The Killers II- Interativa
18 Capítulo 14 - Despair Origins
Notas iniciais
Origem do Desespero
“Afinal, tudo tem de começar de algum lugar”
Desligou os controles e tirou os fones, estava cansada demais para continuar e aproveitou que todos os dezesseis estudantes dormiam tranquilamente. “Durmam enquanto podem palermas” foi o que pensou naquele momento enquanto ajeitava os longos cabelos loiros. Clarabell não imaginava que fosse realmente conseguir captura-los e leva-los para a ilha onde antes estudavam. Mas era o seu dever, embora preferisse estar com seus colegas do desespero- aliás, foi com a ajuda deles que conseguiu chegar até aquele ponto- onde estariam agora? Talvez vivos, talvez mortos, ela não sabia.
Sabia que a maioria dos membros do SHSL Despair haviam sido capturados por uma fundação qualquer, que tentava restaurar a esperança no mundo. Ela havia conseguido fugir deles, não só fugir como também prendê-los em uma espécie de realidade virtual, o que ela via na tela não era a realidade, somente as mentes confusas dos estudantes que ela capturara. Todos estavam agora em uma câmara, como se dormissem. Pobres coitados, ela ria do destino cruel que os aguardava.
Aquele era o seu propósito, levar suas mentes ao completo desespero, seus corpos era apenas cascas, a alma era o seu maior tesouro. Levar suas almas ao abismo mais profundo que existia, de onde não havia volta. E foi graças ao seu “amigo” que conseguira tudo aquilo, ele a ajudara a fugir da Fundação e a capturar todos os estudante que se encontravam ali, sim, ele a ajudara muito. Talvez ele fosse a única pessoa no mundo que a amava, a amava desesperadamente por assim dizer- Clarabell o amava também, mas não com tanto afinco- e queria que ele estivesse ali, mas cada um tinha seus próprios problemas para resolver.
Espreguiçou-se enquanto levantava-se da cadeira, foi dançando até uma câmara parecida com a qual os estudantes repousavam, ela precisava estar lá dentro com eles se quisesse que seu jogo desse certo, já havia conectado um vírus ao computador da Fundação e poderia se infiltrar no sistema livremente, aquilo era lindo e divertido. Oh, sim, muito divertido. Deitou-se na câmara, conectando pequenos fios a sua cabeça e apertou um pequeno botão vermelho, ela ouviu um barulho estranho e a porta da câmara se fechou, logo um gás branco começou a penetrar na câmara, ela sentia-se zonza e logo apagou.
Por sua mente passavam inúmeros pensamentos, inúmeras lembranças. Porque ela não nascera Clarabell, nascera com o nome de Saiyo Shiori, uma menina da classe média que sofria constantemente com os abusos de seus pais, e tinha no balé uma válvula de escape. Ela odiava a sua vida, até o dia em que conheceu Junko. Enoshima Junko era a pessoa mais incrível e mais assustadora que ela já conhecera, um poder de persuasão incrível. E foi Junko quem lhe dissera o que ela devia fazer: “Vamos Shiori, queime seu passado, queime a si mesma e renasça das cinzas como a fênix”. E foi o que ela fez, queimou a casa onde morava, queimou os seus pais até não restar nada, queimou todo o seu passado.
Adotou logo a nova identidade de Clarabell Styvens, pintara os cabelos de loiro e passara a preocupar-se mais com sua aparência, dedicando-se somente e inteiramente ao balé, logo tornara-se digna do título que possuía. E Junko esteve sempre com ela, Clarabell logo juntou-se ao Desespero de Junko, afinal já estava mergulhada em sua loucura até o pescoço, não havia mais como voltar, só havia agora como seguir em frente. E muitos outros estudantes se juntaram a eles também, um grupo pequeno que tomou proporções inimagináveis.
E Clarabell lembrava-se de tudo, de todos os detalhes, Junko estava morta agora, mas seu desespero continuava firme e forte tomando conta do que restara do planeta. E não havia coisa melhor do aquele doce desespero, do que aquela sensação de poder e medo mescladas com um pouco de dor. Porque o Super Highschool Level Despair não era nada além de toda a dor, ódio e sofrimento da humanidade, explodindo por todos os cantos, gritando por não poder mais ser escondido. E sim, aquilo era muito, muito bom.
° ° °
Os cinco se colocaram diante dos vários túmulos, era um cemitério improvisado da base, mas que havia quebrado um grande galho. Seus colegas estavam agora mortos, meses de coma antes de entrarem em colapso. Era como estar enterrando eles pela segunda. Tantos companheiros mortos, tantas pessoas que tiveram que perder suas vidas por nada. Mas eles sabiam que a esperança ainda brilhava dentro deles, e que tudo seria diferente agora, ou pelo menos assim eles desejavam.
– Nesses anos todos nunca pensei que enterraria tanta gente de uma vez só- Kanoto falou cruzando os braços, enquanto desviava o olhar dos caixões que aos poucos eram enterrados- é bem mórbido.
