The Keepers of The Universe
4 Capítulo 4 - Positivo. Negativo.
Notas iniciais
– Com licença, senhor – O Doutor chamou a atenção de um ser humano perto dali. Tinha os cabelos grisalhos e era gordinho. Ele pegou do bolso do terno, uma carteira com um papel em branco e a mostrou para o homem – Pode me dizer o que está acontecendo?
– Oh – O homem logo ajeitou a postura – Vossa Alteza, eu não sei. Estão aparecendo em todo o lugar da galáxia, talvez até do universo. Essas manchas pretas... como se o universo estivesse sendo roubado aos poucos.
Sherlock se aproximou mais da mancha. Levantou um braço para tocá-la, mas John o impediu. Ele franziu os lábios e negou com a cabeça. Sherlock revirou os olhos.
– Nem pense nisso – O Doutor o empurrou para o lado e levantou sua chave de fenda sônica, passando ela pelo buraco. Balançou a cabeça – O que você é... – Sussurrou para o buraco. – Nunca vi nada parecido com você.
Dean torceu o nariz e franziu as sobrancelhas, fazendo uma careta. Definitivamente, aquele homem era maluco. Totalmente pirado. E ele nem queria dar muita atenção ao ambiente em que estava, ou acabaria desmaiando. Aquilo tudo era loucura.
O próprio Doutor avançou para tocar o vazio. Sam protestou, mas ele não escutou, e, assim que tocou aquilo, um impulso sobrenatural o empurrou contra a parede, e ele caiu em cima de algumas caixas, quebrando uma ou outra.
– Ai. Ai... – O Doutor massageou o pescoço com a mão – Estou ok. Estou bem.
– Esse dia fica mais estranho a cada minuto – Sam comentou.
– Definitivamente nunca vi isso acontecer. Embora... não. Esqueçam. – O Doutor bateu uma mão contra a outra – Onde estávamos? Oh, sim. Vamos sair daqui e aproveitar esse planeta.
Sem esperar, o homem saiu pela porta.
– Isso está ficando repetitivo – Disse John.
O Doutor andava rápido, sem nem pensar nos outros. Dean correu para alcançá-lo, e começou a andar rápido para acompanhá-lo enquanto falava.
– Embora...?
– O que? – O Senhor do Tempo não olhou no rosto do Winchester.
– Lá dentro. Você disse que nunca tinha visto nada parecido, “embora...”. Embora o que?
– Não é nada. Uma lenda antiga, histórias pra Senhor do Tempo dormir, blá, blá, blá – Ele abanou as mãos, como se isso fosse afastar o assunto.
Dean segurou o homem pelo colarinho do terno, olhando o homem nos olhos. Não havia motivos para pânico, mas o Doutor admitiu que aquilo o surpreendesse. Ele admitira, mas, claro, não em voz alta.
– Você vai me contar essa história pra bebê dormir agora – Ele disse, franzindo a boca de vez em quando – Porque o meu dia já está estranho o bastante para um “buraco no universo”.
Os outros estavam lá, ao seu redor. Ninguém parecia se importar com o grupo que acabara de chegar. Mas esse Doutor tinha muitos segredos, mais do que Dean gostaria de pensar, mais do que qualquer um gostaria de pensar. Quem ele era, afinal?
– Okay. – Disse o Doutor, ajeitando sua gravata borboleta quando Dean o largou no chão – Tudo bem. É apenas uma lenda.
– Mas você acredita que seja real – Sherlock comentou, com as mãos no sobretudo. O Doutor ficou calado por alguns segundos.
– Talvez. De qualquer maneira, a história fala dos Keepers. As criaturas mais velhas do universo. Meu povo costumava dizer que eles eram brilhantes, inteligentes... lindos. Mais que qualquer outra raça. Os Keepers nasceram para proteger o universo de ameaças, mas a lenda conta que, há muito tempo atrás, antes mesmo da mais antiga civilização começar a evoluir sua tecnologia, um velho mago os enterrou em um sono profundo. Dizem que, quando os Keepers acordarem, uma energia tão forte será liberada, que irá ser capaz de atravessar o tempo e o espaço, roubar pedaços do universo. – O olhar do Doutor caiu no vazio dentro da casinha que haviam visitado. Ele piscou – O que, é claro, é só uma lenda pra Senhor do Tempo dormir. Vamos voltar para a Tardis, hora de vocês irem para casa.
– E quanto a “conhecer o planeta”? – Sam perguntou.
– Fica para a próxima.
– Então vai ter uma próxima. – John fingiu uma careta.
– Sempre há uma próxima – O Doutor sorriu.
O Senhor do Tempo estalou os dedos, e as portas da Tardis se abriram. Sherlock arregalou os olhos e deu um passo para trás, o que não impediu a peça de metal de atingir sua cabeça. Ele tombou para o chão, o nariz já sangrando. Sam e John se abaixaram para ajudá-lo.
– Ele desmaiou – John disse.
– Olá, você – Disse o Doutor para a garota que haviam deixado na Tardis antes de saírem mundo afora.
– Quem diabos é você? – Ela perguntou. O Doutor apenas levantou as sobrancelhas, ainda sorrindo.
