The Hunter Family Of The Hunters
14 Unusual Vampire
Notas iniciais
POV Evy
Não, não pode ser, minha irmãzinha...foi transformada? Ela não merece isso, tudo bem que ela tinha poderes antes...mas é nossa herança de família, se ela foi transformada...isso significa que ela perdeu isso, e eu sei que ela ama seus poderes.
A enfermeira chegou e checou todos os sinas vitais dela, e eu me surpreendi pelo fato de que o coração dela estava batendo normalmente, ela sorriu pra mim como se tudo estivesse bem, mas eu comecei a pirar com isso, depois que ficamos sozinhas, ela me explicou que ele não a transformou completamente, mas que só a salvou, por enquanto, e que ela acabaria sendo transformada depois, eu vi a tristeza em seus olhos, mas não consegui encontrar nenhum traço de arrependimento.
— Você não se arrepende? – eu pergunto um pouco indignada.
— Não, nem um pouco...e você? Não está feliz que eu estou acordada? Que eu estou viva.— ela olha nos meus olhos falando a última parte.
— Você sabe que não está viva. Você vai mesmo abandonar tudo o que sua família tinha de princípios e virar o que você caça por paixão? – eu falo sentindo meu rosto esquentar, ela ri.
— Princípios? Na nossa família nunca houve princípios, somos uma completa bagunça, bruxas, lobisomens, criaturas existentes antes da criação do mundo e dos seres humanos e aí vêm os caçadores, que deveriam caçar essas criaturas, porém se envolviam com elas, o que apenas piorou nossa situação atual como descendentes deles – ela fala com completo desgosto.
— Você não é a Kah...a Kah que eu conheço ama a família que tem, respeita suas linhagens e as aceita com orgulho, o que você se tornou por um desejo egoísta de viver? – eu falo completamente pasma com o que tinha escutado.
— Desejo egoísta de viver? Acha que foi por isso? Ah, ótimo, vou ser a vilã da história – ela se levanta e começa a andar pelo quarto – mas você já se olhou Evy? Já pensou que esse desejo egoísta que você fala, não é seu? Você que sempre me dizia “aguenta, nós acharemos um jeito de te trazer de volta, eu não deixarei você morrer, não vou deixar você ir, não estou pronta” então, o que me diz? – ela se senta novamente na cama e me olha nos olhos – não é culpa sua eu ter me tornado isso? Um ser sem emoções...por uma irmã que não queria me deixar ir – ela se levanta e anda até a porta – eu vou facilitar as coisas para vocês, para que não tenham que me esconder de caçadores o tempo todo, antes que pergunte, sim, isso é um adeus.
— Mas, Kah...não... – eu me levanto da cadeira que estava sentada.
— Nem tente, é uma escolha para o seu bem e o meu também...adeus – ela se vira de costas pra mim – ah, diz pra Angel não se chatear nem ficar triste, é melhor assim – em um segundo ela estava parada em frente a porta fechada e no segundo seguinte, ela havia partido, eu senti lágrimas rolarem pelo meu rosto.
— Ai Kah, estou tão feliz que...ué, ela foi ao banheiro? Por que você tá chorando Evy? – Angel fala ao entrar no quarto, confusa.
— Ela se foi Angel.
— Mas...ela acabou de acordar... o que aconteceu? Ela estava tão bem...- seus olhos se enchem de lágrimas.
— Foi melhor assim Angel, ela não era mais a nossa Kah, ela estava...diferente – eu a abraço forte e faço carinho em seus cabelos, ela começa a soluçar.
— Mas...ela...eu só quero a minha irmãzinha de volta, ela...mal acordou de um coma...eu preciso...da minha irmã – ela tentava falar entre soluços.
— Calma, ela não nos abandonou pra sempre Angel, eu sinto que não, se acalme – essa guria não vai nos abandonar assim, eu sei disso, ela vai voltar, nem que eu tenha que arrastar ela pra casa pelos cabelos, mas, vou dar um tempo pra ela...ela merece.
Alguns meses depois
— Angel, levanta, você vai se atrasar pro seu primeiro na faculdade – eu faço manha e puxo os cobertores dela e vejo que ela estava chorando – Angel...o que foi?
