The Horror of Our Love

3 I'm in love with my lust


Notas iniciais
Oi, pessoal. Mais um capítulo! E, agora, se iniciam os confrontos entre eles! #briga #briga #briga Boa leitura!

***

Kikyou esperou pacientemente até que Naraku dormisse em seu colo. Em seguida, tomada de ternura pelo hanyou, beijou seu rosto e o acomodou melhor sobre o futon, cobrindo-o com um cobertor; saindo do quarto, foi se lavar no cômodo de banhos. O céu se escurecia, nuvens se agrupavam e logo o tempo estava nublado.

Na alma, um sem-número de questionamentos. Sobre sua nova vida, sobre seus sentimentos por Inuyasha, sobre o ódio e o desejo por Naraku, sobre si mesma...

Sua vida fora destruída há cinquenta anos atrás pelo ente que, agora, implorava por seu cuidado.

Havia flechas e um arco num canto da minúscula biblioteca do castelo. Se ela quisesse, poderia tranquilamente purificar Naraku e aniquilá-lo. Mas...

Kikyou imergiu dentro da água da tina, melancólica. Sua genitália doía um pouco no momento, após os momentos de sexo selvagem com aquele hanyou fogoso e sedutor. Que homem!

Entretanto, mais do que o mero prazer, Naraku havia dado a ela algo novo. Um sentimento que lhe aquecia a alma, a certeza de um bem-querer. Bizarro. Ele lhe tomara a vida, usando a imagem de quem ela tanto amava, e agora lhe oferecia ternura, carinho, proteção... A moça meneou a cabeça.

E Inuyasha? Como ele estaria agora? O que ele sentia pela menina Kagome? Um ciúme corroeu Kikyou naquele instante. Contudo, deveria manter-se calma e com os pés no chão. Como Naraku, ela deveria ser ponderada e analítica, planejar devidamente cada plano antes de executá-lo, avaliando prós e contras, e...

— Inferno... Estou pensando nele de novo.

Como não pensar? Ela era apenas uma garota, uma sacerdotisa que tivera seus sonhos brutalmente interrompidos exatamente por ele. O mesmo ser que ocasionara diversas desgraças na vida de outras pessoas também. Era impossível não pensar em Naraku o tempo inteiro.

O difícil, para Kikyou, era que agora não eram apenas os sentimentos de ódio que permeavam suas elucubrações. A jovem agora se erguia da tina, depois de se lavar, e ia até suas vestes sacerdotais, caídas ali no chão junto às roupas do vilão. Naraku, obviamente, não tinha odor humano puro – o que não incomodava a moça, que agora levava o tecido do quimono dele ao nariz e o aspirava de leve. Suas lembranças recentes, dos momentos com ele, a envolveram e Kikyou fechou os olhos, imaginando se o hanyou gostaria de ser cheirado. Subitamente, contudo, a moça se recriminou e depositou a roupa no mesmo lugar, vexada.

E pensar que ela, tão preocupada em preservar sua pureza de mente e corpo, havia se deixado levar pelas mais primitivas paixões humanas...

Triste, Kikyou se vestiu e saiu dali. Se dirigiu ao alpendre da propriedade, sentando-se no chão e observando as nuvens escuras do céu.

***

Horas depois, Naraku olhava fixamente pela janela do quarto. Já de banho tomado, penteado, vestido e calçado, o hanyou sentia o coração palpitar de agonia, já que sua amada estava no andar de baixo. Ele, todavia, estava com medo de se aproximar e fraquejar de novo.

Ele estava decepcionado consigo mesmo. Um ser tão frio, tão racional, que em um segundo enlouquece e revela à pessoa que se constitui em sua principal ameaça o quanto a ama e precisa de sua companhia.

Naraku se sentia idiota. Seria abandonado, pisado e cuspido. Não importaria quanto sangue inocente ele derramasse mais, quantos youkais com habilidades incríveis ele absorvesse, nem quantos fragmentos da Joia ele conseguisse. A dor de não ter o coração de Kikyou estaria sempre ali, martelando-o.

Foi aí que um súbito cheiro adocicado chegou a si. Uma sobrancelha se arqueou.

— Gyokuro¹?!

O hanyou fez menção de sair do quarto, mas, antes de chegar à porta, sua sacerdotisa entrava no cômodo com uma bandeja que continha o chá.

Uma melancolia nos olhos castanhos dela fez com que Naraku se sentisse culpado mais uma vez. Contudo, a jovem o olhou, dizendo gentilmente:

— Não sei se você gosta de gyokuro. Na verdade... — ela olhou para o lado, meio sem-graça, e ele acabou sorrindo. — Nem sei se você se alimenta ou ingere líquidos...

— Não era preciso fazer chá para mim, querida. Não sinto sede. Em todo caso... Aceito, se você beber comigo.

— Também não sinto sede... Sou um espectro, esqueceu?

— Não quer dizer que não possa compartilhar um chá comigo. E você é um espectro maravilhoso...

— Não seja bobo... — retrucou ela, com um meio sorriso.

