The Impossible Daughter
4 Sorte?
Notas iniciais
– Hã... Oi, como a senhora vai? – Kaya não sabia o que dizer ou fazer diante daquela criatura feia e enrugada.
– Você quis dizer como as senhoras vão. – Outra criatura estava a sua direita e outra a esquerda.
Céu como não percebera antes? Ela sentia que estava em apuros, e não tinha nada para se defender. A semideusa sabia que com as mãos não conseguiria acabar com as três.
– Isso mesmo, me desculpe. Não quis ser mal educada – precisava pensar em um jeito de escapar.
Poxa, o limite do Acampamento Meio-Sangue estava apenas a 15 metros de distancia e apareciam aquelas coisas, muita sorte dela.
– Fique tranquila Kaya Mores Teleia, não vamos lhe fazer mal – disse a da esquerda.
– Fale por você irmã – riu a da direita.
Kaya sentiu um arrepio na espinha Como essas criaturas sabem meu nome completo?
– Você são irmãs? – ela precisava ganhar tempo, vai que aparecia alguém?
– Sim meio-sangue. Eu sou Tisífone, esta é Megera – indicou para a da direita — e esta é Alectó – apontou para a do meio.
– Vocês são Fúrias – ela disse espantada – Mas não deveriam estar no Mundo Inferior?
– Fomos convocadas por...
– Calhe a boca Alectó.
– Bem, não me importa porque não estão no Mundo Inferior, ou por quem foram convocadas. Mas eu tenho que resolver algumas co...
– Calminha aí semideusa, você virá conosco – Tsífone abriu as asas e não a deixou dar nem mais um passo – Não precisam de você no acampamento.
Kaya recuou alguns passos e encostou-se em uma pedra do tamanho de seu pé. Deu um sorriso amarelo pras Fúrias e tampou a pedra com força na direção de Alectó. A pedra chocou-se, mas a força não foi suficiente para desintegrá-la , então a Fúria só caiu no chão um pouco inconsciente.
– Pelo que vejo você quer despertar a nossa raiva. Parabéns, conseguiu – rosnou Megera, voando em alta velocidade na direção da garota.
Kaya saiu correndo. Por sorte tropeçou num galho e caiu quando a Fúria rasgou o ar em cima dela. Onde está o ataque de fúria quando eu mais preciso? Deve estar dando uma volta por aí. Ela pegou o galho no qual havia tropeçado, era melhor do que nada e ele até era bem pontudo.
– Pensávamos que você fosse melhor que isso. Deuses você é tão patética, acha mesmo que um galho um galho de árvore pode nos deter? – Tisífone materializou-se ao lado de Kaya e lhe deu um soco tão forte que poderia ter quebrado seu maxilar, mas apenas a lançou alguns metros de distancia.
Alectó recobrou a consciência e partiu pra cima dela, que enfiou o galho em uma de suas asas e pulou no pescoço da criatura. Kaya percebeu que o galho havia se partido e só fez um arranhão, deixando a criatura mais furiosa. Ela pensou em algo, poderia funcionar bem, pois Alectó parecia ser a mais burrinha das três, então de uma chave de pescoço na criatura. Enquanto ela tentava tirar Kaya de suas costas as outras Fúrias se atrapalhavam tentando ajudá-la; A criatura estava sem ar quando Megera agarrou com força em seus braços e a lançou em direção a uma pedra grande.
Ao bater com o lado direito do corpo na pedra, sentiu uma dor enorme nas costelas. Preciso chegar ao acampamento, mas não vou conseguir sozinha. Kaya não conseguia ter um ataque de fúria porque sentia dor e medo, e era a primeira vez na vida que ela não conseguia controlar suas emoções.
– Que tal nós brincarmos? — Tisifone sibilou. Cravou as garras com força no tornozelo direito dela e a elevou 10 metros do chão. As garras da Fúria estavam rasgando sua perna, o que fez gritar de dor.
Tisifone lançou-a para Megera como se fosse uma bola, pegou na perna esquerda e depois a soltou. Megera a pegou quando seu nariz estava a 5 centímetros do chão , gargalhando.
