Notas iniciais
Então gente, aqui mais um capítulo! Espero que gostem ;) Estou postando hoje para recompensar as semanas sem capítulos (e também para se por acaso eu não tiver tempo de postar sexta). Talvez ainda poste mais alguns ;) Nesse capítulo: Ana se depara com um ambiente totalmente novo.

Bati com o corpo no chão. A lamparina quebrou-se, mas o chão não pegou fogo, só a área onde o vidro estilhaçou-se.

Me levantei, tentando enxergar alguma coisa. Porém, além do fogo que aos poucos ia desaparecendo, não havia luz no ambiente. Sentia um pouco de dor da queda, mas não era nada insuportável (pelo menos considerando os eventos das semanas passadas).

A primeira coisa que me veio à cabeça foi: onde diabos eu estava? E, ao pensar que poderia estar em um esconderijo orc, senti um calafrio percorrer o meu corpo todo. Mas não podia ficar ali para descobrir, eu tinha que seguir em frente.

Então, fiz um feitiço e rapidamente uma luz branca e de forma redonda surgiu acima de mim. Teria que seguir com aquilo até que achasse outra forma de iluminar o ambiente.

Continuei andando, tentando encontrar alguma coisa além de um caminho vazio e paredes retas e lisas. Era um silêncio tão profundo que até os meus passos e a minha respiração pareciam barulhentos.

Finalmente encontrei uma esquina, onde, logo em seguida, o caminho acabava. As paredes se abriam e um grande buraco se estendia na minha frente. Quase caí ao atravessar a esquina, e pude ouvir o barulho de pedras descendo naquele vazio infinito. Era escuro, e assim não podia ver o fundo. Aos poucos, o som dos fragmentos de rocha caindo se tornaram abafados, e eu não pude ouvir quando atingiram o chão.

Ao meu lado esquerdo, ainda se estendia um pequeno filete de terra. Aquilo era o único caminho visível.

Respirei fundo e segui pelo caminho íngreme. O chão parecia que ia desabar a qualquer momento, e aos poucos, mais pedras caíam. Eu olhava para os lados e para frente, enquanto me segurava em pequenas rachaduras que se encontravam na parede atrás de mim.

De repente, senti algo se aproximar e, ao me virar, dei com um bando de morcegos, que atravessavam uma abertura no paredão. Caí para trás, mas rapidamente me segurei na borda. Esperei que todos os morcegos saíssem para subir. Porém, uma vez que os bichos haviam sumido na escuridão, eu entrei na escuridão, pois a esfera luminosa apagou-se.

Ótimo, e agora?

Era um breu terrível. Não conseguia enxergar absolutamente nada. Soltando uma de minhas mãos da borda, e deixando todo o peso do meu corpo com a outra (que teria que ser forte), conjurei outra esfera de luz. Rapidamente segurei a borda novamente, respirando fundo. Subi e agradeci que não tinha caído.

Mas para que?

Bem no momento seguinte, o chão abaixo de mim despencou, então rapidamente joguei o gancho, e a ponta afiada prendeu-se em uma das rachaduras. Mas aquilo não se manteria por muito tempo, exatamente como esperava. Antes que tivesse tempo de subir, o gancho soltou-se e eu comecei a cair.

Logo abaixo de mim já haviam pedras, mas não era um chão reto, e sim com uma inclinação absurda. Por isso, comecei a rolar e rolar, e aquilo parecia que nunca iria acabar.

Uma vez que parei, levantei o meu corpo, ficando de joelhos, pegando o gancho e prendendo-o de volta no cinto. Ao olhar para trás, vi uma pedra (de um tamanho consideravelmente grande) vindo na minha direção. Desviei desta rapidamente, rolando no chão. Uma vez que parei o movimento, o chão embaixo de mim tremeu. Levantei o mais rápido que pude, e a placa em que me colocava começou a deslizar no terreno pedregoso. Pulei para frente, pegando na beira de outra formação rochosa.

Subi rápido, vendo que esta também estava desabando. Pulei em outro terreno. Pedras começaram a cair, fazendo com que eu parasse e eu nem tive tempo de me mexer antes que o chão desabasse e eu começasse a escorregar no terreno novamente.

Assim que cheguei ao chão reto, continuei a correr. Seja o que for, aquele lugar estava aos pedaços, e eu tinha sido a pessoa que acendeu o pavio para que ele desabasse.

Parei de correr ao encontrar outro obstáculo à minha frente: outro buraco. Esse era como aquele que havia encontrado antes de começar a cair. Aquele parecia mais profundo ainda. Não havia chance de eu pular aquilo e sair viva...pelo menos era o que eu pensava.

Era um corredor íngreme, não havia lados para onde correr, era para frente ou para trás, por isso que tremi quando ouvi um barulho. Ao olhar para trás vi uma grande rocha vindo na minha direção, me virei completamente para ela, sem saber o que fazer. Recuei inconscientemente, me entregando aos braços da escuridão.

***

Quando a queda acabou, para a minha sorte, caí na água. O impacto havia machucado o meu corpo, mas com certeza menos que uma queda no chão machucaria.

Ao encostar parte do corpo na beira do lago, respirei fundo. Olhei para cima vendo a minha “inimiga” cair. Rolei para o lado, levando uma grande onda no rosto causada pela queda da pedra. Aquilo tinha feito um grande barulho, grande mesmo.

Mas, mesmo depois de tudo, eu ainda estava viva. Ótimo. Pelo menos isso.

