Notas iniciais
Hey minna, demorou mas chegou, o penúltimo capítulo da fic O.O

Direto para o inferno

“Ele está dando o melhor de si”

Wires- The Neighbourhood

O robô Monokuma explodiu lançando mais peças para o ar, haviam dizimado todos os ursos maníacos do perímetro, e só se via patas, cabeças e óleo por todos os lados. Carlos chutou uma das cabeças visivelmente irritado, os seis estavam a semanas naquela missão e não havia nenhum sinal da cidade, dos estudantes, ou dos agentes especiais que os resgataram.

— Tem certeza de que estamos no caminho certo? – Carlos disse para os outros que se limpavam suas armas.

— Tenho sim- Kanoto disse puxando um GPS do seu casaco- essas foram as coordenadas exatas que aqueles dois agentes deram depois de perderem o contato. De que havia uma cidade aqui nessas montanhas construída pela escola.

— Francamente- Esther praguejou sentando-se em uma pedra- o que eles tinham na cabeça ao trazer os outros para cá? Depois que os resgatassem deviam ter levado eles para uma base, seria bem mais fácil para nós.

Carlos voltou a encarar os destroços robóticos, aquele urso lhe dera muita dor de cabeça fazendo com que seus amigos matassem uns aos outros, a Fundação Futuro quase se livrara deles, até que foi constatado que eles estavam limpos do desespero. Receberam treinamento especial e viraram membros, iria ficar tudo bem não fosse um desaparecimento súbito de dois membros do alto escalão e sua equipe. Ambos eram ex-professores da academia e eram os cabeças do esquadrão de resgate, a última notícia delas é que foram se isolar em uma cidade secreta, um antigo projeto da Topo da Esperança.

— Nossos dados constam o sumiço de outros membros especiais também- Adari encarava seu ID da Fundação, como se lesse algumas fichas- as atividades dos lacaios de Junko diminuíram, mas uma pessoa se responsabilizou pelos sequestros dos agentes, exceto pelos dois que estamos procurando, e claro dos alunos que estavam eles.

— E quem foi essa pessoa? – Dessa vez quem falou foi Daniel arqueando uma das sobrancelhas.

— Aqui ele ou ela se intitula somente como Corpse, parece que está ligado diretamente a Clarabell Styvens.

— Aquela loira desgraçada- o atleta disse irritado- não fosse por ela... nossos amigos estariam vivos e curados.

— Não há porquê lamentar agora- uma voz grave falou chamando a atenção de todos, Joey olhava para o horizonte com uma expressão maligna- só precisamos achar esse tal de Corpse e fazê-lo sofrer horrivelmente, vamos cortar, triturar, fazer jorrar sangue...

— Joey- Kanoto levantou-se indo até o garoto e dando-lhe um tapa na face, ele cambaleou um pouco e piscou os olhos várias vezes voltando si- “ele” havia aparecido de novo, me desculpe...

— Não, eu que me desculpo. O Rei Negro sempre aparece quando fico nervoso- e voltou a encarar o horizonte- Satoshi e Anitta, certo? Eles são muito importantes, precisamos acha-los logo.

— E iremos- Carlos disse com um sorriso vitorioso- pode ter certeza.

° ° °

Mikazuki Onimaru

[Clica]

A área aberta por Monokuma era menor comparada as outras, logo na entrada havia uma enorme estátua, onde um Monokuma trajado de ditador erguia a mão direita de forma ameaçadora, e estava em cima de uma pilha de corpos humanos que faziam expressões grotescas. Todo aquele lugar dava um arrepio estranho na espinha. Haviam quatro prédios ao todo na área, e nós nos dividimos para conseguirmos explorar tudo mais rápido, era nossa última investigação e precisávamos de respostas.

Me aproximei de um dos prédios, era uma espécie de galpão de concreto, cujo única identificação era uma placa de bronze que dizia “Casa das Armas”, arqueei uma sobrancelha, era um título bastante sugestivo. Deslizei a porta para o lado e ela abriu com uma grande facilidade, automaticamente as luzes do local se acenderam e eu não pude esconder um gritinho de susto ao ver o que tinha ali. Em prateleiras, em caixas, ou pregadas à parede, haviam centenas de armas: pistolas, espingardas, mísseis, bombas, dinamites e tudo aquilo que faria um soldado feliz. Além é claro de alguns robôs Monokumas “customizados”, correntes e outras coisas bizarras, dei uma volta pelo local ainda atordoada. Foi quando meu ID vibrou, peguei-o e vi que uma regra havia sido adicionada: “Proibido tocar nas armas”

— Só pode estar de brincadeira- falei furiosa, aquele urso idiota deveria estar pensando que usaríamos as armas para fugir, e bem que poderíamos ter feito isso mesmo.

