The Hunter

8 Capítulo 08 - Armadilha


Notas iniciais
O plano é revelado e executado, mas algo inesperado está prestes a acontecer.

Capítulo 08

Armadilha

Aquela já era a terceira noite e aquilo que fazíamos parecia que não resultaria em nada. Eu estava impaciente, Evellyn parecia não se importar muito, mas eu não conseguia ter absoluta certeza devido à distância que estávamos.

Eu me encontrava no alto de uma loja de dois andares e ela estava posicionada em cima de um pequeno prédio de cinco pavimentos. Observávamos a rua sem qualquer movimento apenas com a iluminação urbana e da lua para nos auxiliar.

Já estava começando a pensar em uma outra possível estratégia quando vi o carro de Natenska vindo em nossa direção. Ela o dirigia e o distinto homem estava ao seu lado. Eu sabia que ela não teria dificuldades em seduzi-lo caso o encontrasse.

Saltei do prédio e cai em meio a um giro para ajudar a amortecer a queda. Precisava agir rápido, pois o carro de Natenska acabara de bater em um poste: o maldito havia percebido nossa emboscada.

Enquanto eu corria em direção à minha companheira percebi que ela saltava do carro em uma velocidade muito maior que a maioria dos humanos poderia ter, em suas mãos, duas pistolas glock.

Não levou muito tempo para que o vampiro Scott a seguisse com sua velocidade sobre humana. Ela começou a disparar e ele recebeu três dos projéteis antes de conseguir se esquivar para o lado e se proteger atrás de um carro estacionado na rua.

– Pensou que seria uma bela transa e um bom e quente sangue de ruiva, não é, seu cretino?

Pude ouvi-la provoca-lo em inglês com seu sotaque russo. O vampiro cedeu à provocação e avançou em movimentos aleatórios de um lado para o outro na esperança de esquivar dos tiros e pegar seu premio.

Natenska era boa com aquelas armas leves, realmente muito boa, e atingiu-o com mais quatro disparos antes que ele conseguisse se aproximar mais. Já sangrando de diversos furos ele tentou agarra-la, mas Natenska esquivou-se no último segundo e desferiu-lhe um chute direto na têmpora esquerda enquanto girava para evitar ser agarrada.

A força humana não pode ser comparada com a de um vampiro e um chute não poderia derruba-lo. Mas um golpe bem localizado como aquele seria suficiente para ganhar tempo e Natenska sabia como utilizá-lo muito bem. Apontou a mão da arma direita diretamente para a testa do vampiro enquanto guardava a outra arma e levava a mão esquerda para um amuleto que trazia em uma corrente no pescoço. Durante esse meio tempo ela disparou a Glock, mas Scott foi capaz de esquivar-se mesmo com a proximidade da arma.

Puxei Natenska pelo braço um instante antes dela pegar seu amuleto e, assim que a tirei de frete do vampiro, desferi um soco muito bem colocado contra a face do desgraçado.

– Poupe seus brinquedinhos, Natenska, eu assumo a partir daqui.

– Acho que ele percebeu o cheiro da Evellyn bem antes do que prevíamos e quase me matou no carro.

– Não tem problema. Eu sabia que você iria se safar desta com facilidade.

O olhar que ela me lançou indicou que não seria tão fácil conseguir sexo com ela naquela noite. Não que eu me importasse, pois tinha a Evellyn para isso caso eu quisesse.

Scott Adiers avançou contra mim na confiança de que poderia me matar por eu estar desarmado. O que ele não sabia era que minha força era equivalente a de um vampiro transformado, mas minha velocidade era ainda maior.

Esquivei-me de seus golpes com certa facilidade enquanto punia-o com os meus próprios. Seus ferimentos à bala já estavam começando a se regenerar e não prejudicavam seus movimentos. Isto deixou-o muito assustado ao ponto de se afastar.

Por um momento eu acreditei que ele iria tentar fugir, mas não era isso o que ele tinha em mente. O maldito sacou uma pistola desert eagle de seu casaco e a apontou contra meu peito e disparou. Eu poderia ter tentado me esquivar e talvez até mesmo tivesse conseguido apesar da surpresa, mas não o fiz.

A bala atravessou o lado direito de meu peito e saiu pelas minhas costas. Senti a dor do projétil aquecido atravessando meu corpo e meus pés sendo levantados do chão enquanto eu era arremessado para trás.

– Edward! – gritou Natenska, meio desesperada.

– Agora vai ser a sua vez, vadia – disse o vampiro em resposta.

