The Hybrid Diaries
41 Masquerede
P.O.V. Julieta.
A máscara preta que eu coloquei não era tão... parecida com a dos outros.
E o meu vestido vermelho não ajudava muito.
P.O.V. Romeu.
Como ela era bela. Meus olhos jamais contemplaram tamanha beleza, não conheciam a beleza até este momento.
Seus belos cabelos negros, o vestido dum vermelho tão brilhante que parecia uma brasa. A tez pálida, seus olhos cor de chocolate pareciam tão ternos.
Quem é ela? Ela é um anjo. Nenhuma mulher é assim tão bela.
Um anjo? Uma fada? Com certeza uma criatura que não é deste mundo.
É a criatura mais bela que já contemplei. Porém um infeliz a continuava cercando.
—Senhorita Julieta, vós sois tão bela.
—E não estou interessada.
Oh, que ira se instala em meu peito.
—Mantenha suas mãos longe dela.
P.O.V. Julieta.
Esse homem tá começando a me dar nos nervos e na sala há candelabros a perder de vista, o que significa que tenho muitas velas de onde canalizar.
—Meus olhos jamais contemplaram tanta beleza.
—E seu nome seria?
—Conde Parisius ao seu inteiro dispor.
—Bem, eu tenho certeza de que há muitas outras damas que estão... morrendo para conhecê-lo meu senhor.
—E a senhorita não?
—É tão óbvio assim? Se não parar agora, senhor... vai ver uma coisa da qual não vai gostar.
—Ora, porque não vamos até os jardins, as flores são tão belas.
Isso. Os jardins.
—Quer saber? Tem razão. Eu adoro as flores.
P.O.V. Conde Parisius.
Conheço as mulheres e seus joguetes. Logo estávamos no jardim, mas nada me preparou para o que veio á seguir.
—Vê? Sabia que me desejava.
—Sim. Eu lhe desejo meu senhor. Dizem, que nós nunca esquecemos o nosso primeiro.
—Oh, a senhorita não me esquecerá.
—E nem o senhor a mim. Tem a minha palavra.
Então, o belo rosto dela transformou-se numa coisa horrenda. E senti dentes rasgando a minha carne, perfurando-a. Tentei lutar, mas era inútil.
E ouvi meu coração caminhar para suas últimas batidas.
P.O.V. Julieta.
Isso foi satisfatório. Demais.
—Eu avisei senhor que não iria gostar do que iria ver.
Limpei os cantos da boca com o lenço e voltei para a festa. Pouco antes de sair dei um sorriso sacana. Um sorrisinho de canto.
No segundo em que entrei na festa, havia alguém esperando por mim.
—E você seria?
—Tenho uma alegação. Uma alegação de amor que deve ser ouvida.
—Uma alegação. Você é o que um advogado?
—Não. Sou filho de um rico comerciante.
—Então é um burguês. E como estamos falando italiano, imagino que estamos na Itália.
—Sim. Verona.
Estávamos dançando, mas a minha cabeça estava maquinando uma coisa.
—Em que está pensando, donzela?
—O senhor tem um nome?
—Romeu.
—Sobrenome?
—Montês.
Eu ri.
—Qual é a graça, se me permite a pergunta.
—Você é Romeu Montês e eu sou Julieta Corvinos. Já ouviu falar de um senhor chamado William Shakespeare?
—Oh, sim. Um poeta inglês muito bem quisto.
—E eu achando que meu nome era uma homenagem á personagem. Parece-me que me enganei. O nome dela é provavelmente uma homenagem á mim. Mas, é apenas uma teoria.
Ele se desmascarou e deixei que me arrastasse para o canto.
—Fale senhor, eres muito grande para uma dança campal?
Então, ele me desmascarou.
—Se eu profano com minha mão este santo relicário, meus lábios dois peregrinos rosados...
P.O.V. Romeu.
Ela era a perfeição. Toquei sua mão que estava tão fria, então sua bochecha igualmente fria. Era como se ela fosse feita de pedra, seu rosto tão belo, doce e tão frio. Como uma boneca de porcelana viva.
Beijei-a nos lábios e seus lábios eram frios. Tão doces e tão frios.
—Eu toco, meus lábios com os seus e meu pecado está purgado.
—Então, os meus lábios lhe roubaram o pecado?
—Dos meus lábios? Oh, que infelicidade, então devolva-me meu pecado.
Ele me beijou de novo. E então, apareceu uma empregada desocupada.
—Madame! Uma dama respeitável...
Respirei fundo.
—Estou cansada deste mimimi.
Então, simplesmente olhei nos olhos dela e disse:
—Vá arrumar o que fazer e esqueça o que você viu.
