The Kill
2 O Estranho.
Notas iniciais
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-- Esse pedaço de madeira de nada vai lhe servir! – falou uma voz masculina, num tom frio e sombrio.
-- Se você não percebeu, eu estou sem muitas opções! — Kathleen respondeu segurando com mais força o pedaço de madeira, olhando desesperadamente para todos os lados a procura do dono da voz – Já tive algumas aulas de Wushu, mas meu Kung Fu para por aí.
-- Eu posso... Na verdade eu tenho que te ajudar. – sua voz demonstrava que ele não estava gostando do que fazia.
-- Não sei por que, mas parece que você está fazendo isso por obrigação, e não por que quer!
-- Cale a boca! Já não basta ter que ir contra meus princípios, e agora ainda tenho que aturar uma garota mesquinha. – ele estava furioso e por mais que quisesse evitar, ela não pode deixar de pensar “Contra seus princípios?” – Você terá que confiar em mim. – o homem parecia ter se acalmado.
-- Não sei se posso! – a garota respondeu, sem ter noção do perigo que corria ao confrontá-lo – É difícil acreditar em alguém que tem como princípio matar! – já que salvar a vida dela foi contra seus princípios.
-- Você não passaria de um corpo sem vida se eu não tivesse matado aquele cara! – nessa hora, pela luz da lanterna, Kath pode ver uma sombra se alastrar e dela sair um homem alguns bons centímetros maior que ela. O que não era nenhuma façanha, afinal, a menina só tinha 1,56 de altura, sendo confundida facilmente com uma criança – E se eu não tivesse seguindo ordens já teria arrancado essa sua língua afiada!
-- E ainda quer que eu acredite em você! – falou sarcástica – Que bom que você cumpri as ordens! – ela tinha uma terrível mania de brincar com o perigo. Percebendo depois que ele tinha em mãos uma espada, que parecia estar muito bem afiada.
-- Você não tem escolha. Largue esse cabo de vassoura e vamos embora. Virão atrás dele. – só quando ele disse isso que a menina percebeu que ainda segurava o pedaço de madeira. Ela o observou atentamente por alguns segundos antes de dar-se por vencida e jogar sua arma improvisada no chão.
-- Quem são eles?
-- Não importa! – o rapaz guardou sua espada que ainda tinha vestígios de sangue do homem que antes tentara matá-la.
-- Estão tentando me matar. É claro que isso importa!
-- Eles chegaram! – o garoto segurou Kath no colo, pulando pela janela.
Por o movimento ser menor, esconderam-se na garagem atrás de um Sedan preto.
-- Droga! Agora sou obrigado a lutar para proteger uma criança inconseqüente! – a cada minuto que se passava, os inimigos os cercavam mais. Examinando a situação, o rapaz preparou-se para a luta.
-- Quem disse que vamos precisar lutar? – a garota trazia um sorriso levado no rosto, que surpreendeu o maior. – E quem é criança aqui? – perguntou levantando-se e tirando do bolso da calça jeans uma chave de carro, que ela havia “pego” do vizinho na qual esbarrou antes de subir para seu apartamento. – Agora precisamos achar um celta com o adesivo do Greenpeace.- o que seria um pouco difícil já que os inimigos cortaram a luz.
-- Você dirige? – perguntou, dando uma olhada geral na garagem. — Está ali! – bastaram apenas alguns segundos para que ele conseguisse identificar o carro.
-- Claro que sim! Acha que tenho quantos anos? – perguntou enquanto corria em direção ao carro.
Pode se ouvir sons parecidos com algo cortante girando em direção a Kath. A menina havia corrido para o outro lado do estacionamento onde estava o outro carro. Foi nesse momento em que os ataques começaram. O garoto desembainhou sua espada e correu para evitar que algum ataque inimigo acertasse Kath. Mesmo escutando o barulho de metais se chocando, Kathleen continuou correndo em direção ao carro.
-- Tá querendo morrer? – o garoto gritou enquanto bloqueava com habilidade o ataque das churikens com sua espada.
-- Você não disse para eu confiar em você? – perguntou assim que chegou ao carro. Abriu o mesmo com certa dificuldade, pois estava tremendo e seu coração batia acelerado. Deu partida no carro, abrindo a porta do carona. – Entre! – mal pode terminar a palavra e o estranho rapaz já estava dentro do carro, com a porta trancada e o cinto de segurança colocado. – Nunca pensei que um ninja estaria preocupado com a segurança no transito.
-- Tenho em mente uma morte em campo de batalha e não com uma criança suicida tentando conduzir um carro! – disse enquanto olhava fixamente a estrada.
-- Pois saiba que passei de primeira na auto-escola. Tanto para carro quanto para moto.
--Pagou quanto para conseguir a carteira?
-- Olha, olha! É impressão minha ou teve uma inversão de papéis? – disse irônica – Agora o “língua afiada” aqui é você! – dito isso suspirou – Não o subornei. Tenho 19 anos. E como já dirigia desde os 17, foi muito fácil tirar a carteira. – a menina ficou em silêncio por uns minutos – Não vai rir?
-- Da sua idade? Qual é a graça que tem?
