The Key
8 Capítulo 8
Notas iniciais
-Bem vinda à Ilha Dos Desconhecidos, ou como prefiro chamar, IDD. – riu Peter andando cansadamente em direção a cidadezinha que deveria estar a mais ou menos cinqüenta metros de nós.
-E quais criaturas habitam esse lugar? – perguntei a Matthew.
Peter e Hélio já estavam quase chegando, era incrível como a adrenalina no corpo deles despertou quando chegamos a IDD.
-Guerreiros de Alídea. Por isso o lugar é tão isolado e cheio de mistérios. – falou Matthew, não me encarando.
Eu estava com dores nos pés. Apesar de eu sempre usar aqueles all stares, achei pela primeira vez que estavam ficando realmente velhos, afinal, eu os tinha desde os doze anos e meus pés não haviam crescido um centímetro se quer.
-Hm... – soltei, respirando o ar puro e apreciando a vista bonita que havia ali.
Por mais que vivessem guerreiros ali, o lugar era tranqüilo, com algumas árvores e grama baixa e bem cortada, com algumas flores enraizadas no chão de terra. Eu conseguia sentir o cheiro de laranjas no vento que soprava de leve e parecia até que eu não estava mais tão cansada, quanto estava.
-Bem vindos a Ilha Dos Desconhecidos. – ouvi uma voz super grossa e até um pouco engraçada, mas eu não olhava para ninguém, a não ser para a vista estonteantemente linda.
-Obrigada. – falei sem dar a mínima atenção a quem quer que fosse, por que eu sabia que não iria me fazer mal.
-Melany... – ouvi o sussurro estressado de Matthew e um empurrãozinho no ombro, então o olhei um pouco estressada. Ele havia tirado minha atenção daquele lugar!
-O que foi? – eu não quis soar rude, mas foi inevitável.
Ele apontou para frente e eu olhei despreocupadamente, mas só por um segundo. Dei de cara com um homem muito grande mesmo! Deveria ter uns oito metros, tinha uma barba mal feita, olhos gigantescos e completamente negros, e eu poderia jurar que vi como se fosse uma névoa passar por eles, mas eu estava cansada, então reconsiderei a hipótese. Ele tinha um nariz batatudo e bochechas rosadas com a pele branca como neve e usava também, uma armadura de aço como guerreiros da idade média.
-Uau! – não consegui controlar minha boca e soou extremamente infantil.
O homem gigante deu uma risada gostosa, enquanto segurava a enorme barriga.
-Sou Fidélius, cavaleiro chefe de Alídea e posso ver que são boas pessoas. – sorriu ele colocando a mão direita sobre a testa e fazendo um movimento para frente com a cabeça.
Olhei para Matthew em tom de pergunta e ele fez o mesmo, então, apressadamente o copiei.
-Por que estamos fazendo isso? – sussurrei para Matthew, entre os dentes, enquanto eu fazia o movimento.
Fidélius riu novamente.
-Esse é o nosso comprimento, pequena. – falou ele em tom de brincadeira.
Deu-me raiva ser chamada de pequena, mas ele estava certo. Mas, para falar a verdade, todos eram pequenos em comparação a ele.
-Ah! – eu estava muito monossilábica, mas eu não tinha o que falar. Dei um passo para direita e vi que Hélio e Peter estavam falando com mais dois guerreiros que os conduziam para outro lugar, então corri atrás deles.
Não sabia para onde iam, mas eu não queria me perder de Hélio, o mais poderoso e experiente de nós.
Eu tive de desviar várias vezes de guerreiros gigantes, pois seus pés eram do meu tamanho e eu não poderia ser esmagada.
-Cuidado aí! – falou um deles.
-Desculpe! – virei-me para me desculpar, enquanto eu ainda corria, mas infelizmente não tomei cuidado suficiente.
-Cuidado! – ouvi a voz vindo da frente, então olhei rapidamente e um guerreiro estava prestes a pisar em cima de mim, então o que eu tinha para fazer era gritar, correr como o flex ou ser atingida. Então preferi fazer o mais lógico, ou seja, os três.
