The Human House Elf

3 Capítulo 3-You can't run from yourself


Notas iniciais
Primeiro quero agradecer a três pessoas: -Winky Weasley -MelanieSofie -Jenny Mellark As três dão apoio a fic. E eu fico muito feliz com isso. Espero que gostem dessa capítulo!

Senti um frio terrível se alastrar pelo meu corpo. Não conseguia respirar direito. Estava muito escuro. Tentei gritar mas não saiu nenhum som da minha boca, comecei a entrar em pânico.

Então abri meus olhos. Não havia muita luz no meu quarto, mas mesmo assim a pouca da claridade que invadiu meus olhos me fez fechar eles de novo. Arfava, me apoiei no chão para me sentar. Isso mesmo, no chão. Ainda com frio me levantei. Devia ter caído da cama durante o sono.

De repente vejo: havia um corpo na minha cama. E quem mais além de mim tinha cabelos ruivos naquela casa? Segurei a respiração e arregalei meus olhos azuis. ‘Eu’ estava pálida. Coloquei a mão no peito dela para ver se respirava: negativo.

Então dei um grito. Um grito de completo pânico.

Acho que não parei de gritar, já que logo Narcissa e Lucius estavam no meu quarto. Quando a mulher tentou se aproximar de mim: eu corri. Sai do quarto em desespero subindo as escadas. Estava com medo muito medo.

Os quartos de Draco, Madison e Alderamin eram lado a lado. Passei correndo por eles, conseguia imaginar cada um acordando com o barulho de passos e indo olhar para fora do quarto.

Não sei por quanto tempo corri. A casa era imensa, cai no chão me encolhendo em um canto.

“Isso é um sonho e eu vou acordar. Isso é um sonho e eu vou acordar.” Murmurava para mim mesma.

­ ­ “Dobby.” Eu acabei por chamar. Quando um elfo é leal a você, ele vem quando você chama, e ele já havia me dito que era leal a mim.

Escutei o já conhecido estalo de quando ele aparece (ou desaparece) em um quarto, mas quando olhei Narcissa estava com ele, ela deve ter dito a ele que se eu o chmasse ele deveria leva-la junto. Ela me encarou por um tempo como se analisasse o próximo passo, então ela ofereceu a mão para que eu me levantasse. Ok, devo admitir. Aquele gesto me surpreendeu.

Peguei sua mão hesitante e me levantei soltando um pequeno suspiro trêmulo, e só aí percebo que ainda estava com fome. Não sei como Narcissa percebeu isso, deve ter sido instinto de mãe (mesmo ela não sendo minha mãe).

“Dobby, prepare um lanche e leve para a biblioteca.” Ela mandou. O elfo imediatamente desapareceu. Então a Malfoy começa a andar, eu a sigo acreditando que era isso que eu deveria fazer. Logo chegamos na biblioteca, já tinha estado lá algumas vezes, a princípio para limpar, mas quando Lucius descobriu que eu andava explorando os livros (só os olhando mesmo, porque eu não sabia ler), Dobby passou a ser responsável por limpar aquela área.

Ela se sentou em uma das velhas poltronas verdes (porque aquela família tinha uma obsessão meio doentia pela cor verde), eu fiquei de pé a olhando em silêncio.

“Sente-se.” Ela pediu e eu o fiz me sentando na poltrona em sua frente. Deve ser uma cena meio engraçada: ela toda perfeita e educada, com a postura corretíssima comparada a mim (sinto que essa frase é meio autoexplicativa, sou toda desarrumada, com roupas que não são roupas e sim trapos, eu ficava meio desajustada no cenário).

Todos esses pensamentos eram um disfarce, admito. Para esconder o pânico que realmente sentia, mas eu entendi uma coisa naquele momento: você não pode fugir de você mesmo.

“Alice?” A senhora Malfoy me acordou dos meus pensamentos. A olhei, seu rosto estava como uma rocha: sem emoções.

“O que aconteceu lá embaixo?” Perguntei. Minha voz saiu meio trêmula e ela soltou um longo suspiro como se odiasse ter que fazer aquilo.

“Você morreu.” Ela explicou como se fosse óbvio. No meu orfanato (acho que nunca contei que antes de vir morar com os Malfoy eu vivi em um orfanato, pois bem, eu vivi) eles explicavam o conceito de morte para as crianças desde novas (especialmente quando seus pais morreram, o que era o meu caso). Diziam que quando a gente morria, íamos para o céu mas não voltaríamos mais ao mundo dos vivos ou veríamos quem estava vivo. Explicavam que quando alguém morria ficávamos tristes, porque não veríamos mais eles.

“Mas quando a gente morre a gente vai para o céu.” Retruquei de maneira infantil e um sentimento aparece no rosto de Narcissa: pena, talvez?

“Não você, Alice.” Ela falou e então disse quatro palavras que me assustaram muito. “Você não pode morrer.”

Não respondi. Não podia morrer? O que quer dizer isso? Então me lembrei de uma palavra de um livro que havia lido. Uma palavra que me intrigara tanto que eu perguntei o significado para Dobby.

“Sou imortal?” Perguntei. Primeiro ela parecia surpresa que eu soubesse a palavra, mas depois assentiu. Ouvi novamente o estalo de Dobby (apelidei o barulho assim na minha cabeça).

Ele segurava uma bandeja com alguns pãezinhos, biscoitos e chá. Para minha surpresa haviam duas xícaras, e eu duvidava que uma fosse para ele, então...deveria ser para mim. O elfo colocou a bandeja na pequena mesinha entre mim e Narcissa.

“Obrigada, Dobby.” Falei em tom baixo percebendo que ela não agradeceria, ele me olha com um pequeno sorriso antes de sumir de novo.

“Eu...eu posso...?” Comecei a frase esperando que ela entendesse. Felizmente, ela o faz.

“À vontade.” Ela garantiu e comecei a comer acalmando o monstro na minha barriga. A senhora Malfoy só tomou um gole de seu chá, nada mais. Ela se levantou e começou a procurar um livro enquanto eu comia.

“Você gosta de ler, não gosta Alice?” Ela perguntou retirando um livro da prateleira e indo até a poltrona novamente. Fiz que sim com a cabeça meio envergonhada, considerando que boa parte dos livros que eu lia, eu só conseguia ler porque fugira de casa.

Ela estendeu o livro para mim. A encarei sem entender por alguns momentos, ela queria que eu...pegasse o livro? Era o que parecia. Eu acabei por toma-lo de suas mãos. Observei o título por um tempo.

“Hog..Hog...” Começava sem saber como se dizia o resto.

“Hogwarts: uma história.” Ela falou. Observei a capa com cuidado. Era marrom, as letras eram douradas e havia um brasão com quatro animais: um leão, uma águia, uma cobra e...

“Que animal é esse?” Perguntei para Narcissa por pura curiosidade apontado para o animal embaixo do leão e ao lado da cobra. Ela olhou e deu um pequeno sorriso.

“Um texugo.” Ela respondeu. Continuei a analisar o livro em minhas mãos meio encantada. “Agora escute: Hogwarts é uma escola para bruxos. Eu estudei lá, Lucius estudou lá, Draco estudará lá, Alderamin estudará lá, Madison estudará lá.” Ela falou.

“E você estudará lá.” Ela se completou depois de um tempo. Não vi, mas eu apostaria que meus olhos brilharam. Eu iria para uma escola de bruxaria? A simples ideia de aprender a fazer magia me encantava.

“Quero que você leia esse livro. Para não ficar perdida. Mas preste muita atenção: ninguém pode saber que eu lhe dei esse livro, entendeu, ninguém. Acha que consegue esconder ele bem?” Ela pergunta séria.

‘Bom, considerando que eu já roubei dinheiro escondido de você milhares de vezes e você nem notou...sim acho que consigo esconder bem.’ Pensei, mas simplesmente assenti.

“Pode ir agora.” Ela garantiu num suspiro. “E leve esse resto de comida, não quero que você morra de fome novamente.”

As palavras dela foram meio cruéis, mas nem me importei. Peguei o resto dos pães e dos biscoitos, coloquei o livro dentro da minha blusa deixando ele em contato com a minha pele, o abracei para que ele não caísse.

E então eu saio da biblioteca voltando para o meu quarto. No meio do caminho sinto um odor horrível misturado com cheiro de queimado. Só continuo andando.

Ao chegar no meu ‘quarto’ (ou cela, como preferir) entendo de onde veio aquele cheiro: meu corpo não estava mais lá.

Notas finais
Primeiro ponto: no primeiro parágrafo (para quem não entendeu) Alice estava descrevendo a sensação de morrer. Segundo ponto: eu gostaria de dizer que eu não acho a Narcissa uma pessoa má. Realmente não acho. Eu acredito que ela se considera superior aos não-sangue puros mas não seja realmente cruel com eles. Terceiro ponto: A descrição da capa de Hogwarts: uma história foi feita por mim. Quarto ponto: para quem não entendeu o odor que Alice sentia era o próprio corpo sendo queimado. Eu acho que deixei isso claro, mas nunca se sabe. Espero que estejam gostando! Deixem seus comentários, etc, etc. Obrigado por terem lido!