– Irmã, isto está sendo tão divertido – Megera voltou para junto de sua irmã. A essa altura, Kaya conseguiu ver o acampamento inteiro.
Uma casa de fazenda azul, quadra de vôlei, e outras construções que ela não identificou e do outro lado de um lago havia chalés, um pavilhão e algo que parecia ser uma arena de combate. Também viu pontinhos que pareciam pessoas, se gritasse talvez a ajudariam.
– Haaaaaaah... Socorro!
Parecia uma ideia boa na sua cabeça, mas ali, gritando de cabeça pra baixo nas garras de uma velha enrugada, pareceu patético. A Fúria a soltou e ela caiu de costas no chão, a cabeça latejava. Kaya tentou se levantar, mas pontos pretos dançaram na frente de seus olhos e caiu sentada. Tocou a lateral da cabeça e sentiu algo molhado, olhou para a mão e viu sangue. As Fúrias voaram em sua direção, sedentas por sangue. É o fim, pensou ela Mãe, talvez isso não aconteça, mas eu gostaria muito de conhecê-la. Se puder, me ajude.
– Não adianta clamar por ajuda, semideusa, e mesmo que consiga você morrerá. Todos já sabem quem você é – Tisifone pôs três gotas roxas de um frasco bege na boca de Kaya. Sentiu as gotas queimarem sua boca e garganta.
Nesse momento ouviu passos. As Fúrias olharam na direção da entrada do Acampamento e sorriram como se houvesse mais pessoas pra brincar e foram voando até elas. Kaya agradeceu baixinho e tentou se virar para ver, mas suas dores aumentaram, fazendo com que ela se curvasse e gritasse de dor. Estava ficando com dormência e os ferimentos pareciam queimar.
Viu um grupo de cinco pessoas de camisa laranja desafiando as Fúrias. Um garoto que devia ter 13 anos aproveitou que Alectó estava caída no chão e cravou uma espada em seu peito, fazendo-a desintegrar. Quando as Fúrias restantes viram a irmã virar pó ficaram ainda mais raivosas e foram pra cima do menino, dois garotos foram ajudá-lo.
Mas um casal ficou pra trás, uma garota de cabelos loiros e olhos verdes, com um arco dourado e uma bolsa de carteiro, e um garoto também loiro de olhos azuis e uma lança. Ele disse:
– Vá cuidar daquela garota, depois eu venho ajudar — ele indicou com a lança na direção de Kaya, a garota assentiu e veio correndo.
– Oi, qual é o seu nome?- a garota disse dando um sorrisinho e se ajoelhando ao lado de Kaya, avaliando seu ferimento.
– Kaya Teleia, e você? – ela teve que fazer um grande esforço para falar.
– Cindy DeBerry, com certeza é uma semideusa, se não as Fúrias não estariam aqui. Você fraturou as costelas. Como veio parar aqui sozinha? – Cindy passou um gel frio nas costelas de Kaya.
– Ai. Meu pai me trouxe até a base da colina e me falou sobre o Acampamento Meio-Sangue. Então as Fúrias apareceram e me impediram de entrar – ela estava ficando zonza.
– Esse gel vai te deixar zonza mesmo, é para acelerar a regeneração das costelas. Você faz ideia de quem seja sua mãe? – Cindy de repente arregalou os olhos. Kaya olho seu braços e viu que estavam ficando brancos como folha de papel, sua garganta estava fechando e sentiu que ia desmaiar. O garoto loiro veio correndo e ao olhar pra ela, pareceu preocupado.
– Cindy, o que aconteceu com ela?
– Thomas, eu não sei. Temos que levá-la para o acampamento agora.
Thomas a pegou no colo enquanto Cindy pegava a mochila de Kaya, que estava jogada em um canto. Os outros garotos destruíram Tisifone e juntaram-se a eles. Thomas estava correndo incrivelmente rápido, com Cindy e os garotos um pouco atrás.
– Você vai ficar bem, está a salvo agora – ele sorriu e ela se perdeu naqueles olhos azuis.
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