A jovem se pôs de joelhos diante do hanyou e o serviu, enquanto os primeiros pingos de chuva molhavam o solo. Ambos tomaram chá, olhando em silêncio para o chão.

— O cheiro de terra molhada... — comentou ela, olhando para fora.

— Gosta?

— Muito... Adoro sentir cheiros e aromas.

— Prefiro ver coisas e cores, como a cor do mar.

— É mesmo?

— É. Gosto de ver água, ondas... O mar tem vida e isso me fascina. Quando a noite chega e a lua fica refletida na superfície da água, é uma visão bela e viciante.

— Não sabia que você reparava nisso, Naraku.

Ele deu de ombros, atento ao copo, um pouco tímido. Não tinha jeito, ao lado de Kikyou seu coração humano falava mais alto sempre.

— Reparo em muitas coisas.

— Repara em mim? – disparou a moça, se recriminando em seguida. Aquilo não era pergunta que se fizesse!

Naraku ergueu os olhos para Kikyou, em silêncio contemplativo. Era óbvio que ele reparava nela. Como não reparar na mulher que povoava seus pensamentos há mais de cinquenta anos?

— Sim. Eu não apenas reparo em você, como também imagino você em diversas situações... — comentou ele, vermelho.

— Situações...? De que tipo?

— Como seria se pudéssemos andar juntos pelo país?

O queixo de Kikyou caiu.

— C-como? Uma viagem para nós?!

— Por que não? Seria uma grande oportunidade para nos conhecermos melhor.

— Está falando sério?!

— Claro que estou. Quero descobrir tudo a seu respeito, saber o que a agrada, o que a faz se sentir feliz...

Aquela proposta surtiu o efeito contrário do que Naraku imaginava. Kikyou o olhava, emudecida, o lume de seu olhar se transformando em ira. Eles não eram um casal comum para que o hanyou propusesse aquilo.

Eles eram inimigos. Inimigos de morte.

— Creio que já o conheço muito bem, Onigumo — interpôs a sacerdotisa, amarga. Naraku notou que ela estava se fechando para ele e se desesperou:

— Não, Kikyou, não... Eu... Inferno! Eu quis dizer que...

A jovem se pôs de pé, aborrecida, e estava disposta a se afastar do moreno; que se levantou também, nervoso.

— Kikyou, o que eu fiz de errado?

A pergunta que parecia simples desencadeou um rancor assombroso no âmago do espírito da jovem, que saiu pisando duro para fora do quarto. Apavorado, Naraku correu atrás dela.

— Kikyou...

— A sua existência é um erro! — disse ela, altiva e iracunda, sem olhar para trás.

Naraku enfim estacou, por uns instantes, sangrando por dentro. Como doía! Então ela desconsiderava todo o esforço que ele estava empreendendo para fazê-la se sentir bem? Sem se conter, ele exclamou:

— Aposto que aquele cachorro maldito nunca disse que a amava!

Kikyou parou de chofre, virando-se para trás com um olhar visivelmente rancoroso para o hanyou, que se aproximava dela com os punhos cerrados. Estavam no corredor, próximos à pequena biblioteca do castelo. A jovem rilhou os dentes e sibilou:

— Não ouse abrir esta boca imunda para falar de Inuyasha.

— Eu sabia! — retrucou o moreno, já usando seu timbre de voz costumeiro, pausado e sereno, com os lábios se contraindo em sarcasmo. — Eu sabia. Ele nunca disse “eu te amo, Kikyou”. Aquele hanyou desprezível é, além de tudo, um moleque imaturo, inseguro e tolo.

— Cale a boca!

Naraku sorriu, cheio de malignidade. Queria agora atingir a jovem de qualquer maneira. Queria vê-la xingando-o e reagindo contra suas palavras ríspidas.

— Onde ele está agora, Kikyou? — insistiu o hanyou, cada vez mais próximo, enquanto a sacerdotisa tremia de raiva. — Oh! Não me responda. Ele está saltando pelos bosques, carregando uma sacerdotisa que não é você. Inuyasha só pensa na jovem menina Kagome.

— CALE A BOCA!

— Ele a abraça, diz que irá protegê-la de youkais perigosos... O cachorro que vivia seguindo você, agora é fiel a outra dona.

Um tapa alvejou o rosto pálido do moreno. Ele, contudo, não se incomodou.

Naraku temia a indiferença de Kikyou, preferindo ter o ódio dela. Sua mente e coração enfermos desejavam que a moça pensasse nele, não importasse por quais motivos.

— Ele... Ele nunca disse que me amava por SUA culpa! — cuspiu ela, trêmula. — Foi você quem o impediu...

— Hu, hu, hu, hu... Claro! O culpado de tudo foi Naraku. — respondeu ele, cheio de ironia. — O perverso, o maligno e odioso, Naraku. Você se encontrou com aquele estúpido por mais de cinco meses, sua hipócrita! Ele teve tempo suficiente.

— Nada disso é da sua conta, seu maldito!