E foi exatamente o que ela fez.
—Pronto. Crise evitada.
P.O.V. Romeu.
A ama simplesmente obedeceu e arrumou uma tarefa qualquer.
—O que foi aquilo?
—Eu tenho uns truques na manga. Meu pai uma vez me disse, ferindo aqueles que amamos, aqueles com quem nos importamos... quer queiramos ou não... é apenas quem nós somos. E serei a sua morte de um jeito ou de outro. Agora, tenho que ir. Foi bom enquanto durou.
E ela foi-se sem que eu pudesse fazer nada para impedir, tentei correr atrás dela, mas haviam muitas pessoas. Bloqueando o caminho.
Eu, Benétido e Mercutio meus caros amigos fomos embora do baile. Encontrei uma maneira de despistá-los e encontrei meu caminho para a antiga propriedade do Genova que havia sido vendida a uma senhorita havia pouco.
Haviam velas acesas, as janelas estavam fechadas.
Ouvi meus amigos chamando por mim.
—Romeu! Pretendente! Homem louco!
Já estava na propriedade vizinho, mas ainda podia ouvir.
—Ele ri de cicatrizes das quais nunca sentiu a ferida.
Pude ouvir o som de um piano.
—Mas, que agradável. Que luz é esta que brilha através da janela? No Oriente, e Julieta é o sol. Surja, justo sol e mate a invejosa lua que já está doente e pálida de dor. Que és tu, a empregada dela, és mais bela do que ela.
Então, eu a vi no balcão.
—Espere. É a minha senhora. Oh, é o meu amor. Oh, se ela ao menos soubesse que é. O brilho de sua bochecha envergonharia as estrelas. Como a luz do dia que apaga uma vela. Seus olhos fixos no firmamento espalharia adiante tamanha luz que os pássaros cantariam pensando que não é noite. Veem como ela encosta a face sob mão. Oh, se eu fosse a luva daquela mão, que eu pudesse tocar aquela bochecha uma vez mais.
—Ai de mim.
—Ela fala. Oh, fale novamente anjo brilhante!
—Ai de mim. Oh, Romeu, Romeu bem que eu queria ser a sua Julieta. Mas, eu não sou. Se quer sou humana, mas nunca abriria mão da minha imortalidade por um homem. Não sei viver sem minha magia. Eu gosto de quem eu sou. Sem idade, sem medo, sem vida. Me apaixonar por um humano de uma era que não é a minha. Clássico eu.
Devo ouvir mais ou falar agora?
—O anjo e o monstro. Que poético. Ou trágico, ou os dois. O Príncipe e a Fera. Você ainda seria você se não se chamasse Montês, mas eu não seria eu se não me chamasse Corvinos. Seu legado é dinheiro, fortuna, homens de negócios. O meu é sangue, morte, medo e dor.
—Eu não a temo! Não sois um monstro para mim.
Ela subiu na beirada do balcão e se sentou com as pernas pra fora.
—É porque você crê numa mentira.
Ela deliberadamente atirou-se de lá e antes que eu pudesse reagir, caiu em pé. Como um gato.
Num piscar de olhos, ela estava ao meu lado.
—Acha que sabe o que eu sou? Você não sabe.
—Eu sei.
—Então diga. Diga em voz alta.
—Ouvi as histórias. De criaturas como você.
—Não existem criaturas como eu. Pelo menos ainda não. Mas, diga.
—Vampier.
—Quase. Eu sou uma Tri-híbrida. Uma híbrida de três criaturas diferentes. Meio bruxa, meio vampira, meio lobisomem. Quando eu fizer vinte e dois, serei forçada a quebrar cada osso do meu corpo para me transformar numa loba. Vou caçar o que quer que cruze o meu caminho, e então terei que continuar me transformando até ser capaz de ter consciência humana em forma de lobo. Para alguns pode levar anos, para outros séculos. Para um vampiro ou um lobisomem este tempo é nada. Para você? É metade da sua vida ou toda ela.
—Então pegue-a. Prefiro morrer amanhã, do que viver mil vidas sem tê-la conhecido.
P.O.V. Julieta.
Qual é a dos humanos e sua total falta de noção de perigo?
—Bem, então acho que vou ter que ser mais direta. Talvez, assim você veja onde está se metendo.
Agarrei-o, coloquei-o de cavalinho nas minhas costas e o carreguei até a floresta.
—Isso foi... notável!
—Mm. Sou vampira. Porque você não me faz a pergunta mais básica? O que nós comemos?
—Não vai me ferir.