— Upupu, gostou do meu local secreto Onimaru-chan? – Monokuma surgiu detrás de uma das caixas me dando um pequeno susto- deve estar se perguntando porque eu mantenho esse arsenal inteiro aqui não é mesmo?

— Para ser sincera eu estou...Tenho certeza de que você não manteria isso aqui para que nós usássemos não é?

— Mas é claro que não é para vocês, essas são as armas que eu uso nas execuções dos culpados e para minhas punições especiais- falou isso num tom orgulhoso e animado, como se tudo aquilo fosse uma brincadeira- eu não seria idiota de deixar tantas armas a dispor de uns adolescentes xeretas como vocês não é mesmo?

— Então porque deixar esse local destrancado? Acha que alguém ficaria tentado a pegar as armas e quebrar uma regra?

— Na verdade não- seu olho de raio brilhava- existe uma razão para eu ter destrancado essa área, mas isso não é problema meu, é? Agora se me dá licença eu tenho vidas a desesperar.

E dizendo isso saiu do galpão me deixando sozinha novamente, suspirei alto e voltei a caminhar pelo local tomando cuidado para não tocar em nada. Eram armas bastante modernas, o exército teria inveja do manda-chuva, me pergunto onde ele teria conseguido essas armas. Continuei andando até pisar em algo, notei que era uma pasta amarelada e empoeirada que deveria estar ali há bastante tempo. A peguei com cuidado, minhas mãos tremiam só de pensar que poderia ser uma armadilha. Abri a pasta e vi que lá dentro havia uma chave estranha- que eu me apressei em guardar junto ao meu ID. Comecei a ler o conteúdo da pasta:

“Os sucessores de Enoshima Junko, conhecidos como Super Highschool Level Despair, continuam suas atividades sem que haja alguém capaz de impedi-los, está cada vez mais difícil manter as cidades seguras com eles atuando e parecem surgir mais a cada dia que passa. Por isso solicito ao conselho permissão para recrutar membros especiais, em nossa última missão de resgate e reconhecimento conseguimos resgatar alguns ex-estudantes da Hope’s Peak das mãos de um dos seguidores do desespero, já confirmamos que eles não possuem nenhum envolvimento com a tragédia e eles se mostram dispostos a nos ajudarem. Segue em anexo fichas detalhadas sobre os mesmos, aguardo a resposta da Fundação Futuro.

— Anitta Leaveau.”

“ Os novos agentes se mostram muito capazes, conseguimos salvar muitas vidas e estamos a um passo de capturar os membros do desespero, no entanto nossa base foi atacada. Estamos nos movendo a uma outra base, Satoshi já enviou as coordenadas a Fundação e estamos levando todo o armamento possível, ficará tudo bem. Mas seria bom que mandassem reforços.

— Anitta Leaveau.”

— Interessante- tentei ler o resto, mas estavam manchados demais para que eu conseguisse entender- então existe uma fundação que luta contra o desespero, quer dizer que são mais de um... espero que isso seja proveitoso- falei comigo mesma.

(Prova N°1- Cartas de Anitta)

(Prova N°2- Fundação Futuro)

Deixei o galpão pensando em qual lugar eu deveria ir agora, optei por ir ao prédio ao lado. Uma construção que lembrava um antigo laboratório, mas sua entrada estava lacrada por uma pesada porta de ferro e havia um painel eletrônico que pedia para que eu digitasse um código de cinco dígitos. Como eu não fazia ideia de qual era a senha, deixei esse prédio para depois e pulei para o próximo. Uma espécie de secretaria com os dizeres “Diretoria” em laranja.

Kon já estava lá dentro mexendo em algumas pastas quando eu entrei, era uma sala bastante organizada, havia uma mesa de madeira escura junto a uma cadeira bastante confortável e pela plaquinha pude identificar que era a mesa do diretor, nela haviam canetas, pastas vazias e um telefone cujo fio estava cortado, havia também uma espécie de máquina de comunicação cuja tela piscava em vermelho “Erro!”, eu não fazia a mínima ideia do que era aquilo. Havia também dois sofás e uns armários cheios de livros. Kon olhava umas pastas com um ar de desilusão:

— Parece que aqui não há nenhuma pista muito relevante não é mesmo? – Perguntei, ele me olhou e deu apenas um pequeno risinho.

