The Key
7 Capítulo 7
Notas iniciais
-Melany? – ouvi uma voz masculina ao longe. Como um sussurro, ou uma voz interior no fundo de minha cabeça.
Consegui abrir os olhos e vi o rosto de Peter. Eu estava em movimento. Sem muita noção do que estava acontecendo e onde eu estava, olhei para os lados e vi Matthew dirigindo. Eu estava no carro dele e estava com a cabeça apoiada no colo de Peter.
-O que...?! – comecei, mas Peter estacionou a mão sobre minha testa e a acariciou de forma estranha.
-Calma. A gente vai te explicar tudo. – falou ele com a voz baixa e com um sorriso nos lábios.
Levantei-me rapidamente e me sentei, olhando Matthew pelo retrovisor que estava olhando a estrada nivelada.
Olhei pela janela e vi muitas árvores e muitas montanhas. Não estávamos mais na cidade, parecia que estávamos indo para o interior de Alídea.
-Então, me explique. – olhei para Peter e cruzei os braços, quando me veio a imagem de Lara caída no chão e tudo ficando cada vez mais escuro. – Lara?! – falei, não conseguindo me controlar.
-Ela está bem, com Beth. – ouvi a voz de Matthew que estava um pouco agitada.
-O que aconteceu conosco? – falei meio perdida, como sempre estava quando fazia perguntas a Matthew.
Ele respirou para falar, mas uma imagem veio a minha mente, juntamente com uma dor quase insuportável nas têmporas, como se minha cabeça fosse explodir. Tentei manter os olhos abertos, mas eu não conseguia.
Meu corpo parecia estar em estado de convulsão e senti as mãos fortes de Peter me segurando.
-Ah! – eu conseguia ouvir minha própria voz gritando, mas era como se eu não estivesse ali.
Conseguia ver Matthew olhando para mim e Peter me segurando e algum carro vindo em nossa direção e acertando em cheio a frente do carro, fazendo nosso carro capotar várias vezes, até que paramos e vi Matthew e Peter desacordados.
Aquela cena me deu ânsia de vômito, então abri os olhos e vi um carro preto e cinza buzinando e Matthew olhando para trás, com os olhos preocupados e frenéticos.
-O carro! – apontei para a estrada, onde Matthew rapidamente se virou, colocou as mãos no volante e o virou rapidamente desviando do carro que eu tinha visto nos acertar.
O carro derrapou algumas vezes e então parou. Meu coração estava na boca e Matthew e Peter pareciam iguais a mim, em estado de total e completo choque.
-Que porra foi essa?! – gritei, com a voz trêmula e me sentindo bem ao falar um palavrão em alto e bom som.
-Estava tentando te falar que... – Peter engoliu em seco, enquanto Matthew respirava fundo ao dar a partida no carro novamente e voltar à pista. – Lara te passou seus dons de visão. – falou ele. – Mas, eu nunca as vi se manifestando tão rápido e dessa forma em alguém. – falou ele, olhando para Matthew pelo espelho.
-Uma vez... – comecei a contar o que aconteceu entre mim e Catherine, quando eu meio que previ o que aconteceria se eu continuasse a enfrentá-la e os dois permaneceram quietos até eu finalizar.
-É por isso que manifestou tão rápido. Você também é vidente. – falou Matthew dando um leve sorriso.
-Casete! Está para nascer uma pessoa com tantos dons quanto você, hein Melany?! – riu Peter e pela primeira vez em horas eu consegui sorrir de verdade e conseguindo dar uma gargalhada.
Ficamos em silêncio, vagando pela noite.
Encostei a cabeça na poltrona de couro e me acomodei.
-Então os dois conheceram meus pais? – falei, com os olhos pesados e quase dormindo, mas eu não perderia tal oportunidade.
-Sim. – falaram em coro. Eles não pareceram estar se falando muito bem.
-O que está acontecendo entre vocês dois?! – perguntei, mas não modificando minha voz um tom a mais e nem a menos.
Os dois respiraram fundo e permaneceram em silêncio, então preferi não insistir, já que eles não queriam falar nada sobre o assunto.
-Gente, para onde estamos indo? – falei, já com as pálpebras fechadas.
-Encontrar Hélio. Ele nos levará para um lugar seguro. – ouvi a voz de Matthew afundando em minha mente, até que eu consegui dormir depois de tantos transtornos e situações.
*
-Mel...? – ouvi a voz de Peter no fundo de minha mente, ecoando.
-Acordei. – falei quase que pulando e olhando para o rosto de Peter.
-Chegamos. – falou ele saindo do carro e fazendo um sinal para que eu também saísse.
Já estava de manhã e havia várias montanhas amontoadas. De um lado eu conseguia ver montanhas verdes e com pastos de gramado baixo e do outro lado montanhas frias com neve as cobrindo. As paisagens diziam por si mesmas que Alídea era um lugar mágico e lindo.
Saí do carro e acompanhei Peter até Hélio e Matthew.
-Onde estamos? – perguntei a Peter, vendo Hélio cochichar palavras esquisitas. Era outra língua e com certeza não era a língua de minha raça.
-Estamos nos Montes Celestes. – falou ele sorrindo.
-E o que ele está falando? – apontei para Hélio que balançava as mãos.
-Acho que é algum tipo de proteção, para que fiquemos invisíveis, ou sei lá... – falou ele dando mais um sorriso.
-Que bom que chegaram! – sorriu Hélio a me ver chegando com Peter. –Vamos, é por aqui... – apontou ele para uma estradinha de terra batida que parecia nunca ter fim.
Nós o acompanhamos então eu olhei para trás e vi o carro de Matthew e me bateu uma dúvida.
-E o carro de... – não consegui completar a frase.
Vi Hélio levantar os dedos e os estalar, fazendo o carro de Matthew se incendiar e virar apenas fogo e fumaça, mas nem Peter nem Matthew pareceram se importar, para falar a verdade eles riram, talvez fosse da minha cara de assustada e surpreendida.
-O carro não será mais problema, — sorriu Hélio ao continuar andando e eu o segui, ainda olhando para trás e vendo o carro em chamas.
Tive a terrível impressão que estávamos andando a mais de quatro horas.
Não que eu estivesse cansada, tipo, muito cansada, mas era desgastante e Hélio e os outros dois também não pareceram muito felizes e dispostos, então resolvi falar alguma coisa.
-Gente, não estou reclamando, mas essa estrada não tem fim, não? – minha voz soou estranha, mas também... Pudera! Meu corpo estava quase sendo arrastado pela terra.
-Graças a Deus! – a voz de Peter saiu rasgada, afinal nós não falávamos nada desde quando começamos a andar e estávamos sem saliva na boca.
-O que foi? – perguntei, parando e observando Peter olhar para o horizonte.
-Essa estrada é chamada de Estrada Sem Fim e ela só tem fim se um novato reclama de sua infinidade. – falou Hélio, também olhando para o horizonte, então me virei para Matthew que também olhava para o mesmo local que os outros dois.
-Então, quer dizer que agora ela tem fim? – perguntei, tentando ver o que eles tanto olhavam, por que para mim, a estrada continuava infinita.
-Sim. — falaram em coro.
Então olhei para o horizonte e em um segundo a estrada era infinita e no outro segundo eu podia ver uma cidade se formando aos poucos, como se estivesse saindo de uma névoa.
Alídea nunca parava de me surpreender com seus truques e armadilhas.
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