-- É! Normalmente quando eu falo minha idade as pessoas riem. Falam que é impossível e que estou mentindo. – Kath fitou a rua, olhando sem ver, lembrando-se de já ter apanhado muito de mulheres invejosas que não aceitavam que ela tivesse feições tão infantis tendo a idade que tinha. Que não aceitavam que lhes roubassem os olhares masculinos. Lembrou-se também que por ter essa aparência já foi alvo de muitos estupradores. Por isso decidiu aprender alguma luta de defesa pessoal.
-- Se não se importa, sinto-me melhor quando você está prestando atenção na rua. – a voz do garoto trouxe Kath a realidade.
-- Qual é o clã que me quer morta? E por quê? – perguntou, voltando sua atenção para o transito.
-- Que mudança de assunto! – falou sarcástico – O que te faz acreditar que sua existência seja tão importante a ponto de um clã inteiro estar querendo sua morte?
-- Os fatos! – Respondeu ignorando o sorriso debochado que o outro dera.
-- Pois pense melhor. Está se esquecendo que meu clã também está no meio.
-- Então tá! Se não tiver problema irei recapitular os fatos. – disse esperando uma resposta que não veio – A mais ou menos duas semanas venho pesquisando sobre ninjas e seus clãs por causa dos assassinatos em séries que tem ocorrido. E hoje fui atacada por um desses ninjas. Minha primeira dedução foi que eles perceberam que eu estava “espiando pela fechadura”. E para que o mundo não soubesse sobre suas existências, tentaram me matar. Afinal, mortos não contam histórias.
-- Essa sua teoria não explica o que meu clã está fazendo.
-- Mas aí você apareceu. – Kath continuou, fingindo não ter ouvido o comentário do rapaz – Matando o outro ninja e falando de princípios e ordens. Daí veio outras deduções. Está mais que na cara que não são do mesmo clã, então... Resumindo, um clã quer me ver morta e o seu me quer viva. Já que ele tentou me matar e você tem ordens de manter-me viva. Isso me fez crer que sou uma peça valiosa.
--hun – o ninja segurou o riso, olhando-a como se ela não fosse nada.
-- Só que você acabou de me dizer uma coisa que vai contra essa minha ultima dedução. – novamente ela ignorou a reação dele — O que me leva a um único possível caminho. Um que eu não queria acreditar que fosse verdade, mas que já havia passado pela minha cabeça.
-- Então você já sabe da existência do chip em seu corpo. – isso não tinha sido uma pergunta.
-- Um mês atrás tive que fazer um raio-X! Foi aí que descobri. Uma semana depois o médico que me consultou foi encontrado morto em casa. A perícia falou que ele já estava morto há uma semana e que quando o acharam. Já estava em processo de decomposição. – a garota balançou a cabeça tentando afastar as lembranças de como aquele pequeno apartamento fedia por causa do corpo podre, e do estado que foi encontrado o corpo do médico. Cortaram-lhe os membros em diversas partes e jogaram as partes na banheira. – O que me levou a crer que o chip era de suma importância.
--E qual é o seu veredicto?
-- Os dois clãs querem o chip que está em mim.
-- E temos um vencedor. – sua voz voltou a ter o tom sarcástico de antes.
-- Mas agora... A pergunta que não quer calar. Por que me salvou então?
-- Porque meu clã tem uma informação que o outro não tem. É necessário que você esteja viva para podermos usar o chip. – “E quando eu não for mais necessária...” ela preferiu nem completar o pensamento.
-- Hmm... – não sabia o que falar, não agora que sabia que seus dias estão contados. Preferiu fingir que não sabia – A propósito, me chamo Kathleen.
-- Jared – falou. Kath podia jurar que ele não responderia. Talvez tenha respondido porque dentro de alguns dias ela morreria e ele preferiu que ela soubesse o nome de quem lhe tiraria a vida. Ou por saber que a garota já sabia o que lhe aguardava e mesmo assim não teve uma crise de pânico.
-- Jared... – repetiu pensativa – Não parece nome de um assassino, muito menos de um ninja. Pensei que você fosse do clã “Chamas Negras”, mas nesse clã os nomes são baseados em deuses grego-romanos e em números. – pela visão lateral Kath pode notar o espanto de Jared.
-- Como você sabe sobre meu clã?
--Já disse. A duas semanas venho pesquisando sobre os clãs.
-- Isso não é coisa que se ache na internet! – falou perdendo a calma.
-- E quem foi que disse que foi da internet que eu tirei essas informações? – novamente ela respondeu com outra pergunta – Mas agora estou curiosa...
-- Diferente da maioria do meu clã, fui pego com 10 anos. Então já sabia meu nome. –Jared sabia o que ela iria perguntar, então respondeu antes de Kath fazer a pergunta. O que a levou a entender que ele não falaria mais sobre o assunto.
-- Será que estão nos seguindo?
-- Sei que estão! Já pegaram seu cheiro.
-- Meu cheiro? Como cachorros?
-- Não. Como lobos. Rasteiros e mortais.
Na rua sombras sem corpos vagam a procura de algo.
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Notas finais
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