Esther repousou a mão no ombro da amiga, e limitou-se apenas a limpar as lágrimas que caíam furtivamente em seu rosto. Ela decididamente não queria chorar, mas as lembranças que tinha de seus colegas eram tão vivas, que faziam seu coração apertar aos poucos, como se estivesse sendo arrancado de dentro de seu corpo. Ela fizera grandes amizades ali, principalmente com Nina, ou Alina, tanto faz.
Carlos e Adari com pás em mãos, jogavam terra em cima dos caixões dos seus colegas. A Fundação Futuro havia se oferecido para realizar o enterro, mas eles fizeram questão afinal eram seus amigos ali. Joey apenas observava tudo de longe, enxugando as lágrimas que caíam aos poucos quando se lembrava de seus momentos com Rachel. Quando foram libertados da simulação, tiveram suas memórias de volta. E ele lembrava-se de cada momento que tivera com a ruiva, ela o ajudara inclusive a controlar a sua “personalidade” psicopata do Rei Negro. Daniel carregava em mãos diversos buquês de flores, colocando um em cima de cada lápide, contendo o nome dos seus antigos colegas.
– É, parece que é mesmo o fim para eles- Carlos comentou enxugando o suor do rosto, depois de enterrar o último caixão- ainda não acreditando que estamos passando por tudo isso.
– E você acha que nós acreditamos? – disse Adari apoiando as pás em uma lápide próxima- para mim é tudo ainda como um sonho, ou pesadelo... Me imaginei enterrando muita gente, menos os meus colegas de sala.
Kanoto apoiou a cabeça no ombro de Esther começando a chorar copiosamente, os outros juntaram-se a elas em um abraço coletivo. Eram os únicos sobreviventes daquela turma, uma turma de intercâmbio dos alunos do curso reserva que foram infectados pelo desespero de Enoshima Junko. A Fundação havia devolvido não só suas memórias, como também seus pertences da época escolar. Eles haviam queimado tudo, todo o passado negro de seus colegas estava queimado para sempre, não havia motivo para lembrar dos seus erros, precisavam manter vivos somente os momentos felizes de todos.
Miranda era enfermeira de um orfanato do subúrbio, muitas crianças do orfanato estavam agora em abrigos, e outras perderam-se no mundo. Não haviam encontrado muita coisa sobre Sea, sabiam que ela e Miranda mantinham uma amizade na escola, e que ela era uma grande nadadora, mas fora isso nada, além é claro de alguns pertences da nadadora que ficaram para trás. Klev tinha uns projetos inacabados de mangá, que nunca viriam a ser concluídos, e Crucius havia se entregado a polícia meses antes da Tragédia, queria mudar a sua atitude errada que afundando ainda mais Junko em desespero. Não se achara muito de Tyler sua família estava morta agora, e não havia ninguém ligado a ele para que pudesse chorar sua morte. Os livros não terminados de Rachel foram guardados por Joey em uma gaveta especial, ele mesmo os terminaria quando aquilo tudo acabasse. Adari havia descoberto mais sobre o passado de Aya, havia conseguido resgatar o pai dela inclusive, o coitado mal acreditara que a filha estava morta e agora ajudava como podia dentro da Fundação, Alina- ou Nina- tinha muitos crimes em suas costas, mas todos eram bandidos, ladrões, assassinos, ela fizera de certa forma um favor a sociedade. Toda a herança de Ryan fora doada a fundação para ajudar em assuntos financeiros, os pertences do garoto perderam-se no mundo e sua família estava desaparecida. Os pais adotivo de Natsuri foram resgatados, e os projetos da jovem haviam sido postos em práticas pela Fundação- coisas como robôs, aparelhos médicos, aparelhos de comunicação, coisas do gênero- incluindo é claro Beep. Que auxiliava Alter Ego na operação do sistema.
O corpo de Clarabell nunca fora encontrado, após um tempo de busca acharam uma sala secreta com uma câmara, mas nada de muito valor. Haviam investigado o passado da jovem, e sabiam sua história, provavelmente algum amigo dela ou outro membro do Shsl Despair havia pego seu corpo e enterrado ou algo do gênero, não tinha mais tanta importância agora. O vírus que ela usara para invadir o sistema fora convertido em um poderoso sistema de segurança para que aquilo não se repetisse.
– E aqui estamos nós de novos, juntos olhando para pessoas mortas que nós conhecíamos- Daniel comentou enxugando as lágrimas- se Ryan estivesse aqui ele teria me animado, Natsuri teria dito qualquer coisa sobre eu chorar demais, Tyler apenas riria da minha cara ou me chamaria para jogar baralho.
– Eles vão fazer muita falta- Kanoto comentou ajeitando os cabelos ruivos- eu não entendia o motivo de ser tão próxima do Crucius, mas fomos grandes amigos no período escolar e hoje eu perdoo o que ele cometeu. Miranda e Sea eram um amor de pessoa, apesar do que fizeram eles sempre tentavam ajudar no que podiam.