– Vejam só, o sanguessuga resolveu apelar e sacar uma arma.

Foi muito interessante ver o medo e o espanto em seus olhos enquanto ele me observava me levantando com um sorriso no rosto. O ferimento doía pra cacete, não negarei, mas eu sabia disfarçar muito bem. Eu sangrava pelo peito e pelas costas, mas minha regeneração de incubus já estava fazendo seu serviço e fechando o ferimento.

– Por acaso você é imortal?

– Talvez.

Ele, então, descarregou a arma contra mim. Eu já tinha conseguido o que queria com meu teatrinho e não deixei que as balas me atingissem, então corri para o lado enquanto ele as disparava. Se fosse um atirador melhor como eu ou Natenska isso não seria uma manobra viável, mas Scott não era assim tão bom.

Assim que terminou de atirar, o vampiro virou-se pra fugir. Isso já era esperado, mas não foi necessário que eu agisse, pois Evellyn saltou bem na frente dele, portando duas adagas longas. A vampira mostrou-se mortal com suas armas e golpeou Scott diversas vezes com suas armas, infringindo cortes em seus braços, tórax e abdome. Por fim, fincou uma de suas armas em sua cabeça para deixa-lo desacordado.

– O serviço está feito – afirmou ela.

– Mas você o atingiu na cabeça, dependendo da profundidade, você pode acabar destruindo-o com isso.

– Relaxe Natenska, eu já vi um vampiro ter metade da cabeça arrancada e ainda sobreviver. O único jeito efetivo de matar esses sanguessugas é decapitando ou queimando até os ossos.

Eu respondi enquanto ela se alinhava a mim para nos unirmos ao vampiro caído e à nossa aliada.

– E você, Edward, que se regenera tão rápido quanto um vampiro mestre, ou talvez mais rápido, qual seria a maneira de matá-lo? – Evellyn provocou-me enquanto se aproximava e guardava suas armas.

– Por que quer saber? Por acaso pretende tentar me matar? – respondi-lhe com um sorriso zombeteiro.

– Apenas curiosidade. Não acha mesmo que eu iria desperdiçar um homem destes, não é? – disse enquanto passava sua mão sobre meu peito.

Natenska encarou-nos com um olhar de poucos amigos enquanto chutava o vampiro caído, virando-o no chão. O sangue jorrou mais um pouco, formando uma pequena poça no chão, mas seus cortes curavam-se lentamente.

– Vamos leva-lo logo. Acho que não poderemos leva-lo no carro que eu havia alugado.

No final, o sedan havia funcionado mesmo com os danos sofridos com a batida, então enfiamos o vampiro no porta malas e seguimos para o local que havíamos arranjado para esconde-lo.

Havia alguns barracões abandonados no subúrbio de Londres e era para um destes que levávamos nosso "convidado". Ali o prendemos com grossas correntes, impossibilitando que ele fugisse, ou sequer tentasse alguma agressão contra nós.

– E o que faremos agora? – perguntou Evellyn.

– Agora começa a parte mais divertida do trabalho. Natenska, você trouxe o que precisamos para interrogá-lo?

– Ainda não, mas sairei para comprar as pizzas agora mesmo.

– Pizzas? – indagou a vampira.

– Você entenderá – respondi-lhe em meio a um meio sorriso enigmático.

Natenska saiu e eu me joguei em uma pilha de caixas de papelão vazias e desmontadas que haviam ali. Não estava cansado, mas a noite poderia ser longa e tediosa até que o vampiro acordasse para nosso interrogatório. Até lá não haveria muito o que fazer.

Evellyn aproximou-se de mim e avançou para um beijo intenso e cheio de lascívia. Retribuí-lhe, mas aquilo foi tudo o que ela conseguiu de mim naquela noite.

– Não está afim? Você?

– Está noite não, temos trabalho a fazer.

Ela afastou-se, visivelmente incomodada.

– É por causa da humana, não é? Você anda transando com aquela ruiva.

Sorri de maneira divertida com aquela afirmação. Estávamos mesmo tendo aquela conversa? Não entendia o que Evellyn queria com aquilo, mas não pude evitar de provocá-la.

– Está com ciúmes, é? Não se preocupe, tem Edward para todas.

– É claro que não estou com ciúmes – disse irritada. – Só não entendo qual a graça você pode achar em uma humana.

– E por acaso você não procura prazer com humanos, Evellyn? – provoquei-a mais um pouco e pela expressão em sua face acredito que ela teria corado se fosse capaz disso.

– Si... sim, mas é apenas um artifício para conseguir o seu sangue.