— Bom a maioria dos papéis está em branco, mas achei algumas coisas sobre a Cidade da Esperança- sentei-me num dos sofás enquanto ele começava a explicar- parece que esse foi um projeto antigo da academia, era para ser um local onde os estudantes pudessem viver com segurança caso algo acontecesse.

— O que quer dizer?

— Digamos que a escola fosse um laboratório, eles precisavam de um lugar para esconder as cobaias caso algo saísse errado. Mas o projeto nunca saiu do papel.

— No entanto essa cidade está aqui, não está?

— Ela deve ter sido construída depois da tal Tragédia, se fossemos olhar as datas desse projeto, essa cidade era para estar em ruínas devido ao desgaste do tempo, no entanto ela está novinha em folha, deve ter sido construída em menos de um ano.

— Entendo... É muita loucura para um único dia. Acha que tem mais alguma pista por aqui?

— Não, o que acha de olhar esses livros? – Concordei e juntos começamos a olhar a estante, havia desde romances até enciclopédias científicas e eram mais livros do que eu poderia contar.

— São muitos livros, não conseguiremos olhar todos...

— Inferno de Dante- Kon sibilou pensativo, cutuquei seu ombro, ele me olhou e então tornou a dizer- o que estava escrito no arco acima do portão: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais” é uma passagem do livro Inferno de Dante.

— Acha que isso pode ser deixado ali de propósito, não pode ter sido uma mera coincidência?

— Nada com o Monokuma é uma simples coincidência- logo que ele falou isso começamos a procurar pelo tal livro e não demorou muito até o acharmos.

Tirei-o do seu lugar, era um livro bastante grosso e pesado, em sua capa podíamos ver várias almas sendo punidas por seus pecados- expressões que me lembravam as vítimas de meu antigo mestre- quando o abri para minha surpresa, o livro era oco e dentro dele estavam diversos arquivos. Sorri para Kon que pegou os arquivos de minha mão e começou a lê-los para mim.

“Yuuka Misaki”

~Angel~

Nível de Periculosidade: 5

Especialista em espionagem e investigação, além de forte poder de influência. Não se separa de maneira alguma de seu parceiro Demon, sempre agindo em conjunto em suas operações. Parece fraca em lutas corporais, mas tem altas habilidades mentais.

— Espere- falei o fazendo parar- Yuuka? Especialista em quê? Que tipo de informações são essas?

— Parece que não é só a Yuuka- ele disse olhando as outras fichas- tem fichas para todos nós aqui, isso sim é bizarro. Vou ler elas para você.

Utsutsuki Watashima

~Unbreakable~

Nível de Periculosidade: 8

Mestre espadachim, derrotou sozinha um grupo de trinta homens armada apenas com sua katana, é rápida e tem excelentes reflexos. Assassina cruel e sem remorso, capaz de matar qualquer um que cruze seu caminho.>>

Nathan Hopers

~Player~

Nível de Periculosidade: 7

Gosta de jogos mentais e parece ter certo gosto pela tortura, é esguio e costuma fugir muito bem. Tem sintomas de sociopatia e leve psicopatia, além de alguns transtornos de personalidade podendo alternar entre pacífico e extremamente violento.

Kazuyo Sakey

~Phantom~

Nível de Periculosidade: 4

Costuma assumir aparências e identidades diferentes para passar despercebidas, devido aos seus talentos antigos, é sorrateira e nem um pouco confiante.

Ele continuou a leitura e eu só pude ficar boquiaberta, haviam informações ali difíceis de acreditar. Falavam que Albert tinha o hábito de recitar poesias em meio a cadáveres, Percy era um atirador profissional eliminando grupos com sua metralhadora, Miya havia criado seu próprio reino e seus súditos davam a vida por ela em batalhas, Annie e seus piratas eram peritos em invadir locais para saqueá-los, Aru havia forjado a própria morte e usava sangue em sua maquiagem de disfarce, Yui e Aya haviam feito de sua religião um culto onde os fiéis as obedeciam cegamente, Cody explodia coisas, Kocho gostava de brincar de teatrinho com corpos, Kon usava truques para atrair seus alvos e eliminá-los, e dizia que eu era uma assassina profissional que sabia se infiltrar silenciosamente e limpar toda a bagunça depois.

