Notas iniciais
Sejam muitíssimo bem-vindos *O* Se chegaram até aqui, é porque gostaram do capítulo anterior, no qual o nosso Aang finalmente desova para o mundo, certo? Espero que apreciem, e não esqueçam de comentar, independente de críticas ou sugestões, é claro! *-*

'' Dor. Um homem cujo passado é desonroso não é um verdadeiro homem, é um meio-homem; eu suponho. Banido da minha própria casa e exilado do meu reino, navego com meu tio gordo, que, apesar dos seus conselhos de velho, fora o único que ficou ao meu lado quando fui desonrado pelo meu pai. E, para me lembrar que não devo voltar, ganhei uma cicatriz no rosto, a qual levarei para sempre; uma marca da minha rebeldia. Não interessa quem sou, interessa quem serei. O mundo é dos cruéis. E nesse mundo de cruéis, eu reinarei como Senhor do Fogo, Zuko... um dia. '' — Príncipe Zuko.


O sol declinava-se no horizonte, oferecendo os últimos tons do dia naquele crepúsculo do pós-meridiano; os ventos gélidos da noite já sobravam, enquanto o céu, que outrora era colorido pelas cores do pôr-do-sol, se tornava cinzento gradativamente à medida que o dia decaia e a noite chegava em sua ascensão. Algo maior clareava aquilo, entretanto.

Navegando sobre as águas gélidas no mar antártico, o casco de um luxuoso navio de guerra quebrava o gelo congelado do oceano, convergindo em direção ao norte; deslocava-se velozmente sobre a água. O navio, entretanto, era visualmente antigo, sendo pintado nas cores vermelho e preto. Sobrepondo à extensão do casco, os símbolos originais que carregam nas velas, também eram mantidos. O mastro levantava as velas aos céus, cujo tecido era entalhado uma insígnia que tomava a forma de uma chama flamejante com três pontas voltadas para cima; era o símbolo da Nação do Fogo.

Não lute, respire! — soou a voz grossa de um homem no convés; era um senhor demasiadamente gordo para sua idade avançada, cuja face era iluminada pela luz cintilante das chamas que eram produzidas pelos homens a sua frente, que lutavam bravamente trocando poderosos jatos de fogo que saíam de seus punhos e pés. Daqueles que mantinham-se em pé, apenas um deles não tinha seu rosto ocultado por uma máscara bizarra, sendo visto o rosto de um adolescente enrugado, cuja face carregava uma grande cicatriz vermelha que predominava o lado esquerdo de seu rosto.

— Há! Ah! — gritava o adolescente, que lutava em desvantagem, enquanto rajadas de fogo e bolas flamejantes pareciam se estender no ar até seus adversários, ao realizar alguns movimentos corporais que lembravam muito o Shaolin do Norte. Enquanto executava uma sequência de socos no ar, golpeando sutilmente o próprio vento, bolas de fogo pareciam, de certa forma, emergir a partir dos seus pulsos, e iam em direções aos seus opositores, respectivamente. Em contraposto, ele saltou por sobre o peitoril do casco, enquanto golpeava o ar, desferindo esferas incineradas contra seus oponentes, e rolando sobre o solo; seus negros cabelos refletiam a luz de sua dobra. Ao que parecia uma rasteira sutil no próprio ar, como se lutasse corpo-a-corpo, uma poderosa rajada de fogo fora produzida pelo seu movimento, expandindo-se gradativamente à fronte de seus adversários; sua habilidade eminente era óbvia, porém sua dobra era demasiadamente infantil. Logo, Zuko alcançou o parapeito da superfície do casco da embarcação, intercalando seus passos com velocidade, desfocando seus pés do fogo que lhe era direccionado. Por fim, o Dobrador de Fogo saltou no ar e combinou seu movimento aéreo com um chute giratório — Roundhouse aéreo, fazendo com que uma labareda espessa de chamas atingisse seus subordinados.

Talvez, sua dobra se encaixasse melhor entre os primitivos Dobradores de Terra, em Ba Sing See. Eles sim usam os punhos — levantou-se, então, e caminhou entre os três homens que estavam momentaneamente desfalecidos no chão, mantendo certa distância do próprio — O poder da Dobra Fogo vem do fôlego, e não dos músculos! — ditava, dando ênfase. — O fôlego se torna energia no corpo. A energia se estende por seus membros, e vira... Fogo! — exclamava, até que fechou o punho e golpeou o ar, fazendo uma língua de chamas flamejantes se estender até a fronte de seu sobrinho; Zuko possuía pele clara e os cabelos escuros, tendo os olhos dourados, mas era cicatriz em sua face que marcava sua identidade. Sobretudo, era um jovem bonito, e mesmo carregando a cicatriz em sua face, possuía um ''quê'' de atração.

O velho, então, voltou à sua cadeira.

Tente de novo! — ordenou ele, guarnecendo de sua voz rígida.

