The Hidden Truth
8 Castle Of Glass
Notas iniciais
Bring me home in a blinding dream
Through the secrets that I have seen
Wash the sorrow from off my skin
And show me how to be whole again
'Cause I'm only a crack
In this castle of glass
Hardly anything there for you to see
For you to see.
Me encontrava na seguinte situação:
Thalia e Percy segurando uma arma em cada mão, Thalia apontava uma das armas para Percy e a outra para Apolo. Percy apontava uma arma também para Thalia e a outra para Apolo. E Apolo deitado nu dentro da banheira com um pano em sua boca e as mãos amarradas.
Apesar da situação, eu não poderia estar tendo visão melhor. O corpo físico de Apolo faria qualquer uma babar. E eu não deveria estar muito diferente disso, pois Percy revirou os olhos e abaixou a arma apontada para Thalia, e a mesma também abaixou a arma apontada para Percy.
– Annabeth, o que faz aqui? – Thalia completamente raivosa, só de olhar em seus olhos dava-se pra ver faíscas saindo.
– Eu ia sair com Percy – disse olhando amedrontadoramente para ele que ainda parecia confuso em me ver ali – mas aí ele fez o favor de me deixar plantada dentro do carro...
– É e eu mandei você ir embora Annabeth, por que não foi?
– Mas o que você está fazendo aqui Thalia? E o que esta fazendo apontando essa arma para esse deus grego? Porque vocês têm que mata-lo? Porque todos aqueles seguranças estão mortos? Ai meu Deus eu ‘tô ficando louca? É muita informação para uma pessoa só.
Encostei-me e na parede para tentar me acalmar e dei-me ao luxo de observar o banheiro. Com certeza era o banheiro mais luxuoso que já vi. As paredes pintadas em um tom perolado, duas pias de granito, banheira de hidromassagem na qual Apolo estava, vários espelhos espalhados pelo banheiro e todos bordados nas laterais com desenhos desconexos, mas que ao mesmo tempo os deixavam com uma aparência luxuosa e clássica.
Voltei minha atenção para a banheira e Apolo dentro da mesma, totalmente, nu. Dava para ver todo seu abdômen sarado, cada gominho. Os cabelos tão louros quanto o meu realçavam seus olhos azuis claros. Os braços musculosos.
Céus! Esse homem não é desse mundo.
– Annabeth? Annabeth, você está bem? – Percy perguntou já a minha frente.
– Mas como uma pessoa pode ser tão gostosa assim? – Thalia não aguentou e riu, e Percy rolou os olhos e bufou. Arregalei os olhos. – Ah não, não, não. Eu não disse isso em voz alta.
Thalia riu ainda mais.
– É – Thalia disse rindo – ela está muito bem.
– O que está fazendo aqui Annabeth? Falei para você ir pra casa e não me esperar. – Percy estava tão raivoso que nem percebeu que me prensou contra a parede.
O jeito como Percy falou comigo me tirou do sério, ergui o queixo e o encarei, deixei me levar pelo orgulho! Ninguém, ninguém manda em mim.
– Primeiro nem você e nem ninguém mandam em mim, e segundo, não deixaria vocês aqui a mercê de tiros.
Percy se afastou de mim e começou a andar de um lado para o outro do banheiro e quando ia começar seu discurso:
– Hey Tals, porque está demorand... Annabeth? Percy?
– Silena? Até você? – perguntei.
– Até eu o que? – Silena tombou a cabeça um pouco para o lado e alternou o olhar de mim para Percy e de Percy para mim. – ‘Tô confusa Pers. – Pers? Desde quando Silena é próxima de Percy? – O que você tá fazendo aqui? Pelo que sei esse trabalho era meu, da Thals e do Charles. E por que você trouxe a Annabeth?
– Agora a confusa aqui sou eu. – disse.
Percy rolou os olhos impaciente. Como se já tivesse respondido a mesma pergunta muitas vezes. E eu não duvido disso. Ele andou em minha direção ignorando totalmente o resto das pessoas dentro do banheiro.
De longe pude ouvir o som de sirenes. A polícia estava chegando. E não estava muito longe.
Ele colocou a mão em meu rosto, olhou dentro dos meus olhos. Neste momento eu já estava com a respiração descompensada e as mãos tremendo, eu estava suando frio. Mas por quê? Eu estava nervosa, muito nervosa. Sabia o que estava para acontecer.
– Lamento que tenha que ver isso de novo – disse olhando bem no fundo dos meus olhos.
Virou-se e numa fração de segundos atirou na cabeça de Apolo, que até agora estava quieto sem fazer escândalo algum. Apenas observava, como se já esperasse por isso desde o começo. Seus olhos azuis antes fortes e brilhantes perderam o brilho, ficaram opacos, perderam o foco e sua cabeça tombou para o lado.
– O que você... O que você fez? – Gritei.
– Lamento – respondeu frio. Seus olhos nem se quer encontraram com os meus – Anda Thalia, temos que ir, eles estão chegando.