— Isso não pode ser possível- falei com certa insegurança, um monte de coisas não possíveis já havia se mostrado real, mas eu me recusava a acreditar.

— Estranho- ele disse olhando atentamente para duas das fichas- não tem nada escrito na ficha do Onihiru, apenas um codinome, “Reaper’’ e a inscrição “Agente Especial”. A ficha da Mayu fala que ela tinha posse de um “zoológico”, mas fugiu por algum motivo, seu apelido era “Racer”. E tem a ficha desse garoto, que sinceramente eu não faço a mínima ideia de quem é- dizendo isso ele me ergueu a ficha e eu a peguei cautelosamente.

Haruka Tatsumi

~Corpse~

Nível de Periculosidade: 10

Claramente um dos seguidores de Enoshima Junko, mostra-se bastante próximo a outra seguidora chamada Clarabell Styvens, realiza de vida ou morte com pessoas, explode áreas com sobreviventes e é totalmente imprudente, parece ter um monte de robôs Monokumas sobre seu comando e tentou sequestrar nossos agentes especiais, obtendo sucesso em levar dois deles, continuamos na nossa missão de resgate.

— Se ele é um seguidor da tal Junko e costuma realizar jogos desse gênero, talvez seja esse tal de Haruka o responsável por tudo isso, não acha? – Kon disse lentamente, mas sua voz perdeu-se em minha mente, eu só conseguia olhar para a foto do tal Haruka.

Eu me lembrava dele, ele havia aparecido para mim em meu quarto e me dito coisas estranhas, eu julgara ter sido um delírio, mas e se tivesse sido real? E se ele realmente entrou no meu quarto? Ele mencionou algo sobre termos uma relação antes e sinceramente é difícil de acreditar já que eu não me lembrava de nada. Mas os traços daquele garoto não me eram estranhos, tenho certeza de que o vi mais uma vez nessa cidade e não foi só no momento em que ele veio me visitar. Ele me falou de uma tal de fita azul, será que ela está onde ele me disse?

— Onimaru-san? – a voz de Kon me despertou e eu apenas pude sorrir envergonhada- eu anotei os nossos nomes e nossos respectivos apelidos, também acho melhor guardar essas fichas, pode ser de grande ajuda- ele me ergueu uma pequena folha de papel.

Yuuka Misaki- Angel

Albert McFinnigan- Demon

Kazuyo Sakey- Phantom

Miya Watanabe- Red Queen

Percy Schneider- Executioner

Cody Herman- Kaboom

Yui Hariyama- Paranormal

Aya Hariyama- Sad Priestess

Kazuo Takao- Fake Medium

Akise Aru- Secret

Annie di Waterloo- Little Mermaid

Mayu Yamamoto- Racer

Ututsuki Watashima- Unbreakable

Nathan Hopers- Player

Kon Kurotscuchi- Magnificent

Mikazuki Onimaru- Voodoo Girl

Onihiru Mikamaru- Reaper

Haruka Tatusmi- Corpse

— Excelente ideia Kon- disse guardando o papel em um dos bolsos- guarde as fichas com você, nos vemos em breve.

(Prova N°3- Fichas)

(Prova N°4- Haruka Tatsumi)

Havia somente mais um lugar para visitar e era o que de longe eu tinha vontade de ir, uma espécie de laboratório de paredes cinzentas cujas inscrições diziam “Necrotério”, a porta de vidro deslizou para o lado quando me aproximei, e pude notar o frio que emanava do local, abracei a mim mesma enquanto entrava e me deparei com um local nada aconchegante. Era uma espécie de sala de autópsia, com um sofá azulado e algumas macas espalhadas, o que chamava a atenção eram as famosas “gavetas” no fundo da sala, onde se guardavam cadáveres, haviam dezoito delas, apenas doze estavam funcionando. Yui e Kocho faziam algumas preces, até que notaram a minha presença.

— Olá Mikamaru-san- Yui disse com uma cara entristecida- Cody estava conosco agora a pouco, mas ele não aguentou e saiu para dar uma refrescada...

— O que ele não aguentou? – Perguntei.

