Término

Eu e você...

Costumávamos conversar, todos os dias.

E estar juntos, todos os dias...

Sempre.

Começo a sentir que estou te perdendo,

E é difícil imaginar que esse seja o ato final.

Enquanto soa para mim,

Que o tempo apenas se esqueceu de passar,

E está apenas nos empurrando.

Sinto melancolia em suas palavras evasivas,

E olhares cabisbaixos se tornam frequentes,

Menina.

Diga-me se realmente estou certo,

E tenho que aceitar tudo isso à míngua.

Mas não fale as palavras que eu não quero ouvir...

Escreve-as num bloco de notas, antes de partir.

E deixe num lugar onde mais tarde,

Eu possa encontra-las e lê-las

Só para mim.

Eu já as compreendo,

Mesmo antes de acha-las.

Só não escrevas mentiras à toa,

Apenas me explique por que isso magoa.

Há uma gama de memórias compartilhadas...

A amizade de anos acaba.

E sua ausência ao meu lado,

Me assusta.

É difícil perceber como continuar,

A essa altura que tudo entre nós parece quebrar.

Doce vento sopra para longe daqui...

Vejo o rubor em meu peito dirimir.

Procurei uma desculpa boba para sair,

E admirar a cidade, me perder,

Dirigir.

Vi-me distante de onde vim,

Olhando serenamente o sol partir...

O bilhete está no meu bolso esquerdo,

Especulando sobre planos, amores e desejos.

Creio ser apenas um lampejo,

Mas senti a brisa me acalentar com um beijo.

Leio...

“Não esteja aqui se não por inteiro,

Não me enrole com suas conversas vazias.

Não impregne essa carta com teu cheiro,

Amasse-a e jogue-a perto da baía.”

Assinado em adeus,

Minha querida.

~Gabriel.