Thalia que até agora estava apenas observando tudo boquiaberta, assim como Silena, finalmente voltou a si. Sua expressão ficou pior do que antes. Se antes ela estava brava com Percy, agora estava furiosa. Seus olhos o fuzilaram.
– O que você pensa que fez? – gritou – Ele não era nossa prioridade, ela era. – apontou para mim – Você não podia ter simplesmente a levado para outro lugar e deixado que eu fizesse isso? Qual o seu problema Percy? E ainda por cima o matou na frente dela. Você está pedindo pra morrer, seu imbecil. A única ordem que você tinha era de protegê-la e não deixar que ela entrasse pra esse mundo que nós vivemos. É tão difícil assim cumprir essa única missão Percy?
– Ela merece saber a verdade Thalia. E você sabe disso tanto quanto eu. Até Silena concorda comigo. E Silena mal sabe a história toda.
Olhei para Silena esperando alguma resposta, ou alguma coisa que me ajudasse a entender o que estava acontecendo aqui. Mas ela negou com a cabeça. Estava tão confusa quanto eu.
Eles estavam falando de mim como se eu não estivesse aqui.
– De que verdade vocês estão falando? – minha voz saiu fraca, e roca. – O que vocês estão escondendo de mim?
Agora a atenção estava toda em mim. Thalia e Percy se entreolharam e depois me encaravam. A boca de Thalia se abriu e fechou varias vezes.
– Não... Nós não... Não foi isso que queríamos dizer. – Thalia gaguejava.
Agora conseguia ouvir melhor ainda os sons da sirene. Eu daria dois eu três quarteirões de distancia somente.
– Thalia não temos como explicar agora. Temos que ir. Desculpe Annie. – Silena disse. – Depois explicamos tudo, quando estivermos em segurança.
E então, como se tudo estivesse programado Beckendorf entra no banheiro empurrando a porta com força.
– Precisamos ir. – disse ele – Agora.
Percy pegou minha mão e me puxou para fora do quarto, seguido de Silena, Thalia e Beckendorf. Corremos pelos corredores até acharmos uma plaquinha indicando à saída para o corredor à direita e ao viramos cometi o erro de olhar para trás bem a tempo de ver três homens vestidos de preto e armados. Não pareciam ser da polícia. E quando atiraram tive total certeza de que não eram da polícia.
Percy tinha razão, temo que ‘dar o fora daqui o mais rápido possível.
Achamos a saída de emergência. Uma escada enferrujada do lado de fora nos levava a um beco. Enquanto descíamos as escadas correndo pude ouvir os tiros lá de cima. Chegamos ao térreo.
Mais tiros.
Acima de nós, eles tentavam descer as escadas correndo e atirando em nossa direção.
Não sei de onde, nem como, muito menos quando. Mas quando me assustei já estava dentro de uma van preta com todos os outros. Não reconheci o motorista, mas nesse momento ele era a ultima coisa com que me preocupava.
Em momento algum Percy soltou minha mão. Nossas mãos estavam entrelaçadas agora. E eu não sei exatamente quem tomou a atitude.
Ao meu redor todos aparentavam estar bem, ninguém estava ferido. Até eu olhar para o braço direito de Percy. Estava sangrando. Uma bala havia passado de raspão.
– Percy, seu braço esta...
Direcionei meu olhar ao ferimento, depois encarei seus olhos verdes.
– Isso não é nada Annie.
– Chega de bancar o durão por hoje ok? – toquei de leve em seu ferimento e ele se encolheu – “Isso não é nada Annie” – Fiz minha pior imitação possível dele. O que fez todos da van caírem na gargalhada. – Em casa eu cuido disso.
Percy arqueou sua sobrancelha esquerda e Thalia olhou para mim desconfiada. Rolei os olhos.
– Como vocês podem ser tão maliciosos? Só vou cuidar do seu ferimento Percy.
– Aham – Thalia disse – Na sua cama.
– Acho que vou gostar disso. – disse Percy olhando para mim e balançando suas sobrancelhas. – Vou poder ter te dar o troco por hoje à tarde.
Semicerrei os olhos.
– Pode tirar o cavalinho da chuva querido, não vai acontecer nada.
Acabei de vez com aquela discussão idiota e fomo pra casa.
Charlie e Silena estavam no outro extremo da van, abraçados. Eles formavam um belo casal, e estavam tão fofos que deu vontade de me enfiar no meio dos dois só pra sacanear mesmo. Isso aí, sou do mal. Silena estava com a cabeça deitada no ombro de Charlie e seus dedos estavam entrelaçadas, iguais a minha e de Percy.
Durante o caminho Percy passou seu braço sobre meus ombros e eu encostei-me a ele. E repassei os acontecimentos de hoje em minha mente.
Mais uma vez, meu dia foi completamente louco.