— Os... nossos amigos- Kocho disse lentamente apontando para os frigoríficos, e só então eu percebi, aquele necrotério, era o lugar onde Monokuma guardava os corpos de nossos colegas, eu estava diante de todos aqueles que já tinham partido.

— Entendo- falei calmamente enquanto os dois voltavam as suas preces- encontraram algo aqui.

— Não, nenhuma pista relevante- Yui respondeu.

— Ora, ora, como dizem não ter nada relevante aqui- o odioso urso apareceu atrás de nós com ar de riso- estão diante dos corpos de seus amados amigos, que foram esfaqueados, estrangulados, afogados, cremados, mutilados. Foram mortes tão excitantes que me fazem tremer de emoção.

— Você é algum tipo de necrófilo? – Yui disse irritada- deixá-los para exposição como se fossem sapos dissecados, que tipo de monstro é você?

— Oh pobre Yui-chan, não suportaria ver o corpo sem vida de sua amada Aya-chan dessa forma não é mesmo? Mas eu criei esse lugar com um único propósito e nada tem a ver com seus coleguinhas ridículos.

— Que tipo de propósito?

O urso rodopiou pela sala algumas vezes antes de se aproximar de uma das paredes e dar duas batidinhas em um lugar, para nossa surpresa a parede abriu um pequeno compartimento que continha um frigorífico transparente onde ele conservava o corpo de uma garota de longos cabelos loiros e roupas de bailarina, havia sangue em sua cabeça e cabelos indicando que ela morrera com algo naquela local, além disso haviam também duas urnas funerárias, daquelas que colocam as cinzas de corpos cremados.

— Quem é ela? – Kocho gritou assustado.

— Essa é Clarabell Styvens, braço direito de Enoshima Junko e claro uma das causadoras da grande tragédia, ela executou com maestria um jogo de sobrevivência parecido com o de vocês, e claro com o da Junko.

— Espere, teve outros jogos além desses?

— Claro que sim, Junko-chan fez o primeiro jogo com seus colegas de turma, e Clarabell seguiu o exemplo, fazendo com uma turminha qualquer. E agora que ela morreu, era minha vez de continuar o legado e fazer esse joguinho com vocês.

— E essas urnas? – perguntei.

— Você já deveria saber Onimaru-san, são as cinzas de Satoshi e Anitta, ex-professores que tentaram salvar vocês de mim, mas eu cheguei e os matei, agora seus corpos jazem ao lado da nossa divástica Clarabell. Não é impressionante?

— V-você é louco- Kocho disse visivelmente atordoado- matando pessoas a torto e a direito, eu espero que você queime no inferno.

— Upupu- o urso riu, dando mais dois toques na parede fazendo o compartimento se fechar- mas eu não vim aqui para isso, eu vim para lhes dar uma informação que talvez os ajude ou não, quem se importa.

— E que tipo de informação seria essa? – perguntei.

— Sem contar os dois palermas que se diziam professores, somente dezoito estudantes entraram com vida nesta cidade, nem um a mais e nem um a menos.

— Não me parece muito relevante- eu disse.

— Talvez seja, talvez não seja, isso é você quem deve descobrir. Até mais- e saiu do local saltitando como uma criança.

(Prova N°5- Informação do Monokuma)

° ° °

Como não havia mais nada para fazer no tal bairro, resolvi que iria atrás da fita azul que Haruka me falara, tinha certo medo do que iria encontrar nela, mas era necessário que eu visse logo. Eu me lembrava vagamente dele ter mencionado uma sala de tecnologia, talvez fosse aquela do segundo bairro. Fui até lá imediatamente e comecei a revirar tudo, gavetas, armários, caixas, mas não havia nenhuma fita azul, eu já estava desistindo quando notei que havia uma parte irregular na parede, como se ela fosse mais “funda” do que o resto.

Me aproximei dela cautelosamente e dei leves batidinhas, um pequeno barulho foi feito, bati ao lado da pequena depressão e não pude ouvir nada, então aquele pedaço devia ser oco. Peguei qualquer objeto a meu alcança e comecei a bater contra o local até que este cedesse, realmente havia um compartimento ali, coloquei minha lá dentro com cuidado e puxei o objeto para fora. Era uma caixinha de madeira com um cadeado, a balancei e tinha algo dentro dela. O cadeado era muito resistente para ser quebrado e eu não fazia ideia de onde estava a chave.

