The Killers II- Interativa
25 Capítulo 21 - Choose your last words
Notas iniciais
Escolha suas últimas palavras
"Porque nós nascemos para morrer"
Fui de noite para o restaurante do hotel, com um taco de baseball do Bairro Esportivo na mão. Não era preciso acender a luz: as velas que Cody colocara estavam acesas, sendo possível ver todas as fotos. Monokuma disponibilizara os cavaletes dos outros mortos, e era doloroso saber que todas aquelas pessoas estavam mortas. Saber que eu não pude fazer nada para protegê-las.
Eu não me sentia bem ao vê-lo, mas ao mesmo tempo não conseguia criar forças para levantar o taco. Era o nosso tributo aos nossos amigos. Mas se eu não o destruísse, eu nunca poderia descobrir a verdade e honrar suas memórias.
Uma batida. O cavalete de Annie fora atingido, e derrubara o de Aru e o de Kazuyo junto.
Duas. O pequeno pedestal que Cody construíra quebrando.
Três, quatro, cinco. As flores que eram sempre repostas ali se despedaçando.
Uma lágrima. Duas, três, quatro. Várias. Tristeza, desespero.
Corri para o meu quarto após o fim de meu serviço. Não me dei o trabalho de trancar a porta, e molhei o travesseiro com minhas lágrimas até conseguir dormir.
⚜⚜⚜
Quando cheguei ao restaurante no dia seguinte, todos estavam lá, tentando consertar a besteira que eu tinha feito. Yui e Kocho colavam os cavaletes, Kon e Nathan organizavam as flores e Cody reconstruía o pedestal com a ajuda de Mikazuki. Percebi que Onihiru não estava ali, mas não me importei. Provavelmente devia estar cumprindo a missão dele.
— Oi — cumprimentei-os, timidamente. — Como estão?
— Não pode imaginar, Yuuka — Cody murmurou, tristemente. Seus olhos estavam vermelhos de choro e eu me senti culpada. — Quando eu vim aqui, o memorial estava completamente destruído! Isso é coisa de Monokuma, eu tenho certeza!
Certo, eu não queria deixar Cody triste, nem dar trabalho a eles. Mas meu compromisso com a verdade me impedia de concordar sem dizer nada.
— Não foi Monokuma — disse. O skatista olhou para mim com horror. — Fui eu. Era... A minha missão.
O silêncio se instaurou após isso. Eles sabiam que eu não tinha culpa, mas ainda assim me culpavam. Eu podia entender. Aquele memorial era especial para todos nós. Não foram poucas as vezes que eu vira Yui conversar baixinho com o cavalete de Aya ou o ritual de Kon de colocar flores em frente ao retrato de Aru.
— Não se preocupe com isso. — Foi Mikazuki quem quebrou o silêncio, com seu timbre doce e educado. — Não te perdoaríamos se você se deixasse morrer por causa disso, Yuuka-san.
— Mikazuki-san está certa — Yui concordou. — Tenho certeza de que você nunca faria isso por querer.
— Certo, então! — Cody exclamou, subitamente animado e enérgico. — Vamos trabalhar duro para deixar isso aqui perfeito, Yuuka!
Eu sorri mais uma vez enquanto concordei com a cabeça. Passamos toda a tarde ali, arrumando os cavaletes, colocando flores e conversando. Quando terminamos, um clima de nostalgia pairou no ar.
Observei a foto de Albert, com um sentimento de dor e saudade que eu não conseguia explicar. Quer dizer, ele fora um fofo quando me deu flores e eu sentia falta de seu jeito inocente, mas nos conhecemos por apenas alguns dias. Não tinha motivo algum para tanto sentimentalismo, não é? Não é? Eu sentia algo de errado com isso, mas não era como se eu pudesse de fato explicar.
— Meu Deus, Mikazuki, você nunca teve um celular na vida? — A exclamação irônica de Nathan acordou de meus devaneios, me forçando a prestar atenção em meus amigos.
— Na verdade, não — a empregada respondeu, com simplicidade.
