The Hidden Life - Delena
1 Capítulo 1 - I don`t want to say goodbye
Notas iniciais
Essa é minha primeira fanfic, espero muito que gostem! Por favor, comentem o que acharam dela, críticas construtivas são bem-vindas!
Bjs!
Sou Elena, a filha única e adotiva de Elisabeth e Grayson Gilbert.
Meus pais tiraram-me do abrigo, quando estava prestes a fazer 7 anos, não lembro como cheguei naquele lugar, muito menos tenho qualquer memória que remeta a infância, apenas alguns flashs estranhos.
Meu pai Grayson é um homem de pele morena, olhos amendoados e cabelos escuros, ele é formado em Medicina pela mesma faculdade que a minha mãe estudou, e foi lá que se conheceram. Ele é o meu pilar na vida, uma pessoa extraordinária, apesar da vida corrida de médico com os plantões noturnos, sempre foi presente. Os pais dele eram de família rica e tradicional e por isso, dinheiro nunca foi problema, mas isso não o fez preguiçoso; vovô Loretto o ensinou a ser humilde e com isso aprendeu o valor do trabalho.
Minha mãe, Elisabeth, é uma mulher de olhos verdes, cabelos cor de mel e pele clara, formada a pouco mais de 10 anos em Letras, trabalha na Houston High School e leciona Português, possui uma posição de destaque no Colégio, que é o mais conceituado do país. Duas vezes ao mês, pelo menos, ela viaja para o Canadá, onde fica a matriz da instituição para resolver alguns problemas.
Ela é super carinhosa, amiga, protetora e parece ser uma mulher forte, eu sinto isso, mas também misteriosa. Acho que esconde alguma coisa de mim e viver com essa dúvida sempre me incomodou. Quando eu pergunto o que há de errado, ela apenas me diz que já enfrentou muita dificuldade na vida, sofreu bastante, e que não quer o mesmo para mim. Eu já estou cansada de ouvir a mesma desculpa esfarrapada, por isso simplesmente parei de questioná-la sobre esse assunto.
Eu sou adotada e isso nunca tinha incomodado, mas à medida que fui crescendo a dúvida sobre quem são meus pais de sangue cresceu na mesma proporção. Já tive essa conversa bem embaraçosa com meus pais sobre o assunto, mas eles dizem não saber como fui parar no orfanato e que é uma questão sigilosa.
Grayson e Elisabeth são pais maravilhosos, não poderia ter sido mais agraciada e sortuda, eles enchem-me de amor, disso eu não tenho o que reclamar, o que me não me faz deixar de pensar sobre as minhas origens. Estou longe de ser perfeita, é difícil acreditar que uma menina que sempre teve tudo do bom e do melhor, na medida do possível, fosse tão incompleta por dentro de um jeito que ninguém mais poderia imaginar, só eu, embora todos achassem e eu demonstrasse o contrário. Minha vida sempre foi um ponto de interrogação, daqueles imensos, de quando você não sabe logo aquela maldita questão importante, numa prova que decide o rumo da sua aprovação para conseguir atingir o ano seguinte no colégio.
Eu só gostaria de conseguir conquistar as coisas da minha maneira, decidir onde morar, o que fazer, para onde ir, e ter uma vida normal como qualquer garota da minha idade, sem ter que mudar de país, cidade, de vida, de amigos a cada dois anos.
***
O inverno na cidade de Boston – Massachusetts, onde eu e minha família moramos, é rigoroso com termômetros que se aproximam dos – 20ºC em alguns dias. Minha casa pertence a um condomínio fechado, que estava silencioso, naquela manhã de segunda-feira. Nas últimas semanas que passamos aqui, as temperaturas estavam muito baixas e nessa manhã, em especial, fazia cerca de — 1ºC, a neve das ruas estava começando a derreter e na ponta dos galhos das árvores, havia pequenos flocos de neve, que mais pareciam nuvens e as deixavam ainda mais bonitas. O meu quarto estava escuro, cortinas e janelas fechadas, deixando o clima agradável, porém ainda assim, estava frio. Após 2 anos vivendo aqui, já havia acostumado com as noites frias de inverno, mas na noite passada esqueci de ligar o aquecedor e graças a isso, acordei ´´congelando``. Joguei a mão para o lado direito e tateei a escrivaninha até encontrar o celular, que marcava 5h40, desativei o alarme que ainda estava ligado e sai cambaleando da cama até o banheiro para fazer minha higiene, troquei o pijama pelo uniforme do colégio, coloquei os cadernos na mochila, passei a mão no celular e desci as escadas em direção a cozinha.
*
- Bom dia, mãe! – disse sorrindo – Meu pai já foi para o hospital?
- Olá, querida! Sim, ligaram para ele agora cedo, precisam dele lá – disse a mãe, retribuindo o sorriso.
- O que temos para o café? O cheiro está maravilhoso, veremos o gosto! – disse Elena.
-Panquecas com mel, sua preferida! Mas é óbvio que está bom! Sou quase uma chefe de cozinha. Agora coma logo, estamos atrasadas, você precisa chegar cedo pelo menos no último dia de aula, certo? – disse em tom descontraído.
- Não sei para quê, para mim, esse dia não tem nada de especial – disse Elena.
- Eu e seu pai já tivemos essa conversa com você, precisamos nos mudar! E sabe muito bem disso! Não adianta, está tudo pronto!
- Não vejo motivo, temos uma vida estável aqui. – retrucou Elena – Só sabem pensar em si mesmos! Eu construo uma vida, amizades, lembranças, e em dois anos, como num passe de mágicas, tenho que abandonar tudo.
- Estamos cansados de falar, Elena! Estamos fazendo isso para o seu bem, sempre! Seu pai recebeu uma proposta para trabalhar em um grande hospital e com salário superior ao atual.
- Está bom, mãe! Estou farta de discutir com você sobre isso! E a propósito, não precisa me levar no colégio, eu vou sozinha! – disse Elena, com a voz embargada de choro.
Peguei minha mochila e sai batendo a porta. Não sou uma menina revoltada, dessas que parecem sentir prazer em discordar dos pais, mas quando se trata desse assunto não consigo me controlar e responder de forma educada.
Cheguei suando ao colégio, parecia que eu tinha corrido uma maratona. Quando coloquei os pés dentro dele hoje, senti uma leve nostalgia, pois me lembrei do dia em que entrei aqui pela primeira vez. Passei pelos portões e logo avistei Valentina e Hanna, que vieram correndo em minha direção para um abraço coletivo.
Elas foram as primeiras amigas que fiz aqui, estudavam juntas desde o penúltimo ano do ensino fundamental e me acolheram ao ´´grupo de dois`` e logo viramos um trio inseparável. Val, era uma menina alta, magra, loira, de olhos verdes e pele clara; Han era morena de cabelos castanhos, parecidos com os meus.
- Elena, que cara feia é essa? – disse Hanna e Valentina em coro.
- A única que eu tenho – respondeu secamente.
- Parece que alguém dormiu virada de cabeça para baixo! – brincou Hanna.
- Desculpa! Minha manhã está sendo péssima, briguei com a minha mãe de novo por causa dessa maldita mudança – disse Elena.
- Aaaah, nem fala disso! Estou sofrendo demais! – disse Valentina – Mas não precisa brigar com seus pais, a gente já sabia que isso poderia acontecer. Iremos nos falar sempre – disse Valentina, com voz tranquilizadora.
- Eu sei, mas sentirei saudades! – respondeu Elena, com lágrimas nos olhos. Elas, então a abraçaram e choraram igual crianças.
Notas finais
Volte sempre! Bjs
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