Espere... será que funcionaria? Tirei do bolso e chave que eu havia encontrado no galpão e com armas e ela encaixou perfeitamente no cadeado o abrindo, senti meu coração saltitar com certa alegria quando vi que dentro da caixa havia a fita azul, a peguei com cuidado deixando a caixa em um lugar qualquer, era uma fita diferente, lembrava muito as VHS antigas, mas possuía um encaixe que eu não conhecia e não havia nada que pudesse reproduzi-la ali, por isso a guardei até que achasse algo para conseguir ver seu conteúdo.

Resolvi voltar para me encontrar com os outros, no caminho me encontrei com Cody que ia em direção ao quinto bairro, chamei por ele algumas vezes e ele me olhou dando um sorriso meio forçado, devia estar triste por ter visto o necrotério e saber que a pessoa que ela amava estava lá, e que nunca mais voltaria a vida.

— Olá Cody, porque não está indo se juntar aos outros- perguntei, ele levou o indicador a bochecha dando um sorriso infantil.

— Todos estão se esforçando tanto e ninguém nem tomou café, então eu pensei em pegar algo daquele cybercafé e levar para eles, já que o restaurante é bem mais longe- ele se inclinou um pouco me encarando- não quer me ajudar?

— C-claro- eu falei sorrindo e fomos andando juntos até o café- Cody, eu sinto muito mesmo pelo que você deve ter visto lá no necrotério.

— Está tudo bem Onimaru-chan, eu só fiquei um pouco abalado pois eu não esperava que ele estivesse ali dentro, foi um choque bem grande- entramos no cybercafé e começamos a preparar algum lanche- Percy era a única pessoa que me aturava neste mundo, e ele me salvou, devo a ele por isso.

— Vocês deviam se amar muito.

— Sim, ele cuidava muito de mim, ele já havia perdido alguém que ele amava antes sabe, ele fez umas coisas erradas por causa disso, mas ele sempre me protegeu- ele falou com um olhar cabisbaixo- mesmo que precisasse morrer para isso.

Ficamos um tempo naquele lugar fazendo alguns sanduíches, era estranho estar ali. Afinal foi o lugar onde Yuuka morreu, ainda posso me lembrar das últimas palavras dela: “A verdade está na G-9”, ela devia estar muito drogada antes de morrer, falando essas coisas sem sentido. Sorri ao lembrar-me da pobre Misaki-san, enquanto terminava os sanduíches.

— Eu e Percy cozinhávamos muito, passávamos a noite inteira vendo filmes, e ele adorava jogos, principalmente batalha naval, era o nosso preferido...

— Batalha... naval...- eu repeti lentamente, quando finalmente as coisas se clarearam na minha mente- é isso.

Larguei os sanduíches e corri na direção dos jogos de mesa, jogando as caixas para o alto até achar o que eu queria, o jogo de batalha naval personalizado que o Monokuma deixou ali, arranquei o tabuleiro de dentro da caixa, procurando desesperadamente pelas coordenadas G-9, era isso que Yuuka queria me dizer, o local, o local onde ela havia deixado alguma coisa. Meus dedos seguiram as linhas da letra G e depois da letra 9 até chegarem a um único ponto: a academia do primeiro bairro. E sem dizer nada a Cody, eu corri para lá.

Eu atravessei as ruas numa velocidade gigantesca, eu mal sentia minhas pernas quando me vi diante daquela academia, ninguém dera valor aquele lugar e não via nenhum dos meus colegas o frequentando, talvez fosse por isso que Yuuka o escolheu, por ter poucas chances de encontrarem o que quer que fosse (N/A: Ela deixou aqui pois foi o local onde ela se encontrou com Albert pela “primeira” vez :3) assim que entrei comecei a vasculhar tudo feito uma louca, eu sabia que tinha algo, só precisava saber onde. Estava cansada e ofegante, mas eu não iria desistir. Continuei procurando em todos os locais possíveis até que achei, embaixo de um dos aparelhos, em uma espécie de ponto cego das câmeras, um diário de capa de couro. Havia uma página marcada com um cordão preso a uma espécie de pendrive e eu abri com certa relutância:

“Olá Onimaru-chan, eu espero que tenha encontrado isso, eu realmente não sei se o que estou dizendo a você é verdade, mas essas imagens ficam vindo na minha cabeça o tempo todo e eu não posso não ignorar. Sei que pode parecer estranho, mas eu lembro de nossa vida colegial, lembro que éramos todos amigos e que fugimos quando algo muito ruim aconteceu, fugimos todos os dezesseis de nossa turma, com Yui e um garoto estranho, um garoto que parecia ser muito próximo a você Onimaru, não lembro seu nome, mas lembro que ele possuía o título de Super Highschool Level Spy, pode achar a ficha dele no pendrive que deixei aí junto com este diário, nós fugimos, nos separamos e depois fomos capturados ou resgatados, não lembro ao certo, a única coisa que me lembro é de uma mulher ruiva colocando uma senha num painel digital em um prédio muito estranho, a senha era 11037, espero que isso sirva de alguma ajuda, sinto que vou morrer em breve, obrigado por tudo e continue lutando pelo que é certo, beijos de sua amiga Yuuka Misaki”.

Yuuka havia nos dado a salvação, eu sabia exatamente o que fazer com aquela senha, sabia exatamente onde usá-la e já sabia que me esperava, eu irei derrotar o Monokuma, por você Misaki-san.

° ° °

Reuni todos os meus colegas em frente a sala trancada, o painel a minha frente brilhava e eu estava um pouco insegura, mas ainda assim digitei a senha: 11037. O painel tomou uma luz esverdeada e a porta abriu-se para a surpresa de todos os cinco. Entramos no prédio com certa ansiedade, e encontramos uma sala cheia de computadores e Tv’s enormes que emitiam uma luz azulada, me pergunto o que as pessoas assistiam naquela sala. Olhei pelos painéis e não demorei a achar uma entrada que batesse com a da fita que eu possuía:

— Acha que isso pode conter a resposta? – Kon me perguntou temeroso- acha que a Yuuka está certa?

— Estando certa ou não, sei que tem algo muito importante aqui- encaixei a fita na entrada- só nos resta esperar pelo melhor.

As telas começaram a carregar algum arquivo de vídeo e depois iniciou uma espécie de filme, o lugar mostrava um cenário totalmente desolado e haviam apenas duas mulheres em pé em meios aos destroços, uma de cabelos brancos amarrados em tranças e que segurava uma katana a outra mulher para a nossa surpresa era Watashima, que também segurava uma katana. Watashima riu alto enquanto se preparava para atacar:

— Até que enfim Pekoyama-san, teremos o nosso embate para ver qual é a melhor de nós duas- a outra ficou calada- vamos acabar logo com essa palhaçada.

E dizendo isso as duas partiram uma para cima da outra, as katanas se chocavam com golpes rápidos e elas desviavam com maestria, faíscas chegavam a sair das lâminas enquanto Watashima ria feito louca gritando coisas como “Que divertido” “Que empolgante”, a imagem começou a chiar e quando voltou já estava em outro local. Uma avenida abandonada onde dois grupos enormes estavam de frente um para o outro, os grupos gritavam palavras aleatórias e silenciaram do nada. A frente de um dos grupos estava uma moça loira com um vestido longo que olhava furiosa, do outro estava Miya, usava um longo vestido vermelho e tinha um sorriso macabro em seu rosto:

— Acho que enfim vamos ver quem é a verdadeira rainha- a moça loira disse em tom de deboche.

— Pode ter certeza que não é você- Miya disse erguendo um braço e com esse gesto seu grupo avançou contra o outro iniciando uma batalha sangrenta.

E as imagens continuavam a alternar mostrando nossa turma em diversas situações, explodindo prédios, matando pessoas, lutando com outras. Podíamos ver Percy atirando contra uma moça vestida de enfermeira que desviava agilmente, Kazuyo perseguindo um garoto gordinho, Mayu desviando de um grupo de leões para alcançar um rapaz de topete, Albert declarando poemas psicodélicos para uma multidão enlouquecida, e um a um nós aparecíamos fazendo coisas muito estranhas, coisas que não imaginávamos fazer. Por fim mostrou Haruka, em cima de um prédio em chamas encarando o horizonte, o olhar perdido no horizonte, uma camisa preta com a inscrição “Ceifador” nela, do nada eu surjo em meio a chamas e me agarro ao seu braço, ambos rimos altos:

— Hoje foi um dia produtivo, não é? – ele falou do nada, sua voz me soou muito nostálgica- conseguimos eliminar vários alvos, somos uma excelente dupla não é mesmo?

