The Killers II- Interativa
16 Capítulo 13 - Sacrifice
Notas iniciais
Sacrifício
“Faltou a vocês uma coisa importante para que tivessem ganhado, vocês não estavam dispostos ao sacrifício” — Drill, The Whispers.
A areia da praia era quente, e o sol parecia castigar suas costas. Andava sem rumo pelo local deserto, ninguém a quilômetros de distância. O mar estava cheio de destroços e animais mortos, devido ao incidente que ocorrera na cidade próxima a poucos dias atrás. Havia perdido seus colegas a um bom tempo atrás, não que estivesse mortos, só estavam desaparecidos. E quando chegara aquela cidade, que parecia ser segura viu que foram atrás dela, “eles” destruíram e mataram todos, enquanto fugia covardemente, não teria a mínima chance se ficassem, e quando resolveu voltar atrás encontrou apenas uma cidade litorânea em chamas, pessoas mortas jogadas na praia. Culpava-se por aquilo.
E todas as noites acendia uma fogueira junto a praia e ficava cantando para as ondas, esperando que sua voz alcançasse alguém, que seus amigos escutassem seu canto e fossem correndo para salvá-la agora que não tinha mais ninguém. Talvez Little Mermaid fosse mesmo um título adequado, ficar cantando para o mar dias e dias sem que nenhum humano apareça. Detestava aquilo, a solidão, o vazio, tudo isso consumia sua alma aos poucos. E algumas vezes queria que sua história terminasse como a da Pequena Sereia, que apenas virasse espuma do mar, deixasse de existir e assim, querendo ou não, todo o seu sofrimento iria junto.
° ° °
Yuuka Misaki
As portas do elevador se abriram, e todos nós entramos na sala de julgamento. Já era a terceira vez que visitávamos aquela sala, o que para mim continuava sendo assustador. Agora nos lugares de Percy, Aru e Aya haviam três cavaletes com suas fotos em tom acinzentado e um X vermelho riscado em seus rostos. Aquilo que significava que não estavam mais entre nós, e era muito ruim para mim ficar olhando aquela cena. Monokuma sentado em seu trono apenas ria enquanto nos encarava, segurando em suas mãos um pote de mel fresco.
— Upupu, não é preciso que eu cite as regras de novo não é mesmo? Sabem muito que se errarem o culpado serão todos executados- disse animado- então apenas vão para os seus lugares e esperem, hoje será um dia de grandes surpresas!
Engoli em seco enquanto fui para o meu lugar. Todos os outros foram também, e nos entreolhamos. Dessa vez era um caso bem mais difícil, afinal tínhamos dois corpos e pistas bastante desconexas. Não seria fácil desvendar aquele caso, tínhamos suspeitos principais é claro, mas nada garante de que um deles seja o culpado. E se foi um dos que estavam no restaurante? E se um de nós estiver mentindo e tiver armado tudo isso?
— Mas antes que comecem o julgamento- disse Monokuma com uma risada estranha- tenho um comunicado muito importante a fazer. Hoje será um caso muito difícil para vocês meus queridos, tenho certeza de que precisarão de uma ajuda extra não é mesmo? E não fiquem achando que será injusto para com o culpado pois ele tem ajuda, se é que me entendem. Mas enfim, depois da morte de Aya eu não tinha outra alternativa mesmo, pode entrar Yui...
A porta do elevador abriu-se mais uma vez. E eu quase desmaiei no momento, os cabelos brancos e longos, a pele clara, os olhos simples e curiosos. Era Aya, eu tinha certeza de que era Aya, estava viva ali diante de nós. Não usava o kimono, mas o vestido florido que eu a vi usar de vez em quando. Todos os outros quase enfartaram ao vê-la ali, diante de todos, amedrontada. Eu abri a boca para dizer alguma coisa, mas a sua voz me cortou:
— Antes que digam algo, não sou Aya. Sou a irmã gêmea dela, me chamo Yui Haryiama e sou a verdadeira Superhigschool Level Medium- ela disse com grande pesar em sua voz- sinto muito por ter me passado por Aya algumas vezes.
Yui Haryiama- Super Highschool Level Medium
— Mas que porra é essa? – Cody gritou com toda a força nos pulmões, enquanto apoiava-se no pódio- Você é a assassina não é mesmo? Ou melhor, você é a Aya, você fingiu a própria morte, é você que armou tudo isso.
