The Hunger Games

5 O Caminho até a Capital – II


Notas iniciais
Oioi pessoal (:
Desculpem a demora para postar. Eu estava em provas e postando na outra fic e... enfim, aí está. Boa leitura ~♥
Mil, mil beijos.

Capítulo QUATRO

e que a sorte esteja sempre a seu favor

Estavam os dois sentados, um ao lado do outro. Shizune em um dos dois bancos da frente.

– Quem é Tsunade? – Naruto questionou, desinteressado. Segurava o gelo abaixo do olho esquerdo.

– Tsunade-sama – Shizune corrigiu, primeiramente – é a mentora de vocês. Já participou dos Jogos Vorazes. Participou do terceiro e quarto anos.

Sakura foi com o corpo para frente, confusa.

– Então ela tem a nossa idade, mais ou menos?

– Ahn? – Shizune rodou a cabeça.

– Esta é a sétima edição. Como ela pode ter participado?

Os fios escuros do cabelo da mulher foram para frente quando ela riu. “Não, não”, disse.

– Ela não participou como tributo.

Naruto e Sakura trocaram um olhar.

– Estava na Sala de Monitoramento, criando o Jogo com a equipe do show. – Os olhos de Sakura se arregalaram.

– Então ela sabe de tudo! Provavelmente sabe várias técnicas, vai poder nos ajudar – disse o loiro, animado. Sakura encarava Shizune, que sorria disfarçadamente.

– O que aconteceu? Ela foi despedida?

Shizune balançou a cabeça.

– Informação confidencial. Mas posso dizer que, de todos os mentores, só ela já participou dos Jogos dessa maneira.

– Ela é mentora desde que saiu?

– Sim. Há quatro anos.

O sorriso da Haruno foi se desmanchando, tão rápido quanto apareceu.

– O Distrito 12 nunca ganhou, Shizune-san. Em nenhum destes anos. – Naruto e Sakura a encararam. A moça pareceu desconfortável. “Er...”

– Sabe, Tsunade-sama é uma pessoa muito boa, meninos. Um pouco perdida, mas muito boa. Deve estar a caminho – mas, por fim, acabou mudando de assunto. Os assuntos eram os jogos anteriores, as arenas, os ganhadores, o piso, a tinta, a comida, o açúcar, os Distritos, tudo menos Tsunade. Os olhos de Naruto já estavam fechados; quando ele estava começando a roncar, Sakura deu-lhe uma cotovelada de leve, porque Shizune tinha parado de tagarelar, finalmente. E disse, entusiasmada:

– Tsunade-sama! – e os dois viraram para olhar.

A mulher que acabara de entrar no vagão não era absolutamente nada do que Sakura tinha imaginado. Era mais alta, parecia cansada, tinha um ar pesado – mesmo com o cabelo loiro comprido preso em duas marias-chiquinhas baixas – e um cheiro de bebida forte a rodeando. A bermuda que usava era um tanto curta, levando em conta que era quase uma autoridade, e o decote deixava a mostra seus peitos imensos.

Realmente.

– Tsunade-sama – Shizune repetiu, agora levantando-se – Que bom que chegou, finalmente. Estava dizendo a eles o quanto a vista da Capital para o leste é bonita, e até comentei sobre aquele apartamento que... – enquanto ela falava, Naruto e Sakura encaravam a mentora com um olhar enjoado e a mesma se dirigia até uma das mesinhas de centro do vagão, tonta. Não parecia se importar com o mundo ao seu redor. “Por isso ela nunca ajudou ninguém”, Sakura concluiu. “É uma bêbada”.

– Shizune, cadê o gelo? – questionou, com um copo de sake na mão. A voz impressionou. Parecia autoritariamente feminina.

Como se ela fosse do tipo que conseguia tudo o que queria, só por ser uma mulher esperta. E bonita.

A morena parou de falar.

– Não sei – foi a resposta. Uma pontada de interesse surgiu no rosto da Haruno.

– Ei – mas Naruto tombou os cotovelos sobre a mesa, largando o gelo – essa aí é a nossa mentora?

O silêncio foi cortante e ninguém entendeu muito bem por quê. Sakura também queria uma resposta. Iriam morrer. E minutos depois de encará-los, estremecida de raiva, Shizune deu um berro:

– Vocês têm é muita sorte de...!