O garoto era impaciente e tão pouco acatava ordens, sendo um tanto quanto mimado em sua vida repudiada, um sofrimento que o tornou ainda menos suscetível à clemência. De alguma forma, ele se espelhava na benevolência de Ursa, sua mãe que há muito fazia sob as pedras de seu túmulo, embora isso nem sempre o ajudasse quando sua raiva espontânea dominava seus sentidos; um homem precoce confrontado por seus demônios. Tal qual fora sua surpresa ao ser banido da sua própria Nação? Desde então a raiva passou a lhe acompanhar, sendo sua seguidora fiel, e ser o mais perto que chegara de um sentimento propriamente dito; forçado à crescer no âmago das dificuldades de sua guerra interna.

Eu cansei dos movimentos básicos! Me ensine o módulo avançado! — clamou Zuko, gozando de sua usual voz amargurada e ativa.

Você é impaciente, Zuko. Ainda não está apto à aprender o avançado sem dominar o básico da Dominação do Fogo. Me diga, se ganha uma guerra elementar sem entender primeiro o plano de estratégia? — indagava seu velho tio Iroh; único o qual seguira em suas empreitadas pelo mundo afora após renunciarem seus títulos e a própria Nação do Fogo.

O quê? Eu já estou há meses treinando o básico, chega! O Avatar é o Mestre dos Elementos, e teve um século para aprender todos. Eu vou precisar mais do que a dobra primária de fogo para derrotá-lo! — gritava ele ao se aproximar do seu tio — Você vai me ensinar o treinamento avançado... agora! — brandou ele, cerrando os punhos, como se tivesse sobrecarregado.

— Há! — Zuko virou-se em seu próprio eixo, executando um giro 360º combinado com um chute no ar; Roundhouse. Ao mesmo instante, uma rajada de fogo, como se tivesse saído do seu tornozelo, atingiu seus três oponentes à três metros de distância, que estavam inertes, e os lançou para trás.

Zuko, Zuko... Você já perdeu muito na vida. Seu pai já tirou muito de você. Não deixe que ele tire o que ainda resta de bom em seu coração. O Avatar é uma grande ameaça à Nação do Fogo, vivo ou morto, e faz mais de um século que não é encontrado. Você nunca irá encontrá-lo, Zuko... não até que ele queria ser encontrado. O seu pai, seu avô e o seu bisavô tentaram, tentaram e falharam — explicou seu tio, soando em uma voz calma e rouca.

Isso porquê a honra deles não dependia da captura do Avatar, à minha, sim. Os cem anos desse covarde escondido acabaram — concluiu Zuko, cheio de raiva e amargurado.

Não se trata de honra, Zuko, é isso que você não entende. Capturar o Avatar, ou não capturar o Avatar... mesmo longe de seu pai, ele consegue controlar seus passos. Liberte-se, Zuko, é isso o que realmente importa! — clamou seu tio.

Eu não serei o príncipe banido para sempre! Quando eu levar o Avatar para o Senhor do Fogo, Ozai, irei reivindicar meu trono de direito e todos vão se curvar à mim, eu sou o Príncipe! — vociferava ele, em seu tom alterado, despindo as palavras de sua boca, e então, se conteve por um momento antes de concluir — Matarei cada Dobrador que se o pôr até capturar o Avatar, se for preciso.

Agora você falou como o Senhor do Fogo, Ozai. Vigie seus pensamentos, Zuko, ou tomará para si o mesmo destino de seu pai: Ignorância — dizia Iroh.

Ele traiu sua confiança para tomar seu lugar no trono! Se o meu pai não tivesse tramado contra você, não seria ele o Senhor do Fogo agora! Como pode não odiá-lo? — praguejava Zuko, irado.

Eu tive meu tempo de odiá-lo, Zuko, e tive meu tempo de questionar, assim como você está em tempo de questionar suas escolhas: Um título a mais deve definir quem realmente você é por dentro? Ser o Príncipe da Nação do Fogo não vai amenizar a dor do fardo que carrega, Zuko. Assim como ser o Senhor do Fogo não me tornaria mais sábio. A sabedoria vem daqueles que sabem tomar suas próprias decisões da vida — dizia seu tio, calmamente.

Há! Você é um fraco, tio Iroh! — esbravejou o príncipe, bufando, quando, por fim, convergia seus passos para fora do convés.

O que é aquilo? — indagou seu tio Iroh com o cenho franzido ao vislumbrar sobre o ombro de Zuko um raio esplendoroso de luz branca que cortava o pico de dois icebergs em direção ao céu.

O quê? — resmungou ele, ao virar-se e vislumbrar da mesma visão; uma coluna de luz que findava ao céu — Aquilo é um sinal! — concluiu ele, apontando seu dedo indicador. Pela primeira vez, em meses, Zuko sentia seu prêmio margeando ao seu horizonte. — Finalmente um rastro do Avatar! Só pode ser a fonte daquela poderosa luz no céu! — disse ele, contemplando aquela luminosidade nas nuvens quando seus olhos se converteram para um olhar sombrio — Timoneiro! Acerte o curso para a luz! — concluiu Zuko — Temos uma captura à ser realizada hoje para a Nação do Fogo.

Notas finais
Espero que tenham gostado, galera õ/ Não esqueçam de comentar o que acharam, pode me dar sugestões, me criticar ou simplesmente opinar sobre o capítulo! Interajam comigo. ^^ ~ Thanks por lerem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.