— Upupu, sinto muito Cody- Monokuma disse dando uma larga risada- Yui não era da turma de vocês, então eu ordenei que ela e Aya fossem a mesma pessoa, uma não poderia estar no mesmo lugar que a outra, e apenas uma delas participaria dos julgamentos. Mas como Aya morreu achei melhor trazê-la como uma estudantes de verdade! Achei que gêmeas trocando de lugar seria divertido! E como presente por ela ter feito tudo direitinho, digo que ela não é a assassina!
— Isso explica muita coisa! — eu falei olhando para Aya, ou Yui, ainda estou confusa- as mudanças de roupa, de personalidade, os vultos que eu vi algumas vezes.
— Então era você o “fantasma” que eu vi pensando ser a Aya? – Mayu questionou com os olhos arregalados, a garota apenas assentiu em afirmativo- agora faz mais sentido.
— Espere um segundo- Annie disse cruzando os braços irritada- mas essa escola tem apenas dezesseis estudantes, como pode haver dezessete?
— Eu nunca falei isso- Monokuma disse enquanto servia-se de mais mel.
— Então quantos estudantes tem nessa droga de lugar? – a ruiva protestou mais uma vez.
— Ora, ora, vamos deixar de bobagem e ir logo ao julgamento sim? Yui, não preparei um lugar para você hoje, então fique no da sua irmã, basta afastar o cavalete.
A garota assentiu tristonha se dirigindo ao pódio da irmã, afastando um pouco o cavalete e tomando o lugar dela, encarando o chão. Minha mente estava mais confusa do que antes. Mas talvez Yui pudesse nos ajudar naquele caso, ela não era a culpada, porém podia ter alguma informação que nos fosse útil naquele momento. Qualquer pista adicional era bem-vinda para aquele caso.
— Você pode não ser a assassina, mas tenho certeza de que é uma pista chave nesse caso- Mikazuki disse, ajeitando as luvas em suas mãos- tenho quase certeza de que você foi uma das pessoas a encontrar o corpo de Aya, poderia nos contar como foi? — ela assentiu positivamente.
— Eu e Aya trocávamos de lugar periodicamente, por não ser dessa turma eu tinha que ser Aya, agir como ela, e isso não era fácil para mim. E hoje pela manhã ela pediu para que eu fosse secretamente ao estádio de corrida, pois ela tinha algo sério para conversar comigo. Bom eu fui mais cedo, só que vi Kon e Aru passarem e tive que me esconder, esperei eles saírem e depois eu continuei andando. Quando cheguei no terceiro bairro, vi Kocho e então me escondi na quadra, e esperei um bom tempo, depois eu usei as portas de ferro para chegar até o campo de atletismo, e... Vi ela, eu vi a Aya. Estava caída no meio do campo, não havia mais ninguém ali, então corri até ela, precisava checar se ela estava viva, e foi então que eu vi o corpo de Aru, eu estava com tanto medo que eu só, saí correndo.
— Viu alguém por lá? Qualquer coisa suspeita- Onihiru disse encarando a garota com um olhar interrogativo- todo detalhe é precioso.
Ela apenas assentiu em negativo, encarei o chão por alguns segundos tentando raciocinar. O testemunho dela poderia valer de alguma coisa, minha cabeça latejava um pouco enquanto eu tentava me lembrar dos detalhes do dia. Eu devia ter tentado confirmar os álibis deles, ver se eles estavam realmente falando a verdade, porque para mim um deles estava realmente mentindo. E o mentiroso era também o assassino, aquele mistério estava apenas começando.
(Prova N°12- Testemunho de Yui)
— Então vamos recapitular tudo desde o início- Onihiru falou apoiando-se no pódio- são necessários três pessoas para que o anúncio do corpo seja dado. Aya morreu primeiro, sabemos agora que Kocho, Yui e Aru foram os que acharam seu corpo. Kocho e Yui viram o corpo de Aru, logo precisamos de mais uma pessoa para que o segundo anúncio fosse dado.
— Eu e Annie- respondi rapidamente- nós vimos o corpo dele também, logo depois o segundo anúncio foi dado.
— Ainda acho que tem algo errado nessa história- falou Nathan com os olhos arregalados, todos o encararam por alguns segundos e ele apenas disse- Mas continuem, falarei só quando necessário.
