The Hunter

5 Capítulo 05 - Pesadelos do Passado


Notas iniciais
Como a história de Edward e Jully terminou. E uma nova personagem será apresentada.

Capítulo 05

Pesadelos do Passado

Algumas semanas haviam se passado desde que eu e Jully nos amamos pela primeira vez. Desde então eu descobrira que possuía talento para a coisa. Mas isto não vem ao caso.

O importante era que eu tinha saído na cidade naquele dia e voltaria apenas à noite. Como de costume, chovia muito em Londres quando voltei.

Era próximo de meia noite e tinha combinado com Jully que ela me esperasse em minha casa. Se não tivesse combinado isso com ela... talvez...

Mas o passado é passado, e não havia como mudar aquilo. Nem mesmo havia como acordar do pesadelo que estava relembrando.

Desci do táxi logo em frente de casa e corri para a pequena cobertura da porta. Enquanto procurava as chaves em meu bolso, uma sensação muito ruim invadiu meu corpo. Quando toquei a porta para abri-la, descobri que estava apenas encostada e a sensação ruim deu lugar a uma grande agonia.

As luzes já estavam todas apagadas e tentei me confortar imaginando que todos estivessem dormindo. Acendi a luz na sala e encontrei tudo em perfeita ordem. Um grande alívio me invadiu desta vez, e meu coração começou a bater no ritmo certo.

Fui até a cozinha comer alguma coisa. Após isso, subi até meu quarto para me encontrar com minha amada. Provavelmente a surpreenderia dormindo.

Subi as escadas lenta e silenciosamente. Não queria acordar meus pais, pois assim teria mais privacidade para namorar. Se fosse o eu dos dias atuais, teria reparado nas pequenas gotas de sangue que manchavam a parede no fim da escada.

Virei no corredor ao fim da escada e tateei para encontrar o interruptor. Assim que a luz se acendeu, meu coração deu um pulo dentro do peito. O chão estava completamente coberto em sangue, e corpo de meus pais estavam estendidos, um sobre o outro; como se meu pai tivesse tentado proteger minha mãe.

– Não!

Eu gritei, enquanto corria em meio ao desespero para junto deles. Ambos os corpos ainda tinham um pouco de temperatura e sangravam pelos diversos cortes abertos. Isso significava que havia acontecido há muito pouco tempo.

Chorei em silêncio sobre o corpo deles. As lágrimas rolavam dos olhos para minha face, mas eu não emitia som algum, apenas pesar. Permaneci ali por quase um minuto até que me lembrei de que Jully deveria estar em meu quarto.

Corri até ele preocupado com ela, que seria a última pessoa que me restaria agora que meus pais tinham...

A porta estava caída no chão e eu passei por cima dela assim que vi minha namorada deitada em minha cama e coberta em sangue. Corri até ela e verifiquei que ainda respirava, apesar de ser uma respiração muito fraca. Tinha cortes profundos nos braços e na região do abdômen; sua vida se esvaia com a hemorragia.

– Jully... por quê? Por que isso tinha que acontecer?

Lamentei-me sem saber o que fazer, tinha que chamar uma ambulância. Ela tinha que sobreviver.

– Ed... Edward...

– Jully... eu vou...

– Não vá... fique aqui comigo.

Ela estava com os olhos fechados, mas ainda assim me reconhecia. Segurei uma de suas mãos na minha, enquanto limpava o sangue e o cabelo de seu rosto com a outra.

– Nós... nós tivemos... bons momentos juntos, não é meu amor?

– Não... não fale assim. Aguente firme. Não me deixe.

– Desculpe-me Edward... eu... eu não posso.

Sua respiração estava cada vez mais fraca. Parte de mim queria ajudá-la. Mas no fundo eu sabia que a tinha perdido, que não teria mais jeito.

– Eu... te... amo... Edward.

– Também te amo, Jully.

Foram as últimas palavras que pudemos trocar antes de sua vida se esvair por completo. Chorei mais um pouco em silêncio. Tudo o que eu tinha de mais precioso me fora tirado. O pior era que eu nem sabia o porquê ou por quem.

* * *

Os dias que se seguiram eu passei como um zumbi. Não conseguia dormir, nem me alimentar. Estava chegando quase em um estado catatônico, quando eu conheci aquele cara.