E a jovem, antes que Naraku pudesse impedir, correu para o pequeno cômodo e pegou uma das flechas ali guardadas. O objeto cintilou na pequena mão e o hanyou notou que Kikyou estava decidida a alvejá-lo. A fisionomia dele agora era tenebrosa. Seu olhar parecia crepitar e seu corpo foi circundado de youki. O homem então ergueu a mão, que agora tinha garras como as de Inuyasha, e agarrou o pescoço de Kikyou, sem, contudo, apertá-lo muito — apenas o suficiente para intimidá-la.

— Tudo sobre você é da minha conta, maldita sacerdotisa Kikyou. Com estas garras, eu rasguei seu pescoço no passado. Não me seria nada difícil fazê-lo de novo agora.

— C-como se eu tivesse medo de você... — retrucou ela com alguma dificuldade. De fato, Kikyou não sentia o mínimo medo de Naraku. Com a ponta da flecha, tocou levemente o ombro direito dele, que arregalou os olhos. — Oh, pensou que eu não tinha visto?

— Não se atreva — exclamou ele, ao sentir a Joia incompleta dentro de seu ombro reagir ao poder de Kikyou e queimá-lo por dentro. — Não ouse. NÃO OUSE!

— Eu vou acabar com você, demônio!

— Não antes que eu a destrua primeiro, desgraçada!

— Maldito seja o dia em que eu o socorri naquela caverna! — gritou ela, com algumas lágrimas de raiva descendo por seu rosto contraído. — Poderia tê-lo deixado morrer!

— Poderia mesmo! Talvez meu destino fosse aquele, mas não! Você tinha que aparecer e me proteger! Me alimentar! Aplacar minhas dores! Se você não tivesse me salvado, eu não a teria amado como a amei!

— NÃO ME FALE DE AMOR! UM AMOR QUE DESTRÓI A VIDA ALHEIA... É PURO EGOÍSMO! VOCÊ NÃO SABE O QUE É O AMOR, ESTÚPIDO!

— IDIOTA! — urrou ele de volta, possesso. — EU SEMPRE FUI MAU! EU SOU MAU! MAS NÃO É CULPA MINHA NÃO CONSEGUIR SIMPLESMENTE ODIÁ-LA COMO UM DEMÔNIO QUALQUER FARIA! MEU AMOR POR VOCÊ É AINDA MAIOR DO QUE MINHA MALDADE!

O ardor foi aos poucos se intensificando e Naraku não resistiu, gritando de dor e apertando o pescoço de Kikyou. Ela começou a se debater, sem ar; pois a força física dele era maior que a sua.

Porém, Naraku não podia contar vantagem: o houriki puro de Kikyou era tão violento quanto sua energia sinistra. Ambos estavam tontos de agonia e, se insistissem naquilo, morreriam juntos. Foi então que os olhares do casal se fixaram.

Em meio ao reluzir de suas energias tão diferentes uma da outra, os olhos de Kikyou e Naraku cintilaram e o casal foi envolvido por uma comoção. Sensação estranha, aquela. Era como se ele não suportasse vê-la sofrer, mesmo que estivesse tentando matá-la. E o mesmo acontecia com a jovem, cujo coração palpitava sôfrego por aquele demônio.

A mão dele a soltou.

A flecha dela foi lançada no chão.

O pescoço de Kikyou estava cheio de marcas vermelhas e dois pequenos furos, onde o hanyou havia pressionado mais. O ombro de Naraku estava parcialmente queimado, sob o quimono rasgado.

Ainda assim, eles não pararam de se olhar, como se a vida de ambos dependesse disso. As dores físicas não eram relevantes. A dor na alma era mais intensa: o casal se corroía de remorso, ao ver o quanto tinham se machucado. Trêmula e respirando ainda com certa dificuldade, a sacerdotisa abriu a roupa inutilizada do hanyou, forçando-o a retirá-la, ficando ele apenas com o hakama.

Em contrapartida, Naraku acariciava de leve os ferimentos que fizera na pele da jovem, totalmente consternado. As garras que ele mostrou continham miasma e, se adentrassem um pouco mais na carne dela, a intoxicariam.

— Kikyou... — murmurou o hanyou, hipnotizado pela silhueta ofegante da sacerdotisa, que não parou de tocar o ferimento do ombro dele. Ao sentir um súbito calor místico vindo do corpo dela, ele tentou se afastar. — Pare. Não aceito que me cure.

— Não recebo ordens suas, hanyou Naraku. — retrucou ela, com a mão reluzindo tenuemente sobre a pele do moreno. — Se eu quiser matá-lo, o farei. Se eu quiser curá-lo, o farei.

— Para que, afinal? Para me dar falsas esperanças? Para que eu acredite que você irá me perdoar?

— Você não sabe ficar calado?!

— Faz ideia do quanto me fez sofrer, depois que a matei? Faz ideia das vezes que desejei a morte, durante esses cinquenta anos, amaldiçoando minha própria existência por ser tão maligno e amar uma criatura tão pura?

— Cale essa boca, maldito falador!

