Notas iniciais
Este é o sétimo e penúltimo episódio do terceiro arco de The Journey: Into The Darskide. Aqui, a super-equipe secreta da agência de segurança global, Twelve, já se estabeleceu extraoficialmente como importantes agentes para desmantelar a fria e utilitária rede de tráfico de mutantes que opera em diferentes eixos em todo mundo. Sua coragem e benevolência, coordenada pelos esforços de Diana Fudiangan, encontra aqui o seu grande primeiro obstáculo. Um senhor das sombras, aliado ao crime organizado internacional como um todo, conhecido como Mistério, arquiteta sua vingança a projetando para a figura mais pública do grupo: Arthur Luczien. Agora alvejado, com sua imagem pública abalada, e ciente das intenções e defeitos vindos de seus próprios benfeitores, os Twelve, encarnados na figura autoritária e diretor principal da instituição, Connor Frances Giuseppe, tanto Arthur quanto seus amigos são obrigados a encarar a verdade mais sombria sobre suas posições no mundo.

O céu estrelado daquela noite estava simplesmente majestoso, de uma forma que era quase impossível não se hipnotizar por ele e logo fitar os olhos no avião que acabará de alçar voo do aeroporto Tullamarine, passando pela pequena brecha de luz que a Lua, em seus últimos momentos de sua fase minguante, irradiava à paisagem de Melbourne, na Austrália. O lugar era afastado dos grandes arranha-céus daquela metrópole e, na verdade, era quase que um parque industrial posto próximo da zona rural a leste, na mesma rodovia que se conecta a Camberra, a grande capital do país. Vários jipes estavam estacionados de frente para um grande galpão, e em meio aos silêncio que se fazia, cartuchos de balas eram esvaziados vindos de revólveres de homens que defendiam algo ali dentro. Quando os tiros param, um dos rapazes autoriza os outros a ir investigar a morte do inimigo entre pilares daquele enorme armazém. Quando chegam às sombras, são rapidamente desacordados em golpes rápidos e planejados, e um corpo caído revela que a batalha não foi vencida.

Eles então voltam a atirar, até o som de uma janela ser aberta e eles, escutando, saírem e decidirem se espalhar para verificar se houve uma fuga. O responsável por aquela equipe, conhecido unicamente por Joe, percebe o fluxo de vento entrando ali para além do normal e ordena aos seus homens evacuaram. Tarde demais. Um vendaval se inicia ao ponto de contêineres se moverem, e enquanto muitos dos criminosos são arremessados contra as paredes se veem presos por conta deles, sem poderem revidar. Quando as armas caem ao chão, Arthur Luczien se revela das sombras em um visual agora profundamente icônico: seus longos cabelos cumpridos contrastavam às cicatrizes de seu rosto, em uma expressão mais fria e raivosa. O medo era garantido e, após breve combate, Arthur derruba o último homem garantindo fracasso ao desejo de Joe de proteger ali. Calmamente, ele se dirige aos contêineres e caixotes próximos, e com um pé de cabra abre um deles, revelando fuzis do exército norte-americano. Decepção era o quê podia dizer de seu olhar. Ele vai até o escritório dali, liga o computador e usa o seu próprio computador portátil para se conectar a ele e roubar dados, e numa varredura, não encontra nada do quê procurava. Neste instante ele liga para Diana Fudiangan no telefone que ela deu a ele, e revela a verdade: aquela instalação não continha nenhuma informação útil sobre o Mistério.

De sua casa em Chicago, nos Estados Unidos, a cena revela algo que Arthur nunca poderia ver. Diana estava em sua cama usando uma camiseta preta velha do Guns and Roses, cabelos loiros bagunçados, claramente como quem estava dormindo. Ela tentava fingir que não era esse o caso, e comenta que pistas quentes diziam que aquele era um ponto de importantes deslocamentos de cargas na Austrália relacionado ao crime organizado internacional, logo, a Aliança. Rede criminosa que se sabia ser a empregadora dos serviços de Mistério. Arthur reconhece que havia muitas coisa interessante ali, menos ele. Diana pede os dados obtidos, e ele concorda em ceder. Porém, estava impaciente por ser a terceira missão que não resultava em nada que fez. Diana o lembra de que estavam atrás do homem mais procurado do mundo, e que em mais de 60 anos de carreira, nunca descobriram sequer seu nome. Era uma tarefa difícil, mas iriam conseguir juntos. Arthur agradece, e pergunta se Alecsandra ainda sentia falta dele. “Todos estão preocupados, Arthur. Só nos faça o favor e fica bem, tá”, responde a amiga. Um silêncio se instala e Arthur desliga o telefone. Detrás de suas cortinas que dão para uma das avenidas mais movimentadas da cidade, Diana demonstra uma frustração calada.

