The Key

24 Capítulo 24


-Pietra! – gritei enquanto Tília praticamente me arrastava até o salão. – Chame Zack, Jessie, Ketlyn e Cristoff e diga o que aconteceu!

Vi seu rosto balançar positivamente e correr em direção ao outro lado, provavelmente para procurá-los.

Continuei andando, sem hesitar, mas Tília ainda segurava firme em meu braço.

-O que aconteceu? – perguntei aos tropeços, pois ela era muito mais rápida do que eu.

Ela não respondeu, apenas continuou andando, como um robô.

Então, preferi ficar em silêncio e acompanhá-la sem dar mais um pio.

Já sabia que eles haviam descoberto de meu parentesco com Felícia e que iriam tentar me matar, ou pior, me manter presa em alguma masmorra para todo o sempre e era isso que eu mais temia.

Meu coração estava apertado. Eu tinha ainda mais medo que meus “amigos” não conseguissem me ajudar, mas como dizem... A esperança é a última que morre. Preferi confiar na frase do que no destino, naquele momento.

Passei pela enorme porta e novamente, vi cada um dos Líderes de cada raça, sentados, sérios, como se eu tivesse feito algo errado.

No meio do enorme salão havia uma cadeira de mármore, sem estofado nenhum, apenas a cadeira que parecia ter sido esculpida ali, apesar de antes não haver nenhuma cadeira ali.

-Sente-se ali. – falou Tília, me dando um tapa, consideravelmente forte no ombro.

Andei até a cadeira e me sentei, sentindo o frio do mármore em contato com a minha pele quente.

Observei o rosto de cada um dos Líderes, que não pareciam nem um pouco felizes.

-Melany Black, não é? – falou uma mulher um tanto idosa, de cabelos grisalhos, olhos verdes e cansados e um vestido preto. Olhei para a placa que estava ao seu lado e conclui que ela era a Líder dos Impuros.

-Sim. – minha voz saiu rouca e falha.

Eu estava muito nervosa. Estava na frente dos Líderes de Alídea e eles eram perigosos. Não sabia o que eles sabiam sobre mim e o que fariam comigo.

-Hm... – a mulher pos os óculos pequenos na ponta de seu nariz pontudo e escreveu algo no papel com uma caneta dourada. – Tília... Pode se retirar. – falou ela para a menina, sem ao menos a olhar.

-Sim senhora. – falou ela fazendo uma reverencia e saindo do salão, me dando um último olhar, mas não um olhar normal, ela parecia sentir muita pena de mim. Eu conseguia ver um pedido de desculpas nos olhos dela.

-Então... – a voz da senhora se esticou e aumentou. Estávamos sozinhos no salão. Eu e os Líderes, somente. – Suponhamos que saiba por que está aqui. – falou ela, agora parando de escrever e me olhando, enquanto todos os outros escreviam algo em seus papéis, papiros, pedras e outras coisas que eu não conseguia identificar.

Apenas balancei a cabeça. Eu estava morrendo de medo! Por que eu sabia que ali estava a Líder das Fictílias e elas liam mentes. Não adiantava tentar mentir para eles.

-Podemos ver sua força vital novamente? – falou uma voz grossa e rouca. Olhei para o lado da mulher e vi um homem extremamente grande e ruivo, com olhos negros e um sorriso demonstrando dentes incrivelmente pontudos e medonhos. Aquele homem me dava muito medo. Era o Líder dos Gremilíns.

Sempre pensei que Gremilíns fossem pequenos, mas ele era gigantesco.

Acenti.

Coloquei as mãos nos braços da cadeira de mármore e me levantei, com as pernas bambas de tanto medo.

Fechei meus olhos e fiz alguns movimentos com as mãos.

Em alguns segundos eu já podia ouvir a voz de alguns Líderes chiarem, então abri os olhos e dei de cara com a minha força vital. Brilhante, colorida, e não havia aros e sim algumas faíscas, talvez fosse aquilo que Jessie e Ketlyn haviam dito que eram espinhos.

Assustei-me com aquela enorme bola colorida em frente aos meus olhos.

Abaixei as mãos e ela desapareceu, feito fumaça.

-Sente-se. – falou a senhora grisalha.