— Não calo! Estou com tudo isso preso dentro de mim há cinquenta anos!

— Eu disse para calar a boca! — Kikyou, furiosa, levou a mão ao rosto de seu inimigo e pressionou suas bochechas, impedindo-o de poder falar.

Havia fogo no olhar da moça, que cravara as unhas na pele do moreno atordoado e não menos irado à sua frente. Ela olhava alternadamente para os lábios de Naraku, agora em forma de bico, e para seus olhos vermelhos também exprimindo o mais notório calor. A princípio, o calor era oriundo da ira, contudo, a ira se transformou em luxúria.

— Maldito Naraku...!

E, enfeitiçada de desejo, Kikyou lambeu o ombro são do hanyou, que estremeceu por completo. A moça não se deu por satisfeita e o lambeu de novo, ao longo do osso da clavícula e por toda a lateral do pescoço. Acabou soltando o rosto dele, que também já não conseguia dizer mais nada do seu discurso acusatório. Foi surpreendido quando Kikyou o impediu de beijá-la e agarrou seu membro com força sobre o hakama.

— Ei! — protestou ele, ao passo que a jovem o ignorou e continuou a sua tarefa. Não demorou para que Naraku ofegasse, principalmente agora que Kikyou ousou lamber e beijar de leve os músculos do seu peito.

Desafiadora, a jovem o encarou. Sua libido estava num nível altíssimo e ela sentia o seu centro de prazer latejar e molhar. O cheiro agora mais forte da feminilidade de Kikyou embriagava os sentidos de Naraku, agora inerte, olhando atônito para aquela jovem mulher que decidira provocá-lo também.

— Oh, Kikyou...

— Como pode ser tão delicioso, maldito Naraku? – e ela mordiscou o pequeno mamilo dele, que se contorceu de prazer. Não satisfeita, ela passou a reproduzir as mesmas carícias que recebera nele. O hanyou suava, arfava, grunhia... O ferimento em seu ombro estava praticamente sadio.

Após excitar sobremaneira os mamilos de seu inimigo, a sacerdotisa se inclinou, agora para provar a textura da pele dos músculos definidos do abdome dele. O pênis erguido sob a calça doía e pulsava de desejo, querendo ser livre. Entretanto Naraku era um ente curioso. Quis ver até que ponto a moça chegaria. Afoita, Kikyou tentava desatar as fitas que prendiam o hakama. Acabou por arrebentá-las, sem paciência, puxando enfim a peça para baixo e expondo o sexo dele. Ereto, espesso, molhado e pulsante.

A chuva caía forte lá fora. Kikyou envolveu o órgão em sua mão, devagar, como se o estivesse analisando. Naraku havia se deixado recostar na parede, louco de tesão e expectativa. Não teria coragem de pedir para que ela lhe fizesse aquele esperado afago íntimo, mas algo ditava a Kikyou como fazer para retribuir ao hanyou todo o prazer que ele a fizera experimentar horas atrás. A sacerdotisa não ligava mais para a vergonha e para as regras de comportamento que aprendera. Ela, irracionalmente, desejava apenas ver seu inimigo saciado, satisfeito; precisava ser capaz de se tornar uma mulher à altura dele, em questões de sedução. Ajoelhando-se, a jovem se pôs a aspirar a virilha dele, que desatou a suplicar:

— Não me torture. Não sabe o quanto isso é...

— Cale a boca!

— K-Kikyou... — a moça agarrou a base do pênis e recomeçou a aspirar a pele alva, enquanto o hanyou choramingava. Apesar da rigidez extrema, ela notou que o membro em sua mão tinha uma superfície macia e intuiu que não deveria manipulá-lo de qualquer jeito. Afinal, o seu inimigo sempre demonstrava um cuidado extremo ao tocá-la.

Kikyou olhou para o rosto vermelho e agoniado de Naraku, que respirava pela boca, desfeito, em nítido desespero. Lembrando-se de como ele havia se tocado para ela mais cedo, resolveu fazer a mesma coisa. Puxou com cuidado o prepúcio, enquanto uma gota de fluido escapulia pela frestinha inchada de sua glande. A jovem a colheu com seus lábios, timidamente, ouvindo com satisfação os gritos do hanyou; que não sabia que aquilo era tão excitante. Não porque Kikyou tivesse experiência pregressa, e sim porque Naraku sonhava em ser felado por ela há muito tempo.

— HMM! AAAAH! KIKYOU!

— Algum problema, Naraku? – perguntou ela, provocante. Nem se reconhecia, a moça. Sentia que agia como uma devassa. — Eu nem comecei. Gosta disso? — lambeu-o uma, duas, três vezes, experimentando o sabor ligeiramente salgado do genital dele.

— MAIS, MAIS! PERFEITA, ESSA BOQUINHA DELICIOSA! – rosnava o homem, batendo a mão na parede.