– Shizune – Tsunade repreendeu, virando-se para o loiro, que tinha os olhos desconfiados. – Não é como se eu precisasse ser reconhecida por eles.

– Sim – Shizune ajeitou o cabelo, embaraçada – Com licença. Vou checar o vagão de passagem – E se retirou.

Tsunade sorriu, perante os olhares dos tributos.

– Meus parabéns. – E se sentou bem de frente a eles.

Sakura a encarava. Naruto foi mais rápido novamente:

– E, então? Quando começamos? – a mentora tirou os olhos do copo de puro álcool que segurava e olhou para o rapaz, como se ele fosse louco – O treinamento – ele se explicou melhor, pensando ser este o problema. Mas o olhar dela continuava do mesmo jeito.

– Que ansioso – murmurou – A maioria não tem tanta pressa.

Naruto ainda parecia querer uma resposta.

Então a mentora sorriu, entre os estalos do ar condicionado:

– Qual o seu nome, mesmo, garoto?

– Naruto Uzumaki – respondeu ele, de prontidão – E já tenho dezessete anos.

Ela mudou o olhar, de surpreso para interessado:

– Ah, é mesmo? – Tsunade sorria.

– Sim – o rosto dele já mostrava que a paciência estava se esgotando. Ia gritar algo ofensivo, mas Sakura pousou os dedos de leve sobre sua mão e assumiu a fala, calando-o:

– Você, como nossa mentora, deve nos orientar para a arena.

– Bom – a loira começou imediatamente, entortando a boca – vocês, antes de tudo, devem aceitar a possibilidade de morte eminente. – Sakura estreitou os olhos, meio indignada com o que ouvia – E saibam, no fundo de seus corações, que não há nada que eu possa fazer para salvar vocês.

– O que você está fazendo aqui, então?

Naruto olhou surpreso para a Haruno, imaginando realmente que ela não pudesse ter sido tirada do sério. Ao encará-la notou que não só podia como realmente tinha sido tirada do sério.

– Alguém precisa me sustentar – foi a resposta que a mentora deu, enquanto brincava com as extremidades da própria roupa.

O silêncio foi curto, tempo suficiente para o olhar de nojo ser direcionado à mentora sem dó alguma.

– Ei, posso saber quantos tributos você já matou assim? – Naruto se levantou, ficando sobre a mesa e olho a olho com a mulher, que permaneceu séria.

– Como eu disse – ela murmurou pesadamente, desviando o olhar – não há nada que eu possa fazer para salvar vocês.

– Sua... – mas Sakura puxou Naruto de volta para a poltrona.

– Acha mesmo – ela começou, assumindo a conversa – que vão te deixar aqui por muito mais tempo se você não assumir sua função? – Tsunade segurou o riso, sem ligar muito para o que ela dizia – Sinceramente, não acho que haja algum lugar no mundo onde pessoas sustentem outra sem receberem nada em retorno. Nós dois sabemos como é difícil sustentar alguém – ela apontou para si mesma e, depois, para Naruto, determinada – E, sinceramente, nós também sabemos que o retorno que querem não é um vômito no meio da noite ou um bafo de vodka quando tentarem conversar com você.

Tsunade já não estava mais sorrindo.

– Eles querem um jogo. Há anos o Distrito 12 não dá isto para eles. Há muito tempo um tributo do nosso Distrito não chega nem às finais. O Distrito 12 é completamente inútil nos Jogos Vorazes. Não damos batalha. Não damos shows.

– Quem precisa disso? – a loira interrompeu, decidida a acabar com o assunto de uma vez.

– Poderia se dar ao luxo de pensar assim caso você estivesse no comando – comentou Sakura – Pena que os que estão pensam exatamente o contrário.

Tsunade moveu os ombros, apreensiva, sem tirar os olhos dos olhos esverdeados.

– Quer dizer, ninguém liga para o que nós pensamos. Acha que gostamos da Colheita? Acha realmente que alguma das razões de serem criados os Jogos Vorazes importa para nós, que temos as vidas sorteadas todos os anos?

Naruto permaneceu rígido, com a mente vagando.

