The Iris child
12 Capitulo 12 – Bianca di Angelo
Notas iniciais
O filme não era assim tão ruim, apenas era totalmente impossível e ilusório, quer dizer como se brinquedos tivessem consciência e se mexessem quando não estamos por perto, como alguém pode pensar em algo assim? Aliais eu estava dividindo um balde de pipoca com Valentina, sim eu já comi pipoca antes, mas o complicado não é isso, mas sim o fato de que inevitavelmente as vezes nós colocamos a mão no pote ao mesmo tempo e a ponta dos nossos dedos se tocam, inevitavelmente nós dois recuamos as mãos rapidamente e nos olhamos por sorte a sala está escura senão tenho certeza que ela perceberia o fato de eu ficar só um pouco vermelho por isso. Não é como se eu nunca tivesse encostado em uma garota, já inclusive lutei com algumas mas isso é diferente.
Os créditos começam a subir ao mesmo tempo que a luz é acesa e Frank abre a porta com Hazel nos pegando no flagra fazendo justamente o que não devemos, Valentina se afasta um pouco de mim mas não indo para o lado de Gabe o que já é um avanço, ela começa a falar com os dois animadamente, enquanto gesticula demais e sorri demais, parecia incapaz de falar de forma séria, mas mesmo assim era muito bonita. Assim que todos terminaram de limpar a zona saíram dali rapidamente esperando não serem punidos por Hazel e Frank. Ainda havia algum tempo para a janta, e mesmo que eu tenha almoçado bem e comido pipoca eu não dispensaria uma gostosa janta cheia de carne, o que me fez voltar a lembrar que Valentina é vegetariana e deve ter morrido de fome no almoço na minha casa.
Troco de roupa, colocando uma roupa menos formal e suspiro indo jantar, assim que chego lá recebo um daqueles calorosos sorrisos de Valentina que estava sentada na mesa que costumo sentar comendo aquele monto de mato e tofu que ela chama de comida, não sei como ela se sustenta só com isso, mas é definitivamente melhor do que ela passando fome, sento ao seu lado enquanto a vejo abrir um daqueles enormes sorrisos para mim. Sei que não sou o único que recebe os sorrisos dela, mas sei que ela não os da por educação para mim.
– E então, como se sente depois do seu aniversário? – ela pergunta, mas nada mudou realmente para mim com a mudança da minha idade.
– Igual ontem – comento a fazendo dar uma risada leve e beijar a minha bochecha.
Fico vermelho e levo um pouco de comida a boca enquanto os outros pretores riem um pouco, noto que ela fica vermelha e pede desculpas rapidamente antes de tomar o suco rapidamente, a conversa fica calma e logo todos terminamos de comer pois logo seria o toque de recolher, Valentina sempre me dá atenção sem eu ter realmente que me esforçar e ela realmente me houve o que me anima a falar com ela, ela não está puxando saco ou com medo de ter problemas, ela apenas gosta de me ter por perto e eu... eu também gosto de tê-la por perto.
Me lembro do que a minha mãe disse, sobre nós dois sermos amantes...Eu jamais faria isso com uma garota, tirar a inocência e a pureza dela desse jeito, ainda mais sem estar seriamente comprometido com ela e esperando que possamos nos casar em um curto espaço de tempo. Eu nunca havia pensando de qualquer modo diferente de Valentina antes da minha mãe sugerir, mas realmente eu sou mais próximo dela do que de qualquer garota, a levei para conhecer a minha família, almoço com ela todos os dias e faço muitas coisas com ela que não faria com outras pessoas, como ir ver aquele filme infantil bobo.
Penso em como me sentiria a beijando e levo o copo rapidamente a minha boca uma vez que sinto a minha garganta secar, a ideia de beijar Valentina não era estranha ou nojenta, era até mesmo agradável, a ideia de ficar tão próximo dela e trocar um contato tão intimo, de afastar todos os garotos do acampamento dela era realmente boa. Mais do que eu já considerei com qualquer garota, mas eu só devo estar pensando nisso por conta da insinuação da minha mãe, Valnetina é totalmente inapropriada para mim em tantos sentidos que eu não devia nem ter levado o comentário da minha mãe a sério.
Só que eu não conseguia pensar nisso, nem com ela longe de mim, porque eu achei que ficaria mais fácil arrumar a minha mente se eu clareasse os meus pensamentos e ficasse longe dela. Valentina é popular o suficiente para ser requisitada por muitas pessoas, e não porque querem que ela faça algo por eles, mas sim porque ela é legal, simpática, divertida e faz tudo parecer melhor quando está por perto. As vezes me pergunto se isso ocorre também com os irmãos dela e no acampamento grego ela não recebe tanta atenção e nós que somos estúpidos, ou só ela é assim. Mas não é como se tivesse um modo de eu lhe perguntar isso, seria uma pergunta estupida e vergonhosa, com toda certeza.