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Agora com a cena já mudando para o dia na ilha de Manhattan, Nova York, é possível ver uma das ruas mais tradicionais da região sul daquela cidade, que popularmente nomeada como Lower Manhattan: a icônica Mulberry Street. Várias pessoas conversavam ao longo dos comércios sobre os mais diversos assuntos, em um coro de vozes que se misturavam ao ponto de não se identificar tema de nenhuma conversa. Cafeterias, restaurantes, lojas de roupas entre muitos prédios. Aquela era a Little Italy, bairro onde o mutante e membro da super-equipe, Ronald Coparsini, mora. Ele, usando uma jaqueta de couro preta, um olhar desconfiado e mais fechado, com uma postura mais segura, caminhava tranquilamente por ali sendo reconhecido por algumas pessoas com respeito e até admiração, embora alguns olhares denunciavam também temor.

Ronald entra em um dos restaurantes da rua, Naples’s Delights, um ambiente aconchegante pintado em verde quase marinho preenchido por uma boa quantidade de clientes, mesas e cadeiras de madeira, e um cheiro que já mostrava claramente a especialidade da casa: comida italiana, especialmente massas. O rapaz vai até o balcão, sem nenhuma fila, e vê uma funcionária organizando os pedidos claramente aturdida. “Meu pedido já está pronto ou vou ter que voltar amanhã?”, ele questiona. “Você pode voltar mês que vêm, e ainda vou estar de mãos vazias para você”, ela responde. Os dois se encaram por alguns segundos, gerando um clima, especialmente pelos olhares intensos que os dois possuíam. “Você não mudou nada, Kristen”, ele diz. Algo que faz os dois esbanjarem risos como pessoas que já se conheciam há tempos, como de fato eram. Ronald pergunta se ela podia conversar com ele, e ela pede para um colega a cobrir no caixa, concordando.

Aquela era Kristen Bianchi, 29 anos. Não só uma velha conhecida da história de Ronald, mas também sua ex-namorada e atual melhor amiga. Ela comenta que fazia muito tempo que não o via, e ele esclarece que isso acontecia porque estava trabalhando muito. Um olhar levemente apreensivo muda a expressão de Kristen, perguntando se ele estava falando dos Twelve. O quê, na verdade, por si é impressionante porque os Twelve são uma agência de segurança global secreta. Ela saber da existência deles evidencia o tamanho da confidencialidade deles. Ronald explica que sim, e que os tempos naquela instituição andavam profundamente confusos e complicados de se definir. Ela pergunta se ele ainda se sentia realizado trabalhando lá, e ele revela que sim, embora cada vez mais se sentia como se não fizesse parte dali.

Kristen pergunta se era o Arthur, o referindo imediatamente como “o cara que ele deu uma surra no dia que se conheceram”. Ronald diz que sentia pena dele, e ela pergunta sobre ele porque desde o incidente de Boston, ele sumiu da mídia. Se tornou quase uma lenda, uns achando que era por medo ou culpa por tudo o quê aconteceu. Ronald afirma que, para alguém que sempre buscou atenção, ele a encontrou vinda de todos os criminosos do mundo. Eles mataram sua namorada e marcaram seu rosto com uma sinistra cicatriz. Kristen diz que também sente pena dele, e que os dois sabiam como era ruim lidar com pessoas perigosas todos os dias. Ronald diz que é preciso ter tato, e confessa que não teria coragem de ser tão “testa de ferro” como Arthur foi.

Kristen, então, questiona como Ronald ainda se sentia deslocado agora que o Arthur “rodou”. Ele então diz que seus colegas ainda estavam muito apegados a figura dele, que estava cada vez mais perdido e autodestrutivo conforme já vivenciando mais e mais perdas. “Eles são amigos, amigos são para essas coisas”, ela diz. Acreditando que o problema era que ele não compartilhava da mesma amizade que os outros para com Arthur. “Eu fui criado diferente”, ele diz. Afirmando que, apesar de realmente estar seguindo um caminho errado, os seus “parceiros” permitiam que ele quebrasse a cara para aprender caso se desviasse, e não ficava como “mães” tendo o guiar para o certo. Fazendo uma indireta a própria Alecsandra Petrovich, sua colega.

