, SEU ****** DE MERDA, NÃO PRECISA DE MIM, VOCÊ ** **** ********** PARA ******** OUTRO. VAI SE FODER!”
Era a única coisa que havia de legível nas folhas, pois o resto estava molhado e a tinta formou apenas manchas negras nas folhas. Fiquei curiosa para saber o que era aquilo, seriam páginas do que estava faltando na pasta do tesouro? Se sim, como foram parar ali do nada?
– Yuuka-san- ouvi a voz de Yui me chamar, quando olhei ela estava no píer acenando para mim, enquanto que Kocho saía da água com algo completamente ensopado- precisa ver isso.
– O que é? – disse quando cheguei, Kocho me ergueu uma espécie de diário, completamente ensopado- um diário?
– Isso mesmo- Yui falou- eu vi algo boiando na água e pedi para que Kocho pegasse, algumas páginas voaram e acertaram você.
– Sinto que isso pode ser uma pista importante- Kocho disse abrindo o diário, mas encontrando apenas uma massa de folhas sem nada legível- se desse para entender algo.
– Essas folhas aqui tem algo interessante- falei mostrando as duas folhas aos dois- vocês tiveram uma brilhante ideia, parabéns. Agora eu preciso ver uma coisa, podem dar mais uma olhada?
– Claro- responderam em uníssono.
(Prova N°9- Diário No Lago)
Continuei andando até chegar ao zoológico, não precisei andar muito, pois está se encontrava passando exatamente em frente ao jaula do tigre. Ao me ver deu um leve aceno e depois fez uma careta de dor, havia pisado em alguma coisa, pegou o pequeno objeto entre os dedos e o observou surpresa, andei até ela rapidamente:
– Se machucou? – ela acenou em negativo- o que é isso?
– É uma espécie de dardo tranquilizante- ela disse me mostrando o pequeno objeto- estranho isso, estar aqui, as caixas dos dardos estão todas completas pelo que pude notar. A menos é claro que tenham pego uma caixa inteira.
– É bem estranho mesmo- comentei pegando o objeto e o colocando no bolso do casaco- é melhor guardar isso, pode ser importante. Mas eu preciso te perguntar uma coisa Watashima-san, a Mayu tem andado estranha ultimamente?
– Sim, sim. Até chegamos a discutir- ela falou- ela me disse que estava com medo por que alguém a estava perseguindo. Provavelmente por ela ter reclamado tanto do zoológico, e ela comentou algo sobre o Animal Rights Killer estar aqui e que ele iria agir logo, não entendi muito bem.
– O assassino em série, aquele que mata os que “atacam” os animais?
– Isso mesmo, e Mayu estava meio paranoica com isso, dizendo que logo ele iria dar a vingança aos animais e que todos deviam tomar cuidado, eu tentei tranquiliza-la. Até marcamos de nos encontrar aqui para conversar hoje, mas aconteceu toda aquela confusão e... Bom, agora ela está morta.
– Entendo... Não encontrou nada na clínica veterinária?
– Não, está tudo em ordem por lá, se alguém mexeu em algo tomou cuidado para arrumar tudo depois. Acho melhor dar uma olhada em outros lugares.
– Entendi, nos vemos depois então- falei me dirigindo para o interior da jaula do tigre.
(Prova N°10- Testemunho de Watashima)
(Prova N°11- Dardo)
Entrei no pequeno compartimento da jaula, lá estava Mikazuki dando uma olhada minuciosa no corpo de Mayu. Estava com alguma coisa em mãos, e eu não entendia muito bem o que era. Por isso me aproximei e me ajoelhei ao seu lado, ainda sentindo o estômago revirar devido a quantidade absurda de sangue que havia no local. Fora a morte mais horrível que eu presenciara até o momento.
– E então, o que descobriu? – perguntei tentando desviar o olhar do que já fora Mayu.
– Bom, ela foi realmente morta pelo tigre, isso é certeza. Mas o que me intriga são essas essas marcas nos braços e no pescoço, são pequenos furinhos roxos como feitos por agulhas finas e tem várias delas. Parece que usaram uma caixa de agulhas na coitada. E tem também sinais de que foi arrastada até aqui, talvez pelo animal, talvez por alguém. E tem isso- ela disse mostrando um pequeno boneco de cera assim como os outros, porém este representava a Watashima- estava nos bolsos dela, bem estranho não é.
– Espere, as marcas das agulhas se parecem com isso- mostrei o dardo ela, a garota o pegou e o levou ao braço de Mayu, perfurando um furo já feito com o dardo e este entrou perfeitamente- nossa, foram feitos com dardos, onde encontrou isso?
– Watashima achou aqui na frente- disse pegando o dardo de volta- parece que tem caixas deles na clínica veterinária.
– Acho que estamos a um passo de resolver esse mistério não é mesmo? Mayu andava estranha ultimamente, gritando pelo zoológico em surtos repentinos, falando coisas estranhas. Parecia irritada, me pergunto se alguém não se aproveitou do seu psicológico frágil para matá-la.
– Ela parecia muito agressiva? – perguntei.
– Um pouco, falava sobre querer esmagar cabeças com uma pé por fazerem coisas erradas com quem não merecia. Mas era só um surto, e provavelmente estava falando do Monokuma- ela disse levantando-se- pobre coitada, não a conhecia muito, mas ela era legal.
(Prova N°12- Autópsia e Testemunho de Onimaru)
– Upupu, o tempo acabou bastardos- a voz do Monokuma rompeu por todo o lugar- já sabem para onde ir, então encontro vocês em breve.
Todos fomos para a fonte, aguardar o elevador. Exceto por Onimaru que precisou “pegar algo realmente importante” antes de finalmente ir para lá. Quando todos estavam o elevador apareceu e descemos em direção a sala do julgamento, era a hora da verdade não é mesmo? Iríamos descobrir o mistério por detrás daquele caso, e talvez voltássemos com uma pessoa a menos.
Mayu andava pela escola tranquila, o professor faltara por motivos importantes e sua turma ficara de aula vaga. Logo a melhor coisa a fazer era andar pelos corredores. O uniforme da escola era um tanto apertado, mas ela conseguiu se acostumar rapidamente. Foi quando passou por um rapaz alto de pele pálida, os cabelos negros tingidos com algumas mechas brancas, usava roupas largas e um grande cachecol roxo enrolado em seu pescoço, mas o que chamou a atenção da garota foram os quatro hamsters que o rapaz carregava:
– Que fofinhos- disse aproximando e acariciando a cabeça de um deles- são as coisinhas mais lindas que eu já- o garoto apenas a encarou de forma estranha- desculpe, é que eu amo animais.
– Temos algo em comum então – ele falou num tom misterioso- afinal você é a SHSL Veterinary, eu sou o SHSL Breeder, ambos trabalhamos com animais.
– Espere- ela gritou surpresa- você é Gundam Tanaka? Nossa, sempre quis te conhecer de perto.
– Agora conhece- ele disse simplesmente- quer dar uma volta por aí, podemos conversar mais sobre os animais.
– Claro- falou enquanto saía com ele pelos corredores.
Enquanto isso uma figura feminina de cabelos loiros compridos os observava, com um ar sádico no rosto.
° ° °

Alunos Restantes: 9/17(?)
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