The Hopeless place
6 Not is forever
— O que você tem? — olhou-me preocupado
— Nada, realmente. — disfarcei o olhar — vamos ao bar, por favor.
Ao caminho, notei que ele me observava, confuso.
— Pensei que não gostasse de ir ao bar.
— Bom, não é um mal lugar.
— Onde está o romantismo nisso? — sorriu
— Podemos ser dois bêbados apaixonados.- pisquei meu olho direito, e abafou o riso.
Finalmente chegamos. Todos abriram o caminho, com medo. Também, depois daquele episódio de destruição, não ousariam me enfrentar. Após tomarmos um goró, fomos para a casinha da colina. Estávamos deitados, até eu pular da cama
— Droga! — gritei emburrado — esqueci de fazer meu trabalho!
— De?
— Biologia! Vale 10 pontos!! AAh merda!
— Calma, no stress. — sorriu
Ele voltou comigo até a minha casa, para me ajudar, apesar de eu ter bancado o educado : "Ah deixa, não precisa,sério".
Sim, aquele imbecil sabia muito mais do que eu. Era um enorme trabalho, e sinceramente nem sabia por onde começar. Me ajudou com a capa, pacientemente me ensinou cada questão, explicou tudo. Ás vezes ele me pegava o observando sorrindo, e me deixava com cara de bobo. Ao terminar, observei o relógio, já estava tarde.
— Ufa. — joguei o lápis pra trás — não sinto minhas mãos.
— Ninguém mandou esquecer de fazer o trabalho — sorriu — eu sei que o tempo que passa comigo é bom e tudo mais, mas não precisa esquecer de tudo.
— Convencido nada né? — ri relaxadamente — Mas Steve, por que me ajudou?
— Amor é uma fumaça que se eleva com o vapor dos suspiros; purgado, é o fogo que cintila nos olhos dos amantes; frustrado, é o oceano nutrido das lágrimas desses amantes. O que mais é o amor? A mais discreta das loucuras, fel que sufoca, doçura que preserva. — disse com um ar de ator
— Não sabia que gostava de Romeu e Julieta. — sorri
— Cheque-mate. — disse me dando um beijo, se despedindo e indo embora.
Sentando-me no sofá da sala, relembrei das palavras que o "Eu" do futuro me disse. Matar o Steve... Será que eu sou assim tão idiota? Talvez essa ideia de tentar concertar tudo, pode acabar estragando tudo.
— Estas alegrias violentas, tem fins violentos, falecendo num triunfo como fogo e póvora ,que num beijo se consomem...
Falei sozinho, enquanto abraçava as pernas e começava a chorar.
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