The Inter - Worlds (Parte 1): As Aventuras - Ano 2
41 Capítulo 35 - Estranhos e Gigantes Alojamentos
Notas iniciais
Segui em frente, correndo agora, para me abrigar da chuva que não era mais contida pelas copas das árvores e estava bem mais forte.
Atravessei o muro, já que o portão estava aberto, e vi uma enorme porta de madeira. Mesmo que de um material simples, era tudo muito bem trabalhado. Observei o ambiente vendo que seja lá quem morasse lá gostava muito de abelhas, porque tinham vários lugares para a criação delas. Nesse momento agradeci que estava chovendo e por isso elas não vieram voando na minha direção.
Bati na porta e não vinha nenhuma resposta. Talvez o dono não estivesse em casa? Seria muita ousadia eu entrar sem avisar?
Bem, não parei para pensar naquilo no momento, pois ouvi um rugido. Um rugido forte, e que fez todo o meu corpo tremer. Seriam os orcs de novo?
Virei para trás e dei com algo inesperado. Vi, no horizonte, um enorme urso negro correndo na direção da casa.
A primeira coisa que fiz foi tirar a trava da porta e correr para dentro, pouco me importando com normas de etiqueta do tipo não entrar na casa dos outros sem permissão (ainda mais de estranhos). Fechei a porta e coloquei a trava de madeira, e ouvi o bater de algo na porta logo depois disso. Tomara que aquilo o segurasse, tomara.
Depois de alguns segundos, a besta desistiu de bater na porta. Parecia que estava segura por enquanto. Por isso, relaxei os músculos e fui explorar o local em que me encontrava naquele momento.
Antes de realizar isso, claro que arrastei as botas sujas de lama no paninho que tinha na porta. Eu já estava entrando sem permissão, se sujasse o lugar seria pior ainda.
Assim, comecei a minha exploração. A primeira coisa que notei era como tudo era grande, enorme. Bem que Argárir tinha comentado, achava que ele estivesse brincando ou algo do tipo, mas era realmente muito grande. A mesa de jantar era tão alta quanto o meu abdome, e tudo em cima dela parecia pertencer à um gigante.
Observei os ambientes, esperando encontrar alguém.
Nada. Não encontrei nada.
–Alguém em casa? – gritei.
Respostas? Nenhuma.
–Ele realmente não está em casa. Ótimo. – murmurei.
Continuei olhando a casa, observando cada detalhe dela. Tirei a bolsa e coloquei em um balcão. Ele não estava em casa, quando chegasse eu tirava de lá. Depois, me sentei e fiquei olhando para um fixo ponto do ambiente.
Comecei a mexer a perna, a bater os dedos na coxa, a me mexer para frente e para trás.
Um minuto, dois minutos, três minutos...cinco minutos, dez minutos.
Me levantei e andei de um lado para o outro, de braços cruzados.
Quinze minutos, vinte minutos.
Comecei a girar em círculos.
Trinta minutos, quarenta minutos.
Sentei de novo, soltei o cabelo e comecei a fazer trancinhas nele.
Cinquenta minutos, sessenta minutos...uma hora. Uma hora e quinze, uma hora e meia.
Sentei no chão apoiando as costas em uma pilastra, fiquei observando o teto.
Uma hora e quarenta, uma hora e cinquenta.
Comecei a desfazer as tranças e fiz outro penteado.
Duas horas.
QUANDO AQUELE SER IRIA CHEGAR?
Estava quase me descabelando. Não tinha nada para fazer. O tédio era muito grande. Eu só queria que a manhã chegasse logo e o dono da casa também. Eu queria logo continuar o caminho.
E foi aí que a minha barriga roncou terrivelmente.
É verdade, estava com fome. Mas não podia sair assaltando a comida alheia, podia? Será que ele se importava?
Olha, deixar o portão aberto e ter uma porta que se fecha com trava de madeira do lado de fora e quase que pedir para ser assaltado, mesmo que fosse uma casa perdida no meio do nada e...MESMO ASSIM! Isso dá até mais razões. Gente com fome passa por aqui! Tipo eu!
Então, pensando nisso, fui procurar algo para comer. Por sorte achei um pote CHEIO de mel, algumas jarras cheias de leite, frutas e cestas com cereais.
Peguei as lembas que tinha e, como esperado, “fiz a festa”. Tentei não sujar nada e comi só o necessário, para não levantar suspeitas. Mas foi o bastante para me dar uma aliviada. Consegui tapar o buraco do dente.
Depois disso, o tédio voltou. Observei através de uma janela, já estava ficando bem escuro. Então, sentada (novamente apoiada na pilastra) senti os olhos arderem um pouquinho e bocejei. Então, involuntariamente, caí no sono.
***
Quando acordei, o silêncio era absoluto. Senti uma brisa tocar o meu rosto, e nesse exato momento abri os olhos. Olhei para a janela e vi o céu escuro com a Lua prateada brilhando na distância.
Já estava de noite, mas o ambiente parecia exatamente como quando eu havia adormecido, continuava vazio.
Não é possível que alguém demore tanto tempo para ir para casa, foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. Será que ele estava vivo? Talvez tivesse morrido e nunca voltaria para casa, porque meu Deus do céu. Eu já estava lá há horas e ninguém tinha aparecido. A única coisa que eu desejava era que alguém aparecesse.
Me levantei e decidi ir para o lado de fora, observar as estrelas. Lá fora estava um silêncio profundo, o ambiente estava calmo. A chuva já tinha parado (provavelmente isso já fazia um considerável tempo) e tudo já estava secando.
Me sentei em um banco que estava seco e olhei para os céus. Afinal, o que eu estava fazendo ali, vivendo aquela aventura digna de sonhos? Não sabia no que acreditar. Tinha entrado com tudo naquilo. Afinal, se fosse um sonho quantas vezes eu não tinha sonhado fazer aquilo. Aquela seria só mais uma vez, só que bem mais longa. E se fosse realidade? Quem não gostaria de viver uma aventura se dada a oportunidade?
Mas mesmo assim, eu sentia um vazio dentro de mim, e não sabia dizer porquê. Era como se sentisse falta de algo.
Bem, por que eu fui desejar que alguém aparecesse, hein?
Estava sentada quando ouvi um barulho. Me levantei e vagarosamente fui na direção do portão.
Olhei para o horizonte, procurando a fonte do som. E foi naquele momento que eu o vi novamente.
Aquele urso gigante estava ali de novo. Ele se virou para mim ao notar a minha presença e veio correndo.
A primeira coisa que fiz foi virar e ir correndo para dentro da casa. Porém, dessa vez o animal estava mais perto, e não consegui fechar a porta.
Estava sem armas, tinha deixado elas naquele balcão com a bolsa. Olhei aos arredores tentando encontrá-lo, mas ao avistar a construção de madeira vi como estava longe.
Olhei para frente, o urso estava entrando na casa. Trocava olhares entre o animal e as armas. Será que se eu corresse conseguiria pegá-las? Eu não deveria usar magia, não era bom. Podia atrair problemas maiores.
Então, o que eu deveria fazer?
Ele começou a se aproximar vagarosamente, como um predador caçando sua presa. Ele era gigante, muito maior do que um urso de verdade provavelmente seria. E era negro como a noite.
Eu tentava ir para trás, mas a grande mesa do cômodo bloqueou o meu caminho.
Estava cercada.
O que deveria fazer? Eu não sabia.
Bem, a resposta veio da forma menos esperada.
Veio involuntariamente, como instinto.
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