The History of Avatar
2 O Príncipe Exilado
Notas iniciais
'' Dor. Um homem cujo passado é desonroso não é um verdadeiro homem, é um meio-homem; eu suponho. Banido da minha própria casa e exilado do meu reino, navego com meu tio gordo, que, apesar dos seus conselhos de velho, fora o único que ficou ao meu lado quando fui desonrado pelo meu pai. E, para me lembrar que não devo voltar, ganhei uma cicatriz no rosto, a qual levarei para sempre; uma marca da minha rebeldia. Não interessa quem sou, interessa quem serei. O mundo é dos cruéis. E nesse mundo de cruéis, eu reinarei como Senhor do Fogo, Zuko... um dia. '' — Príncipe Zuko.
O sol declinava-se no horizonte, oferecendo os últimos tons do dia naquele crepúsculo do pós-meridiano; os ventos gélidos da noite já sobravam, enquanto o céu, que outrora era colorido pelas cores do pôr-do-sol, se tornava cinzento gradativamente à medida que o dia decaia e a noite chegava em sua ascensão. Algo maior clareava aquilo, entretanto.
Navegando sobre as águas gélidas no mar antártico, o casco de um luxuoso navio de guerra quebrava o gelo congelado do oceano, convergindo em direção ao norte; deslocava-se velozmente sobre a água. O navio, entretanto, era visualmente antigo, sendo pintado nas cores vermelho e preto. Sobrepondo à extensão do casco, os símbolos originais que carregam nas velas, também eram mantidos. O mastro levantava as velas aos céus, cujo tecido era entalhado uma insígnia que tomava a forma de uma chama flamejante com três pontas voltadas para cima; era o símbolo da Nação do Fogo.
— Não lute, respire! — soou a voz grossa de um homem no convés; era um senhor demasiadamente gordo para sua idade avançada, cuja face era iluminada pela luz cintilante das chamas que eram produzidas pelos homens a sua frente, que lutavam bravamente trocando poderosos jatos de fogo que saíam de seus punhos e pés. Daqueles que mantinham-se em pé, apenas um deles não tinha seu rosto ocultado por uma máscara bizarra, sendo visto o rosto de um adolescente enrugado, cuja face carregava uma grande cicatriz vermelha que predominava o lado esquerdo de seu rosto.
— Há! Ah! — gritava o adolescente, que lutava em desvantagem, enquanto rajadas de fogo e bolas flamejantes pareciam se estender no ar até seus adversários, ao realizar alguns movimentos corporais que lembravam muito o Shaolin do Norte. Enquanto executava uma sequência de socos no ar, golpeando sutilmente o próprio vento, bolas de fogo pareciam, de certa forma, emergir a partir dos seus pulsos, e iam em direções aos seus opositores, respectivamente. Em contraposto, ele saltou por sobre o peitoril do casco, enquanto golpeava o ar, desferindo esferas incineradas contra seus oponentes, e rolando sobre o solo; seus negros cabelos refletiam a luz de sua dobra. Ao que parecia uma rasteira sutil no próprio ar, como se lutasse corpo-a-corpo, uma poderosa rajada de fogo fora produzida pelo seu movimento, expandindo-se gradativamente à fronte de seus adversários; sua habilidade eminente era óbvia, porém sua dobra era demasiadamente infantil. Logo, Zuko alcançou o parapeito da superfície do casco da embarcação, intercalando seus passos com velocidade, desfocando seus pés do fogo que lhe era direccionado. Por fim, o Dobrador de Fogo saltou no ar e combinou seu movimento aéreo com um chute giratório — Roundhouse aéreo, fazendo com que uma labareda espessa de chamas atingisse seus subordinados.
— Talvez, sua dobra se encaixasse melhor entre os primitivos Dobradores de Terra, em Ba Sing See. Eles sim usam os punhos — levantou-se, então, e caminhou entre os três homens que estavam momentaneamente desfalecidos no chão, mantendo certa distância do próprio — O poder da Dobra Fogo vem do fôlego, e não dos músculos! — ditava, dando ênfase. — O fôlego se torna energia no corpo. A energia se estende por seus membros, e vira... Fogo! — exclamava, até que fechou o punho e golpeou o ar, fazendo uma língua de chamas flamejantes se estender até a fronte de seu sobrinho; Zuko possuía pele clara e os cabelos escuros, tendo os olhos dourados, mas era cicatriz em sua face que marcava sua identidade. Sobretudo, era um jovem bonito, e mesmo carregando a cicatriz em sua face, possuía um ''quê'' de atração.
O velho, então, voltou à sua cadeira.
— Tente de novo! — ordenou ele, guarnecendo de sua voz rígida.