— Só se... Se você ficar olhando... – foi impossível não enrubescer ao dizer isso, mas Kikyou percebeu que Naraku não estava em condições de julgá-la ou algo do tipo. Ele baixou o rosto, respirando com dificuldade, e aquela expressão dele era tudo o que ela desejava ver. Agora o poderoso Naraku estava à sua mercê, fragilizado, dependente... Apaixonado.

A sacerdotisa envolveu devagar a ponta do sexo do hanyou, com seus lábios carnudos. Beijava-o e lambia-o, ao mesmo tempo em que encarava o belo e atormentado homem, que gritava, ofegava e impulsionava o quadril para frente. As mãos da moça deslizavam suave e meticulosamente pela extensão do órgão rijo. Kikyou agora girava a língua ao redor da glande, intuindo que era apenas repetir o padrão de carícias que Naraku fizera em sua vulva. Pelo escândalo que ele fazia, estava dando muito certo. Ela era inexperiente, mas realizava aquele ato com boa vontade, o que enlouquecia o hanyou.

— Estou sabendo agradar você? – perguntou a jovem, sorrindo, excitada. Queria o hanyou se rendendo a ela, como ela havia se rendido a ele.

— Não imagina o q-quanto... Miko safada...

— Se eu chupá-lo, dói?

— Não! Não dói, de maneira alguma! – respondeu ele, meio rouco. Naraku nem sabia se receber uma felação era mesmo indolor, mas ele estava se contorcendo de vontade. — Me chupe, como fiz com você.

A moça não titubeou e sugou a extremidade do falo pulsante, gemendo com o prazer de ouvir seu companheiro urrar. Ela precisou agarrar o quadril dele com força, já que ele impulsionava o corpo contra sua boca. Aquilo não duraria muito, pois Naraku não suportava mais. Tudo o que ele achava que sabia sobre o prazer do sexo eram migalhas perante o que estava descobrindo com sua tão cobiçada sacerdotisa.

— Vou... Vou gozar... – choramingou ele, levando a mão à franja de sua querida e admirando a cena, enquanto seu membro latejava em contato com os lábios dela. – Vou me derramar em sua boca, posso?

Ela não sabia ao certo o que significava aquilo e o olhou confusa.

— Como assim?

— Minha semente encherá sua boca, meu amor... Você me permite?

— Ora... Eu fiz o mesmo com você... Não fiz? Não vejo problema.

— Mas nossos fluidos são bem diferentes. Não sei se será tão agradável para você.

— E daí?

— Daí que... Hmmm...

Kikyou recomeçou a estimulá-lo, sem querer ouvir a resposta. Naraku começou a rir de pura lascívia e dizer obscenidades, descontrolado.

— Ah, miko safada! Você não disse mais cedo que eu sou o seu homem? Vamos, chupe até eu gozar na sua boquinha! Ah! Não aguento mais!

Subitamente ele gritou e ergueu a cabeça, enquanto uma explosão orgástica o dominava. Gemendo ensandecido, Naraku percebeu com um misto de constrangimento e satisfação que os jatos de seu sêmen inundaram a boca de Kikyou, que, um pouco atrapalhada, engolia aquilo como podia. Com suas mãos grandes, o hanyou a levantou do chão, corando ao vê-la também rubra.

— Envergonhada, doce miko?

— N-não somente eu, pelo visto. — comentou ela, com uma mão sobre os lábios. — Sinto que me excedi.

— Arrependida?

— Ah... Se quer saber... – Kikyou riu, olhando para Naraku de uma forma meiga, gentil até. — Não. Acho que, depois de hoje, tornamo-nos muito íntimos.

— Intimidade é algo perigoso tanto para mim quanto para você...

— Perigoso? Só se for para você. Não temo perigo algum... — volveu a moça, pousando a testa no queixo do moreno.

— Você... Você é bem convencida, mas é perfeita – murmurou o cansado Naraku, afagando os cabelos dela.

Tomando-a nos braços, o hanyou retornou ao quarto que era mais iluminado e a colocou sobre o futon, despindo-a sem pressa e beijando os ferimentos no alvo pescoço.

— Ainda dói?

— Quase nada. Consegui curar em parte essas feridas com meu houriki, enquanto cuidava das suas.

O hanyou parou de imediato e olhou diretamente para Kikyou, com olhos agora castanhos e arregalados.

— Algum problema, Naraku?

— N-não...

— Por que me olha assim?

Ele tomou o rosto dela entre as suas mãos, respirando pesadamente. A jovem estranhou aquela expressão de atordoamento e, antes que indagasse mais uma vez o motivo daquele olhar, Naraku a beijou. Ela ficou impressionada. Aquele beijo conseguia ser diferente de todos os outros que ambos já haviam trocado. Estava carregado de doçura e meiguice, como se dissessem a ela tudo o que as palavras do maligno hanyou não conseguiam exprimir.

Os fatos perturbadores e cruéis que reinavam no passado de ambos pareciam muito distantes agora. Kikyou sentia o coração ser assaltado por aquela emoção incrível e, enlevada como estava, resolveu baixar de vez a guarda perante o perverso Naraku. Ela estava se perdendo em meio às doces demonstrações de carinho dele de um jeito absurdo, que a fazia praticamente se esquecer de que amava outra pessoa. Eram sentimentos absurdamente incompatíveis que lutavam por dominância em sua alma.