Deito na minha cama e fecho os olhos, mas o sonho demora a vir porque ainda não resolvi o assunto com Valentina, mas pensando racionalmente não há nada para se resolver, mas ao mesmo tempo eu ainda me sinto incomodado com os pontos que a minha mãe levantou, porque mesmo que ela tenha chegado a uma conclusão nitidamente errada ela viu sinais que eu ignorei. Eu e a filha de Iris somos próximos, mais do que a maioria, na verdade desde que começamos a ser amigos eu sempre pensei que isso seria o natural de uma amizade em que não se quer ganhar na da outra pessoa, nunca tive algo assim e desde que não me incomode eu não ligo de seguir os passos de Valentina, ela é realmente uma pessoa agradável e bonita...Fazia um bom tempo que eu não pensava nela assim, quero dizer...Quando ela chegou eu percebi que ela era bonita, mas ela parecia apenas mais uma garota fracote que não merecia muita atenção e seria mais uma das perdedoras. Estava errado, não só pela popularidade que ela atingiu (que no inicio eu atribui unicamente a sua beleza), mas pelo quão próximo fiquei dela por vontade própria e não por querer ganhar algo em troca....
Mas voltando ao ponto do começo do porque da minha analise, ela é sim bonita.Ela não é muito alta, ou muito magra, ou muito gorda, tem os músculos tonificados como a maioria das garotas da legião, mas não de uma forma grosseiras, seus músculos são alongados e leves, ela tem um rosto bonito, os dentes são alinhados (o que é muito importante obviamente), o nariz é pequeno e levemente arrebitado, os olhos são de um tom escuro que contrasta com aquele cabelo. No inicio eu simplesmente desprezava o cabelo dela, achava-o chamativo demais, um grande defeito já que ele sempre deixava claro o que ela está sentindo. Agora eu gosto bastante dele, gosto de saber onde estou pisando quando estou perto dela, além disso deixa-la bem encantadora até certo ponto. Droga eu já devia estar dormindo, consigo ouvir todos dormindo e amanhã terei que acordar cedo! Puxo as cobertas para cobrir o meu rosto e tentar dormir, não tem dado muito certo na verdade. Isso é uma droga.
Quando finalmente consigo dormir não tenho um sonho tranquilo do qual não vou me lembrar no dia seguinte, pensei tanto sobre isso que acabei sonhando com ela...Ou melhor com nós dois, juntos, com ela sorrindo para mim e me dando toda a atenção que eu preciso, também nos beijávamos bastante e o meu coração acelerava e eu estava feliz, acordei com o despertador tocando e um estupido sorriso no rosto que eu tratei de esconder rapidamente.
A minha manhã foi uma droga, chegou um novo campista e eu li os agouros dele, nada demais, apenas um garoto irritante e tolo, não topei com Valentina até o almoço, mas isso não é ruim de verdade, acho que teria uma dificuldade maior em me concentrar com ela por perto, ao menos era isso o que eu tentava me convencer para evitar ficar procurando-a com o olhar durante as minhas atividades do dia. Mas eu sabia que durante o almoço seria impossível evitar estar próximo dela, nós sempre almoçamos juntos...Mas no fundo eu sei que não quero evita-la, por mais que os meus pensamentos fiquem fora de ordem por conta disso.
– E ai como foi o seu dia? – ela pergunta sorrindo animadamente para mim enquanto um dos lares trás a comida verde e sem carne dela.
– Normal, em dois dias teremos os jogos de guerra então fiquei fazendo algumas táticas e vendo o meu estoque de ursinhos de pelúcia – comento e vejo-a me olhar interessado.
Depois disso começamos um grande discussão sobre ursos de pelúcia, ela estava realmente interessada sobre como eu conseguia as pelúcias e se havia algum critério. O que me lembrou as duas pelúcias que eu ganhei, uma inclusive feita por ela e que no fundo eu sei que não vou usar para ler os agouros, porque por mais que isso me torne fraco eu gosto de tê-la por perto e ter as coisas dela por perto também.
–Valentina você planeja voltar para o outro acampamento? – pergunto na lata, já com um discurso sobre os anos que ela precisa servir a legião na ponta da língua para tirar essa ideia estupida dela.
Naquele exato momento os seus cabelos ficaram com tons mais escuros de azul o que pela minha analise significa tristeza, mas os seus olhos também a delatavam, era nítido que ela tinha bastante tristeza no coração e que eu havia feito a pergunta errada. Como eu posso ser tão idiota, estávamos tendo uma conversa tranquila e ela nem havia tocado no assunto do acampamento dos gregos...Agora ela vai se afastar porque eu obviamente não sei manter uma conversa sem a magoar depois dela ter sido super simpática no meu aniversário. Perfeito.