“Você foi criado da forma mais zuada possível”, ela retruca. Ronald se ofende, mas ela diz que lembra de todas as dificuldades que ele passou e que, no fundo, essa realidade que ele descreve acontecia porque ele sempre estava sozinho. Ou melhor, estava frente aos seus amigos, mas sempre foram mais entre ele e ela. Talvez Ronald não entendesse como era uma amizade de verdade porque nunca teve. Coparsini se sente ainda mais ofendido, e defende seus amigos como pessoas que já lhe fizeram muitas coisas. Kristen o lembra que sempre foi mais ele por eles, e não eles por ele. Sendo que eles terminaram quando ela percebeu que ele não conseguiria ver isso, mas mesmo assim, não queria deixar que ele se perdesse no mundo.

Kristen pede para ele ser mais compreensivo com Arthur, mesmo que sejam de realidades distantes. Ronald reclama que não concordava completamente com isso, algo que ela apenas diz: “vontade de bater essa sua cabeça dura com um carro pra ver se abre um pouco”. Mais um silêncio se forma, e ela então pergunta... “E a loirinha?”. Neste momento, Ronald fica desconcertado e, um pouco mais tímido, admite que não consegue criar proximidade com ela. “Puta que pariu, Ronald. Quando era comigo você ia no meu trabalho, praticamente pagava a faculdade dos filhos do meu patrão para ter desculpa para me ver e conversar comigo, e agora não consegue com ela”, Kristen responde. Ele, então, revela que tenta, mas ela sempre era muito difícil e realmente parecia que não estava interessada nele. Aliás, não estava em ninguém. Momento que se descobre que ele falava da Diana.

Kristen não acreditava que Ronald conseguia não ser obstinado com alguém, e que muito provavelmente ela já percebeu que ele era afim dela. “Acabamos sendo apenas amigos”, diz ele. Ela então ri e diz que vai casar primeiro que ele. Ronald lhe pergunta se era verdade, e ela fala que no momento não, mas logo seu namorado lhes fariam noivos. Tinha certeza. O chefe de Kristen a chama para voltar a trabalhar. “Acabou minha folga”, ela diz. Perguntando se ele queria comer algo, e ele apenas dizendo que não e saindo. “Otário”, diz Kristen nas costas de Ronald, para o provocar. Saindo do Naple’s Delights, um rapaz estava fumando na porta e pergunta pelo Ronald. Seu nome era Luka e ele queria conversar.

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Naquela mesma manhã, mesmo horário, o céu também estava limpo e ensolarado no município de Toronto, Ontário. Agora no distrito mais específico de Scarborough em um centro de distribuição próximo ao lago Ontário, a leste da cidade, funcionava o depósito de uma organização não-governamental (ONG) conhecida como Ontario’s Samaritans. Rodney Accotach, ainda trabalhando como voluntário agora para essa instituição de caridade, já estava há horas ajudando mais dois homens a carregar vários caminhões com caixas contendo produtos de limpeza e alimentos necessários para famílias. Cestas básicas, resumidamente. Não utilizando das vantagens de seus próprios poderes, Rodney estava dando duro para cumprir seu serviço e, de fato, já estava até suado. Roger Lancer, o supervisor daquele local, comenta com ele que não havia conhecido ainda uma pessoa tão comprometida e que ele, sozinho, tinha feito mais da metade do trabalho.

Rodney diz que está acostumado a fazer trabalhos mais braçais, e não se incomodava de ajudar dessa forma se assim fosse útil. Roger, então, comenta que ouviu que ele era segurança e estava impressionado em como ele era um “pau pra toda obra”. Algo que, na verdade, era bastante útil ali. Mas, ciente de como não era tão comum assim terem voluntários tão dedicados assim, ele estava intrigado em saber sobre as motivações de Rodney. O quê lhe fazia querer estar ali. Ele admite que sabe como é estar numa posição em que se precisa de ajuda, e que nos últimos meses estava numa jornada pessoal justamente para aprender sobre a importância do calor humano nessas horas. Ele precisava de algo “para retomar sua humanidade”, uma escolha de palavras que Roger achou profunda e enigmática.

