The Key

30 Capítulo 30


A fala de Zack me inquietou por alguns segundos. Aquela fala estava extremamente formal e com falta de sentimentos, mas não era tempo para ficar tendo conversas comigo mesma tentando entender a complexa mente de Zack De La Kuart.

O local era assustador! Com ruínas de pedras, teias de aranha nos cantos das paredes tombadas e era muito grande, de fora não parecia ter aquela extensão toda, com uma escadaria de pedra, com alguns degraus quebrados nos fundos do local, mal dava para enxergar.

-Onde eles estão? – o som da minha voz ecoou pelo local. Por mais que eu tenha falado baixo, já foi o suficiente para os morcegos escutarem a minha voz e se agitarem pelos lugares escuros do castelo, fazendo barulhinhos muito chatos.

-Shhhh! – fez ele, pondo as mãos em minha boca, me impedindo de falar.

-O que foi?! – sussurrei, caminhando em direção a escadaria ao lado dele.

-As paredes têm ouvidos. – falou ele, olhando para os lados e imediatamente, quando se virou para mim, seus olhos estavam vermelhos e com veias negras saltadas próximo aos seus olhos.

Eu ainda não estava acostumada a ver ele daquela forma, mas também, seria por uma boa razão que ele estivesse assim.

-Ok! Mas, onde eles estão? – falei novamente, com a voz quase que inaudível.

-Provavelmente em alguma torre ou nas masmorras. – falou ele, pondo um dos pés no degrau da escadaria de pedra.

-E como saberemos? – falei, pondo as mãos na cintura.

Aquele lugar já era macabro demais para ainda termos que procurá-los.

-Teremos de procurá-los. – disse ele, subindo as escadas.

Revirei os olhos e fui logo atrás dele.

Zack já se encontrava quase que no andar superior e eu ainda no quarto degrau, então corri até ele. Senti um dos degraus falharem quando eu pisei e ele se desmontou rapidamente, me fazendo tombar para o lado e soltar um grito rápido e agudo. Rapidamente senti as mãos de Zack me puxando para perto dele, o que me fez sentir mais segura e fez meu coração parar de pulsar rápido.

-Obrigada. – falei ainda ofegante, com um sorriso ridículo no rosto.

Zack não respondeu, apenas seguiu andando.

-Mel? – ouvi o sussurrar de alguém no alto da escada e lá estavam Cristoff e as meninas, rindo para nós.

-O que houve com você?! – perguntou Jessie, passando a mãos na blusa molhada de sangue de Zack.

-Um cachorro. – sorriu ele, passando por Jessie e indo até um canto com Cristoff.

-Aquilo era um cachorro?! Em que mundo vocês vivem para dizer que aquilo era um cachorro?! – falei, pondo as mãos na cintura e tentando entender como aquela criatura asquerosa poderia ser um cachorro.

-Alídea. – deram de ombros as quatro com um sorriso nos lábios.

Corei instantaneamente.

-Então Cris... — Falou Ketlyn se aproximando deles. – Para onde vamos? – falou ela, olhando para os lados.

-Bem, já estamos dentro do castelo e aqui somos intocáveis, então acho que podemos ficar por aqui. – falou ele, se sentando em uma mesa velha de madeira.

-E também! Aqui é perigoso, não é bom rondar muito esse lugar. – falou Lira, coçando a cabeça e se sentando no chão empoeirado.

-Mas, e Charlie? – falei suavemente e até um pouco envergonhada.

-O que é que tem? – falou Ketlyn, se sentando no peitoril de uma das janelas quebradas do andar de cima que mais tarde percebi, ser a sala de jantar.

-Ele está vindo... Não podemos apenas ignorar. – falei, olhando-os, encostada na parede.

-Não, mas agora somos somente nós. Não temos muito que fazer para impedi-lo. – falou Zack, olhando nos meus olhos.

-E o que faremos? Ele vai vir daqui a mais ou menos uma semana Zack. – falou Stela pela primeira vez em horas.

-Teremos de ir para a Terra e ficar lá. Charlie não irá voltar para lá, porque vai pensar que Melany foi morta pelos Líderes. – disse ele, convicto.