—Não vou? Porque não vai perguntar ao seu amiguinho, o Conde Parisius o que acontece quando eu fico com raiva? Quando eu perco meu controle? Oh, espera... você não pode. Porque ele é agora um cadáver seco que apodrece nos jardins da casa vizinha. Sou uma predadora, uma matadora, uma assassina.
—Eu não creio nisso.
—É porque acredita numa mentira. É uma camuflagem. Um sábio uma vez disse... é incrível a ilusão de que beleza é bondade. E esta é a razão de eu ser uma predadora Alfa, a predadora mais... perigosa e absolutamente letal que já foi criada. Porque tudo em mim... é convidativo. A minha voz, minha aparência e acredite ou não até o meu cheiro. Como se eu precisasse de tudo isso.
Vamos acelerar as coisas.
P.O.V. Romeu.
Num piscar de olhos ela estava encima duma árvore atrás de mim.
—Você não pode correr mais que eu!
Ela pulou da árvore para o chão tão depressa que não pude ver. Não até ela estar bem ao meu lado. Pegou um enorme tronco de árvore e atirou a metros de distância.
—Não pode lutar contra mim! Eu tenho o instinto assassino e fui projetada pra matar.
—Pouco me importa.
—Então, você não é Romeu e um frágil ser humano?
—Nenhum deles, meu amor se de nenhum deles você gostar.
Julieta respirou fundo.
—Vamos, não é seguro pra você ficar aqui á noite.
Ela carregou-me de volta até o jardim e escalou a videira até o balcão. Colocando-me no chão.
—Acha que sabe no que está se metendo, mas não sabe. Acha que desistir da sua mortalidade é a coisa certa a se fazer... que não vai se arrepender. Mas, vai. A maioria dos transformados se arrepende. Um vampiro vê e sente o mundo dum jeito que nenhum humano conseguiria.
—Não importa.
—É claro que importa. Ei, importa e muito.
—Qual seria a melhor parte de se ser vampiro?
—A sensação de que pode fazer qualquer coisa. Coisas que jamais pensou serem possíveis.
—E a pior?
—A fome. Fome insaciável, a sede de sangue que está com você todo o dia, a cada segundo de cada dia, mas não acho que seja a pior coisa. Acho que a pior coisa são os sentimentos. Tudo é aumentado, as coisas bonitas são ainda mais bonitas, tudo é mais intenso. E este é o problema. Coisas bonitas são mais bonitas, mas o inverso também é verdadeiro. Quando amamos amamos mesmo, é profundo, visceral. A raiva vira uma fúria assassina, tristeza vira desespero, o luto, a perda... podem te aleijar. Não literalmente. É por isso que alguns desligam o botãozinho.
—Desligam o botãozinho?
—É possível desligar a humanidade, pelo menos nos primeiros anos após a transformação, mas quanto mais o tempo passa... você percebe que só torna tudo pior.
—E quanto tempo leva para aprender a lidar?
—Ainda tento. Todo dia. É uma luta sem fim.
—Senhorita, por aquela lua eu lhe juro...
—Não jure pela lua. Aquele astro tão inconstante que a todo mês muda de órbita.
—E pelo o que devo jurar?
—Não jure. Só me ouça. Está sendo muito precipitado, muito imprudente, muito apressado.
—Não. Por este botão de amor, no fôlego do verão se provará a mais bela flor quando nos encontrarmos de novo.
—Vá embora e tenha um boa noite.
—E me deixará tão insatisfeito?
—Que tipo de satisfação teria esta noite?
—A troca do seu voto de vosso amor fiel pelo meu.
—Casar? Eu te dei o meu amor antes mesmo de você me pedir.
—Minha senhora! Madame.
—Ai, mas esta mulher realmente não tem mais o que fazer. Já vou, boa ama. Fique aqui um momento enquanto eu dou um jeito nela.
Ela saiu correndo, numa velocidade que pude ver.
—Temo que tudo isto não passe dum sonho. Muito lisonjeiro e doce para ser substancial.
—Acho que se o seu amor é mesmo puro me propõe casamento?
—É sim, minha senhora.
—Aqui o casamento é super estimado e mesmo se assim fosse, não daria certo. Porque eu teria de voltar para casa uma hora e nós nascemos em séculos diferentes. Na verdade eu ainda nem nasci.
Nos beijamos novamente e novamente e novamente.
—Se realmente, está disposto a fazer isso... mandarei alguém atrás de você. Mas, a que horas?
—Ás nove.
—Então, terá alguém na sua porta ás nove da manhã. Não vá pela floresta, há muitas armadilhas lá. Bem, boa noite e até amanhã.
Esta noite dormirei em paz.
—Oh, minha senhora venha cá. Vai pegar uma friagem!

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