Fui abandonada no carro, tropecei em gente morta, presenciei mais um assassinato, quase fui morta num tiroteio, descobri que minha prima é uma assassina e escondeu isso de mim por não sei quanto tempo, e o garoto pelo qual eu acho que estou tendo uma queda por ele ser muito lindo também é um assassino.
Minha vida passou de tediosa a complicada.
(...)
Fomos deixados na porta de casa, seja quem for o motorista, foi em bora assim que pode.
Do lado de fora a casa estava toda apagada, aparentemente estavam todos dormindo.
Foi só colocarmos o pé dentro de casa que as luzes da sala foram acesas e meu tio estava sentado no sofá apenas nos esperando.
Olhei para o relógio. 05h30 da manhã. Estávamos muito ferrados.
– Onde as crianças estavam até essa hora?
Olhei para Thalia desesperadamente. Não tinha uma desculpa agora. Ela teria que arranjar uma por si só.
– Oi pai – disse Tals – Porque está acordado á essa hora?
Ela só pode estar brincando comigo. Ela pode mentir pra mim durante anos, ser uma assassina e sabe-se lá o que mais, mas não consegue inventar uma única desculpa pra Zeus.
Olhei para ela com uma cara do tipo: Sério que isso é o máximo que você consegue fazer? Ela apenas deu de ombros.
– Thalia não me teste. Vá para o quarto, amanha conversamos.
Zeus passou seu olhar de mim para minhas mãos entrelaçadas a de Percy e logo depois para o seu ferimento. Por todo trajeto ele não me soltou nem uma vez se quer. Finalmente percebeu a presença de outras pessoas além de nós três na sala. Silena e Beckendorf também vieram conosco.
– Olá Percy. – disse.
Percy apenas o cumprimentou com um aceno de cabeça. De repente ele havia ficado tenso. Puxei-o e falei para os outros me seguirem já que Thalia estava estática olhando para o pai.
Fomos todos para nossos respectivos quartos. Percy veio comigo para eu cuidar de seu ferimento, depois iria para seu quarto.
Achei a caixinha de primeiro socorros na parte de cima do meu armário e levei-a comigo.
Eu sei o que deve estar pensando
Quem teria uma caixa de primeiros socorros no armário do quarto?
Meu tio insiste que tenhamos pelo menos uma dentro do armário caso algum tipo de acidente aconteça. Mas é claro que ele não pensou que o acidente seria como este.
– Sinceramente? – falei já tocando em seu ferimento – Não sei o que pensar agora, sobre tudo. Por que isso aconteceu? Por que tem me proteger? E porque mentiram para mim? Não sei o que é verdade, o que é mentira, em quem eu posso confiar ou não.
– Sinto muito Annie, não posso responder a essas perguntas. Mas você pode confiar em mim – encarei seus olhos. – Pode confiar em Thalia.
– Como? Me diz como posso confiar em vocês se mentem pra mim? Não sei como. Sinceramente eu estou quase tendo um surto psicótico. Ainda não consegui processar o que aconteceu hoje. Eu não sei nem o que pensar sobre isso. – E estou me borrando de medo, mas ele não precisa saber disso. – Eu preciso saber a verdade. Sobre tudo. Isso que aconteceu hoje simplesmente acabou comigo.
Seus olhos intensamente verdes me analisavam atenciosamente. Parecia tentar ler minha mente.
– Apenas... Acredite em nós.
Desviei de seu olhar e continuei o meu trabalho.
Um silêncio desconfortável se instalou. Os dois perdidos em seus próprios pensamentos. Enquanto limpava seu ferimento, Percy tentou se aproximar de mansinho. Apertei seu ferimento de leve. Mas o suficiente para ele se encolher e gemer de dor.
– Ai Annie!
– Eu ainda estou brava com você. Não tente gracinhas.
– Mas eu não ia tentar fazer nada. – Olhei-o cética e ele aquietou.
Quando terminei de tratar seu ferimento o sol já estava nascendo. Mandei-o para o quarto.
Entrei em meu banheiro, precisava espairecer as ideias. As paredes ancas, o box de vidro e a banheira luxuosa me davam calafrios. Definitivamente, a última coisa que precisava nesse momento era de um banho de banheira. Não vou conseguir me esquecer dos olhos dele perdendo o brilho, o foco e a cabeça tombando para o lado, com um furo no meio da testa.
A água morna caindo sobre mim ajudou-me a relaxar. Deixei-a molhar meus cabelos. Minha cabeça estava estourando de dor. Tudo estava uma bagunça dentro de mim. Queria poder entender por quê.
Por que mentir para mim?
Por que preciso de proteção?
Por que Percy matou Apolo?
Por que tive a brilhante ideia de segui-lo?
Por que atiraram em nós?
Por que? Por que?
Tantos Por que’s , mas nenhuma resposta, e eu precisava delas. Não aguentava mais viver sem respostas.
A partir de hoje isso vai mudar. Não vou ficar mais sem respostas.
(...)
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