The Hound and The Puppy
1 Capítulo único
O rosto de Arya ardia à medida que a chuva abraçava-a com suas mãos frias. Sandor cavalgava
à frente, a garota não ousava mirá-lo. Seu corpo doía pelo impacto da queda, sua pele estampava a marca da recente violência, mas nada disso podia ser comparado à humilhação que queimava em seu interior.
Sua relação com Sandor nunca fora fácil, longe disso! Mas ela era realmente grata a ele por tê-la mantido a salvo, mesmo que só por dinheiro. Arya era provavelmente a maior tola dos Sete Reinos, uma vez que algo em seu peito sussurrava-lhe que ele era uma boa pessoa. Possuía uma alma atormentada, de fato, mas não chegava a ser mau. Ela fazia seu máximo para que ele se lembrasse disso, mas tudo que recebia em troca era hostilidade, e quando ele estava de bom humor, indiferença.
Uma lágrima escorreu quente de seus olhos e juntou-se à chuva que banhava aquele inverno cinzento e sem esperanças, tão diferente dos invernos de Winterfell quando havia apenas sonhos e não pesadelos. No fim, Arya era apenas uma garota perdida, arrancada de seu lar, levada para conhecer a podridão humana e privada daqueles que partilhavam de seu sangue e sobrenome. Tiraram-lhe tudo, a alegria, a inocência e até mesmo os sonhos. O que restava a ela além da espada presa em sua cintura e o apego ao seu algoz que insistia em fazê-la sentir a pior das escórias?
Cavalgaram em silêncio por incontáveis horas e quando a chuva finalmente cessou, Arya sentia umidade até mesmo em seus ossos. As costas doíam pelas horas em cima do cavalo, e sela começava a ferir suas pernas. Mesmo assim não disse uma palavra.
Em determinado ponto da estrada Sandor diminui a velocidade e Arya, temerosa, optou por não fazer o mesmo enquanto não se aproximasse o suficiente para ver o que causara a parada súbita.
Quando finalmente viu-se ao lado de Sandor, olhou-o curiosa e confusa, não havia nada à frente. De qualquer forma não teve muito tempo para pensar a respeito, sem muita cortesia Sandor passou uma mão por sua cintura e puxou-a em sua direção. Sentou-a em Estranho e pela primeira vez desde o ocorrido naquela manhã, a voz grossa fez-se ouvir:
– Olhe só para você! Parece um filhote assustado. – Dizendo isso, aumentou a pressão da mão que repousava na cintura da garota estreitando-a contra si. – Está congelando.
Arya não disse uma palavra, ao invés disso fechou os olhos e desfrutou do conforto oferecido. Era a maneira dele de se desculpar, ela sabia. Ele não gastaria mais nenhuma palavra em função do ocorrido, ela tão pouco.
O contato físico sem hostilidade parecia algo estranho depois de todo aquele tempo, mas ao mesmo tempo fez com que ela lembrasse que ainda era humana depois de tudo, ainda vivia.
Sandor recomeçou a cavalgar e o céu estrelado, atípico para aquela estação do ano, foi a ultima visão que Arya teve antes de adormecer.
Deveria descansar, pois afinal, não sabia onde estaria no dia seguinte, como as coisas seriam, ou onde acabaria quando Sandor finalmente decidisse qual posição tomar em relação a ela. Porque, mesmo na melhor das hipóteses, se ele decidisse ser seu benfeitor e não o contrário, ele continuaria sendo um cão de caça. E não é segredo que cães de caça estraçalham filhotes sem dificuldade.
Notas finais
Provavelmente essa estória será o início de uma coletânea sobre esses dois.
Conto com as reviews para saber a opinião de vocês.
See ya soon ♥
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