Naraku a colocou deitada de costas sobre o futon, deitando-se em seguida em seu lado. Ofegante, beijava a pele suave das omoplatas da sacerdotisa e acarinhava sua lombar. Os olhos do hanyou estavam marejados — de alguma maneira, ele sentiu que havia, sim, uma chance de ser correspondido por ela, ainda que ínfima.

— Kikyou. — murmurou ele, provocando a moça com pequenas mordidas nas costas. — Preciso saber algo de você...

— O quê?

— Depois de ontem... O que se passa em sua cabeça quando você pensa em mim?

— Eu não sei... Ódio, raiva... Ah... Desejo... — admitiu ela, fechando os olhos e gemendo com as carícias recebidas. — Ohhh...

— Se arrepende de ter se entregado para mim? Você poderia ter escolhido um humano caridoso e abnegado como você mesma, não um youkai ruim como eu.

— N-não... Não me arrependo...

— Mas você é tão pura. Eu sou tão corrompido, tão sujo... Diga-me, por que está permitindo que eu a toque dessa maneira?

Os lábios dele deslizavam por sua espinha dorsal, e a excitação da moça havia voltado a toda.

— Ahh, Naraku...! Eu... Não tenho condições de saber os motivos... — ofegou ela, sentindo as mãos dele erguendo seu quadril e a colocando de quatro. — O que... O que vai fazer?

O hanyou estava fazendo pequenos movimentos circulares com o polegar por sua intimidade, levando Kikyou a gemer enquanto arqueava as costas. Sentindo que Naraku separava suavemente suas nádegas, ela ficou apreensiva. Ele prosseguiu com seus toques, observando o quanto as entradas da moça eram delicadas e afirmou, baixinho:

— Não tenha medo. Não vou machucá-la.

— Não me olhe assim, ... — pediu ela, constrangida. — É feio... Tenho vergonha.

— Pois não deveria... — foi a resposta dele, que começou a beijar a vulva da jovem naquela posição, tocando-a com a língua em seguida. Ela gritou e seu prazer cresceu exponencialmente. — Tudo aqui é tão belo... Saboroso...

A língua deslizava lenta e vagarosa pelo sexo úmido de uma Kikyou alucinada de prazer, que gemia alto e agarrava o futon. Na opinião de Naraku, aquilo era como se ele tivesse saído por um minuto do deserto da depressão e caísse por engano em um oásis. O hanyou mordia de leve aquele bumbum, aquelas coxas fartas, voltando sempre à feminilidade delicadíssima da sacerdotisa, que clamava por alívio. Segurando com gosto as nádegas da moça e as mantendo separadas, ele testava carícias — ora estocava a vagina com a língua, ora soprava, ora sugava o clitóris e adjacências, ora lambia de uma vez todo o conjunto... Kikyou sequer imaginava que seu corpo seria capaz de experimentar tal nível de deleite.

— P-por favor... — choramingou ela, desesperada. — Não me torture...

— O que quer de seu homem... — Naraku cobriu o corpo da moça trêmula com o seu, encostando os lábios à orelha dela. — Miko safada?

A moça estava rubra. Era tão estranho gostar de ser chamada daquele jeito, meio torto e pervertido. Mais estranho ainda era ter a certeza de que Naraku a chamava assim apenas por diversão erótica, e não por querer ofendê-la. Kikyou empinou o quadril, roçando o corpo na ereção do seu inimigo.

— Quero que... Que mostre a essa miko safada do que você é capaz, maldito e delicioso hanyou.

O moreno estava tonto, louco para possuir a moça; ainda assim, procurava não fazer movimentos rudes. Foi com um largo sorriso que ele voltou a provar o sexo da jovem com seus lábios, até que ela gritasse de luxúria, gozando na boca dele. Agilmente Naraku endireitou o tronco e encostou a ponta de seu pênis na entrada vaginal de Kikyou, que respirava com dificuldade e agora olhava para ele, tão sugestivamente postado atrás dela.

Era para ser constrangedor, era para ela se sentir suja. A bem da verdade, Kikyou queria se envergonhar, ao menos um pouco, mas não conseguia. Contraditoriamente, ela se sentia cada vez mais livre quando se entregava para ele, que aguardava dela o sinal para tomá-la.

— Eu quero você. — ofegou ela, num fio de voz. — Faça-me sua.

— Farei, meu amor.

A entrada dele foi cuidadosa e gradual. Kikyou se mantinha com os lábios abertos para respirar, e a penetração foi ligeiramente dolorida a princípio. As mãos de Naraku deslizavam pela espinha dorsal da sacerdotisa, pelas costelas, pelos bicos de seus seios... Ele era hábil em fazê-la querer mais de seus afagos.

A jovem fechou os olhos, mas o hanyou os manteve abertos.

Naqueles instantes em que ele a segurou pelos quadris e começou a entrar e sair do corpo feminino em chamas de deleite, os pensamentos de ambos ficaram suspensos.

