Notas iniciais
Peregrina novamente e espero que gostem...

O clima mudou quando chegamos as cavernas, no final da tarde. Lily e Brandt estavam animados para contar a novidade, que os humanos estavam conseguindo amedrontar as Almas e havia uma porcentagem de 25% de estarmos conseguindo "nosso" planeta de volta. Assim como eu, Skandar estava desconfortável com a conversa, mas ambos não falamos nada, apenas ajudamos a descarregar as coisas junto com Melanie, Heidi, Kyle, Cal e Tom.

Além da esperança no ar empoeirado da caverna, havia uma tensão no mesmo uma sensação familiar, parecia até que estava revivendo algo. Um calafrio passou por meu corpo só de pensar que algo ruim poderia ter acontecido em minha ausência, mas estava evidente que algo estava errado, Melanie estava calada demais. Nós mal nos falamos, ela sempre carregava mais coisas e saia de perto de mim antes mesmo que pudesse questioná-la. Kyle também parecia mais irritado do que o normal, resmungando baixo coisas que eu não me preocupei em prestar atenção, entretanto não pude deixar de pensar em Sunny. Por que não estava ajudando também? Voltava para o estoque depois de deixar alguns suprimentos na cozinha, mas quando cheguei estava praticamente vazio, ficando apenas uma pequena embalagem no canto do local. Aproximo-me dele e abaixo, pegando-o nas mãos. Teste de gravidez. Meus olhos se arregalaram de leve ao lembrar-me do pequeno diálogo com Bob, a alma que achava que eu queria mais filhos e me alertara dos humanos. Guardo aquilo embaixo de minha blusa larga e saio andando do local como se não tivesse visto nada... Precisava desviar meu pensamento para outra coisa ou daria na cara que estava escondendo algo, como todos na caverna.

Aproximei das áreas com cultivo, sentindo o cheiro de terra úmida enquanto pisada cuidadosamente para poder chegar ao outro lado No meio da plantação, Jamie estava acompanhado de Hanna e ensinava algo para a mesma. Acenei de leve com a mão para os dois e no momento que Jamie me avistou, entrou na frente de Hanna, escondendo-a atrás de suas costas agora não tão infantis. Isso foi a gota d'agua. Fui caminhando em direção deles, determinada a saber o que estavam me escondendo dessa vez.

— Peg, o que está fazendo? — Perguntou o garoto de maneira trêmula.

— Checando se estão bem! — Respondo de maneira calma.

— Mas você parece nervosa... O que aconteceu ? — Conforme dizia, sua voz mudava de grave para fina e ele acabava pigarreando no final.

Jamie segurava uma faca nas mãos, quando me aproximei escondeu-a no bolso de sua calça e cruzou os braços como um pequeno homem determinado a mostrar que cresceu e não é mais a criança imprudente que tive de salvar no último ano... Ou seriam apenas meses? Volto a olhar atrás dele e vejo Hanna encolhida atrás de seus ombros.

— Hanna, você está bem?

Ela soluça em resposta enquanto Jamie solta um suspiro.

— Ela se machucou sem querer com a faca, eu ia levar ela pro Doc agora mesmo... — Coçava a cabeça de maneira sem graça, me dando espaço para ver o que a garotinha tinha feito.

Era um risco horizontal que vinha do seu pulso e chegava até o começo de sua palma, tão torto que não parecia ser de propósito mas também não parecia acidental. Fito os olhos lacrimejantes da garotinha e esqueço totalmente dos pensamentos que tinha em mente. Eu precisava ajudá-la.

De um lado, Jamie segurava a mão de maneira relutante e do outro, eu segurava a mão que tinha o sangue escorrendo lentamente, mas não me importei precisava resolver isso. Andamos pelos corredores vazios da caverna de maneira apressada a chegar a sala iluminada de Doc. Jamie pigarreou.

— Eles estão em reunião ?

— Não sei... Provavelmente sim.

Meu irmãozinho concordou com a cabeça, pigarreando novamente e entrando no túnel mais iluminado da caverna, nossos passos abafavam o som arfante de Hanna que nunca correra tanto e parecia estar ficando zonza.

— Hanna, como você está se sentindo?

Ela tropeça, só não indo de encontro ao chão graças a Jamie e a mim. Seus olhos ergueram para me olhar de maneira chorona e negou com a cabeça devagar, piscando várias vezes.

— Vamos logo com isso! — Exclamou Jamie preocupado com a mão ensanguentada... A minha mão com o sangue de Hanna.

Entramos no local e demos de cara com Doc e Melanie conversando seriamente.

— Eles não tem o direito! — Berrou Melanie irritada, virando-se abruptamente ao notar o olhar distante de Doc. — Meu Deus!

Melanie nem precisou chamar Doc, o mesmo se pôs de pé e aproximou rapidamente de nós três, que já estávamos ajudando Hanna a subir em uma maca e ficar sentada ali, a cor de sua pele estava tão pálida que eu estava com medo de perdê-la. Doc segurou o braço dela com delicadeza, dando uma olhada no corte e puxou um pano para limpar o volume de sangue, mesmo que não precisasse já que poderia usar os medicamentos das Almas. Mas algo me dizia que ele gostaria de econimizar um pouco. Fui correndo até o armário imenso com as etiquetas em uma letra impossível de se ler. Fiz uma careta e olhei para trás.