K.J. Hoppings, outro dos voluntários que ajudava Rodney com os carregamentos, brinca que por detrás de um perfil mais tímido, Accotach era na verdade um poeta. Rodney suspira e desejava que assim fosse. Roger, então, diz que era melhor ser porque a tarde iria precisar de um novo rosto bem carismático para fazer essas entregas às famílias carentes da cidade. Rodney então ri, e diz que carisma não era bem seu forte, sugerindo Hoppings. Neste momento, uma mulher caminha em direção ao trio buscando falar com Rogers. Uma moça jovem, cerca de 29 anos, de cabelos loiros naturais claros como a areia que permeação o entorno, e um olhar que escondia uma alma carinhosa, apesar de toda uma atmosfera de poder e determinação que ela tentava imprimir. Aquela era Camille Blanc, filha de Antoine Blanc, o diretor responsável por aquela ONG.

Camille comenta com Roger sobre um fornecedor que não iria conseguir comparecer naquele lugar, por conta de problemas com o caminhão que dirigia, e pergunta se ele não conseguia indicar nenhum guincho para o tirar da pista, trazer para o estacionamento e permitir que a entrega seja concluída. Roger adverte que conhecia, e se retira para providenciar a ligação. Neste momento, Camille conhece Rodney e se apresenta como quem é, mas também como muito amiga de Júlia Bollagnare, quem lhe sugeriu contribuir com a ONG já que estavam com uma equipe de funcionários insuficiente. Ela diz que estava impressionada, porque Júlia fez ótimas recomendações dele, ainda citando a vez que ele impediu um assalto só com força de vontade.

Rodney parecia sem jeito para se expressar, especialmente por via Camille como uma mulher muito bonita, e ela percebeu isso. Ainda assim, ele diz que apenas estava procurando contribuir o seu tempo com o melhor que poderia fazer às pessoas ao seu redor. Camille admira os valores de Rodney, mas pede licença porque precisava se retirar para resolver outras pendências. Ela diz que esperava poder contar com a ajuda ainda de Rodney, mais vezes, algo que ele confirma. Quando ela saí, Hoppings exibe um honesto sorriso e, confuso, Rodney pergunta o porquê. Ele apenas diz: “ela é solteira”. O rapaz então percebe que Camille estava olhando, discretamente, para ele enquanto entrava em seu escritório.

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De volta a Nova York, Ronald entra em sua casa, um simples apartamento um tanto quanto desajeitado, com várias coisas esparramadas por todos os lugares, e detrás dele estava Luka. Um homem intimidador de 1,90m, afrodescendente, com algumas tatuagens no braço direito e fumante de modo quase exagerado. Ronald pergunta a ele como estavam as coisas no Harlem, bairro onde ele mora não muito distante de Little Italy. Luka diz que as coisas iam mal, e agora que não estavam mais nas ruas poderia ter liberdade para falar que era exatamente este o motivo que ele estava ali. Ronald, então, pergunta o quê andava acontecendo com sua velha gangue, Streets Lords, que poderia estar afetando os negócios. Luka diz que a maior parte das coisas iam bem, e agradece a cooperação que ele estava tendo mesmo desligado.

Neste momento, uma revelação inédita é feita: embora agora um membro da super-equipe dos Twelve, Ronald usava seu acesso aos bancos de dados da agência para proteger sua velha gangue de serem desmantelados pelo departamento de polícia de Nova York simplesmente invadindo seu sistema e apagando informações comprometedoras. Luka, porém, também revela que havia um preço. Ronald exigia que a violência usada pelo crime organizado novaiorquino diminuísse, tornando o assassinato a última opção, e delegando os roubos apenas para as classes mais altas. Algo que os Streets Lords faziam, não só como um código moral, mas estabeleciam em suas relações com outras gangues. O problema é que uma nova gangue insurgente no Harlem estava pretendendo mudar esse poderio, e Ronald via aquilo como algo realmente problemático. Os Black Snakes estavam a um pé de declarar guerra aos Streets Lords e tornar aquelas ruas palco de um banho de sangue. Luka pedia ajuda para derrubar SnKe, o líder, ainda aquela noite antes que isso acontecesse.

Ronald fica pensativo por um momento, mas acaba concordando.