-Isso não vai dar certo! Temos que ficar e lutar! – falei, agora um pouco mais enfezada.

-Quer lutar para morrer?! – falou Zack, com o tom um pouco mais alto, o que já foi o suficiente para fazer todos a nossa volta arregalarem os olhos.

-Se for preciso, sim! – falei com o tom mais alto também.

Zack não me metia medo e parecia que eu era a única ali que não sentia medo dele.

-E pelo que morreria?! Seus pais e sua avó estão mortos Melany! Nada os trará de volta! – sua fala me fez congelar por um momento, o que fez as lágrimas virem à tona, mas eu não as derramaria na frente dele.

-Pelo menos, eu tenho algo pelo que lutar! Vingança! E você?! Pelo que lutaria?! – gritei, olhando-o nos olhos.

-Por nada! Justamente por isso quero ir para Terra. – falou ele.

Todos estavam em silêncio, apenas nos vendo gritar um com o outro.

-Então não lute! Vá embora! Fuja! Seja fraco! – falei, com um tom de superioridade tão forte, que fez com que Zack se curvasse um pouco. – Mas, eu ficarei aqui e vingarei meus parentes. – disse por fim.

-Você é repugnante! – falou ele, entre os dentes, com o rosto bem próximo do meu. Eu podia até sentir seu hálito bater contra a minha pele gelada.

-Parem com isso! – falou Jessie, intercalando o olhar entre nós. – Que infantilidade! – ela disse. – Melany... – olhou para mim. – Eu ficarei aqui para lutar ao seu lado e tenho certeza que todos aqui também vamos ficar. Vingança não é uma causa nobre para se lutar, mas ele destruiu a vida de todos nós, então acho justo que lutemos contra esse parasita. – falou ela, sorrindo para mim. – E Zack... – ela olhou para ele. – Se quer ir para Terra, fique à-vontade, mas não irei com você.

-Nem eu. – ouvi o coro de Lira, Stela, Cristoff e Ketlyn.

Zack abaixou a cabeça, furioso e começou a descer as escadas.

-Aonde vai? – perguntou Cristoff, encarando-o por trás.

-Vou para Terra. – disse ele por fim, descendo as escadas de cabeça baixa.

Ao ver ele descendo, me deu um aperto no coração e um embrulho no estômago. Eu não queria que ele se fosse, aquela foi uma decisão tomada por ele, mas eu também havia insistido para que aquela decisão fosse posta em prática. Ele faria muita falta! Cristoff era um vampiro muito experiente e forte, mas não se comparava com a bravura e a força extrema do irmão e claro! Eu também gostava dele, apesar de ter me tratado mal, eu não queria perdê-lo, mas também não queria que ele ficasse por pressão.

Abri minha boca para chamá-lo e minha voz já estava quase que sendo ouvida, quando Jessie foi mais rápida.

-Não vá! – falou ela em um cuspe. – Pense... Irá ficar sozinho na Terra e tenho certeza que não será normal um homem roubando almas pelas ruas. – disse ela em tom de brincadeira.

Zack parou e olhou para trás, com aqueles olhos vermelhos, mas agora demonstravam tristeza e incerteza.

-Por que , exatamente, quer ir? – falou Cristoff, sem olhá-lo. – Medo?

-Não tenho medo de morrer, mas tenho medo de vê-los morrer. – disse ele, emocionado.

Sua voz vacilava a cada sílaba que ele deixava escapar pelos lábios.

-Zack... Não temos mais propósito nesse mundo. – falou Lira, um pouco emocionada também.

-Morrer, não vai fazer diferença... – disse Ketlyn.

-Já estamos mortos. – completou Stela.

Zack pareceu pensativo, até que finalmente pronunciou algumas poucas palavras.

-Ok! Ficarei com vocês. – ele deu um sorriso torto e subiu as escadas novamente, abraçando de leve a Jessie, Ketlyn, Lira e Stela.

Não entendi, mas eu me senti muito mal sendo excluída do abraço coletivo, eu e Cristoff, na verdade, mas Cristoff dava para entender o porquê deles não se abraçarem, mas eu?! O que eu tinha feito de tão ruim que Zack me tratava com tanta repugnância e distância?



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.