Só então consegui perceber o que acontecia. Cody, Kocho, Yui e Mikazuki estavam espremendo seus rostos juntos por algum motivo, enquanto Mikazuki estendia o braço com seu cartão de estudante.
— O que está acontecendo? —perguntei para ninguém em particular.
— Eles estão tentando tirar uma selfie — Kon explicou, segurando uma risada. — Mas aparentemente Onimaru não consegue apertar o botão da foto e segurar o cartão ao mesmo tempo.
— E nossos cartões tiram fotos desde quando?
— Mikazuki descobriu essa função mais ou menos agora — Nathan disse, estreitando os olhos heterocromáticos para os quatro. — Mas aparentemente ela não sabe como usar esse serviço.
— Me dá o cartão, deixa que eu tiro — Cody pediu, e Mikazuki logo entregou-o. — Agora todos sorriam!
O skatista apertou o botão no touchscreen, finalmente libertando eles daquela posição desconfortável. Não demorou muito para ele achar a galeria para ver como ficou.
— Olha, gente — ele disse, e todos nós nos agrupamos em volta dele para ver a dita foto. Kocho estava olhando para o nada, como se não soubesse onde ficava a câmera frontal, Yui não conseguira sorrir a tempo e era a única com uma cara séria, enquanto metade da cabeça de Cody estava cortada e Mikazuki estava com os olhos fechados.
— Está horrível. — Kon foi sincero. — Você é um fotógrafo terrível, Cody.
— Bem, eu não sou a Mahiru Koizumi nem nada assim — ele murmurou em defesa, fazendo um bico. — Pera que eu vou excluir...
— Não — Mikazuki interrompeu, antes que ele apertasse o botão de confirmação de apagamento. Olhamos para ela com uma cara estranha. Afinal, a foto de fato estava horrível. — Eu... Gostei dessa foto. Ela é... Espontânea. Eu vou poder olhar para ela e lembrar... Dos meus amigos.
Eu não pude evitar sorrir com as palavras dela. Era tão estranho que fossemos os primeiros amigos de Mika. Eu não podia entender como ela era solitária sendo uma pessoa tão incrível.
— Bem, se você insiste. — Cody cancelou o apagamento, com uma pequena risadinha, e entregou o cartão de volta para a empregada. Mikazuki abriu a boca para agradecer, contudo, um grito estridente a impediu de falar.
— O que foi isso? — Kocho perguntou, assustado, olhando para todos os lados.
— É um grito, não percebeu? — Nathan ironizou, mas eu pude notar que ele estava tão apreensivo quanto todos nós.
— Ei, Yui, aonde que você vai? — gritei, quando percebi que a médium já caminhava para fora do hotel com passos rápidos. Corri para alcançá-la.
— O grito não veio de muito longe — ela afirmou, seriamente. Acho que é, na verdade, aqui na entrada.
Mas quando abrimos a porta de entrada, a cena que vimos nos inspirou o desespero. Monokuma estava com um lança-chamas apontado para um corpo semicarbonizado jogado na rua.
— Mas o que significa isso? — Yui murmurou, enojada. — I-isso não pode estar acontecendo.
— Mas está, mon amour, aceita que dói menos — Monokuma jogou o lança-chamas para trás. O barulho de metal caindo no asfalto fez-se ouvir, enquanto os passos apressados dos outros chegavam.
— I-isso é... O-onihiru? — Kon gaguejou, franzindo as sobrancelhas. — Mas... p-por quê?
— Onihiru não gostou da missão que eu dei para ele. — Monokuma balançou a pata, displicentemente. — Eu ainda ia esperar que ele mudasse de ideia, mas aí ele resolveu me bater, e eu o executei por violência contra o diretor.
A maneira que ele falava aquilo, como se fosse um acontecimento banal, me deixava irritada. Muito irritada. Mas eu não podia fazer nada. Era Monokuma que dava as ordens ali, e eu não podia fazer nada além de acatá-las.