O garoto era impaciente e tão pouco acatava ordens, sendo um tanto quanto mimado em sua vida repudiada, um sofrimento que o tornou ainda menos suscetível à clemência. De alguma forma, ele se espelhava na benevolência de Ursa, sua mãe que há muito fazia sob as pedras de seu túmulo, embora isso nem sempre o ajudasse quando sua raiva espontânea dominava seus sentidos; um homem precoce confrontado por seus demônios. Tal qual fora sua surpresa ao ser banido da sua própria Nação? Desde então a raiva passou a lhe acompanhar, sendo sua seguidora fiel, e ser o mais perto que chegara de um sentimento propriamente dito; forçado à crescer no âmago das dificuldades de sua guerra interna.
— Eu cansei dos movimentos básicos! Me ensine o módulo avançado! — clamou Zuko, gozando de sua usual voz amargurada e ativa.
— Você é impaciente, Zuko. Ainda não está apto à aprender o avançado sem dominar o básico da Dominação do Fogo. Me diga, se ganha uma guerra elementar sem entender primeiro o plano de estratégia? — indagava seu velho tio Iroh; único o qual seguira em suas empreitadas pelo mundo afora após renunciarem seus títulos e a própria Nação do Fogo.
— O quê? Eu já estou há meses treinando o básico, chega! O Avatar é o Mestre dos Elementos, e teve um século para aprender todos. Eu vou precisar mais do que a dobra primária de fogo para derrotá-lo! — gritava ele ao se aproximar do seu tio — Você vai me ensinar o treinamento avançado... agora! — brandou ele, cerrando os punhos, como se tivesse sobrecarregado.
— Há! — Zuko virou-se em seu próprio eixo, executando um giro 360º combinado com um chute no ar; Roundhouse. Ao mesmo instante, uma rajada de fogo, como se tivesse saído do seu tornozelo, atingiu seus três oponentes à três metros de distância, que estavam inertes, e os lançou para trás.
— Zuko, Zuko... Você já perdeu muito na vida. Seu pai já tirou muito de você. Não deixe que ele tire o que ainda resta de bom em seu coração. O Avatar é uma grande ameaça à Nação do Fogo, vivo ou morto, e faz mais de um século que não é encontrado. Você nunca irá encontrá-lo, Zuko... não até que ele queria ser encontrado. O seu pai, seu avô e o seu bisavô tentaram, tentaram e falharam — explicou seu tio, soando em uma voz calma e rouca.
— Isso porquê a honra deles não dependia da captura do Avatar, à minha, sim. Os cem anos desse covarde escondido acabaram — concluiu Zuko, cheio de raiva e amargurado.
— Não se trata de honra, Zuko, é isso que você não entende. Capturar o Avatar, ou não capturar o Avatar... mesmo longe de seu pai, ele consegue controlar seus passos. Liberte-se, Zuko, é isso o que realmente importa! — clamou seu tio.
— Eu não serei o príncipe banido para sempre! Quando eu levar o Avatar para o Senhor do Fogo, Ozai, irei reivindicar meu trono de direito e todos vão se curvar à mim, eu sou o Príncipe! — vociferava ele, em seu tom alterado, despindo as palavras de sua boca, e então, se conteve por um momento antes de concluir — Matarei cada Dobrador que se o pôr até capturar o Avatar, se for preciso.
— Agora você falou como o Senhor do Fogo, Ozai. Vigie seus pensamentos, Zuko, ou tomará para si o mesmo destino de seu pai: Ignorância — dizia Iroh.
— Ele traiu sua confiança para tomar seu lugar no trono! Se o meu pai não tivesse tramado contra você, não seria ele o Senhor do Fogo agora! Como pode não odiá-lo? — praguejava Zuko, irado.
— Eu tive meu tempo de odiá-lo, Zuko, e tive meu tempo de questionar, assim como você está em tempo de questionar suas escolhas: Um título a mais deve definir quem realmente você é por dentro? Ser o Príncipe da Nação do Fogo não vai amenizar a dor do fardo que carrega, Zuko. Assim como ser o Senhor do Fogo não me tornaria mais sábio. A sabedoria vem daqueles que sabem tomar suas próprias decisões da vida — dizia seu tio, calmamente.
— Há! Você é um fraco, tio Iroh! — esbravejou o príncipe, bufando, quando, por fim, convergia seus passos para fora do convés.
— O que é aquilo? — indagou seu tio Iroh com o cenho franzido ao vislumbrar sobre o ombro de Zuko um raio esplendoroso de luz branca que cortava o pico de dois icebergs em direção ao céu.
— O quê? — resmungou ele, ao virar-se e vislumbrar da mesma visão; uma coluna de luz que findava ao céu — Aquilo é um sinal! — concluiu ele, apontando seu dedo indicador. Pela primeira vez, em meses, Zuko sentia seu prêmio margeando ao seu horizonte. — Finalmente um rastro do Avatar! Só pode ser a fonte daquela poderosa luz no céu! — disse ele, contemplando aquela luminosidade nas nuvens quando seus olhos se converteram para um olhar sombrio — Timoneiro! Acerte o curso para a luz! — concluiu Zuko — Temos uma captura à ser realizada hoje para a Nação do Fogo.
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