The Key

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Para: Jesika! =D

Prontamente vários guerreiros foram em direção ao Lago Amaldiçoado procurar por Hélio. Eu os expliquei minha visão, detalhe por detalhe e eles foram atrás.

Eles trouxeram o corpo de Hélio para a Ilha Dos Desconhecidos, mas seu corpo já estava entrando em decomposição. Disseram-me que como o corpo dos Nirhaquianos entra em combustão, o corpo dos feiticeiros e bruxos se decompõe, virando cinzas.

Tudo aconteceu muito rápido. A morte de Hélio, a volta dele a IDD, o corpo dele virando cinzas e sendo jogado ao ar, como os guerreiros gostavam de “enterrar” seus mortos. Falavam que libertavam suas almas, as fazendo livres e desimpedidas para retornarem a Alídea como uma nova pessoa, ou até mesmo um animal, ou uma planta.

A morte de Hélio não me abalou tanto quanto pensei, achei que já estava ficando acostumada a perder as pessoas que ficavam comigo, então, no meio de uma noite gélida e escura arrumei minhas coisas e parti em retirada.

-Aonde vai? – ouvi a voz grossa e petulante de Cristoff, barrando a enorme porta de nosso alojamento.

-Vou embora e com sorte, serei morta. – eu não agüentava mais aquilo tudo! Todos morriam ou desapareciam por minha causa e eu definitivamente não valia o esforço.

Eu já havia desistido de colher esperanças que Matthew e Peter voltariam com um enorme sorriso dizendo que não se importavam com o que eu havia dito. Eu não era mais aquela criança assustada que tinha esperança no peito. Agora eu era uma mulher que estava completando seus dezoito anos e com muita raiva, mágoa e vingança no coração e que não deixaria ninguém se meter em seu caminho.

Eu estava completamente coberta de certeza.

-Eu vou com você. – disse ele, já com uma mochila nas costas.

Passei por ele sem o menor esforço. Nem ao menos o olhei, apenas continuei andando.

Ele seria um atraso e também seria inútil para mim. Eu precisava de alguém forte, sem medo e que quisesse lutar ao meu lado, mas como eu nunca encontraria ninguém assim...

-Eu sou fraco, é verdade... – ouvi os passos apressados dele, ao me seguir. – Mas, conheço alguém que é forte como você e arriscaria sua própria vida por você Melany. – falou ele com uma voz coberta de certeza.

Parei e o encarei. Eu não conhecia e nunca haviam me dito que existia alguém forte como eu em Alídea.

-E quem seria? – perguntei, com as mãos na cintura.

Ele pareceu hesitar por um momento, mas logo abriu o bico.

-Zack. – falou ele como se estivesse cuspindo caroços de uma laranja.

Dei uma risada cômica.

Zack era o maior vampiro já existente, ou seja, meu inimigo. Não mortal, como Charlie, mas ainda sim, um inimigo, e eu não concordava com a frase “Não pode com eles, junte-se a eles”. Para mim deveria ser “Não pode com eles, prefira morrer”.

-Ele é forte, igual a você e vai te ajudar, com toda a certeza! – falou ele, com um sorriso, mas logo seu sorriso se desmanchou, vendo minha cara de irônica.

-Como tem tanta certeza? – falei, cruzando os braços sobre o peito e o olhando seriamente.

-Era apenas uma desculpa... – sussurrou ele, o que não me impediu de ouvir.

-O que? – disse em resposta a seu sussurro.

A Ilha Dos Desconhecidos estava silenciosa, todos estavam dormindo. O mundo poderia estar acabando que nenhum dos guerreiros iria mover uma perna, por isso, não me incomodei de sair no meio da noite de conversar com Cristoff ali, porque sabia que ninguém estaria ouvindo. Guerreiros são muito fortes e dormem com a mesma força que trabalhavam.

-Ele me mandou ir até sua casa naquela noite para ver se realmente estava lá. Ele não quer seu bracelete. – ele fez uma pausa. – Aquela foi apenas uma desculpa. – falou ele por fim.

-Então, o que ele quer? – falei, tentando parecer indignada e não curiosa.

-Não sei. Ele é extremamente misterioso. Ninguém sabe o que ele quer com você. – ele parecia estar falando a verdade, então acenti e continuei andando.

-Então, me leve até ele. – falei, engolindo em seco, tentando avaliar a burrada que eu estava fazendo, mas quer saber? Que se dane! Eu já estava sozinha e ferrada mesmo, eu não tinha nada a perder. Até minha vida se tornara insignificante.

-Então, posso ir com você! – sorriu ele.

-É... Pode. – eu sabia que não era uma pergunta, mas mesmo assim a respondi. Bufando.

-Você está diferente Melany. – falou ele andando ao meu lado e saindo de Ilha Dos Desconhecidos.

-Eu apenas amadureci. – falei, respirando fundo ao me lembrar como minha vida era boa quando tudo era normal.

-Em falar nisso... Feliz aniversário! – falou ele sorridente, enquanto eu encontrava novamente a estrada de terra que havíamos passado quando chegamos lá.

-Obrigada. – disse por fim.