Sentei-me imediatamente.

-Você é herdeira dos poderes de Felícia Black e sabemos que sabe disso. – falou uma mulher com olhos rosados, bochechas vermelhas, um pouco gordinha e cabelos negros e curtos. Ela tinha uma voz muito rouca para uma mulher. Será que era uma mulher? – me perguntei.

-Sim. – minha voz saiu mais confiante do que eu realmente estava e aquela era uma péssima hora para eu demonstrar superioridade.

-Sabe também que teremos de sacrificá-la, não é? – falou a senhora grisalha, ainda escrevendo.

-Sim. – minha voz agora estava triste.

Eu não queria morrer. Por mais que muitas vezes eu dissesse que queria, eu nunca realmente quis, e agora eu iria ser morta de qualquer forma. Não havia mais para onde fugir.

Pelo menos, eu iria para perto de minha família. Iria conseguir ser feliz novamente para onde quer que eu fosse.

Queria continuar ali para vingar a morte de meus familiares, próximos e distantes, mas eu não poderia, não mais. Eu não era mais forte que os Líderes. Eu não podia fazer nada contra eles. Eu era o nada e eles o tudo.

Não havia mais esperança no meu coração, sabia que ninguém iria me ajudar a fugir do meu triste destino.

É estranho! Mas, eu estava feliz de saber que eu iria morrer.

Sempre tive curiosidade de saber como é a morte. Ela deve ter um gosto amargo no início, mas deve ficar doce, gradativamente, pelo menos, era o que eu imaginava da morte. Uma coisa rápida e indolor, ou de vagar e dolorosa, de qualquer jeito, um dia o sofrimento acabaria e eu me livraria do meu castigo em Alídea, porque tudo aquilo que eu estava vivendo só poderia ser um castigo de algo que eu fiz e deveria ser punida.

Senti uma lágrima descer de meus olhos, mas eu não fiz questão de limpá-la. Não havia motivos para esconder a dor e a tristeza.

-Não chore querida. É para o seu bem. – falou o homem Gremilín.

-Eu sei. – falei, levantando meu rosto e esboçando um sorriso.

Era incrível! Mas, eu estava contente. Óbvio que estava triste, mas contente ao mesmo tempo.

-Não está triste? – ouvi a voz de uma mulher que eu ainda não havia escutado antes, mas eu estava de cabeça baixa, vendo minhas lágrimas caírem uma a uma e começar a molhar meu vestido branco.

-Não. – falei, apesar de ser verdade e mentira.

-Não está arrependida por ter nascido assim? – falou uma voz masculina que eu também não conhecia.

-Não senhor. Eu nasci assim, senhor. – falei, com um sorriso nos lábios. Eu já havia me conformado com a minha breve morte.

-Não acredito! – ouvi a voz aguda de uma mulher, que me fez levantar os olhos molhados e ver a Fictília. – Ela realmente não está arrependida! – falou a mulher indignada.

-Não senhora. – eu iria morrer mesmo! Dane-se se eu iria desafiá-los, iria morrer de qualquer forma...

-Como ousa...?! – ela começou a falar em voz alta comigo.

Por algum motivo meu braço estava coçando, anunciando que minha Nirhak estava prestes a sair.

-Vou morrer mesmo senhora! – falei, olhando-a com ignorância e um sorriso sínico nos lábios.

-Ela está fora de si! – gritou a bruxa, com seu chapéu pontudo e sua maquiagem pesada, se levantando e apontando sua varinha curva e marrom para mim.

-Estou lúcida senhora. – falei, calmamente. Acho que o que mais os irritava era a minha postura calma.

Todos os Líderes começaram a se exaltar e eu continuava ali, sentada os encarando.

-Mel! – ouvi a voz de Cristoff adentrar ao salão.

Junto a ele, estavam Jessie, Ketlyn, Zack, Pietra, Star e Lira.

Olhei-os e sorri. Minha esperança havia retornado a mim!

-O que fazem aqui?! – gritou a bruxa apontando sua varinha para meus amigos.

-Viemos resgatar Melany. – falou Zack correndo até mim e me puxando pelo braço.

-Não vão! – gritou a senhora.