– Eu amo o Acampamento Meio-Sangue, ele foi por muito tempo o meu lar, os meus irmãos estão lá assim como amigos preciosos...Eu lutei ao lado deles em duas grandes guerras, convivo com eles desde os 13 e uma parte de mim sempre será grega, mas... – ela falava as palavras que eu tinha medo de ouvir, mas havia tanta dor em suas palavras – mas eu não posso voltar, não agora...Não só porque vocês já estão ganhando um espaço no meu coração mas em partes por conta do motivo de eu ter vindo originalmente....
Ela morde o lábio inferior e parecia tão sofrida, todo o brilho e alegria que ela me mostrou ontem parecia ter fugido para bem longe, é claro que eu teria que ser um babaca completo e falar de algo que a deixa triste, ela chorou nos meus braços quando tentou me contar o motivo real de ter vindo, e eu volto nesse assunto. Idiota. Todo a sua mão por cima da mesa e ela me olha com as bochechas coradas o que me deixa vermelho, ela afasta a mão e se levanta da mesa para me abraçar de modo que eu quase cai da cadeira, fiquei ali parado e vermelho com ela nos meus braços até ela se acalmar, eu sentia o meu corpo inteiro ficar quente enquanto eu sentia o seu perfume doce, por mais que ela estivesse triste eu gostava da sensação dela ali comigo enquanto se acalmava.
– Eu molhei toda a sua blusa, desculpe – ela comenta vermelha erguendo o olhar e mesmo ela sendo mais baixa do que eu ela estava realmente perto, mais perto do que qualquer menina jamais esteve de mim, encaro os seus lábios e fico vermelho.
Eu sempre tive uma regra sobre o fato de que eu só beijaria e namoraria a garota com quem eu fosse me casar, já que eu nunca faço a escolha errada, e Valentina não estava entre as escolhas que os meus pais iriam considerar certas.Mas naquele momento eu realmente pensei em beijá-la por alguns segundos antes de ouvir alguém limpar a garganta e eu me levantar da cadeira super constrangido e quase a deixar cair no chão. Claro que se eu soubesse que era o babaca do di Angelo eu não teria feito isso. Ela limpa as lágrimas dos olhos e abre um sorriso, algumas mechas do seu cabelo ficaram coloridas, mas muitas estavam em um tom azul triste, ela se levantou e o abraçou forte me fazendo fechar a cara, ele me encarava com uma expressão séria. Acho que ele não gosta de mim tanto quanto eu não gosto dele.
Ele sussurra algo no ouvido dela e logo eles se afastam, ele da um beijo na bochecha dela e eu tenho vontade de expulsá-lo, mesmo ele sendo o embaixador do mundo Inferior ele ainda é um grego, ele não devia poder andar tão livremente pelo nosso acampamento!
– Acho que acabei bagunçando todo o nosso almoço, não? Desculpe Octavian – ela diz um pouco mais calma e então se vira para o Nico – nós já vamos?
Como assim já vão? Para onde eles vão? Ela tem tarefas no acampamento! Ela não pode ficar colada nele o dia inteiro em encontros românticos e todas essas frescuras só porque são namorados, ela realmente não pode, acho que devíamos proibir as vindas dele para cá já que ele obviamente sempre a atrapalha, isso seria bem melhor sem sombra de duvidas. E ela logo iria esquecê-lo se ele não viesse tanto então não acho que ela sofreria tanto.
– Acho melhor, temos muitas coisas para fazer e a Reyna e o Frank me pediram para trazê-la de volta antes do toque de recolher – o filho de Hades comenta evitando me dar muitas informações, torço o nariz para ele.
Valentina se despede de mim brevemente com um beijo na bochecha antes de sair junto com o maldito di Angelo para sei lá onde, provavelmente para um encontro romântico no cemitério... Sinto o meu cérebro queimar com essa informação porque eu sabia que não queria ela saindo com esse babaca, eu queria ela aqui comigo, ela sorrindo para mim, ela me dando atenção, eu realmente quis beijar os lábios dela e saber que ela faz tudo isso com aquele idiota só me deixa louco de raiva. Mas eu não vou deixar isso assim, ele não pode ficar com ela, não desse jeito... Ela....Eu...eu acho que eu gosto dela, não para fazer sexo como a minha mãe disse, mas de verdade....Mas eu não posso ficar com ela enquanto o di Angelo continuar aparecendo. Só há uma coisa há fazer, eu penso enquanto vou até o meu estoque de ursinhos de pelúcia.
