The Hero's Guild - The Second Journey
13 O segredo de Jonah
Notas iniciais
[Cenário: Mares de Midgardia, a bordo do Black Prince]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=XXgQWaADRGk]
[Freedan, Madison e Jonah navegam pelo Black Prince em busca de Zefiglio Island. Com a ajuda da baleia Nineveh, o grupo viaja pelos mares.]
Freedan: Mais um dia navegando pelo mar.
Madison: De fato. Acho que não vou parar de me acostumar com essa bela visão do oceano.
Freedan: Nem eu.
[Freedan vai se encontrar com Jonah, que está no mastro observando o oceano.]
Jonah: Olá Freedan. Tudo bem com você?
Freedan: Tudo.
Jonah: Se quiser comer, tem laranja e acerola na cabine.
Freedan: Só isso?
Jonah: Também tem algumas frutas. Mas isso será essencial para uma viagem como esta. Não apenas segue para encher a barriga, como também segue para evitar doenças.
Freedan: (Me pergunto quantos serão necessários para a próxima viagem...)
[Madison chega para falar com Jonah.]
Madison: Jonah, quanto falta para a gente chegar até a Ilha Zefiglio?
[Jonah pega o seu telescópio e vai dar uma olhada.]
Jonah: Não muito, mas é só uma questão de tempo antes que a gente encare outro perigo.
Madison: Depois de lidarmos com os piratas do Perna-de-Pau, um monstro marinho não iria me impressionar tanto.
Freedan: Mesmo que ele tenha alguns tentáculos e afins?
[Freedan faz alguns gestos com as mãos para assustar Madison.]
Madison: Monstros marinhos, não tarados. Tch, porque você não tenta ser mais maduro?
Freedan: Eu sou maduro, só não gosto de ser formal.
Madison: Pra mim nem parece.
Freedan: Poxa, Madison! Tenta pelo menos relaxar.
Madison: Não enquanto a missão não estiver cumprida. Além disso, eu temo que aquele pirata pretende atacar a gente mais uma vez.
Freedan: Fala do Perna-de-Pau? Ele é uma piada.
Madison: Nós só tivemos sorte por causa da Nineveh. Na próxima, ele terá muito mais vantagem contra a gente.
Freedan: Isso não me parece ser bom...
Jonah: Temo que ela esteja certa. Perna-de-Pau está atrás do tesouro de Barba Dourada, e ele pretende fazer de tudo para conseguí-lo. Incluindo acabar com a gente.
Freedan: Hmph. A este ponto ele ainda deve estar correndo dos tubarões.
Jonah: Ou talvez ele já esteja planejando algo em terra firme.
Madison: Provavelmente isso.
Freedan: Nem um nem outro. Aposto que ele e seus capangas devem ter virado comida de tubarão. Podem ter certeza disso.
[Cenário: Em um bar qualquer.]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=n8xHt1EoQlA]
[Em um bar onde quase tudo tem móveis feitos de madeira, um monte de pessoas estão comendo, bebendo e brigando. Entre eles temos Pegleg e boa parte de sua tripulação.]
Pirata 1: Tch, dos quarenta piratas que temos aqui, fomos reduzidos a sete. Isso é que eu chamo de baixa.
Pirata 2: Tudo por causa daqueles viajantes daquele navio de velas pretas.
Paulo: Gente, gente. O que importa é que estamos salvos. Mas tudo o que resta agora é arranjarmos um navio para procurar o tesouro do Barba Dourada.
Prometheus: Ele tem razão. Quanto mais rápido, melhor.
[Enquanto os piratas discutem, Pegleg fica zangado, frustado pela derrota que ele sofreu contra Freedan e seus amigos. O bartender traz pra ele uma cerveja.]
Bartender: Aqui está.
Pegleg: Vá se ferrar!
Bartender: Só porque você é um capitão não significa que você tem o direito de ser mal-educado!
Pegleg: Que se dane!
Bartender: Vish...
[O bartender se afasta de Pegleg.]
Bartender: Pelo menos o Barba Dourada tinha modos...
Pegleg: Aqueles três malditos...
[Pegleg se lembra de quando ele “lutou” contra Freedan e seus amigos nos mares de Midgardia. A batalha termina com seu navio sendo jogado contra o mar, cortesia de Nineveh. O flashback acaba.]
Pegleg: Eles vão pagar por isso. Eu nunca vou esquecer esta maldita humilhação...
Priscilla: Capitão, qual é o plano?
Paulo: É? Nós não temos mais barco ou uma tripulação completa...
Pegleg: Isso...
Priscilla: O quê?
Pegleg: Uma tripulação completa... É tudo o que eu preciso... É isso! Eu sou um gênio!
[Pegleg então coloca sua única perna saudável em cima do balcão de madeira.]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=GJ683S_vMe4]
Pegleg: Pessoal, eu tenho um comunicado a fazer! Durante muito tempo, eu não era nada exceto uma pessoa que só sabia caminhar e beber. Mas agora os tempos são outros! Hoje eu pretendo retornar com os tempos da pirataria! Em algum lugar de Midgardia, existe um tesouro... O tesouro do lendário Barba Dourada, um dos piratas mais temidos de todos os tempos. E hoje, eu pretendo procurá-lo. Mas pra isso, eu vou precisar de ajuda! Meu nome é Vacilão Perna-de-Pau! Se vocês se juntarem a mim, eu prometo que irei dividir o tesouro com todos vocês! E então, vocês são homens, ou ratos?
[Os clientes do bar, ao ouvirem o que Pegleg disse, apontam seus punhos para o céu, deixando claro que eles vão se juntar a ele em sua empreitada.]