-Ah! – gritei, corri e fiquei de olhos fechados, tentando escapar de muitos e muitos pés enormes.
Até que senti uma rajada de vento e alguma coisa me segurando, mas não parecia ser um guerreiro. Eu sabia que ou era Peter, ou seria Matthew.
-Casete! Obrigada! – a pessoa me pos no chão e eu olhei para ela com um grande sorriso, que se transformou em uma linha de repreensão. – O que esse filho da mãe está fazendo aqui?! – gritei, vendo Hélio me olhar com a expressão que eu mais odiava, que era a de “Deveríamos ter contado a ela”.
-Desculpa, íamos te contar, mas... – começou Peter a falar, mas eu o interrompi.
-Casete! Não acredito que esse babaca ladrãozinho está aqui! O que ele faz aqui?! – ele estava perto demais de mim, então fui para perto de Matthew, que também não parecia gostar nada, nada da idéia de Cristoff estar ali conosco.
-Ele veio nos ajudar. – disse Hélio, se aproximando de mim com aquela cara serena que me irritava. Ele parecia sempre estar sereno e nas piores horas possíveis para estar.
-Ajudar?! Ele quer meu bracelete! – gritei apontando para Cristoff, não conseguindo nem olhá-lo de tanta raiva que eu estava.
-Ele largou o clã para te ajudar Melany. Mostre mais respeito a ele. – falou Hélio, agora com a voz um pouco mais séria e rígida, mas eu não mudaria meu comportamento. Ele tentou me roubar e nada que fizesse iria mudar minha opinião.
-Respeito é o casete! – eu não queria ser tão rude com Hélio, mas meu sangue estava fervendo e eu NÃO queria que Cristoff estivesse ali.
-Melany Black! – gritou Hélio, agora com a expressão um tanto abalada.
-Hélio! Ele pode estar aqui para depois correr para os sugadores de almas e contar tudo que está acontecendo aqui! Eles podem estar juntos com Charlie! – o que poderia ser realmente o que estava acontecendo ali.
-Isso é ridículo! – gritou Cristoff, logo se calando com o olhar duro e medonho de Hélio, que depois me encarou, se aproximando mais um pouco.
-Melany, acho que se esquece de quem sou... – ele não parecia... Bem, ele. Estava muito rígido. Parecia meu professor da escola, quando eu fazia alguma besteira.
-Tanto faz, Hélio... – eu sempre tive um temperamento muito forte e papai dizia que eu havia puxado do lado da família de minha mãe. –Mas, eu não o quero perto de mim! – falei, cruzando os braços e andando em direção ao guerreiro que antes tinha conversado comigo.
-Pode apenas me escutar por um segundo? – falou Cristoff, olhando para Hélio, em vez de olhar para mim, mas eu sabia que a pergunta era para mim.
-Fala... – disse com tom ignorante.
-Estou aqui porque eu fiz merda e eu estou tentando te ajudar. Eu não gosto quando faço algo errado e fica por isso mesmo e também, eu não agüentava mais Zack querendo informações sobre você, então fugi e estou disposto a te ajudar. – ele falava rapidamente e tentando olhar nos meus olhos, somente tentando mesmo.
-Espero que meus pais não tenham dito nada para que você me protegesse, como os outros dois. – soou extremamente insatisfeita a minha fala. Eu não queria dizer aquilo! Apenas saiu, como se fosse uma tosse súbita. Eu não queria magoar nem Peter e nem Matthew, como eu acabara de fazer. Sem nem ao menos olhá-los, eu já sabia que eles estavam com os rostos um tanto magoados. – Eu não, eu não... – tentei resolver, mas Hélio me interrompeu.
-Não tente resolver Melany. – disse ele caminhando em direção a Fidélius, juntamente por Matthew e Peter que nem ao menos me olharam.
Cristoff passou por mim com olhos preocupados e acusadores.
-Não enche Cristoff! – falei, seguindo logo atrás dele.
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