Um curava o outro. Um libertava o outro.

Não foi a Joia de Quatro Almas, nem os milhares de youkais abduzidos para dentro de seu organismo que trouxeram Kikyou para o hanyou Naraku. Ele não conseguia imaginar o que havia se sucedido. A sacerdotisa tivera diversas oportunidades para matá-lo e as jogara fora.

Ela pode me odiar, mas, quando estamos nos dando prazer, é como se ela me amasse tanto quanto eu a amo”, refletia ele.

Os gemidos desavergonhados dos dois ecoavam no cômodo. Kikyou ousara baixar o tronco e recostar a cabeça no futon, permitindo a Naraku que a invadisse mais profundamente, o que ele fazia com gosto. Ansiando por vê-la alcançar o clímax juntamente com ele, o moreno tocava o clitóris da jovem, que gritava por mais, ensandecendo-o. Kikyou comprimia seu sexo e em breve Naraku sentiria os espasmos do interior do canal apertado da moça, que exprimia todo o prazer do orgasmo em um gutural e prolongado “ah”. Por sua vez, o hanyou urrou assim que atingiu o ápice, praticamente junto à sacerdotisa do seu coração.

Ambos estavam exaustos e caíram de qualquer jeito sobre o leito, ele ao lado dela, aconchegando-se ao corpo menor.

— Naraku?

— ...

— Há algo que você quer me dizer. — murmurou ela, virando devagar o corpo para o lado dele. — Estou afirmando, não perguntando.

— Bem... Você disse que curou os ferimentos do pescoço, enquanto cuidava de meu ombro...

— Sim... — respondeu Kikyou, olhando-o com alguma curiosidade.

— Tem certeza de que isso não pode acontecer também com o seu coração, doce anjo?

— Hein?

— Tem certeza de que você não poderia ter seu coração curado dessas mazelas se me amasse só um dia, ou uma hora...? Ou, pelo menos... – os olhos dele marejaram. – Se tentasse me perdoar antes de tirar minha vida?

— M-mas...

— Kikyou... Ouça.

As mãos do hanyou tomaram as da jovem entre as suas e uma lágrima acabou descendo, apesar de Naraku ter tentado conter aquele aperto na alma.

— Kikyou, eu ando cansado de sofrer. Cheguei a suprimir meu youki por três vezes em sua presença, propositalmente, na esperança de que você me matasse. Minha existência, como você mesma disse, é um erro.

— Naraku, o que...

— Adianta ser o que sou? Um hanyou quase imortal, com capacidades de autorregeneração nunca vistas, com um miasma altamente tóxico e, também, criador de youkais novos?

— Como?

— Gerei uma youkai a partir do meu próprio corpo há poucos dias. Seu nome é Kagura e ela manipula o vento.

— Uau! — fez Kikyou, que estava impressionada.

— Isto não é nada. — resmungou ele. — Nada disto me adianta! Eu, Naraku, não tenho a Joia mais valiosa deste mundo.

— A Joia de Quat-

— NÃO! É o seu coração, maldita sacerdotisa Kikyou!

O casal estava ainda despido e, inconscientemente, Naraku procurou o colo da jovem, deitando sua cabeça sobre as coxas macias e fechando os olhos, amargurado.

Era tão estranho ver aquele demônio deprimido.

— Por que não me mata? — murmurou ele, choroso. — Sei que não vai ser capaz de me amar um dia. A bem da verdade, não mereço o amor de ninguém.

— Não esperava ouvir isso de você. Por que você mesmo não o faz?

— Seria em vão, pois meu corpo sempre se regenera.

— Você deve ter um ponto fraco.

— Sim. — fungou o hanyou. — Meu ponto fraco se chama ‘Kikyou’. Você tem o poder de destruir minha alma com uma flecha... Ou até mesmo com suas mãos...

A sacerdotisa respirou profundamente, antes de mergulhar os dedos pelos cabelos do moreno.

— Não.

— Não? — indagou Naraku, sem entender.

— Não quero matar você agora. Prefiro... — ela enrubesceu. — Prefiro atender ao seu primeiro pedido.

— Qual primeiro pedido?

— O de cuidar de você.

O hanyou arregalou os olhos. A chuva agora estava bem mais leve e benfazeja, trazendo frescor ao ambiente lúgubre daquele castelo.

— Kikyou... — sussurrou Naraku, encarando a moça. — Você me assusta.

— Por qual motivo?

— Até entendo que me deseje como uma mulher deseja um homem, pois faço questão de ter uma aparência humana atraente mesmo, contudo...

Kikyou tocou seus cabelos de novo, aguardando o que ele tinha a dizer. O hanyou a puxou para que ficasse deitada consigo de novo, concluindo seu raciocínio:

— Imaginei que tivesse dito que cuidaria de mim, naquele instante, somente para que eu parasse de chorar como um tolo.

— Naraku, nada pode fazê-lo ser mais tolo do que já é.