— Mas vocês sabem, né? — ele retomou, sorridente. — Se vocês não cumprirem as suas missões até o tempo limite, vocês terão o mesmo destino desse perito idiota. Porque eu vejo — ele olhou para mim nesse momento, entortando a cabeça — que nem todos cumpriram suas missões ainda. Tique-taque, tique-taque. O tempo passa, é melhor vocês se apressarem, não? Até, meus queridos e desesperados aluninhos, vejo vocês quando as coisas voltarem a ficar interessantes!
E então, saiu rebolando, como se nada tivesse acontecido. Olhei pelo canto de olho que Cody se abraçava, que Kon buscava equilíbrio num poste, que Nathan estava com os ombros tensos apesar de tentar se manter sério e Kocho chorava no ombro de Yui. Sabia que meu estado não estava muito melhor, mas me forcei a tirar o casaco e cobrir o corpo queimado de Onihiru com ele.
— Vamos levar ele para algum lugar, não podemos deixar ele aqui — sugeri para Mikazuki, que era a única que não parecia tão surpreendida. Depois de saber sobre o seu passado, eu conseguia entender motivo de tanta apatia.
A empregada assentiu com a cabeça, enquanto arrastamos o corpo de Onihiru até seu quarto. Procurei a chave no que sobrara de suas roupas, mas não achei.
— Estranho, não encontro a chave dele em lugar nenhum — comentei. Mikazuki nem se importou, apenas agachou-se e pegou uma chave embaixo do capacho. — Mas como?
— Monokuma deixou uma chave reserva do lado de fora de todos os quartos — ela respondeu, tranquilamente. Eu não conseguia parar de pensar no quão perigoso era aquilo. E se alguém abrisse a porta do meu quarto a noite para me matar?
— Oh. Claro — murmurei, enquanto ela abria a porta e me ajudava a colocar o corpo na cama. Não me demorei muito ali, e logo saímos, trancando a porta novamente.
Não conversei com mais ninguém naquele dia, nem conseguiria. Depois daquilo, eu só queria minha cama.
⚜⚜⚜
Estava em uma festa animada, com várias luzes multicoloridas e música eletrônica. Apesar de preferir muito mais uma biblioteca pacífica e fria, eu não podia negar que o barulho e o calor humano não eram tão ruins assim. O único problema era que eu não entendia como diabos eu surgi ali.
A alguns metros de distância, Mayu virava uma garrafa de cerveja na garganta, abraçando ambos Nathan e Watashima, todos rindo por algum motivo. Não tão longe, Cody empurrava Percy numa parede, beijando-lhe o pescoço e Miya flertava com um cara de dreads. Annie discutia com um garoto musculoso com um topete estranho, Aru dançava loucamente e Kon fazia vários truques estranhos.
Senti minha mão levantando, enquanto sentia o gosto amargo da cerveja na minha boca. Eu estava tonta, e essa coisa de viver coisas estranhas sem nenhum controle já estava me incomodando. Meus quadris balançavam com as músicas, e então, braços magros abraçaram meu corpo e unhas compridas brincaram de arranhar o meu pescoço.
— Heeeey, Yuuka-chan — uma voz doce sussurrou no meu ouvido e peitos grandes se esfregavam nas minhas costas. — Eu queria tanto-tanto falar com você, mas você simplesmente não liga para mim.
Posso sentir minhas cordas vocais tentando expressar alguma coisa, mas nem eu consigo dizer o que é. Tudo que sai são gemidos estranhos de quem bebeu demais.
— Hm. Não entendi, Yuuka-chan. Mas vamos sair um pouquinho, e aí você me explica, tudo bem?
Fiz que sim com a cabeça e cambaleei com a garota para fora da festa. Sentamos ambas na calçada, iluminadas por um poste e com o ruído de música eletrônica sendo abafado pelo vento frio.
— Você sabe, Yuuka-chan — a estranha murmurou. Tudo estava tonto e desfocado de repente, e eu não conseguia enxergar mais que um borrão, apesar das minhas lentes de contato. — Às vezes, as pessoas simplesmente são más, sabe? E nos machucam, e então, tudo some e a única coisa que você consegue ver é desespero.
A imagem se focou por um instante, me permitindo ver o rosto bonito e familiar da garota. Pude ver seus lábios carmim se mexerem, murmurando alguma coisa que eu não pude ouvir, mas entender.