— Doc , onde fica o corta dor?

— Ela está com pressão baixa... — Doc disse em uma voz mansa e levemente preocupada, mandando-a se deitar, enquanto Jamie afastava os cabelos castanhos do rostinho dela.

Eu não podia perdê-la, não mesmo. Mel se aproximou de mim e começou a abrir e dar uma olhada nas embalagens prateadas, fazendo uma careta.

— Você se lembra? Quais eram quando foi com o Jamie isso? — Seus olhos azuis encararam os meus e pude lembrar de toda aquela cena novamente.

— Lembro sim.

Peguei os objetos prateados na torcida de não serem outra coisa, Mel me ajudou a pegar alguns para não me perder e juntas nos aproximamos de Doc, que aplicou o medicamento cuidadosamente. Segurei a mão da pequena como se dissesse "estou aqui e tudo ficará bem". O processo foi rápido e Hanna se recuperava devagar, podendo ficar sentada e corada em seguida.

— Desculpe... E-Eu... Não conseguia falar. — Sussurrava de maneira envergonhada, suas bochechas ficaram mais rosadas quando seu estômago roncou alto.

— Você almoçou hoje? — Questionou Melanie.

Doc tocou os nossos ombros e com o seu olhar totalmente pacífico, pediu para que deixássemos sozinha por um tempo, ele iria examiná-la para ver o que tinha acontecido além do acidente com a faca. Jamie foi o mais teimoso para sair e depois que saímos, implicou com minha mão ainda manchada de sangue, dizendo que precisava lavar direito e não passar simplesmente um pano. Melanie estava calada em seu canto e encarava as paredes da caverna de maneira pensativa enquanto eu e Jamie estávamos conversando sobre isso.

— Tá bom, eu estou indo lavar... — Mordi o lábio antes de dizer. — Mel, você pode me acompanhar?

— Hm? — Melanie virou o rosto com a testa franzida e logo concordou com a cabeça. — Claro.

Jamie parecia magoado por não ter sido convidado porém prometi ao mesmo que iria dividir um cheetos com ele no jantar, e este ficou tão alegre que saiu correndo, como se quanto mais rápido se afastasse de nós mais pequenos salgadinhos amarelos e com gosto artificial teria. Isso me fez rir, não tendo o mesmo efeito sobre Mel.

Caminhamos até a sala de banhos praticamente de maneira silenciosa, o que me deixou um pouco assustada, Mel era falante a maior parte do tempo e não mencionara nada sobre seu pedido de desculpas para Tristan, se brigou ou não com Emily, se Henry ainda estava bravo com ela ou se Canção da Noite ensinou-a a fazer tranças novamente.

— Então... — Limpo a garganta antes de entrar no local escuro. — Como estão as aulas com a Canção da Noite?

A namorada de Jared para subitamente e me olha de maneira chocada, com todos os seus membros que eu conhecia tensos. Era como os humanos ficavam em situações de perigo. Dei um passo adiante, encarando seu rosto preocupada.

— Mel?

Ela arfou, revirando os olhos e em seguida cruzando os braços.

— Ela fugiu... — Sussurrou com amargura.

— Fugiu?! — Repeti de maneira incrédula. Aquela alma tão boa fugir? — E o que será de nós agora? E se ela contar?

Quando noto, estou tão próxima de Melanie que consigo ver a mudança de sentimentos em seus olhos, o conflito que estava travado dentro dela ao falar daquilo. Deve ser horrível ser traída depois de confiar em alguém mesmo que por pouco tempo.

— Acha que estaríamos tão calmos se ela tivesse relamente fugido? — O sarcasmo na voz de Melanie era visível e seus olhos ficaram sombrios. — Acha que essa reunião é sobre isso?

Afasto-me dela sem entender o que estava acontecendo. Ela continua falando já que eu estava pasma demais para ter uma reação a sua pergunta.

— Eles desconfiavam dela, Peg... Por que acha que Hanna estava daquele jeito? Não era por causa da faca. — Deu um passo a minha frente e as coisas encaixavam em minha cabeça lentamente. — E se realmente tivesse fugido, teríamos de fugir para um novo abrigo.

— Não... — Reprimo um choro que estava começando a se formar, meu rosto inteiro contorcido por causa do mesmo.

— Peg eu nunca fui a favor disso... Era disso que eu estava discutindo com Doc... — Mel parecia realmente estar abatida com aquilo, mas sua imagem em meus olhos começou a ficar embaçada. — Mas como ele disse, não adianta chorar depois que o leite foi derramado... Ou algo assim. — Fez uma careta, suponho. — Estamos em guerra novamente e se eu fosse o Skandar teria cuidado, ele é o próximo da lista.

Notas finais
Espero que estejam gostando e preparem-se que as coisas só vão piorar hahaha. Ou não.
Obrigada quem continua lendo e deixem seu comentário sobre a nossa pequena perda.