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Agora, fim-de-tarde, mas ainda em Nova York. Em um lugar mais próximo do Central Park, porém, já no Midtown. Era a agência dos Twelve, onde Diana caminhava entre vários agentes com uma pasta na mão e uma expressão de quem estava profundamente cansada, mas ignorava isso e seguia seu rumo assim mesmo. Chegando ao escritório de Connor Frances Giuseppe, seu superior, o diretor geral de todos os Twelve, ele lhe aguardava para ouvir seu relatório. Ela lhe entrega todas as informações que colheu na recente missão de Calí, na Colômbia, apresentando para ele um novo composto chamado de “veneno de tarántula”, que associados de Bruno Castillo Alvarás estavam produzindo em Singapura.

Connor se mostra surpreso, especialmente porque essa nova versão poderia ser perigosa em batalhas contra a Aliança em todo o mundo. Ele pergunta se ela tinha o interesse de investigar, e ela afirma que sim. Connor então a autoriza, e pergunta se havia mais alguma coisa. Um pequeno silêncio se instala, de modo que o próprio faz uma brincadeira perguntando se ela não estava com o interesse de lhe falar sobre Arthur de novo. Ela admite que sim, e ele afirma que estava quase proibindo-a de falar sobre isso nas reuniões por ter se tornado um assunto incômodo e alega que seu tempo merece ser gasto com coisas mais importantes.

Diana diz que precisava que ele reavaliasse a expulsão dele dos Twelve, algo que Connor garante que não iria fazer e a lembra de que ele mesmo cedeu assistência médica a ele em Los Angeles, e ele simplesmente fugiu do hospital. Ela afirma que ele está perdido e perturbado por conta do choque de todos os eventos recentes, e como amiga sentia que precisava servir como um guia para evitar que ele se perdesse. Infelizmente, porém, era muito difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo e implorava para ter a chance de poder o guiar de volta ao grupo. “Talvez você devesse repensar suas amizades”, diz Connor.

Talvez, como um rompante emocional de todos os dias, Diana pergunta a Connor qual a razão que ele tinha para ser tão frio. Ele insistia que era parte do seu trabalho, mas ela diz que não era assim, e que já trabalhou com uma boa quantidade de organizações criminosas que se preocupavam bem mais com seus associados do que ele. Ela admite que tenta segurar a onda dela, de seus amigos, mas estão todos cansados desse comportamento utilitarista e negligente de Connor. Ela mesma admite que tem rancores sobre ele, que em seu relatório sobre ela, seus especialistas recomendaram o uso de novichoks russos e que achava isso profundamente desumano, especialmente por estarem numa agência que defende, em valores, os direitos humanos.

Connor admite que não entendia porque permitia gastar uma parte do seu dia recebendo tamanhas críticas. “Você sabe tão bem quanto eu que eu não sou qualquer uma que pode se permitir ouvir palavras tão duras e ficar quieta com medo da sua autoridade. Sou a mulher mais perigosa do mundo, se eu quisesse ser um risco, seria bem diferente de como Arthur está sendo”, diz ela. Connor pergunta se era uma ameaça, mas ela diz que é um desabafo. Que não entendia porque os tratava tão mal sendo que sempre fizeram tanto pelos Twelve. Cansado de se sentir mal visto por tamanho olhar negativo pela Diana, Connor reconhece que Arthur poderia sim precisar de apoio institucional. Diana pergunta qual a razão de todo o rancor de Connor, e ele pergunta para ela algo mais pessoal.

“Há dois anos, Veneza. O quê te levou a trair seus empregadores e se associar conosco?”. Suspirando, Diana afirmou que cresceu entre os mais perigosos assassinos do mundo e seus poderes a tornava alguém imbatível, tendo tudo para se tornar uma das mais temidas senhoras do crime do mundo. Dinheiro, contatos, prazeres de todos os tipos, tudo estava a seu alcance... Mas, ela não tinha satisfação de estar vivendo uma vida que realmente fizesse a diferença no mundo, e tudo isso não lhe trazia isso. Ela queria mais. Quando conheceu Arthur, Alecsandra, Karslie Imota e Jhonatan Felps... Ela viu uma oportunidade de realmente seguir o caminho certo, e talvez fosse a única que ela fosse encontrar. Por isso, abriu mão de tudo e se associou aos Twelve. Por isso, ela estava ali.

“1985”, Connor disse. Diana fica completamente sem entender, mas ele logo explica. Tudo aconteceu em 1985 em uma base secreta próxima às instalações da Força Aérea Norte-americana, em Colorado Springs, no Colorado. Ele era recém associado a instituição e estava em suas primeiras missões de campo ao lado do seu parceiro, um rapaz idealista de temperamento forte conhecido como Vicent Solovre. Ambos fariam 21 anos em poucos dias, quando foram enviados para investigar o disparo involuntário de mísseis nucleares escondidos no subterrâneo em direção a Moscou e São Petesburgo, na então União Soviética. Todos estavam traumatizados desde o acordo de Kennedy em 62 que denunciavam uma guerra nuclear entre as duas potências, e se os mísseis chegassem em território soviético, ela estava confirmada.

