Well, my best could be the last of all the rides we take

Bem, meu melhor poderá ser a última viagem que nós teremos

So hold on tight and don't look back.

Então segure firme e não olhe para trás

They don't care about the message or the rules they make.

Eles não se importam com a mensagem ou com as regras que eles fazem

We'll find you when the sun goes black.

Nós vamos te achar quando o sol se tornar negro


Resolvi ir caminhando para a escola mesmo com minha mãe insistindo que me levaria de carro e eu recusei a sua oferta inúmeras vezes. Peguei minha bolsa e sai caminhando pelas calçadas da vizinhança. Admirava alguns lugares dali. Tinha um lugar secreto que era o meu lugar secreto, as vezes eu gostava de ir nele para pensar um pouco.

Quando estava perto da escola, de longe vi uma aglomeração. Por temer o que eu pensava o que era, andei um pouco mais rápido e esbarrei em alguns estudantes e me desculpei com eles no mesmo segundo.

– Deixa ele em paz! – Falei ao que repreendia uma pessoa que eu conhecia.

– Veja só quem chegou. O seu namoradinho.

– Seu poço de banha desgraçado, se você encostar mais um dedo nele você está ferrado.

– Ah é Urie. E como alguém, magrelo como você pode acabar comigo?

– Serio que você não sabe? Claro que não, a sua burrice aguda afeta seus neurônios.

– Vê como fala comigo Urie.

– Ah cala boca você. Alec, sai de perto desse monte de esterco.

– Que monte de esterco?

– O único que estou vendo na minha frente.

Alec ficou atrás de mim e ate fiquei com certa dó por ele, com um olho pouco roxo e umas manchas avermelhadas de socos que deve ter levado. Ele meio que se retorcia de por causa da dor.

– Qual é seu monte de merda, vai ficar ai calado? Ou vai pedir para a sua corja fazer alguma coisa?

– Joshua, deixa pra lá. – Ouvi uma voz atrás da minha cabeça. – Era a voz tremula de Alec.

O ogro se chama Freddy. Os demais temiam ele, não sei porque, mas resolvi fazer diferente e não ser igual aos demais. Vi Spencer chegando e dando-me apoio.

– Bem que eu imaginei, você é um frangote mesmo.

– Mais o magrelo aqui é o você!

– Melhor ser magrelo do que ser um poço de banha e ainda burro.

Vi que ele estava ficando furioso com cada palavra que eu dia.

– Vamos Alec e Spencer, não vale a pena ficar aqui.

– Onde você pensa que vai Urie?

– Para a sala de aula. E outra, eu já te humilhei bastante por hoje depois do que você fez com Alec. É melhor você ir para algum lugar onde pessoas que nem você, que te aceitem.

Demos as costas e fomos caminhando. Algumas pessoas riam das coisas que eu havia dito ao Freddy. Ele merecia isso e coisa muito pior.

– Acho bom você colocar um gelo nesse olho ai Alec. – Comentou Spencer que lembrou-se que a mancha no olho de Alec poderia inchar.

– Deixa eu ver Alec. – Ele olhou para mim. – Acho que dá para esperar ate a aula acabar ai quando você chegar em casa você coloca gelo no seu olho.

Ele sentia um pouco de vergonha por eu estar vendo ele daquele jeito. Eu sabia que ele gostava de mim, mas não como amigo. E ele nem imaginava que eu sabia disso. Acabei descobrindo com o tempo. Para ele, eu o ajudei por amizade, mas para mim foi por amor. Amor que comecei a sentir por ele.

Depois que a aula acabou Spencer foi ate parte do caminho comigo e com Alec, depois prosseguimos somente eu e ele.

– Obrigado por ter me socorrido mais cedo.

– Amigos são para isso. – Coloquei meu braço envolto do seu corpo, dando um abraço lateral. Vi que ele sorriu quando dei esse abraço

– Joshua, não quer entrar para me ajudar com isso? – Perguntou apontando para o olho. – Não levo jeito para essas coisas.

– Te ajudo com isso também. – Sorrimos.

Entramos em sua casa que não era nem maior e nem menor que a minha. Eram exatamente do mesmo tamanho.

– E sua mãe, onde está? – Perguntei.

– Meus pais são separados e eu moro com o crápula do meu pai. Agora ele está trabalhando ou então em um bar. – Ele disse colocando o gelo na bancada da cozinha. Ele sentou-se na cadeira.

– Você deve estar me achando um problemático.

– Não é só você que tem problemas. Meus pais as vezes brigam e se eles souberem da ultima coisa que fiz, eu estou ferrado.

– E o que você fez? – Ele perguntou.

– Seu pai te bate?

– Só quando está bêbado. Varias vezes passei a noite fora.

– Que horror. Olha, você pode ir lá pra casa quando você perceber que ele está bêbado.

– Coloquei o saco com gelo em seu olho, e ele mesmo assumiu essa posição de pressionar o gelo contra o local.

Ficamos conversando por um tempo na sala de sua casa e eu conheci melhor a pessoa do qual eu tinha me apaixonado. Mal sabia ele que eu sentia o mesmo que ele sentia por mim. Rimos de coisas bobas e a gente tinha várias coisas em comum.

– Caramba, já são oito horas. Minha mãe vai arrancar o meu couro e fritar. – Rimos da minha frase. – Alec, eu tenho que ir embora.

– E o que você fez que seus pais não podem saber? – Ele insistiu nessa pergunta

– Pode ir comigo a um lugar amanha ao entardecer?

– Posso.

– Venho te buscar as sete, tudo bem para você?

– Tudo ótimo.

Ele abriu a porta para mim e eu senti que nunca mais iria vê-lo. Era uma dor terrível dentro do peito. Caminhei ate minha casa, entrei e para não ter que ouvir minha mãe e meu pai falarem às coisas que eu já sabia eu fui para o meu quarto e pensei no que eu fiz.

Alec e eu não éramos mais crianças, ele tinha 17 anos e eu 16. Pelo que descobri ele manteve guardado seu sentimento nos últimos dois anos. Agora eu sei como ele deve ter sofrido com tudo.

Coloquei meu pijama, puxei a coberta e deitei de lado e fiquei pensando no Alec em que eu nunca imaginei que existia. Dormi com pensamentos voltados para ele. Acho que eu deveria começar a retribuir o que ele já deve ter feito por mim.