— O que você tem? — olhou-me preocupado

— Nada, realmente. — disfarcei o olhar — vamos ao bar, por favor.

Ao caminho, notei que ele me observava, confuso.

— Pensei que não gostasse de ir ao bar.

— Bom, não é um mal lugar.

— Onde está o romantismo nisso? — sorriu

— Podemos ser dois bêbados apaixonados.- pisquei meu olho direito, e abafou o riso.

Finalmente chegamos. Todos abriram o caminho, com medo. Também, depois daquele episódio de destruição, não ousariam me enfrentar. Após tomarmos um goró, fomos para a casinha da colina. Estávamos deitados, até eu pular da cama

— Droga! — gritei emburrado — esqueci de fazer meu trabalho!

— De?

— Biologia! Vale 10 pontos!! AAh merda!

— Calma, no stress. — sorriu

Ele voltou comigo até a minha casa, para me ajudar, apesar de eu ter bancado o educado : "Ah deixa, não precisa,sério".

Sim, aquele imbecil sabia muito mais do que eu. Era um enorme trabalho, e sinceramente nem sabia por onde começar. Me ajudou com a capa, pacientemente me ensinou cada questão, explicou tudo. Ás vezes ele me pegava o observando sorrindo, e me deixava com cara de bobo. Ao terminar, observei o relógio, já estava tarde.

— Ufa. — joguei o lápis pra trás — não sinto minhas mãos.

— Ninguém mandou esquecer de fazer o trabalho — sorriu — eu sei que o tempo que passa comigo é bom e tudo mais, mas não precisa esquecer de tudo.

— Convencido nada né? — ri relaxadamente — Mas Steve, por que me ajudou?

— Amor é uma fumaça que se eleva com o vapor dos suspiros; purgado, é o fogo que cintila nos olhos dos amantes; frustrado, é o oceano nutrido das lágrimas desses amantes. O que mais é o amor? A mais discreta das loucuras, fel que sufoca, doçura que preserva. — disse com um ar de ator

— Não sabia que gostava de Romeu e Julieta. — sorri

— Cheque-mate. — disse me dando um beijo, se despedindo e indo embora.

Sentando-me no sofá da sala, relembrei das palavras que o "Eu" do futuro me disse. Matar o Steve... Será que eu sou assim tão idiota? Talvez essa ideia de tentar concertar tudo, pode acabar estragando tudo.

Estas alegrias violentas, tem fins violentos, falecendo num triunfo como fogo e póvora ,que num beijo se consomem...

Falei sozinho, enquanto abraçava as pernas e começava a chorar.