The Hunter
1 Amnésia
Deveriam ser três horas da manhã, quando Travis retomou a consciência, o chão estava tão frio quanto gelo, considerando que a temperatura penetrava suas botas e fazia com que a ponta de seus dedos ficasse dormente. Não é como se esperasse que fossem melhores, tratando-se de sapatos de segunda mão remendados por seu avô que já havia passado dessa para a melhor há algum tempo.
Mais cedo, saiu de casa ao encontro da mãe que após o quarto casamento por interesse, havia, finalmente, se casado com alguém que realmente gostava, lembrava-se de estar a pouco menos de meia hora da casa de seus avós, mas considerando o horário e o lugar em que se encontrava, estava completamente perdido, com parte da memória apagada. A sua volta, havia um beco úmido e sufocante, logo à frente, onde a luz se esgueirava para o pequeno poço de imundice em que estava. Operários passavam pela esquina, de corpos curvados pelo cansaço de um dia de fábrica e estampando semblantes sujos. Levantou-se e andou em direção á saída do lugar asqueroso. Se deparou com uma senhora de cabelos grisalhos, com a feição tranquilamente voltada para ele, na soleira de uma porta escura. — E onde o garotinho pensa que vai? – disse a senhora de olhos curiosos que usava um vestido de crochê com o tom igualmente escuro ao da porta. Travis olhou para si mesmo, conferindo se realmente era um garotinho, ou o jovem com o qual estava acostumado. — Parece que a senhora tem costume de tratar todos como crianças por aqui. – Está muito tarde para que um garoto ande sozinho pelos becos de Londres, ande entre já aqui! Ele refletiu por alguns segundos. A senhora parecia sincera, sua memória estava turva e seu corpo dolorido como se tivesse levado uma bela surra. Estava andando em direção à porta quando recuperou o senso. — Desculpe minha senhora, preciso voltar já pra casa, meus avós estarão desesperados a minha procura. — E você por acaso sabe onde está? Ele de fato não sabia, mas a senhora não tinha como saber disso. — Pare de ser cabeça dura e entre já aqui, não poderia deixar um molequinho como você na rua, trate de colocar esses pés sujos para dentro de minha humilde casa, daremos um jeito nisto. Ela parecia ter razão, então andou o mais depressa que pode desejando que ela o fizesse o chá mais forte que existisse na casa. Ainda que a casa fosse mal localizada possuía energia elétrica, coisa que apenas as propriedades mais ricas tinham acesso estava arrumada e cheirava muito bem, a sala possuía uma estante de livros com os títulos raspados por facas de maneira descuidada e apressada, esquecendo algumas letras, a parede era clara e extremamente limpa fazendo um impressionante contraste com a localização do lugar, era aconchegante e quente, sentiu-se agradecido pela hospitalidade da senhora. — Posso perguntar qual seu nome? – ela fechou a porta delicadamente atrás dele e sorriu em tom de brincadeira. — Me chame de Srta. Evan, deixe-me adivinhar, o mais forte da casa ?– ela falava com ele de maneira terna e suave, muito mais doce do que qualquer cidadão comum de Londres. — Você leu meus pensamentos, Evan. – O rapaz geralmente não deixaria de adicionar um “senhorita” antes do nome dela, mas sentia-se intimo e bem vindo a ponto de esquecer formalidades. – Tem alguma ideia de quanto tempo permaneci inconsciente? — Fiquei dez minutos me decidindo se você estava ou não morto antes que você se levantasse. – disse ela quando colocava a água pra esquentar – é tudo o que sei sobre você até o momento. Travis ficou em silencio apreciando o aconchego do lugar até que seu chá ficou pronto e Evan sentou-se a sua frente, após entregar-lhe sua xícara segurou a sua com as duas mãos tentando absorver previamente o calor que o liquido proporcionava ás suas mãos. — Qual seu nome afinal? Preciso parar de lhe chamar de garoto. – Ela tornou-se um pouco mais concentrada. — Travis. – O sono começou a se tornar mais evidente no rapaz quando Evan sugeriu que ele fosse se deitar. Ela o conduziu a um pequeno quarto que continha apenas uma cama simples, um criado mudo, uma estante com poucos livros e uma cômoda mal acabada. — Eu não deveria me sentir tão seguro na casa de uma desconhecida, deveria? – disse ele antes de fechar completamente a porta do quarto. Ela parou no meio do corredor iluminado, permaneceu parada por cinco segundos que pareceram uma eternidade, e disse: — Talvez devesse, apenas não sabe disso ainda. – e desapareceu para dentro de seu quarto. Pegou no sono extremamente desconfiado e atento pensando nas palavras de Evan, mas por alguma razão, sentia que não deveria se aventurar na madrugada fria daquela cidade, não naquela noite.
Notas finais
Espero que gostem e comentem, e enviem até mesmo sugestões para a história, obrigada!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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