Naquela noite eu estava sentado em uma poltrona num pequeno apartamento para onde havia me mudado. Na manhã seguinte deveria começar em meu primeiro emprego, mas não tinha animo algum para isso. A TV estava ligada e lampejos luminosos se refletiam no meu rosto em meio ao ambiente lúgubre e sem qualquer outro foco de luz.

Um homem vestindo um sobretudo preto e um chapéu na mesma cor, entrou em meu apartamento de alguma maneira que não descobri até hoje, pois ele estava trancado.

O sujeito parou em minha frente e as luzes do aparelho de TV caíram sobre ele, deixando-o com uma aparência um pouco tenebrosa. Passou por minha cabeça que talvez tivesse sido ele quem havia acabado com minha vida. Se fosse o caso, ficaria feliz se ele desse o golpe final naquele momento.

No entanto, não foi o que aconteceu.

– Edward Van Killen? Não imagina como foi difícil encontrá-lo.

Como eu não levantei meu olhar, ele me forçou a encará-lo. Para tal, segurou em meu queixo com a mão direita e me obrigou a levantar a cabeça.

– Eu sei o que lhe fizeram e quem fez isso.

Aquela frase foi suficiente para me “reviver”. Ele sabia quem tinha matado todos aqueles que me eram caros e, através dele, conseguiria minha vingança.

Aquele homem era Paul Jenn Markwalber, líder fundador da Hunting Nights. Foi ele quem me treinou pessoalmente para ser um caçador. Foi meu mentor, mestre e segundo pai. Paul também me revelou a verdade por trás de meu passado; contou-me que eu era um meio incubus e que meu pai biológico havia matado minha mãe e meu pai adotivo apenas na tentativa de me eliminar antes que eu tivesse poder suficiente para acabar com a vida imortal dele.

* * *

Acordei próximo das dez da noite. Estava muito transtornado com as lembranças que aquele sonho havia me trazido de volta.

Dos dezessete aos vinte anos eu passei treinando com Paul para me tornar um caçador e, graças aos poderes herdados de um incubus, eu havia me tornado muito bom nisso. No final do treino ele me entregou a kusarigama feita em titânio que levo comigo. Após isso, nunca mais o vi, pois nunca mais voltei para a Inglaterra.

Com esses pensamentos em mente, resolvi ler meus e-mails para me colocar a par do que acontecia no Hunting Nights. Descobri que havia uma nova missão para mim.

Desta vez, teria de caçar uma vampira mestra de uma linhagem desconhecida. Passei batido pelo nome e informações detalhadas. Pouco me importava se ela estava em Londres ou no Japão; não teria tempo para caçá-la de qualquer maneira. Respondi ao e-mail de uma maneira fria e objetiva, descartando a missão e dizendo ter coisas mais importantes a resolver.

Olhei para o relógio e percebi que já eram quase onze horas. Resolvi que era melhor sair por ai para procurar alguma fonte de informação de James Windrun, que seria a ponte de ligação para o incubus que provavelmente seria meu pai.

Minha busca se iniciou em um bairro de classe média de Londres. Era meio agitado durante a noite, devido a seus muitos bares e casas noturnas frequentadas por jovens de classe média ou por seres da noite. Obviamente meu alvo seria o segundo grupo.

Logo percebi que os taxistas da Inglaterra não eram tão mercenários quanto os italianos, pois este me cobrou um preço razoável pela corrida, mesmo sendo à noite. Ao chegar ao bairro, comecei a caminhar por ele, na espreita de algum ambiente impregnado com vampiros.

Para mim nunca foi difícil reconhecer cada uma das espécies de seres das trevas. Talvez esse fato se deva por eu ser um deles também. Após um tempo, avistei uma pequena construção de aparência rústica. Ela era feita em tijolos e tinha uma fachada onde estava escrito Blood Night em efeitos parecidos com sangue. Resolvi iniciar minha busca mais detalhada por ali e entrei pela pequena porta de madeira que estava destrancada.

Assim que entrei no bar, percebi que o ambiente era iluminado apenas à meia luz. O local era tão ou mais rústico que o lado de fora. Chão, paredes e teto eram todos compostos de madeira, assim como as mesas e o balcão do lado esquerdo. A direita ficava uma espécie de palco com uma mesa de som, onde um flash back podia ser ouvido. Confesso que a música não era das piores, mas nunca gostei de dançar como as pessoas faziam na pista de dança na frente do palco.