— Está me chamando de tolo? — replicou ele, olhando aborrecido e surpreso para a sacerdotisa, que parecia tranquila ao seu lado, brincando com os dedos em seus cachos.

— Estou. Você é um tolo! Um rematado idiota.

— Ora... — evidentemente, Naraku não havia gostado daquilo. Ninguém o tratava por aqueles termos.

Kikyou, entretanto, riu.

— Sabe que posso destruir todos os seus projetos e conspirações malignas e, ainda assim, fica correndo atrás de mim, me rapta, tenta me matar com suas armadilhas ridículas... Você não consegue parar de pensar em mim. Chega a ser engraçado.

— Maldita... – rosnou o hanyou, com raiva. – Eu te odeio e te desprezo com todas as minhas forças e...

E Naraku foi calado com um beijo da sacerdotisa, que o envolveu em seus braços delgados e alvos. O ar pareceu faltar para os dois amantes e enfim o moreno se desvencilhou da jovem, aturdido.

— Eu também te odeio e te desprezo com todas as minhas forças, maldito hanyou. — afirmou a jovem, com um olhar doce e cálido de quem sentia o contrário do que dizia.

— Kikyou...

— Vou cuidar de você, no entanto. Prometi isso a mim mesma. E não seria exatamente a primeira vez.

— Mas eu quero matá-la. Esse é um dos meus propósitos.

— Também quero matá-lo. Nosso ódio é recíproco.

— Então... Por quê?

— Porque foi você quem me pediu!

— Mas o que leva você a atender um pedido meu?

— Naraku! Você pergunta demais!

Ao ouvir isso, o hanyou corou e franziu o cenho. A moça achou fofo e riu de leve da conclusão que obtivera naquele instante. Naraku era doce e amargo, conciso e prolixo, desejável e detestável...

Como que se pudesse discernir suas emoções mais secretas, o moreno a enlaçou, aspirando o aroma de seu pescoço, outrora ferido.

— Um de nós ainda matará o outro. — afirmou ele, aconchegando-se à sacerdotisa. — Mas, apesar de odiá-la, eu a amo muito, Kikyou.

— Sabe que não vou perdoá-lo. — comentou ela, beijando a pele do ombro dele, onde era possível sentir a Joia incompleta ali guardada.

— Sei. Isso, entretanto, não invalida o que sinto.

Os dois se encararam de novo, sisudos e pensativos. Kikyou ia abraçá-lo quando, ao aproximar os corpos, olhou para baixo e em seguida para o rosto rubro de Naraku; que estava com o membro teso mais uma vez e encostando no ventre da jovem.

— Você não se cansa? — indagou ela, meio risonha e intrigada. – Não pensa em outra coisa?

— Não...

— Que loucura, seu pervertido! Falávamos de algo tão sério...

Isso também é sério. — contrapôs o hanyou, sem sorrir. — Quando estamos nos amando, sinto-me como se tocasse o sagrado.

— Verdade?

— Sim. Fazendo amor com você, nada mais, nem mesmo a Joia, importa. Minha mente se acalma, meu coração se une ao seu e eu me sinto livre de mim mesmo, de minha essência maligna, das minhas mazelas... Nossos corpos unidos são a expressão da mais excelsa harmonia. Não é apenas pelo mero prazer.

A jovem o encarou — era exatamente aquilo que ela sentia também. Todavia, admitir aquilo seria o mesmo que admitir que ela não o odiava mais, o que não era verdade. Para desanuviar o peso que surgiu entre eles, ela disfarçou com um sorriso irônico.

— Então o grande e poderoso Naraku é metido a poeta também? — troçou Kikyou, levando o hanyou a corar, realmente envergonhado.

— E-eu...

A moça riu, com sua voz aflautada e doce. Acabou não resistindo àquela pieguice. Naraku ficou ainda mais constrangido, quando ela tomou seu rosto entre as mãos e o encheu de pequenos beijinhos.

— Está tudo bem, Naraku.

— Está mesmo? Pensei que tivesse aborrecido você.

— De maneira alguma! Eu gostei de sua pieguice. Você fica meio bobo agindo assim, mas não me desagrada.

— Ótimo! – murmurou o hanyou, agarrando-a e beijando-a de forma inequívoca. — Eu te quero de novo. E não venha dizer que sou eu o pervertido, pois o seu cheiro não me engana. Você me quer muito.

— Maldito hanyou pervertido! E, sim, eu o quero muito. — riu ela, lânguida, se oferecendo ao moreno.

— Vai ver só, miko safada... — retrucou Naraku, aceitando a brincadeira.

— Pervertido, pervertido... — cantarolou ela, risonha, até começar a suspirar de prazer com as carícias dele.

O sol acabava de se pôr, enquanto o casal se amava mais uma vez.

***

1 – Gyokuro: Chá verde mais nobre e mais puro.

Notas finais
Entre tapas e beijos, é ódio, é desejo, é sonho, é ternuuuuraaaa ♫♪ #LeandroeLeonardoFeelings Abraços, queridos da Mamãe! ~Okaasan