— De todo modo, sabemos agora quem encontrou os corpos, mas sabemos que há mais um personagem a se desvendar. E é o assassino é claro- Mikazuki disse calmamente- tem algo que realmente me intriga nisso tudo.
— E o que é? – Perguntei.
— Havia muito sangue no local, o assassino fez uma bagunça e tanto. No entanto, não acham que o assassino teria se sujado de sangue também? Ou deixado um vestígio qualquer disso?
— Mas estava chovendo muito não é mesmo? – Watashima disse- talvez por isso não percebemos nenhuma marca de sangue ou algo do tipo. E ninguém sujo de sangue também.
— Mas se o assassino tivesse tirado o sangue com a chuva, estaria ensopado assim como Kocho, teríamos percebido. Mas parece que todos aqui estão sequinhos- Mikazuki continuou- e manchas de sangue não são tão fáceis assim de tirar se é que me entendem, precisaria de muito mais do que apenas água da chuva.
Ela estava certa, teríamos percebido alguém sujo de sangue, ou mesmo que trocasse de roupa os cabelos estariam molhados e haveriam sinais de que esteve exposto a tempestade. Teria o assassino usado algum produto para se limpar sem que ninguém notasse? Teria ele deixado uma muda de roupas já pronta para caso precisasse, acho pouco provável que isso acontecesse. Espere, era isso.
— As capas de chuva- eu gritei entusiasmada, todos me olharam com um “quê” de dúvida- Monokuma deixou uma para cada um de nós não foi? Elas são impermeáveis e protegem o corpo da água completamente. Se o assassino estivesse com ela não sujaria as roupas de sangue e nem se molharia na chuva, depois precisaria apenas descartar a capa em um lugar qualquer.
— Então é fácil resolver isso- Cody disse alegre- basta que todos peguem suas capas, quem estiver sem é o assassino.
— Na verdade- Onihiru interrompeu- segundo a lista tem umas capas de chuva no mercado, se o assassino tiver substituído por outra não vamos descobrir nunca. Só vamos perder tempo.
Cody revirou os olhos um pouco constrangido, as bochechas coraram de vergonha. Onihiru deu um pequeno sorriso sarcástico enquanto voltava me encarar, esperando que eu desse sequência ao julgamento. Eu sinceramente me sentia um pouco mais esperançosa em descobrir quem era o assassino, mas me perguntava se estávamos indo no raciocínio certo ou apenas caindo nas armadilhas do assassino. Mas de qualquer modo, não poderíamos perder tempo.
— Que tal falamos de algo realmente importante, que tal falarmos dos dados que eu e Onihiru coletamos na autópsia- ela deu um leve sorriso, um sorriso bastante assustador se quer saber- Eu percebi duas coisas, uma delas é que os músculos de Aru e Aya estavam tensos, significando que haviam tido uma espécie de atividade física recentemente, como se a adrenalina ainda estivesse presente ali.
— E o que isso significa? — perguntou Mayu.
— Significa que eles deviam estar correndo antes de morrer, correndo por suas vidas!
— Fugindo do assassino- disse Kon- o assassino perseguiu os dois e depois os matou a sangue frio. Só pode ter sido o Kocho então, ele matou os dois! Foi ele- o garoto de cabelos verdes parecia ter surtado, surrava o pódio com muita força- inventou essa historinha de que achou os corpos para passar despercebido, mas tenho certeza de que foi você que matou a Aya e o Aru.
— Eu não matei eles- ele protestou- não sou nenhum assassino.
— Não sei quanto ao Aru, mas existe outra pessoa que pode ter matado a Aya- Onihiru disse com um sorriso sarcástico.
— O próprio Aru- eu falei, todos me encararam surpresos, só agora eu havia percebido- Aya foi acertada por trás, e haviam dois pares de pegadas em frente ao corpo que não podiam ser do assassino. Aru sai da biblioteca deixando Kon sozinho, pega um bastão de aço, persegue Aya que corre desesperada usando as portas metálicas como atalho. Então Kocho que ia se encontrar com ela está no meio do estádio, ela para na frente dele, mas antes que fale alguma coisa, Aru a acerta com o bastão.
Todos ficaram em silêncio, isso explicava muita coisa. Haviam duas vítimas, porque uma delas também era culpada. Aru havia matado Aya e alguém- talvez Kocho- matara Aru por vingança ou autodefesa, não podia ter sido Yui, então devia ter sido qualquer outra pessoa, talvez Kocho estivesse realmente mentindo para nós, mas sendo assim precisaríamos de uma terceira pessoa a encontrar o corpo de Aya, estava tudo muito confuso.
