The Judge- Interativa
2 01- Is Ready for Trial?
Notas iniciais
Está pronto para seu julgamento...
... ou deixará a culpa em cima dos outros?
Akio Mitsuro
Coçou os olhos enquanto bebericava o café quente que sua mãe havia feito. Seis meses desde que seu irmão morrera, seis meses desde que ele havia feito a coisa mais grotesca que ele podia fazer. Ele sentenciou seu irmão a morte, empurrou-o penhasco a baixo para a morte certa. Ele era um ser humano desprezível, o pecado contaminava seu sangue e ele sentia uma culpa tremenda em suas costas. No entanto ele saíra impune. “Foi tudo um acidente” disse a si mesmo e a todos que perguntavam “Ele escorregou nos rochedos e caiu, eu estava descansando quando aconteceu”.
Mas o que ele previra aconteceu, com a morte de seu irmão, a família parou de pressioná-lo, não havia mais nenhum Noriko para que ele se espelhasse, havia apenas ele e somente nele. E isso o inundava de felicidade, por mais que ele se culpasse por isso, ele era um assassino, ele sabia disso, mas apenas ele, ninguém mais, ninguém.
– Então filho, está se sentindo melhor? – sua mãe perguntou lhe afagando os cabelos castanhos- vai fazer quinze anos amanhã, o que quer de presente?
– Nada não mãe, quero apenas ficar em casa e descansar, foram semanas muito estressantes pra todos nós.
– Tem razão filho- seu pai sibilou- a morte do Noriko foi um abalo enorme, mas ele está num lugar melhor eu espero, vamos Akio, não quer fazer nada no seu aniversário?
– Não, não mesmo- ele falou em meio a um bocejo, bebeu o resto de café que ainda jazia na xícara e levantou-se do sofá- vou dormir um pouco, estou muito cansado.
Despediu-se dos pais, um barulho de trovão se fez soar quando a chuva começou a tamborilar lá fora, Akio subiu as escadas lentamente, o sono pesando-lhe nos olhos, tudo o que ele queria era dormir e tirar Noriko da cabeça, tirar aquele dia maldito de seus pensamentos e voltar a viver como era antes, só que agora a vida que ele sempre sonhara. Ao chegar em seu quarto, vestiu as roupas de dormir colocadas em cima da cama e rastejou para debaixo das cobertas, pronto para ter um sono reparador, um sono que o fizesse esquecer de tudo o que tinha feito.
Fechou os olhos sentindo o aconchego e o calor da cama o abraçarem, adormeceu logo em seguida, o silêncio reinava em seu quarto, no entanto Akio havia esquecido a janela aberta, as gotas de água entravam furtivas e molhavam o carpete azulado no chão, mas uma figura humana rastejava para dentro do quarto de Akio, olhando o adolescente dormir, a figura levava consigo um saco e uma seringa com drogas soníferas, ele ia pagar pelos pecados que cometeu.
Com cuidado injetou o sonífero em Akio, tomando cuidado para não o acordar, ele iria dormir por horas, tempo o suficiente. A figura trancou a porta do quarto e abriu o guarda-roupa do garoto, não poderia leva-lo com roupas de dormir, selecionou uma camisa branca, uma calça jeans e uma jaqueta de couro, trocou o garoto enquanto este dormir, calçou-lhe os sapatos e com uma força inumana jogou-o dentro do saco e arrastou-se mais uma vez para fora da janela. Faltavam nove pessoas para ele pegar.
° ° ° °
E o coelho cometeu o pecado da inveja....
Akio abriu os olhos lentamente, sentia-se zonzo e nauseado, uma dor atingia o seu corpo como se alguém o tivesse golpeado duramente com um taco de beisebol. Ele estava deitado contra um piso duro e úmido, mas ele lembrava-se claramente de ter ido dormir em sua cama? Como fora parar ali. Ele tentou levantar-se, mas escorregou e caiu no chão de novo. Suas mãos estavam algemadas, de tal forma que chegavam a dor. Ele mexeu-se bruscamente, no entanto, não conseguiu soltar-se de maneira alguma, arrastou-se até a parede e com dificuldade conseguiu ficar em pé, algo atrapalhava sua visibilidade, mas ele podia ver claramente onde estava.
Estava em um banheiro, tanto o piso quanto as paredes eram de um azulejo branco e um tanto desgastado, um mictório quebrado estava preso a parede e um cheiro de água sanitária emanava no ar. Ele olhou em volta zonzo até ver uma pia colocada no canto, em cima da pia um espelho.
Ele andou cambaleante até ela, sua cabeça doía, como se alguém a martelasse a todo instante. Sentia um certo peso nela, mas devido a tontura não sabia dizer ao certo o que era, andou sôfrego até a pia, a imagem se duplicava diante dele e ele não podia crer no que via. No espelho estava escrito em um vermelho escuro que lembrava sangue: NÃO TIRE A MÁSCARA.
– Mas que másc....
Foi quando percebeu, ele estava usando uma máscara de coelho, uma máscara enorme que lembrava a um capacete. Uma máscara felpuda no mesmo formato de uma cabeça de coelho, possuía os pelos marrons e um dos olhos estava furado, fora que diversas partes da máscara estavam costuradas ou remendadas. Ele olhou em volta desesperado, quem havia feito aquilo com ele? Como o levaram até ali? Era praticamente impossível terem tirado ele de casa.
Foi quando ele notou, uma porta azul, uma porta que poderia leva-lo a saída. Ele correu até ela tropeçando nos próprios pés, mas como ele abriria com as mãos atadas? Como ele iria sair dali? Seria aquele o seu último julgamento?
Com as lágrimas nos olhos, encostou-se na porta e escorregou até sentar-se no chão, aquela era sua condenação, a expiação pelos seus pecados, ele iria pagar por tudo o que cometeu naquele momento. Foi quando seus dedos roçaram em algo metálico, com esforço ele conseguiu segurar o objeto, era uma chave. Ele torceu o braço até encontrar a fechadura, conseguiu inserir a chave inteira rezando para que ela abrisse as algemas, girou para a esquerda, nada. Girou para a direita com força e num clic as algemas se soltaram e caíram no chão com estardalhaço, ele examinou os pulsos, estavam com marcas roxas, aquelas algemas eram mesmo apertadas.
Ele girou a maçaneta da porta e a empurrou, a porta abriu-se com um rangido e Akio teve um grande susto ao ver onde ele se encontrava:
– Mas que porra é essa? — gritou com todas as suas forças, sem saber que ninguém de fora o escutaria.
Fale com o autor