E, finalmente, Sakura cutucou a onça com a vara mais comprida:

– Quanto tempo você acha que te resta? Acha mesmo que vai continuar como mentora até o ano que vem? Você não passa do Natal. Se morrermos neste jogo, você vai afundar na terra junto com os nossos corpos – A mentora assumiu um olhar assustado – Se não der o que eles querem, você não serve. E, por tudo o que você ganha, não vai ser difícil para eles te substituírem. Muitos dariam tudo por metade da mordomia que você tem.

Por fim, ao ver o olhar por baixo da testa da mulher, Sakura finalizou:

– Aceite: se não nos ajudar, será substituída. Por alguém mais dedicado, simpático e até mais bonito que você.

Tsunade contraiu os lábios.

– Não sei se consigo.

– Se está aqui, é porque consegue.

A porta se abriu e Shizune entrou com um balde de gelo. Tsunade não pareceu notá-la, mas Naruto e Sakura rodaram as cabeças e acompanharam seus passos até eles.

– Aqui está, Tsunade-sama – disse a morena.

A mentora ignorou.

– Tsunade-sama...?

A essa altura, os tributos a encaravam com interesse.

– Quanto falta para chegarmos na Capital? – perguntou ela, simplesmente. Shizune piscou, sem entender.

– Pouco. Bem pouco.

– Pois bem – a mentora se levantou – Assim que chegarmos, o treinamento começa.

Shizune quase derrubou o balde de gelo.

– C-Como é? Tsunade-sama, e a sua bebida? – indagou, vendo a mentora seguir, de costas para os três, até a porta que levava ao próximo vagão.

– Não vou mais beber. Só quero uma garrafa de água no quarto para quando eu sair do banho – e se foi. O silêncio se estendeu, enquanto Naruto arregalava os olhos, Shizune abria a boca, perplexa, e Sakura disfarçava um sorriso.

De repente, a morena voltou a atenção aos tributos.

– Como vocês fizeram isso? – indagou.

Naruto ergueu as mãos, como se não tivesse culpa.

Sakura encostou as costas no ombro dele, séria.

– Bom – Shizune continuou, vendo que não teria resposta, e olhando para a porta por onde Tsunade entrara, soltando um sorriso – não sei o que aconteceu, mas funcionou.

Largou o balde de gelo e seguiu para o próximo vagão, em passos rápidos. Entrou em um corredor e bateu na porta. Sem resposta, resolveu entrar. A mentora estava de cabelos soltos, afundada na cama, sem expressão.

Shizune não disse nada. Sentou ao lado de Tsunade em pleno silêncio e pousou a mão calmamente sobre seu joelho, em um consolo.

De repente, a mentora espremeu os lábios.

– Desculpe, Shizune – murmurou.

O choque que tomou os olhos da morena foi grande.

– O que?

– Shh – Tsunade pareceu levemente irritada – Não estrague tudo. – E Shizune ficou em silêncio – Por quanto tempo... – mas Tsunade não terminou.

– Muito tempo – Shizune respondeu, prevendo a pergunta. E a mentora suspirou delicadamente.

– Desculpe – repetiu.

Depois de um curto tempo em silêncio, Shizune voltou-se para a chefe, com toda a coragem que lhe restava:

– Desculpe perguntar, Tsunade-sama, mas... – ela deu de ombros – por quê...?

A mentora, embora já tivesse entendido a pergunta, demorou para responder. Quando Shizune pensou que realmente não teria resposta, o tom da loira no silêncio soou, baixo:

– Aquele garoto. Eu vejo um futuro brilhante para ele. É muito mais forte do que nós pensamos – murmurou ela. Os olhos distantes.

– Naruto?

– Sim. Eu gostei dele.

Shizune sabia exatamente o que aquilo significava.

– E a garota? – perguntou, sem saber se deveria ou não.

Mas Tsunade simplesmente sorriu.

Shizune não soube decifrar o que aquele sorriso queria dizer. Por isso, Tsunade não demorou para mudar de expressão.

– Vou logo tomar meu banho. – Disse e desapareceu no trem imenso.

Notas finais
Haha, até o próximo capítulo ~♥
Espero que vocês tenham gostado (: