The House of Panic
1 The House of Panic
Notas iniciais
Boa leitura!
The House of Panic
Depois de perder uma aposta ridícula aqui estou me preparando para receber o castigo, ainda não sei como perdi uma coisa tão idiota, a tarefa era simples tocar a campainha de uma casa sem ser descoberta, parecia tão fácil, porem fui lenta e acabei sendo pega.
Meu primo escolheu o castigo, eu teria que entrar na casa abandonada que ficava no fim da rua onde morávamos você pode estar pensando que seria algo normal em brincadeiras de criança, primeiro não somos crianças eu tenho dezoito anos e meu primo vinte, somos bem grandinhos, mas isso não nos impede de cometer idiotices como está e segundo e mais importante, morro de medo daquela casa.
Olho-me no espelho para conferir minha aparência antes de sair, já que Bernardo faz questão de filmar tudo, se vou parecer uma medrosa desesperada pelo menos estarei bonita, tinha feito uma trança para o lado que chegava até abaixo dos seios, o cabelo vermelho se destacava pela regata branca, uma saia jeans reta e bota preta sem salto.
Ouvi a voz dele me chamando, dei uma olhada rápida no espelho, meus olhos que normalmente são verdes estavam com um brilho diferente, e eu sabia bem, o brilho era o medo que estava sentindo.
Peguei o celular e desci as escadas correndo, Bernardo me esperava na porta vestia um jeans surrado e uma blusa de uma das bandas estranhas que ele gosta, seu cabelo preto estava bagunçado como sempre e tinha um sorriso travesso no rosto porque sabia que eu estava assustada.
Eu o conhecia muito bem, quando eu tinha cinco anos os pais de Bernardo desapareceram misteriosamente, a policia passou anos procurando, mas depois deram o caso por encerrado por falta de provas que tivesse sido um sequestro seguido de assassinato.
Eu era pequena, mas lembro de que os primeiros anos de convivência foram difíceis, ficamos mais próximos quando meus pais morreram, em um acidente de transito, eu tinha catorze anos e Bernardo dezesseis desde então ele é a única família que eu tenho.
Por sermos menores de idade na época fomos mandados para o orfanato da cidade, lá as meninas e os meninos ficavam no mesmo lugar e se separavam na hora de dormir, eu estava sempre perto de Bernardo e foi lá que nossas brincadeiras de apostas começaram, eram sempre coisas fáceis, acho que ele fazia aquilo para eu me distrair e esquecer um pouco da tristeza que eu sentia, já que nos divertíamos com os castigos de quem perdesse a aposta.
Quando ele fez dezoito e saiu de lá eu fiquei desolada, mas três meses depois ele conseguiu a ordem do juiz para eu sair de lá também e ele se tornou meu responsável desde então.
Ontem faziam quatro anos do acidente de meus pais e eu estava bem para baixo, e para tentar me alegrar ele me convidou para fazermos uma aposta, fazia tempo que não apostávamos nada então topei.
Mas agora estando de frente para esta casa velha e assustadora já estou arrependida de ter aceitado.
Enquanto eu subia os degraus da varanda da casa Bernardo me seguia alguns passos atrás registrando cada segundo na câmera dele, por fora eu parecia tranquila, mas por dentro rezava internamente para que a porta estivesse trancada e assim não precisaria entrar.
De nada adiantou, girei a maçaneta empoeirada e a porta se abriu fazendo um estrondo olhei para trás com os olhos arregalados, Bernardo tinha um sorriso zombeteiro nos lábios, eu estava morrendo de medo, mas era muito orgulhosa para admitir isso a ele.
Entrei na casa com o nariz empinado e caminhei a passos rápidos até o centro da sala, Bernardo entrou atrás e quando estávamos no centro da sala a porta se fechou fazendo um grande estrondo.
Dei um salto para trás de susto e Bernardo tentou me tranquilizar dizendo que fora o vento, mas vi pelo seu tom de voz que ele também estava nervoso.
Tentando me distrair para não entrar em pânico comecei a observar as coisas da casa, a sala era ampla e repleta de moveis antigos e empoeirados, muitos deles já estavam bem estragados, porem deviam ser lindos quando eram novos.
Um pouco acima da lareira um retrato pintado à mão, de uma mulher chamou a minha atenção, estava totalmente limpo, me aproximei para observar melhor, ela vestia um vestido vermelho que aparentava ser veludo eu acho, os cabelos castanhos presos em um coque bem feito e os olhos de um verde tão intenso que pareciam estar vivos e me observando.
Senti um arrepio percorrer meu corpo, aquilo não era um bom sinal, Bernardo me convidou para subirmos as escadas e ver o que tinha lá em cima.
Tive um mau pressentimento em relação a isso, mas o segui mesmo assim, até porque não ficaria ali sozinha ainda mais depois de ver esse quadro.
Subimos com cuidado as escadas, eram velhas e pareciam que iam desabar a qualquer momento, cada degrau era um novo ruído.
Na parte de cima um grande corredor com sete portas fechadas três para o lado direito três para o esquerdo e uma no fim do corredor.
Abri as três portas do lado direito deviam ser quartos, mas estavam totalmente vazios, só tinham poeira e algumas teias de aranha.
Bernardo disse que os do lado esquerdo também estavam vazios, estava mais tranquila seria a ultima porta e nada de estranho havia acontecido.
Eu tinha que abrir a boca né, na ultima porta no fim do corredor tivemos uma grande surpresa.
Havia um quarto totalmente mobiliado, aparentemente de criança o mais estranho nem era isso diferente de toda a casa o chão estava limpo e os moveis como se fossem novos, no centro do quarto uma cama de madeira de modelo bem antigo com um grande baú aberto ao lado.
Algumas bonecas de porcelana estavam no baú e outras espalhadas em cima da cama, de um lado do quarto uma penteadeira com três espelhos e uma cadeira com outra boneca sentada na mesma, mas essa era diferente das outras que eram lindas e delicadas, essa além de ser maior seu rosto estava trincado em forma de cicatrizes o vestido sujo e seus olhos tinham um brilho, pareciam estar vivos me olhando friamente como o olhar de um psicopata.
Senti um arrepio percorrer meu corpo, queria sair correndo o mais rápido possível daquele quarto, mas quando virei de costas para ir embora Bernardo me impediu ele estava achando aquilo tudo muito divertido, já que ele sempre gostou dessas esquisitices de coisas sobrenaturais.
Para não ser a covarde da historia resolvi ficar, talvez tivesse uma explicação lógica para aquele quarto, mas infelizmente minhas esperanças acabaram quando do nada tudo ficou escuro.
Era como uma noite escura sem lua nem estrelas e nenhuma luz elétrica ligada, okay até ai normal se fosse de noite e a luz tivesse acabado, mas eram duas da tarde quando entramos na casa, no máximo deviam ser umas duas e meia.
A menos que um eclipse solar estivesse acontecendo lá fora eu não acho uma explicação natural para isso.
Peguei meu celular e iluminei com a pouca luz da tela até achar Bernardo ele estava estático olhando para a parede, segurei forte em seu braço, quando vi o que ele olhava minhas pernas começaram a tremer.
Um liquido groso escorria do teto até o chão do quarto, mesmo com a pouca iluminação em que eu via a cena já estava totalmente apavorada.
Abracei Bernardo com toda a minha força, e fechei bem os olhos na inútil esperança de tudo aquilo ser só fruto da minha imaginação.
Fui obrigada a voltar a abrilos quando escuto o baque de um objeto se chocando no chão bem ao meu lado.
Estava claro novamente, afastei meu corpo de Bernardo, mas não larguei seu braço, ele continuava olhando para a parede, que agora tinha em grandes letras escritas com sangue.
“VÃO EMBORA”
Não que precisassem dizer sabe, porque pra começo de conversa eu não queria nem ter entrado.
Virei-me em direção a porta puxando Bernardo pelo braço, ele não tinha dito uma palavra, eu sei que ele se faz de machão, mas no fundo é mais medroso do que eu, ele devia estar em estado de choque pelo sangue, diferente de mim que adorava as aulas de ciências com dissecações de sapos na escola ele não suporta essas coisas principalmente sangue.
Não me lembro de nenhum de nós ter fechado a porta, mas isso não fazia diferença agora, o mais importante era sair daquela casa pavorosa.
Quando levei a mão na maçaneta à mesma se desfez como se fossem ossos humanos se decompondo, dei alguns passos para trás ainda segurando Bernardo pelo braço.
A luz piscou agora o quarto estava todo sujo as bonecas antes lindas estavam com uma aparência assustadora, algumas com o rosto quebrado outras sem um membro do corpo, elas começaram a se arrastar lentamente em nossa direção.
Aquilo me deixou em pânico, minhas pernas tremiam, por mais que eu quisesse gritar e sair correndo não podia estava totalmente paralisada pelo medo, meu corpo já não obedecia meus comandos.
Quando as bonecas estavam quase aos nossos pés uma voz ecoou pelo quarto e elas pararam de se mexer, logo depois um riso de criança.
Olhei para os lados procurando a dona da voz, sentada na cama estava uma garotinha que aparentava ter uns sete anos de idade, com um vestido com muitos babados e enfeites parecia uma boneca de tão linda seu cabelo castanho ia até a cintura com grandes cachos nas pontas tinha lindos olhos verde, mas demonstravam uma expressão triste e me olhavam fixamente.
Ela acariciava lentamente os cabelos da boneca grande e assustadora que antes estava na cadeira da penteadeira, olhar aquela boneca me fazia sentir uma estranha sensação, era como se ela estivesse me observando, parecia difícil até respirar perto dela, eu estava apavorada de mais para fazer qualquer coisa, quando a menina se pronunciou novamente:
_Vocês vieram brincar comigo? Vamos brincar de boneca? Eu adoro brincar disso?
Eu a observava atentamente seus olhos já não tinham a mesma expressão triste, agora parecia uma criança normal animada antes de começar uma brincadeira.
Bernardo tirou delicadamente minha mão que segurava seu braço e caminhou até a beirada da cama, ajoelhou-se e começou a falar com a menina:
_Quem é você e como chegou aqui menina?
_O meu nome é Sophia e esta é minha casa, minha e do meu papai, pois minha mamãe mora lá no céu desde que eu nasci foi meu papai que me disse. Ele até se casou de novo, mas a nova mamãe não gostava de mim porque quando papai morreu ela me deixou aqui sozinha.
A expressão triste voltou aos olhos da menina, Bernardo pegou sua mão e ela deu um pequeno sorriso.
_Mas agora está tudo bem, pois vocês vão ficar para sempre comigo e com as minhas amigas bonecas, elas são as únicas que me entendem, pois ficaram comigo até o fim.
Bernardo a olhou fixamente acho que ele estava tentando entender à situação.
_Como assim até o fim?
_Papai sempre foi bonzinho comigo, só que quando a nova mãe chegou na casa ele começou a mudar, passava cada vez menos tempo comigo, eu ficava o dia todo no quarto brincando de boneca, todos os dias a nova mãe vinha me trazer comida, mas um dia ela disse que papai havia morrido e que não era mais dever dela cuidar de mim.
Desde esse dia ela não veio mais, tentei sair, mas a porta estava fechada e as janelas eram muito altas e eu tinha medo de cair, ai eu fiquei aqui sozinha com as minhas bonecas, por muitos dias eu senti fome e frio, e um dia quando acordei eu já não sentia mais nada, e se fizesse esforço conseguia até atravessar as coisas, minhas bonecas me disseram que eu tinha morrido e virado um fantasma, eu não quis acreditar elas estavam mentindo.
Atravessei a porta e vi a nova mãe no corredor e a chamei, quando me viu ela arregalou os olhos e começou a correr em direção à escada, então fui atrás dela, afinal eu queria uma explicação do que estava acontecendo.
Mas ela tropeçou e caiu da escada, não foi minha culpa, só lembro-me de ver muito sangue no chão lá de baixo então voltei para o meu quarto com medo, quando cheguei esta boneca que está no meu colo estava em cima da cama, e a desde então ela também é minha companheira. E agora eu também tenho vocês, vocês não vão me deixar não é?
Aquilo era de mais para minha cabeça, seria ilusão ou alguém tivera coragem de cometer tamanha crueldade matando aquela menina de fome. As lagrimas escorriam no meu rosto Bernardo me olhou parecia pensativo, depois de uns minutos ele se pronunciou:
_Sophia eu tive uma ideia, porque não vamos brincar lá fora você Megan e eu?
A menina ficou quieta como se lembrasse de algo.
_ E se a nova mãe não deixar desde que caiu da escada ela ficou mais brava comigo eu nunca mais sai do quarto?
_Bom qualquer coisa eu falo com ela, vamos tentar então, vamos Megan?
Concordei com a cabeça, Sophia levantou-se deixando a boneca macabra em cima da cama, me senti bem mais aliviada.
Bernardo deu um chute na porta a quebrando, caminhamos a passos rápidos no corredor, descemos a escada com um pouco de cuidado para ela não desabar, quando chegamos ao térreo senti pisar em algo molhado.
Havia sangue no chão para todo lado que eu olhasse, Sophia se abraçou em Bernardo que estava paralisado, eu sabia que se não tomasse logo uma atitude talvez não saíssemos daquela casa terrível.
Dei um tapa no rosto de Bernardo com bastante força, para que ele voltasse a realidade, parece que funcionou pois ele pegou Sophia no colo e tentamos correr para a porta que entramos na casa.
Não me perguntem como, mas a porta simplesmente se desintegrou na frente de nossos olhos e no lugar dela uma parede to da suja de sangue se formou, corremos para o outro lado e entramos no que parecia ser uma cozinha, novamente os moveis pareciam ser novos era como se estivéssemos voltando no passado. Lá a mesma mulher do quadro de cima da lareira colocava o conteúdo de um pequeno frasco na comida e logo depois dava ao homem que estava na cabeceira da mesa.
O homem come e depois de um tempo começa a passar mal, coloca a mão no peito e depois cai no chão falando coisas desconexas.
Sophia abraçou Bernardo e começou a chorar dizendo papai.
Logo entendi aquilo que estávamos vendo não me pergunte como era à madrasta de Sophia envenenando o pai dela. Só o que eu conseguia pensar era como poderia haver alguém tão cruel assim no mundo.
Tudo ficou escuro por um momento e agora a cozinha estava com aparência velha como o resto da casa.
Em frente à porta dos fundos estava a boneca assustadora de Sophia, se eu já a achava tenebrosa ver ela virar a cabeça em nossa direção me fez tremer as pernas, o que mais me apavoravam eram a expressão nos seus olhos, pareciam ter sede por sangue, eram exatamente iguais aos olhos do quadro.
Era isso a boneca de algum jeito era a madrasta de Sophia, novamente o sangue começou a escorrer pelas paredes, isso só confirmava minhas suspeitas.
Corremos para uma pequena porta, era uma sala pequena devia ser uma despensa estava empoeirada mas tinha muitas coisas ali, Bernardo soltou Sophia no chão e começou a revirar as coisas procurando algo.
Ele só dizia, se ela não vai nos deixar sair por bem então sairemos por mal:
_Megan você pega a Sophia e vem atrás de mim, e Sophia você terá que me desculpar pelo que irei fazer com a sua boneca, mas entenda ela é má e merece isso.
Sophia balançou a cabeça concordando, Bernardo me lançou um olhar travesso balançando um vidro que parecia ter liquido dentro.
_Lembra o quanto você briga comigo por causa dos meus cigarros Megan, hoje você vai agradecer por eu ter esse vicio.
Nisso ele tirou o isqueiro do bolso, agora eu entendi ele pensa em colocar fogo na boneca.
Ele fez um gesto que iria abrir a porta, peguei Sophia no colo e o segui, a boneca continuava no mesmo lugar, o local inteiro estava cheio de sangue, tivemos que ter cuidado para não cair, Bernardo se aproximou da boneca e rapidamente jogou o liquido nela, o sangue começou a aumentar já estava quase nos meus joelhos, Bernardo acendeu o isqueiro e fez o fogo começar, o que não poderíamos imaginar é que o sangue começaria a queimar também, saímos com dificuldade da cozinha, mas a porta da sala não existia mais, e nem janelas era como se estivéssemos em um cubo fechado, com dificuldade subimos as escadas e corremos para o quarto de Sophia, mas de nada adiantou, logo a fumaça começou a subir e o ar começou a faltar, tentamos abrir as janelas do quarto, mas toda tentativa foi inútil.
Depois de alguns minutos Bernardo desmaiou, eu também estava me sentindo mal, não conseguia respirar e já estava perdendo as forças, a ultima lembrança que tenho é de Sophia acariciando o rosto de Bernardo, e então tudo ficou escuro.
Acordo-me assustada, olho em volta estou em meu quarto, corro até o quarto de Bernardo e ele está dormindo, começo a puxa-lo até que ele acorde, pergunto se ele está bem e como chegamos em casa, ele me olha confuso e me diz que nem saímos de casa, que eu fiquei com febre e dormi o dia todo e que ele iria escolher outro castigo pois tinha dado na televisão que delinquentes haviam colocado fogo na casa abandonada.
Voltei para meu quarto pensando se tudo aquilo não teria passado de um sonho, mas sentada na mesa do computador estava uma pequena boneca de vestido de babado cabelos castanhos cacheados e lindos olhos verdes.
Eu nunca tive bonecas, voltei ate o quarto de Bernardo e lhe mostrei a boneca ele me ignorou completamente dizendo que não sabia de onde ela tinha saído e ainda zombou de mim por estar muito velha para brincar de bonecas.
Novamente em meu quarto olhava para a boneca em minhas mãos, ela era exatamente igual a menina Sophia do meu sonho, não sei se foi mesmo um sonho ou se aconteceu realmente, só posso afirmar que tem coisas que acontecem que não tem explicação.
FIM
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