Vincent e Connor se depararam com o responsável pelo disparo: Mistério, no começo de sua carreira, havia derrubado os militares e tomado conta da central de controle. Ele tinha uma escolha: deter a guerra eminente, ou evitar a fuga de Mistério. Connor optou por usar um dispositivo de ondas eletromagnéticas para fazer as ogivas explodirem no céu, evitando uma catástrofe. Mas, Vincent tentou impedir Mistério, e acabou empurrado para a morte de uma plataforma alta das instalações. Vincent era seu melhor amigo nos Twelve, quem lhe dava direção moral, bons conselhos, e determinação em fazer o certo. Sua morte lhe ensinou que em seu trabalho não podia se apegar a ninguém, e que a missão está acima de qualquer coisa.

Diana lhe pergunta se por isso ele era tão frio, Connor diz que era como tinha de ser. Mas, reconhece que estava sendo negligente e, talvez, se não encontrasse ajuda Arthur poderia acabar como Vicent nesta zona de guerra: enfrentando Mistério sozinho e morrendo. Ele diz que vai pensar em uma forma de adicionar Arthur novamente a equipe, contanto que ele desista de sua persona pública. Diana diz que pode o convencer a isso, e agradece sua generosidade. Connor diz para ela aproveitar, pois não era sua especialidade. Neste momento, ela lhe oferece um pendrive. Ele se pergunta o quê era isso, e ela diz: “um presente”. Então, esclarece que eram informações importantes sobre rotas de tráfico internacional que Arthur conseguiu em Melbourne, e que podem servir de uma forma dele ver o valor deles ali.

Connor sorri enquanto Diana sai.

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Agora, já de noite, a cena se vai para um gueto vazio e aparentemente solitário no Harlem, ainda em Nova York. As únicas coisas possíveis de serem vistas eram alguns carros, árvores, e todas as casas bem trancadas. Ronald caminhava por ali perguntando a Luka se era o endereço certo, e ele afirma que sim e que deveria ficar de olhos abertos. Batendo na porta de um dos edifícios, já velho e desbotado, ele é recebido por um homem de rosto deformado como quem já havia apanhado muito na vida, que rapidamente o reconhece como quem é. Ele então tranca a porta de novo, e usando seus poderes para criar uma armadura de metal sobre seu corpo ele força sua entrada destruindo a porta. Vários homens, negros, atiram ferozmente contra Ronald, simplesmente não lhe fazendo nenhum efeito.

Ele então parte para cima deles, os derrubando desacordados. Sua cruzada vai em explorar todos os cômodos daquele lugar e se ver alvejado por tiros, em vão. Alguns até chegam a fugir pulando pela janela, mas um por um, os membros da Black Snakes caem. De repente, SnKe se apresenta formalmente. Um homem grande, gordo, mas só mesmo tempo forte e com uma aura que inspira medo e temor naturalmente. Ele questiona Ronald sobre ele ter abandonado as ruas de Nova York, e qual a razão dele estar indo até seu local de trabalho e lhe passando aquele recado. Ronald diz que “é para sempre um Street Lord”, e não acreditava que SnKe rejeitou os acordos de sua gangue para viver de forma independente. “Vocês não podem controlar a todos”, ele retruca. Ronald afirma que o controle era para promover o bem comum, e argumenta que os seus administravam o Harlem de uma forma muito melhor, garantindo mais segurança e paz aos trabalhadores, mesmo que ainda mantendo o crime ativo. Ele, então, avisa SnKe de uma ambição cega.

Ele diz que não deixaria ele sair impune, mas Ronald alerta que os Black Snakes acabaram e coloca seu dedo na arma de SnKe, que quando atira, explode, machucando sua mão. Ronald, então, soca ele e se retira do prédio enquanto sirenes da polícia são ouvidas e é perceptível policiais invadindo ali para os prender. Coparsini avisa Luka que o Harlem estava tomado de novo, e ele lhe agradece. O episódio termina com Ronald, agora com seu casaco cheio de furos de balas, caminhando solitário pelas ruas do bairro.