Como de costume ao entrar em um lugar desconhecido, analisei as pessoas que compunham o ambiente. A maior parte era humana, porém já percebi vários vampiros, todos transformados. O pior era saber que um pequeno grupo de lycans estava reunido em uma mesa ao canto. Eles sempre gostavam de arranjar confusão e era muito estranho vê-los na cidade.

Aproximei-me do balcão a fim de pedir uma bebida. Reparei que os barman e garçonetes vestiam-se socialmente e de preto, porém tinham detalhes que lembravam sangue em sua roupas; típico da temática do ambiente. Iria pedir uma vodka, mas preferi ir direto às informações.

Antes de pedir qualquer coisa, porém, notei que uma vampira se aproximava de mim. Ela tinha os cabelos escuros e lisos, mantendo-os em um corte moderno que chegava na altura de seu queixo. Vestia-se com um vestido de cor verde escuro que denotava seu belo corpo. Em seus pés reparei que havia um sapato com salto baixo, o que certamente a possibilitaria correr muito bem.

Quando ela chegou mais perto, percebi que também pretendia beber alguma coisa – vampiros não consumiam alimentos, mas podia desfrutar do sabor de uma boa bebida.

– Uma garrafa de seu melhor vinho e duas taças – pedi ao barman. – Acompanha-me, bela dama?

– Apenas se puder saber o nome daquele que tenta me agradar – ela me respondeu.

Dispensei-lhe um sorriso galanteador. Nunca havia testado minhas capacidades sedutoras de incubus com uma vampira antes, mas acreditava que funcionaria da mesma maneira.

– Edward – respondi simplesmente. – E você também irá revelar-me sua identidade? – provoquei-a.

– Sou Evellyn e aceito o vinho e sua companhia, Edward.

O barman serviu-nos o vinho e eu apreciei a bebida lentamente, incentivando que minha companhia também ingerisse o liquido carmesim. Tinha certeza de que ela desejava outro tipo de liquido da mesma cor, mas ficou satisfeita com aquele.

– Então, Evellyn, o que a traz sozinha para este bar?

– Aguardo um possível sócio. Acredito que possamos fazer grandes negócios.

Realmente percebi que ela mantinha grandes atenções ao ambiente. Algo me sugeria que ela já havia localizado este "possível sócio" e apenas aguardava a oportunidade de abordá-lo.

– Um lugar singular este aqui para uma reunião de negócios. Devo confessar que intimamente torço para que ele não apareça para que eu possa apreciar mais um pouco sua companhia.

Ela sorriu de maneira provocativa ao ouvir aquilo. Sorveu um pouco do vinho antes de responder-me.

– Mesmo que ele apareça, guardarei o final da noite para você.

Aquilo me pareceu bem interessante. Eu já tinha ouvido que as vampiras eram ótimas amantes. Talvez ela também planejasse me matar e se alimentar de meu sangue após o ato, mas isto eu não planeja permitir.

Percebi que um sujeito alto trajando calças, sapatos e camisa sociais acabara de sair do local. Assim que ele o fez, Evellyn fez menção de sair de perto de mim. Antes, porém, dirigiu-me algumas palavras.

– Parece que meu sócio acaba de chegar – ou de sair, completei mentalmente. – Temo ter que abandoná-lo por enquanto, Edward, mas nos veremos de novo.

Ela terminou a taça de vinho e rumou diretamente para a saída. Permaneci ali observando-a se afastar e apreciando o que minha visão acostumada com ambientes sombrios como aquele me permitiam ver.

Mal ela havia saído e percebi que os quatro lycans que estavam sentados na mesa bebendo também se levantaram. Eles apressaram-se para a saída. Eu já sabia exatamente qual seria o alvo daqueles. Vampiros e lycans nunca foram grandes amigos.

– Tsc.

Nem eu sabia ao certo porque estava fazendo aquilo. Evellyn não significava nada para mim e eu mal acabara de conhecê-la. Sequer podia saber se ela teria alguma informação útil para mim. De uma maneira ou de outra, deixei algumas notas sobre o balcão para pagar a bebida e saí para noite.

Notas finais
E aí, o que acharam? Já devem imaginar o que virá no próximo capítulo, não?