— Me lembra os tempos de colégio, sempre trabalhamos juntos- eu falei o puxando até a saída do prédio- precisamos ir, você vai ver sua família hoje?

— Sim, e você vai comigo, faz tempo que não jantamos juntos.

— Está sendo romântico de novo?

— Eu sempre fui- e dizendo isso nos beijamos, e o vídeo encerrou sem que eu entendesse nada.

(Prova N°6- Diário de Yuuka)

(Prova N°7- Vídeo dos alunos)

— Isso.. é mesmo real? – Yui questionou, seu corpo inteiro tremia- são imagens falsas, não é?

— Não há como, elas são completamente verídicas- Cody disse- eu explodindo coisas... Eu nunca mexi com bomba nenhuma, como isso é possível?

— Eu também não me lembro de ter feito nada disso- Kon falou- mas isso deve ser uma pista também, não é? Perdemos memórias importantes, memórias que podem nos tirar daqui.

— Estamos ferrados- Kocho sibilou- então nós somos desespero? Nós causamos a tal tragédia?

(Prova N°8- Memórias perdidas)

— Upupu, o tempo acabou bastardos está na hora do nosso último julgamento escolar.

Meu coração batia bem rápido, minha mente estava confusa, mas eu tinha certeza de uma coisa. Eu iria resolver todo o mistério, iria conseguir nos libertar. Albert-kun, Kazuyo-san, Miya-san, Percy-kun, Aya-san, Akise-kun, Annie-san, Mayu-san, Watashima-san, Onihiru-kun, Yuuka-san, Nathan-kun, estejam vocês onde estiverem eu prometo que farei o possível para acabar com o manda-chuva, eu tirarei o desespero de vocês, eu trarei a nós a nova esperança.

° ° °

Haruka abraçou a garota por trás erguendo-a alguns centímetros do chão, o suficiente para que ela se esperneasse lhe arrancando algumas risadas. Ele a soltou e notou que ela havia corado até a alma, e o olhava furiosa, dando-lhe alguns pequenos socos no braço, ele reclamou da pequena dor e ela sorriu vitoriosa como quem havia conseguido se vingar:

— Porque você tem que ser tão infantil- ela reclamou- não se pode mais encontrar um namorado cavalheiro como antes?

— Mas eu sou cavalheiro não sou? Sou o mais cavalheiro de toda a academia- ele falou com um olhar debochado, arrancando risadas dela- algo errado?

— Você é sempre tão prepotente, mas na verdade eu até gosto disso em você, me faz rir muito.

— Ei, eu não sou nenhum palhaço para ficar te fazendo rir o tempo.

— Mas age como um- ela falou mostrando-lhe a língua, ele então começou a fazer cosquinhas nela retirando mais risadas e claro mais socos em seu braço- não seja idiota.

— Olha só Mukuro-chan- uma voz feminina doce chamou a atenção deles- que casal mais kawaiii, não é mesmo?

A morena apenas concordou com um menear de cabeça enquanto a loira abria um longo sorriso que ele considerava um tanto maléfico, Enoshima Junko era uma caixinha de surpresas, tinha o olhar sapeca de quem estava sempre pronto a aprontar alguma coisa e ele sabia de que inocente ela não tinha nada:

— Olá Junko-san, passeando por aqui também?

— Estou apenas me entretendo com minha irmãzinha fracassada, nada demais- a irmã dela reclamou incomodada, mas ela apenas ignorou com uma risada forçada- na verdade Haruka-chan, eu vim até aqui te pedir um favor.

— E que favor seria?

Os olhos azuis dela brilharam, foi naquele momento que ele enxergou, por detrás de toda aquela maquiagem, de todo aquele ar de menina mimada, dentro da alma dela, ele viu... a cor do desespero.

Notas finais
E o próximo capítulo é nosso excitante julgamento e também o nosso último capítulo oficial- teremos dois epílogos que eu preparei depois- eu estou muito orgulhoso desse trabalho, muito orgulhoso dos meus amados e desesperados leitores. Cada capítulo até aqui por mais demorado e atrasado valeu a pena por ter o apoio de pessoas tão desesperadamente lindas ao meu redor, aos que continuam comigo realmente muito obrigado, e aos leitores fantasmas, um beijo para vocês também :3 Até o nosso "último encontro" meus queridos sz