— Não pode ter sido o Aru- Kon gritou- ele não tinha motivo nenhum para sair perseguindo a Aya com um bastão de metal, ele não é um assassino!
— Upupu- Monokuma ficou de pé em seu trono, mexendo as patas com entusiasmo- tem tanta certeza disso? Eu não dei a vocês um motivo desesperante o suficiente para que cometessem um assassinato?
— O que quer dizer? – Yui perguntou, olhando-o nos olhos- Aya e eu apenas recebemos fotos do nosso antigo templo destruído, é triste, mas não é desesperante a ponto de matar ninguém.
— Para você talvez, mas para Aru pode ter sido o fim- o urso continuou com seu discurso ridículo- eu confirmei a morte de TODAS as pessoas ligadas a Aru. Familiares, amigos, colegas, todos os que já tiveram contato com ele um dia morreram de forma cruel, ele não acreditava. Ele precisava ver com os próprios olhos se era verdade, e para isso teria que sair daqui, e o único modo de sair desse lugar é se graduando ou seja...
— Matando alguém- eu completei, Kon limpou as lágrimas enquanto voltou a encarar o chão- foi mesmo Aru quem matou a Aya.
— Então você matou Aru não foi Kocho? – Cody perguntou ao garoto- ele te atacou e você o matou com o bastão, autodefesa não foi?
Kocho desviou o olhar, estava visivelmente abatido. Me pergunto se ele era realmente o assassino, não consigo imaginá-lo matando por vingança, então só posso pensar que foi por autodefesa, Aru o atacou e ele o matou sem pensar duas vezes, não o culpo por ter feito isso. Mas será mesmo que foi ele? Precisamos ter plena certeza ou vamos acabar todos executados, assim como nossos antigos companheiros.
— Pode ter sido o Kocho, mas foi mesmo com o bastão? – Nathan falou os encarando com um pequeno sorriso, só tem psicopatas nesse lugar? – Segundo as Monokuma Files, Aya foi morta por um objeto de metal cilíndrico, no entanto, a descrição do que matou Aru, diz apenas que foi um objeto de metal. Não creio que a diferença seja por acaso, mas sim porque...
— Aru e Aya foram mortos por armas diferentes- Mayu completou- e depois de montada a cena do crime, deu a parecer que os dois foram mortos com a mesma arma, isso então significa que tem um objeto desconhecido aqui.
— Você entende rápido- ele disse para a garota de cabelos azulados.
— Isso não interessa agora- Annie disse em tom de birra- se existe outra arma, precisamos saber qual é.
— E então Kocho, acho que está na hora de admitir. Você é o assassino de Aru, não vamos culpar você- Watashima falou- foi autodefesa, mas precisa confessar, por todos nós.
— Sim, fui eu- ele disse entristecido- ele matou Aya e veio para cima de mim, nós lutamos um pouco, e então eu empurrei ele. Ele bateu com a cabeça na quina do balcão da recepção, e caiu desacordado, eu saí correndo ajudar Aya e deixei ele morrer. Fui eu- ele falou banhado em lágrimas- eu não queria nada disso, eu sinto muito.
Olhei para Kocho, tão triste, tão desiludido. Não conseguia imaginá-lo tendo força para matar Aru, ou mesmo para lutar com ele, havia algo faltando nessa história. Eu havia o visto mais cedo no Hall da Fama, olhando para os troféus com certo interesse, até me apontou um deles que mostrava uma mancha estranha. Espere, agora eu percebi, eu posso entender tudo.
— Então acho melhor votarem- Monokuma disse- vamos lá...
— Esperem- eu gritei- ele não é o assassino- todos me olharam como se eu fosse louca- eu sei que ele confessou, mas não foi ele. Olhem só, o anúncio da Aya foi dado assim que ele chegou ao restaurante, quando Yui viu os corpos. Pensávamos que Aru era a terceira testemunha, mas ele era o assassino, não conta.
— Então havia outra pessoa, outra pessoa viu o corpo de Aya- Annie disse- e essa pessoa é a assassina, é isso que quer dizer?
— Sim, e sei também qual foi a arma do crime. Kocho me mostrou hoje mais cedo, um troféu que estava com uma mancha estranha. Mas os troféus não tinham manchas antes- falava com um pesar no coração- isso significa que tentaram usar o limpador de metais nele, mas não teve o mesmo efeito e causou aquela mancha.