Saí da água, me dando um tempo para respirar e retomar o fôlego. Tinha sido muita adrenalina para tão poucos momentos. Tinha sido tanta ação que eu mal tinha percebido que a luz sumira novamente. Mas eu tinha que admitir, aquele ambiente estava levemente mais claro que o de antes.

Minha roupa estava levemente surrada e rasgada, de tanto rolar para cá, bater em lá, etc. Tinha até um joelho levemente ralado e minhas mãos estavam avermelhadas.

Mas aquilo não importava, tinha que seguir em frente, e foi o que fiz. Tinha que arranjar logo um jeito de sair daquele lugar.

Segui até encontrar um arco, marcando uma entrada. Em volta dele haviam vários ferros, como se marcasse uma espécie de cela. Passei pelo local.

Então, andando um pouco na escuridão, encontrei uma tocha acoplada a parede, seguida de várias outras. Peguei uma e, ao acendê-la com minha magia, todas as outras acenderam também.

–Bem, isso é estranho. – murmurei.

Segui pelo caminho. Parecia uma espécie de túnel, como aquele que tinha visto lá em cima.

Depois de um bom tempo andando, encontrei um paredão, marcando o final do caminho. No paredão haviam várias inscrições estranhas, as quais eu não tinha ideia de onde vinham. Porém, de repente as letras pareceram claras para mim, como de forma mágica, e palavras se revelaram.

O dia virá

Quando o sol nascerá

E ela chegará

Nessas terras de desgraça

E trará a paz para todos os povos.

Com uma mão ela segura uma lâmina inquebrável

E com a outra traz uma chama inapagável

Assim como a que Eru usou para nos criar

Sua mente é de aço

Seu coração contém um brilho interminável

Seus lábios têm desejo

E seus olhos poder

Seu corpo é impenetrável

Como as escamas de um dragão

Seu poder, ilimitado

Nesse trecho as inscrições ficaram mais complicadas de ler, já que a parede estava rachada.

Quando o tempo marcar seus últimos momentos

Ela completará seu tempo

Irá conhecer um louco

Depois o poderoso

Pessoas do passado e partes de uma lenda

Heróis do presente e habitantes do futuro

E um dia conhecerá aquele que fará parte de sua vida

Mas ela é uma viajante solitária

Pois a sombra a segue

E a escuridão faz parte até de seus sonhos mais bonitos

Mas a luz nela também é forte

Pois, como nos dias antigos

Ela ascenderá das chamas

E seu poder se libertará

Me afastei lentamente do paredão, procurando palavras para me explicar o que tinha acabado de ler. Nunca tinha visto nada sobre aquilo em tudo que já li sobre a Terra–Média. E por que eu sentia que aquilo tinha alguma relação comigo e com os meus problemas?

Ao recuar, pisei em algo, e aos poucos uma parte do paredão se levantou, revelando o resto do caminho. Eu devia ter pisado em uma placa de pressão.

Continuei seguindo, e por ali podia ver pequenos fluxos de água saindo de algum lugar (provavelmente do lago lá atrás).

Vi uma grande pedra na minha frente. Com toda a força que tinha, puxei a pedra para frente, e passei pelo pequeno espaço que consegui formar.

Ao passar, percebi que agora conseguia enxergar bem melhor que antes, independentemente do fato de estar com a tocha, pois logo a apaguei, pois ouvi um barulho.

Aquele havia sido o primeiro barulho que eu tinha ouvido desde que entrei naquele lugar (e que não havia sido causado por mim ou por alguma rocha rolando).

Me escondi atrás de uma rocha, procurando ver o ambiente em volta de mim. Percebi que ali havia outro lago, talvez fosse de lá que a água estava vindo.

Agachada, segui em frente, já com mão no cabo da espada. Senti uma luz, vinda de algo próximo. Olhei para a minha cintura e vi um brilho azul saindo de minha lâmina. Eu não sabia que ela também podia fazer isso, mas afinal, era uma espada élfica. E aquilo não era um bom sinal.

Me encostei na primeira pedra que vi ao ver algo se aproximando. Olhei discretamente para frente.

Vi uma criatura de feições horrendas e corpo estragado. Dentes largos e unhas deformadas...

Era um orc.

Ótimo. Onde tem fumaça tem fogo, certo? Onde tem um orc, tem mais.

Mas o mais estranho da situação, e com certeza o que me deixou mais alertada, não foi o orc. Foi algo um tanto mais sinistro.

O monstro estava rastejando, parecia machucado por alguma razão. Ele parecia estar fugindo de algo.

Logo seguindo ele, vi uma criaturazinha. Um ser que conseguia ser tão deformado quanto o orc, mas não era um, eu podia sentir. Ele tinha olhos terrivelmente grandes e um corpo magro. Ele era magro a ponto de eu poder ver sua medula espinhal. Tinha orelhas grandes, podia até dizer que eram pontudas. Suas mãos e pés eram largos e grandes, diferente dele, que parecia ser uma criatura bem pequena, pelo menos em relação a mim. Ele usava uma tanga (um tanto antiquada) e possuía pouquíssimos fios de cabelo ainda em sua cabeça.

Ele rapidamente pegou uma pedra do chão, golpeando o orc, abafando seus gritos de dor e tirando o pouco de vida que lhe restava. O monstrengo revidava com todas as forças que tinha, mas era difícil.

Uma vez que o orc desistiu e morreu, a criatura largou a pedra e começou a arrastar o bicho.

E foi nesse momento que tudo ficou muito estranho (realmente muito estranho), pois a criatura falou:

–Goblinses nojentos, precioso!