Sentia raiva. Sentia dor. Sentia ódio. E então, nada. Eu não sentia nada, como uma casca desprovida de tudo menos desespero.
E era tão, tão bom.
⚜⚜⚜
Eu gritei. Alto. Eu vi todos pularem de surpresa. Yui foi a primeira a se aproximar.
— O que aconteceu, Misaki-san?
— Foi tipo, num momento você estava ajudando a gente a arrumar as coisas e depois ficou olhando para o nada e não respondia — Kon pontuou, bebericando um shot de tequila. Olhei para ele como se ele fosse louco.
— Arrumar as coisas para o que? — perguntei, sem entender.
— Para a festa, é óbvio.
Com a resposta simples de Kon, tudo voltou a ficar claro na minha mente: eu fora acordada pelo skatista, que decidira dar uma festa no cybercafé para tirar o clima estranho da morte de Onihiru. “Não é como se planejássemos altas coisas para fazer amanhã, né?”, dissera ele. Todos, surpreendentemente, aceitaram cooperar, mesmo os mais complicados, como Nathan.
Agora todos nós estávamos levando caixas de som, CDs, máquinas de fumaça, luzes coloridas e bebidas para o cybercafé. Reiterando, muitas bebidas. Cody, por exemplo, entornava uma lata de cerveja na garganta e já cheirava muito forte a álcool.
— Oh. Desculpa, nem percebi. Agora, aonde que eu coloco essas coisas?
Cody apenas abanou a mão em descaso.
— Deixe por aí.
Larguei o engradado de cerveja num canto, ao lado das muitas garrafas de vodca e uísque. Cody se abaixou para pegar outra lata do engradado recém-colocado.
— Você não acha que está bebendo demais, Cody? — perguntei.
— Naaaaah, só algumas latinhas não vão me derrubar, sabem? — Ele abanou a mão novamente. A fala já estava meio enrolada, e após terminar a lata em poucos goles, ele abriu uma garrafa de gim e bebeu no gargalo.
— Se você continuar bebendo assim, não sobrará nada para a festa — Nathan comentou, acidamente. — Não que isso importe para mim, porque não vou participar.
— Como assim? — perguntei. Ele não dissera de manhã mesmo que iria? Nathan era tão estranho.
— Eu encontrei um Atari nessa zona, e eu não vou conseguir jogar direito com tanto barulho e gente bêbada.
— Não vamos estar todos bêbados — Yui argumentou, constrangida.
— Mas eu sinto que ele está certo, Yui-chan — Kocho disse.
— Como pode saber? Eu mesma sequer bebo.
— É porque ninguém trouxe nenhum refrigerante ou suco ou água ou qualquer coisa que não tenha álcool.
Oh, bem.
— Vou pegar alguns — eu disse.
— Eu te ajudo, Yuuka-san — Kon se prontificou, indo para a saída do cybercafé comigo. Contudo...
— Ei, não vai embora — Cody interrompeu-nos, segurando na manga da blusa de Kon, com lágrimas nos olhos. — Por favor, não vai embora de novo. Tudo menos isso, por favor, por favor, por favor.
— Hm, Cody do que você está falando? — O ilusionista tentou se desvencilhar, mas não conseguiu.
— Não, Percy, não me abandone de novo. — O skatista abraçou Kon com força, e eu não pude evitar sentir pena dele. — Eu faço qualquer coisa, mas não me abandone, não me abandone, não me abandone, não me abandone...! Percy, eu te amo tanto, e senti tanto a sua falta...! Não me abandone...
Certo. Cody não estava bem. Nem um pouco. Eu não sabia o que fazer, mas pelo menos Kon tinha um pensamento rápido.
— Não se preocupe, Cody, eu, hm, não vou te abandonar. Eu, hm, vou te levar para o seu quarto, você deve estar querendo descansar, não?
— Eu não estou com vontade de dormir — o skatista murmurou. — Mas você pode me levar pro quarto de qualquer maneira, né? Sabe, eu senti muita falta. Sabe, não é a mesma coisa com meus brinquedinhos frios e sem paixão.