— Era...era pra ser um momento meu e da Kah, mas...aquela idiota foi embora e me deixou aqui, desamparada, deveríamos passar por isso juntas, ela deveria me apoiar, mas ela fugiu, aquela covarde – eu respiro fundo.
— Angel, eu já falei, ela precisava de um tempo, ela não era mais a Kah que nós conhecíamos.
— Você sempre fala isso, mas nunca me diz o que aconteceu, é bem sua culpa ela ter ido embora – ela se levanta irritada.
— Angel – eu falo com uma voz firme – ela não era a Kah.
— Então quem era?
— Ela...eu não posso te falar, ela...Angel... – eu nunca consegui explicar pra ela, porque, é, ela estava certa, a culpa é nossa.
— O que? – ela fala seca – olha... – nós escutamos batidas fortes na porta.
— Oxe – eu desço as escadas correndo e já puxo um revólver da cintura – quem é? – eu falo bem perto a porta.
— Somos nós – uma voz familiar fala, eu abro apenas uma brecha na porta.
— Que é? – a arma ainda em mão.
— Temos uma surpresa boa pra vocês – Dean fala, eu abro a porta, a arma ainda na mão, Dean entra – nossa, que bela recepção...
— Não reclama, eu ainda estou com uma arma, não devíamos ter dado nosso endereço pra vocês...mas depois da morte do John e...a Kah fugir...é, precisávamos de apoio e estávamos alteradas pelas emoções.
— Posso falar? – Dean fala impaciente.
— Tá, fala – eu digo.
— Ok, Sam, pega a surpresinha no carro – Sam se retira e fecha a porta.
— Eita...Angel, pega o equipamento anti bomba que a porra é séria.
— Que bomba o que mulher, ô Sam, é tão difícil trazer ela? – ele já fala impaciente abrindo a porta.
— Mas...não pode ser – eu escuto Angel atrás de mim, eu não consigo dizer nada, a imagem de Kah sendo carregada nos braços até nós duas pelo Sam não parece real – mana... – Angel corre até ela, que estava desacordada.
— A achamos em uma caçada por Nova Orleans, pelo que parece, lá é basicamente comandada por vampiros, decidimos fazer uma troca, a Kah pela paz deles, ela se ofereceu pra vir, mas não disse nenhuma palavra e dormiu na viagem – Sam explica.
— Essa demente...me deixa sozinha e desamparada depois de tudo o que passamos? – Angel começa a chorar de novo, após falar.
— Não vai dizer nada Evy?
— Não, não sou obrigada, ela quis ir, e ela quis voltar – eu sento no sofá – e você Sam? Não vai soltar ela? – eu pergunto incomodada com o fato de ele estar segurando ela de uma maneira quase possessiva.
— Ah...claro – ele fala constrangido, Kah acorda na mesma hora.
— Onde eu estou? – ela dá um pulo, ficando de pé, logo fica tonta e começa a gritar de dor – ...sol – o sol refletia em um espelho e chegava em Kah, seu braço estava queimando, ela se move rapidamente para um canto da casa com sombra e fica lá encolhida.
— Kah? Mas o que? – Angel fala confusa.
— A Evy não contou? – ela fala com uma voz sarcástica.
— Contou o que? – Dean fala curioso.
— Ela virou uma vampira – eu falo sem paciência.
— Como você pode fazer isso comigo – Angel pega uma arma, eu sabia o que tinha lá, balas de prata, ela não era um lobisomem...isso não ia adiantar.
— Não se preocupe Angel, eu ainda sou...normal, só preciso de sangue pra viver, mas não matei ninguém eu juro – ela se levanta – quer dizer, não mais do que antes.
— Mas matávamos monstros.
— Monstros? E os seres humanos não são monstros? Eles destroem tudo o que julgam diferente, como você pode falar de monstros se você mesma é uma – ela ri – ah, vocês não sabem? Somos amaldiçoadas, quando ainda estávamos sendo geradas pela nossa mãe, uma das bruxas inimigas da mamãe nos sentenciou a virar aquilo o que ela caça, mas apenas em períodos de lua de sangue, é, nossa mãe deixou muitas pessoas irritadas e quem paga somos nós, que feio – ela faz bico.