— Está dizendo que usaram um troféu para matar Aru? – Onihiru questionou.
— Imagine que o assassino tenha visto Aru pegar o bastão e agir estranhamente, o assassino pega o troféu e segue Aru, quando ele ou ela chega, vê Aya morta e Aru lutando com Kocho, então acerta o troféu na cabeça dele, e Aru morre. Kocho está protegendo o assassino porque este o salvou, ele iria mandar todos nós para a execução para poder pagar a dívida com quem o livrou da morte- Kocho começou a chorar desesperado- mas eu sei quem é o assassino.
— Não diga bobagens- Kocho gritava- fui eu, eu matei ele. Não entendem, eu acabei de confessar, por favor...
— Existe um pequeno mecanismo para poder ter acesso aos troféus, um botão quase invisível, precisa de um pouco de atenção para acha-lo, agora pergunto, quantos aqui não sabiam desse mecanismo? – todos levantaram a mão, menos uma pessoa- além de mim só quem sabia disso era você não era Annie?
— Pois é- ela disse com uma pequena risada, enquanto ajeitava os cabelos ruivos- você acertou de novo Yuuka-san, é mais esperta do que parece. Poderia então fazer o resumo do caso para que os meus colegas entendam como tudo aconteceu?
— Sim.
“Akise Aru estava planejando um assassinato, ele pegou um bastão de metal e perseguiu Aya pelo bairro até conseguir matá-la, ele no entanto não esperava que Kazuo Takao, fosse aparecer, aquilo arruinaria seus planos e ele precisava eliminar a testemunha. Kocho resistiu e os dois lutaram, foi nessa hora que o culpado chegou. O culpado já havia percebido algo estranho em Aru, então armou-se de um troféu e o seguiu, ao chegar ao local viu Aru lutando com Kocho e o acertou com o troféu, matando-o. O sangue mancharia suas roupas, mas o assassino estava usando a capa de chuva, que foi descartada depois. Kocho para saldar a dívida, ajudou o culpado que tinha salvado ele. O troféu foi limpo e colocado de volta ao lugar, e Kocho fingiria ser o culpado, mas as pistas só apontavam para o verdadeiro culpado, não é mesmo? Annie Di Watterloo?”
— Está certa- a ruiva falou limpando as lágrimas- foi exatamente isso que aconteceu.
— Upupu- Monokuma ria da situação- Vamos iniciar a votação, votem com o botão a frente de vocês- todos o fizemos, aquilo havia chegado ao fim- Yahoo! Vocês estão certos, a culpada por detrás de tudo, é Annie Di Watterloo!
— Espere- gritou Kocho- foi autodefesa, não entendo de leis, mas ela é inocente! Tem que deixa-la viver.
— Errado! Seria autodefesa se VOCÊ tivesse matado o Aru, mas eu teria executado você do mesmo jeito, afinal são minhas regras.
— Eu sinto muito por você Annie- Kon falou- peço desculpas pelo Aru, isso não podia ter acontecido, eu devia ter impedido.
— Não foi culpa sua- ela falou com um sorriso- e nem dele, eu entendo o que é ser levada ao desespero completo. Ao medo de morrer. Ele apenas fez o que achava que devia fazer, essa é uma das leis dos piratas.
Todos a encararam em silêncio, ela apenas mantinha-se quieta, Kocho correu e a abraçou desesperada, ela afagou os cabelos dele com um amor maternal. Um amor que nunca imaginei que Annie poderia ter, a ruiva birrenta e encrenqueira que chegou aqui falando mal de tudo e de todos e que nunca teve apreço por ninguém. Eu realmente tenho pena dela, queria que ela continuasse viva, continuasse conosco.
— Ele não morreu na hora, eu o encostei no balcão e tentei reanima-lo, mas não foi possível. Eu queria que vocês descobrissem, você pode não ter percebido Yuuka- ela olhou para mim- mas eu cheguei rápido demais ao terceiro bairro para alguém que estava no quarto a pouco tempo, e também fui eu que te levei direto para a cena do crime.
— Você queria ser descoberta? – perguntei- mas por quê?
