The Key

16 Capítulo 16


-Que lugar é este? – disse encantada com todo o equipamento.

Havia de tudo ali. Tudo que uma academia precisava, eles tinham ali e também um tatame. Talvez para as lutas corporais...

-É o lugar onde treinamos. – riu Ketlyn indo para uma porta com uma bonequinha de placa. – Venha! – falou ela abrindo a porta.

Corri pelo lugar imenso até estar de frente com ela. Ketlyn me deu espaço suficiente para passar.

Quando entrei, vi que era um vestiário. Havia uma cabine para cada uma de nós e outras mais.

-Ketlyn... – sussurrei, enquanto andava pelo vestiário e lia as placas com letras elegantes. – Jessie... Melany... Pietra... Monik... Stela... Lira. – era o último vestiário. – Quem são todas essas? – falei, vendo Jessie e Ketlyn no espelho enorme e cravejado de pérolas, arrumando suas roupas.

Não estavam mais com seus vestidos. Agora estavam de bota preta de couro, sem salto, uma calça justa no corpo roxa e uma blusa de manga cumprida e que tinha suas espécies coladas como um crachá.

-São as outras líderes... – falou Jessie penteando o cabelo e o prendendo em um rabo de cavalo.

Ketlyn me olhou de cima a baixo.

-Entre logo no seu vestiário! Temos que treinar. – só de ouvi-la falar naquela palavra o sangue já subia em minha cabeça e eu voltava a criar afinco para treinar mais e mais.

-Ah! Sim... – falei entrando no que tinha o meu nome.

Fechei a porta de alumínio e encarei minha roupa, que era idêntica a delas.

Coloquei a calça com dificuldade, era muito justa, mas quando já estava no meu corpo, pareceu se ajeitar em minhas curvas.

Em um segundo eu já estava saindo do vestiário e Ketlyn não se encontrava mais lá.

-Vou te ajudar a prender o cabelo. – falou Jessie, vindo para trás de mim com uma escova nas mãos.

-Não, tudo bem... – nunca gostei que penteassem meus cabelos.

-Ah! Ok! – não quis parecer rude, mas ela pareceu desapontada.

-Não é por nada não, é que eu não gosto mesmo, sabe? – falei, tentando não fazê-la se sentir mal.

-Tudo bem. – sorriu ela. – Se apronte logo! Estamos te esperando no tatame. – disse ela por fim, ao sair.

-Ok! – falei para mim mesma.

Penteei meus cabelos em uma trança embutida e saí do vestiário, soltando um longo suspiro.

Os vi sentados no tatame, conversando e rindo.

-Oi. – falei ao me sentar, ao lado de Jessie e Cristoff.

Zack e Cristoff já estavam vestidos apropriadamente com suas roupas parecidas com as nossas, só que masculinas, é claro!

-Vamos começar. – falou Jessie se levantando com um grande sorriso e muito feliz e contente.

-Com o que? – disse perdida e me levantando também.

-Com o treinamento. Dã! – riu Jessie.

-Vamos fazer assim... – disse Zack. – Eu e Cristoff contra Melany e Jessie contra Ketlyn, ok? – falou ele.

-Ok! – falaram em coro, menos eu que não fiquei muito feliz com aquilo.

Zack era o mais poderoso dos vampiros e Cristoff também era bem forte. Por que eu teria que treinar com dois e não só com um?!

-Ketlyn e Jessie, vão para aquele tatame. – apontou ele com a cabeça, indicando outro que ficava nos fundos do lugar.

-Ok! – disseram elas, andando até lá e conversando, rindo e brincando, como se nada fosse acontecer a seguir.

-Está pálida Melany... – falou Zack para mim.

-Ela terá uma visão! Jessie, Ketlyn venham cá! – gritou ele para elas e se aproximou de mim.

Eu estava engolindo em seco e esperava que a aquela visão fosse rápida, eu queria treinar!

Eu estava com frio, tremendo minhas mãos e pernas e maxilar, minha respiração estava rápida e eu sentia que iria desmaiar a qualquer momento. Estava tendo dificuldades até mesmo para engolir a saliva, meu estômago estava se formando em um nó e minha cabeça não me deixava pregar os olhos de tanta dor.

-Está... – gaguejei entre os dentes, agarrando o tatame com força e rasgando seu estofado. – Doendo! – gritei com uma dor insuportável. Parecia que batiam em minha cabeça.

Quando escutei a porta de alumínio do local se abrir, pude sentir muita movimentação e pessoas ao meu redor, mas não conseguia vê-las de forma alguma. Tudo era embaçado, até que tudo escureceu.

Respirei fundo, como se estivesse submergido de um oceano profundo. Não havia ninguém a minha volta.

Não estava mais na parte sul de Alídea, eu podia ouvir a voz de Charlie e a de Matthew, conversando, mas eu não os via. Tudo estava nebuloso, era um lugar estranho, diferente e que eu nunca tinha visto nem ouvido falar.

Tudo era negro e com névoa, árvores sem folhas, mortas, com um cheiro fétido.

-Faça com que ela acredite em você! – ouvi a voz repugnante daquele monstro.

Eu parecia vagar sem direção pelo local, mas por mais que eu me esforçasse, eu não os via.

-Sim senhor. – ouvi Matthew e tudo ficou negro novamente.

Abri os olhos rapidamente e me inclinei para o lado. Sentia que eu iria vomitar.

-Ainda bem que acordou! – ouvi a voz de Jessie, mas meus olhos estavam fechados, enquanto eu vomitava.

Ouvi vários grunhidos de nojo, mas não pude evitar.

Abri os olhos e vi que estava vomitando sangue, puro sangue rubro, denso e realmente nojento.

Sentia o gosto de metal em minha boca e aquilo me dava mais ânsia.

Olhei para cima e vi meus companheiros de treinamento e mais outros rostos desconhecidos que deveriam ser os outros lideres.

-O que você viu? – olhei para Cristoff que parecia muito preocupado, ao lado de Zack que me olhava com carinho, como se quisesse cuidar de mim, sei lá...

-Charlie... – falei, me levantando com a ajuda de Ketlyn e de outra menina de cabelos loiros e curtos. – Estava falando para Matthew fazer com que alguém... – engoli em seco. – Uma mulher, acredite nele. – arfando fui até um banco de metal e me sentei, respirando várias vezes profundamente.

-Pelo menos, sabemos que Matthew irá aparecer querendo ajudar alguém, ou algo do gênero. – disse Ketlyn me dando água.

Olhei para os rostos desconhecidos e me senti desconfortável, vendo tanta gente vendo meu estado deplorável.

-Vão treinar! – ordenou Zack, fazendo movimentos com as mãos.

Pude escutar cochichos de preocupação e alguns sobre outros assuntos.

Todos foram para longe de mim.

-Obrigada. – falei, ainda me sentindo meio tonta.

-Não há de quê. – riu Zack. – Venha... Vou te por na cama. – falou ele, se aproximando de mim e me carregando em seu colo.

Se eu estivesse bem e lúcida, jamais deixaria que ele me tocasse, mas como estava horrivelmente mal, deixei passar.

-Eu posso fazer isso... – ouvi a voz de Cristoff, mas meus olhos já estavam quase se fechando de cansaço, então, não vi o que aconteceu depois.