— PARA – Angel grita, Kah ri sarcasticamente.
— Não gosta de lembrar quem você é de verdade? – ela anda em nossa direção pelas sombras – um monstro – Angel atira em Kah com a arma que estava segurando, ela recua um pouco e ri novamente, Angel descarrega todas as balas do cartucho e Kah continua rindo, ela estava de cabeça abaixada, ela a levanta lentamente, revelando seus dentes afiados, ela vai na direção de Angel para atacar, porém Sam a segura.
— Acho que chegou a hora em que alguém prende ela – Dean fala olhando para mim.
— Ok, venham – eu os levo até um lugar no porão, onde havia uma cadeira com correntes de ferro, eles a prendem lá e eu pego uma bolsa com sangue de homem morto e injeto nela, ela para de se debater – vocês...falaram que ela dormiu? – eu pergunto com dúvida.
— É, no meio do caminho, até aqui, por quê? – Sam fala.
— Meu querido Sammy...vampiros não dormem, anta – eu bato na parte de trás de sua cabeça.
— Ai...bruta – ele reclama com a mão onde eu bati.
— Então...que tipo de vampira é a Kah? – Dean pergunta.
— Não me perguntem, eu só sinto sede de sangue e tenho presas, fora isso sou normal – Kah fala inocentemente.
— Muito normal – eu digo revirando os olhos e me aproximo dela, pego seu queixo com minha mão e levanto, analisando todos os traços e aqueles olhos sem vida – eu vou sair, não deixem ela escapar – eu falo e saio de casa, pego o carro e rumo para um lugar já conhecido e visitado por nós muitas vezes.
— Lembrou que tem tia? – eu escuto aquela voz doce, acompanhada de um caloroso sorriso.
— Tia Flora – eu a abraço ao sair do carro.
— O que foi? Vocês só vem aqui se tem algum problema, e se só vem você é um problema extremamente sério que você não quer preocupar suas irmãs – ela fala e eu assinto.
— Verdade, mas dessa vez, o problema é a Kah – eu falo triste.
— A Kah? – ela me olha surpresa – vamos entrar – ela me puxa para dentro.
— Sim, ela...foi transformada...mas – eu vejo um olhar horrorizado dela – não é uma transformação normal, ou pelo menos não completa – eu explico.
— Conte mais.
— Ela ainda dorme, só tem duas presas...
— Acha que eu consigo curá-la? – ela me olha.
— É...
— Acho que consigo – ela se levanta – só preciso...de algumas coisas – ela volta depois de um tempo com uma bolsa, eu sentia um cheiro forte de ervas, mas não sabia identificar. Eu a levo até nossa casa, que era da mamãe – eu ainda sinto o cheiro da Helena nessa casa, tudo me lembra dela... – ela fala passando a mão no sofá da sala.
— Só mudamos algumas coisas, não queríamos perder o sentimento materno daqui – eu limpo uma lágrima – vamos, ela está lá embaixo – eu a guio até onde minha irmã do meio estava, vejo Sam e Dean sentados em duas cadeiras, conversando, e Kah dormindo.
— Acorda ela – minha tia me fala, eu obedeço, Kah mostra um olhar inocente ao acordar.
— Quem é essa? – Dean pergunta apontando para a mais velha da sala.
— Pessoal...essa é nossa tia, Flora – eu abraço a tia Flora.
— Tia? – Sam parecia surpreso.
— Sim, e não sou a única, elas tem mais duas além de mim – ela sorri e começa a preparar o que presumi ser uma poção – ah, e eu sou uma bruxa...todas somos na verdade.
— É...que lindo, toda nossa família descende de bruxas que se casaram com caçadores...masoquismo tá no sangue talvez – Kah fala sorrindo, mas não parecia sarcasmo, parecia felicidade, eu nem retruquei, apenas fiquei em silêncio, tia Flora terminou a poção e tivemos que segurar Kah para que ela bebesse, os garotos não falaram nada na questão das bruxas da nossa família, Angel ainda não deu sinal de vida.
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