— O capitão não pode deixar a tripulação morrer por um capricho seu, ele deve abandonar a própria vida se possível para que os subalternos continuem vivos. Foi isso o que eu fiz, eu contava que você acertasse, mas se fossem votar no Kocho eu iria revelar tudo, eu apenas estava me preparando para isso.
— Upupu! É uma história muito interessante essa sua- Monokuma disse com um martelinho em mãos- mas temos que terminar logo com isso, é chegada a grandiosa Hora da Punição!
° ° °
Game Over
Annie Di Watterloo foi decidida como culpada.
Começando a Punição.
° ° °
Last's Siren song
Annie está em um navio lotado de Monokumas vestidos de piratas, suas mãos estão atadas ao mastro do navio, e os piratas agem como se estivessem num motim. Bebem cerveja, cantam e dançam. Um dos Monokumas pega o chapéu de capitã de Annie e põe na própria cabeça, enquanto se dirige ao timão do navio, pilotando-o de forma irresponsável. As ondas falsas batem contra o barco, que se dirige a uns pedregulhos enormes. O barco bate nas pedras, e água começa a entrar nele afundando-o. Os Monokumas entram em desespero.
Annie está de olhos fechados, sem poder se mexer, ela começa a olhar em voltar e percebe que aquele era o SEU navio, estava afundando com seu próprio navio. Os Monokumas começam se jogar na água, quando um canto é ouvido, um canto e suave como o de uma sereia. A água chega aos seus pés, ela conhece aquela música, começa a cantar junto. A água chega ao seu pescoço, ela sente um certo movimento perto dela e da água se ergue uma serei de cabelos ruivos, com a máscara do Monokuma, Annie sorri para ela enquanto a sereia a abraça. As duas afundam.
A sereia empurra Annie cada vez mais para fundo, Annie ainda acorrentada não pode fazer nada, apenas olha para a superfície enquanto escuta aquele canto doce. Bolas saem de sua boca e ela começa a engolir água, seus pulmões doem demais e ela então fecha os olhos. Estava morta, a sereia quebra as correntes e a toma nos braços, sai nadando com ela pela imensidão do mar, enquanto o seu navio afunda cada vez mais.
° ° °
— Pobre Annie- eu falo enquanto encaro Kocho, então Yui chega perto de mim.
— Era o que ela queria- ela diz.
— O que quer dizer?
— Viver na imensidão do oceano, sua alma está liberta agora. O manda-chuva sabia disso e realizou o seu desejo de viver para sempre no mar aberto. E é agora que me pergunto, se é que ainda há um pouco de humanidade no Monokuma?
— Upupu- o urso salta no meio de nós duas- o que estão cochichando aí? O julgamento acabou, vamos, voltem a suas vidas desesperantes antes que eu resolva fazer um novo julgamento.
Eu me dirigi ao elevador com os outros. Será que Yui estava certa? Kazuyo morrera de forma brutal, mas ela fora vencedora de um grande concurso como era o seu sonho, Percy havia morrido ao lado de Cody, um Cody falso, mas era uma representação dele, e Annie havia morrido no mar. Estaria o Monokuma realizando os nossos sonhos em nossas mortes? Porque? Qual a vantagem de tudo isso? Estaria ele se desculpando por aquilo, estaria o manda-chuva sendo obrigado a controlar o Monokuma? É muita confusão para um único momento.
° ° °
Annie sentou-se de forma relaxada na cadeira, olhando pela janela com certo desdém. A aula era chata demais para que ela prestasse atenção. Olhava pelo horizonte, ansiando pelo dia em que estaria de novo em seu navio, correndo pelos sete mares e visitando- e saqueando- novos lugares. Ela nunca fora presa, e não sabia porque, talvez porque ninguém a tivesse denunciando. Ou coisas do gênero. Foi quando ela sentiu o cheiro de um perfume doce. Virou-se, dando de cara com uma moça bastante bela.
— Hello Annie-san- Enoshima Junko era uma incógnita para ela, famosa e esnobe, porém insistia em fazer amizade com todos- a aula já terminou se não percebeu, então vim te chamar para almoçar comigo.
— Por que você iria querer a companhia de uma pirata perigosa.
— Bom, porque eu adoro histórias de marinheiros, e também porque minha doce irmã Mukuro é sua fã, ela ama coisas que não se aplicam a sociedade de hoje. Vamos lá Annie!
— Tudo bem então! – e as duas saíram da sala, Junko estampava um largo sorriso em seu rosto.

Alunos Sobreviventes 9/17?
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