– Não. Quem é você?
***
A garota deu a volta no Doutor, que sorria como se tivesse encontrado uma mina de ouro. A menina ainda segurava a peça de metal nas duas mãos. Ela ficou de frente para a Tardis e para o Doutor, dando as costas para o resto do grupo, com Sherlock ainda no chão e John ajoelhado perto do amigo, encarado a menina.
O Doutor levantou a chave de fenda sônica e a apontou para a menina, a garota olhou para o Senhor do Tempo como se ele fosse louco. O que, com certeza, ele era. O Doutor finalmente parou de balançar aquela chave de fenda para lá e para cá, olhando o resultado. Seu sorriso se desfez imediatamente.
Humano: Positivo. Humano: Negativo. Humano: Positivo.
– Positivo, negativo, positivo, negativo – Ele franziu as sobrancelhas. – O que você é?
– Eu... não sei – Ela estremeceu, e depois voltou a erguer a peça. – Quem é você? E que merda é essa? – Ela olhou para a Tardis.
– Como assim... minha chave de fenda sônica nunca falhou assim – Ele pôs a mão no queixo e examinou a chave de fenda.
– Oi? – Ela fez uma careta.
– O que há com você? – Ele falou, meio que fazendo beicinho.
A garota respirou fundo e revirou os olhos. Largou a peça ali mesmo, olhando para os outros do grupo e dizendo um “sério?” sem emitir som. Dean deu de ombros. A menina avançou em direção ao Doutor, o empurrando para dentro da Tardis. Ela o imprensou contra os controles, ficando muito próxima dele.
O Doutor apoiou os braços nos controles, afastando o rosto. A garota continuava o olhando estranho.
– Ok. – Ele disse – Vamos com calma.
– Quem é você?
– Você se afasta e eu respondo, pode ser? – Ele a olhava como se ela pudesse o atacar a qualquer momento.
– Ele é um virgem – Dean fez careta. Sam quase caiu na gargalhada ali mesmo, se não fosse pela situação estranha em que estavam, mas não conseguiu impedir um sorriso divertido. O Doutor o olhou com uma cara que o fez tentar parar o riso.
A menina se virou de costas para o Doutor, ainda muito próxima dele, o que o impedia de sair dali feito uma garotinha com medo.
– E que merda é essa? – Ela olhou ao redor, finalmente se afastando do Senhor do tempo, que respirou fundo e revirou os olhos. – Uma nave espacial?
O Doutor ficou surpreso. Como ela sabia que era uma nave?
– Como você sabe? – Perguntou.
– Apenas... – Ela franziu as sobrancelhas – Supus.
– Eu prefiro quando eles dizem que é maior por dentro do que por fora – Ele disse, franzindo as sobrancelhas também. Ele piscou e voltou ao normal – Enfim, vamos levá-los para casa. Então, de onde você é?
– Eu não me lembro. – Ela admitiu.
– Sabe de quando você é? – Ele perguntou, ficando cada vez mais incomodado.
– Eu não sei! – Ela gritou.
– Qual o seu nome? – Ele perguntou, quase gritando na cara da menina. – Diga o seu nome!
– Doutor! – Sam se pôs entre os dois. – Chega, vocês dois.
Dean observou Sam tomar o controle, colocando o Doutor longe da menina. Esta estava sentada, perto do corrimão. John havia trago Sherlock para dentro na Tardis, e o Doutor se ocupou em mexer na nave.
– Você consegue se lembrar de alguma coisa? – Sam perguntou, se sentando perto da menina. Seus olhos eram azuis, quase cinzas, e os cabelos pretos os destacavam. Ela negou com a cabeça. Parecia ter vinte anos. – Do que eu posso te chamar? – Ele tentou novamente.
– Boa pergunta – Ela comentou, triste. O Doutor lançava olhares para os dois de vez em quando, provavelmente tentando descobrir quem ela era. Sherlock estava finalmente acordando. – Me chame de... Millah.
– Millah? – Sam sorriu, levantando as sobrancelhas.
– Yup – Ela riu – É um nome engraçado. Eu gostei. Me chame assim agora.
– Muito bem então, Millah. Você sabe de onde veio? Tipo, que país, cidade...?
– Eu já disse que não me lembro. – Seu sorriso se desfez – Não lembro de nada. Mas, enfim, se eu não sei de onde eu vim, onde vocês vão em largar? Em outro planeta?
– Que? – Sam negou com a cabeça – Não, não. Nós vamos... hum... vamos... o que nós vamos fazer? Espere aí.
Sam se levantou e foi até o Doutor. Disse algumas palavras e o Doutor olhou para ele como se estivesse dizendo que acabara de ver um dinossauro em um strip club.
– O que?! – Ele tirou as mãos dos controles. Millah já sabia do que se tratava. – Eu não sou uma babá!
– Eu sei, eu sei! – Sam levantou os braços na defensiva – Mas nenhum de nós pode ficar com ela, e você está sozinho...
– É, mas... – O Doutor percebeu que não tinha argumentos.
– Não pode simplesmente largá-la no... – O Doutor sem querer apertou um botão, e a Tardis decolou. Sam caiu de cara no chão.
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