Valentina Narrando
Já estava mais calma, a pergunta do Octavian me pegou desprevenida já que no geral ele não gosta de falar no outro acampamento ou dos gregos, então eu nunca me preparei para essa pergunta e eu evitava me perguntar sobre isso. Porque a verdade é que eu sinto muita saudades do acampamento, dos jogos de caça bandeira, as músicas na fogueira, as atividades no acampamento, o meu chalé de Iris, as atividades, os treinos... Eu realmente sentia saudades de tudo no lugar onde eu aprendi a chamar de casa.
Eu e o meu pai nos mudamos muito por conta das artes deles, acho que já estudei em mais escolas do que a maioria dos adolescentes normais (meio-sangues não valem, o Percy deve ganhar de mim), mas não importava o que fosse acontecer eu sempre tinha o acampamento para voltar e ele nunca mudava. Eu gostava do acampamento Jupiter, ele era diferente mas legal ao mesmo tempo e em pouco tempo eu já sinto que uma parte minha pertence a este lugar e não sei também se conseguiria simplesmente ir embora. Eu gosto do pessoal daqui da Reyna, da Hazel, do Frank, do Gale e ...do Octavian.
–Você está mesmo bem? – Pergunta o Nico antes de viajarmos nas sombras e eu apenas faço que sim com a cabeça – eu... eu chamei o Percy, tudo bem?
Viro-me para olhar para ele rapidamente com esta noticia e noto que ele não me encarava nos olhos e suas bochechas estão vermelhas. Desde a morte de Bianca di Angelo, a irmã mais velha do Nico, todo ano nós fazíamos a mesma coisa. Saimos do acampamento e íamos até o Ferro Velho de Hefesto levar algumas flores. Bianca di Angelo não tem um tumulo em nenhum cemitério, morreu no meio de uma missão se sacrificando para salvar os seus companheiros e é aqui que o Nico presta a sua homenagem a ela.
Sempre vamos sozinhos, nos últimos anos nunca ninguém nos acompanhou ou veio conosco. Sempre fomos apenas nós dois e eu própria fiquei surpresa quando o Nico me trouxe aqui, eu nunca falei diretamente com Bianca e a vi poucas vezes em vida e no geral de longe. Eu nunca tinha o que falar, mas ajudava Nico com as flores e o abraçava nos poucos momentos em que ele fraquejava e deixava a face indiferente ser substituída pela de dor e nas poucas vezes em que ele chorou eu limpei as suas lagrimas. De todo modo eu era uma das poucas pessoas vivas que já tinha visto Nico do seu modo mais frágil e estado lá para ele, o fato dele ter convidado Percy era surpreendente. Isso significava que eles estavam próximos o que era bom, mas eu me perguntava se o cabeça de alga teria percebido como Nico se sente em relação a ele e se Nico não acabaria magoado nesta história.
– Isso é bom, saber que vocês estão se dando bem – digo sorrindo para ele e deixando as minhas preocupações de lado – já tiveram outro encontro?
E eu consigo o efeito esperado, fazer o Nico ficar vermelho e depois me olhar feio como se eu tivesse dito que matar gatinhos era legal e compreensivo. De repente vejo que estamos em uma floresta e que Percy esta se aproximando usando a camiseta laranja do acampamento e sorrindo, dou uma piscadela para Nico que fica vermelho e desvia o olhar. Percy me abraça e eu o abraço de volto, estávamos na floresta na frente do ferro velho. Suspiro e seguro a mão de Nico e noto que Perçy faz o mesmo provavelmente para lhe dar apoio, noto que Percy segurava algumas flores com as mãos livres, flores para Bianca.
Entramos e Percy vai diretamente para onde o monstro de Hefesto guardião do ferro velho havia matado Bianca di Angelo. Nico estava tão frágil e tão tremulo enquanto colocava as flores lá tentando se manter forte porque Percy estava lá, e então o cabeça de alga o abraça o envolvendo com os seus logos braços. Opto por me afastar um pouco para fazer uma oração silenciosa para Bianca. Mesmo sabendo que ela já renasceu e não houve as nossas preces o luto sempre será o luto.
Estava andando tendo o cuidado de não pegar nada para que não tenhamos problemas quando sinto uma mão me puxar arregalo os olhos assustada e depois fico ainda mais assustada ao perceber que era Marcus com um sorriso no rosto. Ele usava a camisa do acampamento e parecia muito bem vestido. Tenho vontade de gritar mas eu simplesmente não consigo, é como se som nenhum pudesse ultrapassar a minha garganta, o meu coração começa a bater acelerado me perguntando como ele me achou, tecnicamente eu estava viajando com o Nico e passando um tempo no mundo Inferior.
– Como você é previsível meu amor – ele sussurra para mim bem próximo do meu rosto, o seu bafo tem cheiro de menta – aniversário de morte da caçadora morta... Não importa onde você esteja se escondendo você é sempre tão previsível.
Fale com o autor