Aquilo colocou um fim ao assunto para mim. Tratei de descansar um pouco enquanto esperava. Fechei meus olhos, mas não ousaria dormir ali. Ainda não confiava totalmente em minha vampira aliada e nem sei se poderia confiar um dia.

* * *

Levou pouco mais de uma hora para que Natenska voltasse e nesse meio tempo Scott acabou acordando. Ele não tentou escapar ou gritar. Na verdade, ele não fez nada além de ficar parado sem dizer qualquer palavra. Seus ferimentos estava quase totalmente curados.

– Agora que você trouxe o que preciso podemos começar.

Levantei-me de onde estava e estralei os dedos unindo minhas mãos e esticando as palmas para o lado oposto ao meu corpo. Em seguida, abri uma das caixas que Natenska trouxe e peguei um pedaço da pizza de mussarela ali presente.

– Coma um pouco também, Natenska, você também deve estar com fome.

Ela serviu-se de um pedaço enquanto e assistir-me espancando o vampiro até lhe arrancar sangue não parecia tirar-lhe a fome. Eu podia ter perguntado antes, mas não queria perder aquela oportunidade rara de espancar um sanguessuga, então primeiro resolvi começar daquela maneira.

– E então, meu caro Scott, está disposto a falar algumas coisas sobre seu mestre?

A resposta que obtive foi uma cusparada cheia de sangue, que eu consegui evitar com certa facilidade.

Como o espancamento não estava surtindo efeito, comecei o trabalho com as adagas. Mas eu não o golpeava e sim o furava lentamente enquanto escutava seus gemidos de dor. Joelhos, cotovelos, pés e mãos eram alvos muito tentadores e ele sangrava por oito novos buracos e não falava nada.

– Acho que é hora de recomeçarmos.

Cortei a palma de minha mão com o punhal e fiz com que o maldito sugasse uma certa quantidade de meu sangue. A força de meu fluído vital era muito maior que a de um humano e isso garantiu ao vampiro uma regeneração quase imediata dos ferimentos.

Rumei para as caixas de pizza e tratei de comer mais dois pedaços dela.

– Então você sente fome ao torturar alguém? – perguntou-me Evellyn.

– Não exatamente. Se esse maldito gastar todo o sangue, logo entrará em torpor e não obteremos informação alguma. Sendo assim, eu forneço à ele o meu sangue para que ele se mantenha ativo. Eu posso me regenerar e até mesmo meu sangue é reposto rapidamente, mas para isso eu gasto energia. Para repor energia eu preciso me alimentar e descansar. A segunda opção parece estar fora de questão por enquanto, não é?

– Uma vez eu vi o Edward consumir três caixas sozinho enquanto torturava um sanguessuga – observou Natenska.

– Então vamos continuar, meu amigo Scott. Se quiser pode abrir a boca agora – aguardei alguma resposta. – Não? Que bom, então podemos continuar com nosso joguinho.

O próximo passo foi a extração das unhas tanto das mãos quanto dos pés. Aquilo devia ser bem doloroso, pois a maioria deles abria a boca logo nas primeiras. Scott podia não ser um bom combatente, mas ao menos era bom em aguentar a dor e não disse nada mesmo depois de perder as vinte unhas.

– Que tal uma pequena pausa?

Arremessei a adaga após me afastar uns cinco metros e ela fincou-se no peito do vampiro, que liberou mais um gemido de dor. Resolvi deixar a arma ali mesmo para utiliza-la mais tarde.

– Por que parar agora? – perguntou-me Evellyn.

– Para que ele não se acostume muito com a dor. Assim quando voltarmos ele estará curado e quase confortável, então começamos com tudo de novo.

Passava da meia noite quando voltamos para a parte do barracão onde estava nosso interrogado. Ele estava parado e resoluto e encarava-nos com ódio em seu olhar.

– Que fazer as honras, Natenska?

– Hum, pode ser, faz um bom tempo que não torturo ninguém. É preciso praticar para não perder o jeito.

O sorriso sádico no rosto da ruiva desapareceu assim que escutamos um uivo alto e estridente cortando o ambiente.

– Isso não foi um lobo normal, não é? – indagou Evellyn.

– Não. Isso são lycans e eles tem um alfa entre eles.

Notas finais
E o que acharam de Natenska lutando? E será mesmo que Evellyn está com ciúmes? No que isso pode resultar? Falem-me o que acharam da descrição da tortura. Não sei se faltou ou sobrou algo, então comentem aí. Até o próximo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.