Isso estava indo longe demais.
— Eu vou pegar as bebidas — anunciei. — E Kon, coloca ele para dormir, por tudo que é mais sagrado.
— Claro — o ilusionista concordou, arrastando um Cody cambaleante pelas ruas da cidade.
Quando voltei com as bebidas, Mikazuki e Nathan — que disse que terminaria de arrumar mesmo que não fosse participar — me ajudaram a colocar as máquinas de fumaça em pontos estratégicos, enquanto Yui e Kocho testavam as luzes coloridas. Quando Kon voltou, já era final de tarde, e ele disse que era para nos arrumarmos e voltarmos em uma hora.
⚜⚜⚜
Após tomar um banho, colocar um vestido bonito e borrifar perfume no pescoço, voltei para o cybercafé. Aparentemente, eu era a última a chegar. Kon já tinha colocado a música para tocar, Kocho e Yui já tinham acendido as luzes coloridas e Mikazuki ligado as máquinas de fumaça. Resultado: uma batida eletrônica que me deixava tonta, uma névoa com cheiro de incenso e luzes multicoloridas que piscavam em meio do branco-cinzento. Era como se eu estivesse usando drogas.
Não era um tipo de coisa que eu amava, exatamente, mas era o tipo de coisa que eu faria com meus amigos para relaxar. Só então percebi a falta de alguém.
— Ei, gente, onde é que está o Cody? — gritei, tentando me fazer ouvir pela música alta.
— Ele estava com uma ressaca monstro quando acordou, e disse que era melhor ficar ali mesmo — Kon gritou de volta, enquanto virava sua quinta garrafa de vodca.
Concordei com a cabeça, enquanto me balançava com a música e bebia uísque. Era estranho que Kon e eu fôssemos os únicos bebendo ali, quando tínhamos muito mais álcool do que refrigerantes e sucos. Vi com o canto do olho que Kocho tentava fazer Yui dançar com ele, e mesmo que ela parecesse totalmente contrária à ideia, logo estavam os dois rodando por aí como se dançassem valsa. Estranho. Mikazuki se ocupava em tirar várias fotos de todos nós, com um sorriso mínimo brincando no rosto.
Até que eu tive uma pequena vertigem. Na minha frente, de repente, não estavam mais a fumaça cinzenta e luzes coloridas, mas a verdade, que esperava pacientemente na cidade, num local bem específico. As memórias chegavam, e de repente eu descobrira tudo. Eu me preocupei. O que Monokuma faria comigo agora que eu sabia? Precisava fazer alguma coisa, de maneira que tudo o que aconteceu não seja em vão. Deixei minha bebida em qualquer lugar e fui procurar a primeira pessoa sóbria que encontrei, Mikazuki.
— Mika, por favor, me ajuda — gritei, fazendo-a parar de tirar fotos e me encarar com seriedade.
— Você está bêbada, Yuuka-san?
— Não, não, por favor, me ouve.
— Diga, então.
— Apenas prometa que vai se lembrar. A verdade... A verdade... — tentei me lembrar de qualquer coisa que pudesse ajudá-la, mas que o mandachuva não soubesse o que poderia dizer. Então, me lembrei. — A verdade está na G-9. Por favor, não se esqueça disso, Mika.
Ela provavelmente pensava que eu estava bêbada, mas isso não importava agora. Eu tinha que acreditar que ela entenderia a última dica e que tiraria a máscara de Monokuma. Que vingaria todos os mortos. Que faria tudo dar certo.
Voltei para onde eu estava antes, com a minha bebida. Peguei o copo e virei-o de uma vez só. O uísque desceu rasgando minha garganta. Estava um pouco tonta depois daquilo tudo, e o cheiro de incenso e as luzes não ajudavam nem um pouco. Fui para o banheiro, em busca de um pouco de paz.
Abri a porta e tranquei-a de qualquer maneira. Joguei um pouco de água no rosto, tentando em vão parar a dor de cabeça e o enjoo. A música alta parecia um ruído distante, como quando você está debaixo d’água e então, tudo ficou escuro.
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