– Mas nós estamos vivos não é mesmo? – Esther falou com um sorriso no rosto- vamos viver por nós e por eles. Era isso que Alina queria, sei que ela mentiu muito, mas ela nunca mentiu sobre nossa amizade.
– Aya era bem arrogante no começo- Adari disse- mas no fundo ela só não tinha muitos amigos, alguém para dar conselhos. Ela amava todos nós, e iria querer que espalhássemos esse amor por aí não é mesmo?
– Rachel iria querer a mesma coisa, amor e esperança eram os temas dos seus livros, ela me ensinou a viver- Joey comentou- me ensinou a sair dessa casca de gênio prepotente e a ser uma pessoa melhor, vou continuar por mim e por ela. Viver por nós dois.
– Se o Klev estivesse aqui, faria uma penca de piadinhas sobre vocês serem muito sentimentais- Carlos disse dando um pequeno soco no braço de Joey- ele era um cara legal apesar de tudo, vou me lembrar dele para sempre.
Enquanto o grupo ria e conversava sobre seus antigos colegas de classe, uma figura robótico aproximava-se lentamente. Com um pequeno ruído fez com que todos olhasse em sua direção, e moveu os olhos luminosos numa expressão de felicidade. Kanoto pegou Beep no colo, e este vibrou um pouco, mudando a expressão para séria:
– O que aconteceu? – perguntaram num uníssono.
– Recebemos informações de dois professores da Academia que ainda estão vivos- seus olhos projetaram um pequeno holograma mostrando um homem de cabelos e olhos negros como a noite, de expressão séria, e depois mudando para uma mulher ruiva e sorridente- esses são Satoshi Miikaru e Anitta Leaveau, ele era professor de Química e ela era professora de Francês da Academia, ambos fugiram com um grupo de estudantes pouco depois que a tragédia começou.
– E? – Adari questionou.
– Identificamos um sinal recente deles e de seus estudantes, eles fugiram para um local secreto onde a escola mantinha um projeto experimental, uma espécie de Cidade Acadêmica, parece que eles ainda estão vivos e precisamos resgatá-los, assim que eu e Alter Ego encontremos a localização exata de onde eles estão.
– Isso é muito bom! — gritou Kanoto- e quando partimos?
– Daqui a dois dias!
– Sabe nos dizer o nome de um dos alunos? – perguntou Joey- talvez isso nos ajude.
– Ainda estamos reunindo informações, mas sei que um deles se chama Yuuka Misaki.
° ° °
Apertou o botão fazendo um grande ruído, a parede deslizou para o lado revelando uma câmara criogênica. Apertou-se em seu casaco enquanto se aproximava do tubo de vidro. Dentro dele havia uma garota de longos cabelos loiros, vestida de bailarina. Olhos fechados e pacíficos como se dormisse, sabia que preservar seu corpo era loucura. Mas a amava tanto que não poderia abandoná-la para ser enterrada como uma qualquer em um dos poucos cemitérios que restarão.
Abriu o tubo e sorriu, acariciando as maçãs pálidas e frias do rosto da jovem, Clarabell fora uma grande “Mastermind” do tipo que deixaria Junko pulando de orgulho, e esse era o objetivo de todos os Shsl Despair. Levar seus colegas de sala ao desespero completo. Havia sequestrado os dezesseis, com uma ajuda especial claro. E agora se passava por um deles, como um lobo em meio aos cordeiros. Riu alto, era fácil demais. Ouviu passos atrás de si e virou-se subitamente:
– Sabe que vir aqui no meio da noite é perigoso não é? – falou dando um sorriso sarcástico- eles vão acabar nos descobrindo antes da hora e vai ser tudo culpa sua.
– Estou ciente dos riscos, mas aqueles idiotas nunca saberão de nós. Não sei como ainda conseguem adivinhar os casos, confesso que esses assassinos sabem muito bem como montar um crime.
– Olha, acho que está na hora de eu aparecer também não acha? – comentou- ficar nas sombras controlando o Monokuma é um tédio, enquanto isso você se diverte com eles.
– Em breve terá sua chance de brilhar- disse fechando o tubo de vidro- precisamos apenas esperar a hora certa.
– Olha, você me ameaçou e me obrigou a fazer tudo isso, eu não queria nada disso. Acho bom ter minha família de volta quando isso acabar ou eu acabo com você.
– Sua família está segura, enquanto você me obedecer é claro, eles estarão bem- disse rindo enquanto fechava a câmara- e não sei porque tanta piedade, você é ou não é um Shsl Despair.
Apenas deu um sorriso e desviou o olhar em meio as gargalhadas do outro indivíduo ali presente. Pegou em seu braço e saíram dali, o desespero era divertido. A morte era divertida e aquela sensação de poder sobre aqueles estudantes era a melhor coisa de todas, mas no fundo se culpava por fazer aquilo com jovens que não tinham nada a ver, se bem que eles próprios fizeram coisas horríveis durante a Tragédia. Agiram como mocinhos no começo, mas não demorou muito para que eles libertassem o seu lado maligno, por que no fundo todos eram humanos, e todos os humanos eram monstros.
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