Clientes: Nós somos homens! Se vamos provar a nossa razão de viver, vamos procurar o tesouro! Estamos com você, Perna-de-Pau!
Paulo: Capitão... Todos estão com você.
Priscilla: Você realmente foi capaz de convencê-los.
Pegleg: Ganância, senhores. Ganância. Se eles querem o tesouro, é isso que eles vão ter. Seu... Eterno... Tesouro...
[Pegleg dá um sorriso malicioso.]
Paulo: Eu não gosto deste sorriso...
Priscilla: Você acha que ele está...
Paulo: Sim... Ele está manipulando as pessoas para que ele consiga o tesouro. No entanto, ele não pretende cumprir o resto da promessa.
Priscilla: Droga... O quão fundo ele quer chegar com isso?
Paulo: Eu não sei... Mas torço para que tudo dê certo e que ele consiga encontrar o tesouro.
Priscilla: Onde você acha que ele deve estar?
Paulo: Não faço ideia, mas julgando pelo navio que vimos naquele dia, eles devem estar indo para as Ilhas Zefiglio.
Priscilla: Considerando que o lugar se destaca pelas suas terras férteis, faz sentido. Barba Dourada é obcecado pelos melhores lugares de Midgardia...
Paulo: Só espero que aqueles três andarilhos estejam dizendo a verdade...
Priscilla: Me pergunto se eles estão mesmo atrás do tesouro...
[Paulo e Priscilla observam Pegleg, que não parece estar muito bem da cabeça.]
[Cenário: Black Prince]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=t63-Gu8kN1g]
[Enquanto isso, o Black Prince segue sua rota para as Ilhas Zefiglio. Freedan e seus amigos saem da cabine após comerem algumas frutas.]
Freedan: Nossa, essas frutas são deliciosas. Qual o segredo de todo este frescor?
Jonah: Bem, eu literalmente moro em uma floresta. Lá pego todo tipo de fruta. E as vezes vendo elas por um bom preço.
Madison: Talvez se você entrar na minha guilda, você pode se tornar um bom mercador.
Jonah: Bem... Não obrigado. Acho que sou melhor sendo navegante.
Madison: Que pena.
Freedan: Falando nisso, Madison, você não me falou que estava trabalhando em uma guilda.
Madison: Oh sim. Eu faço parte da guilda Monarca Violeta.
Freedan: Monarca Violeta? Nunca ouvi falar.
Madison: É uma guilda recente, mas que seus fundadores já fizeram parte de outras guildas. Eu sou a exceção, já que a Monarca Violeta é minha primeira.
Jonah: Ah, então você faz parte de uma guilda.
Freedan: Seu irmão trabalha na Carpa Bege.
Madison: Trabalhava. Fiquei sabendo que ele saiu.
Freedan: Eric saiu da guilda?
Madison: Foi o que eu ouvi. Recebi informações de que alguns membros da Carpa Bege estavam de saída, e Eric não é exceção.
Jonah: Ele deve ser uma pessoa problemática, esse seu irmão?
Freedan: Não não. O Eric é competente. Faz bem seu trabalho de clérigo. Talvez ele tenha outro motivo para sair da Carpa Bege.
Madison: Você tem um ponto, mas considerando que ele é um andarilho, a escolha do Eric não me surpreende tanto.
Freedan: Bem, eu torço para que ele não tenha se envolvido em algo imoral.
Madison: Concordo.
[O Black Prince continua seguindo viagem para as Ilhas Zefiglio. De repente, o navio para.]
Freedan: Ué, o navio parou.
Madison: O que está acontecendo?
Jonah: Será que estamos correndo perigo?
[Nineveh emerge e dá um esguicho.]
Freedan: Não não, é só a baleia tentando respirar. Você disse que baleias precisam respirar ar constantemente, certo?
Madison: Sim, é claro.
[Jonah pega seu telescópio e vai dar uma olhada no mar.]
Jonah: Ou talvez ela tenha outro um motivo para uma parada repentina.
Freedan: Qual?
[Jonah vê um pedaço de terra no oceano, provavelmente Zefiglio Island.]
Jonah: Parece que estamos perto das Ilhas Zefiglio.
Freedan: Legal.
Madison: Estamos perto de nossos objetivos. Faltam apenas alguns quilômetros para chegarmos a Zefiglio.
Jonah: Tesouro do Barba Dourada, lá vamos nós!
[Nineveh submerge mais uma vez e empurra o Black Prince rumo a Zefiglio Island.]
Jonah: Ótimo. A partir deste ponto é com a gente.
Freedan: Porque?
Madison: Nineveh é uma baleia. Ela pode até respirar pelos pulmões, mas é uma criatura marinha, como os peixes e as águas-vivas.
Freedan: Vamos ver se vai dar para a gente empurrar tudo isso para o mar.
[De repente, várias ondas chegam, empurrando o Black Prince para Zefiglio Island.]
Freedan: Ou talvez não.
Jonah: Temos sorte que as ondas estão nos empurrando para a direção certa.
Madison: Um problema a menos pra gente.
[As ondas empurram o Black Prince até a Zefigio Island.]
Freedan: Ilhas Zefiglio, lá vamos nós!
[Cenário: Zefiglio Island]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=SfOMjBivvvQ]
[A Black Prince chega a Zefiglio Island.]
Freedan: Ah... Terra firme. Nunca pensei que eu iria me encontrar em uma ilha. Esperem um instante...
[Freedan tira os seus sapatos e coloca seus pés descalços na areia.]
Madison: O que você está fazendo?
Freedan: Agora sim, me sinto melhor agora.
Johan: Ele quer sentir a areia do mar. Acho que essa é a primeira vez que ele pisa em um lugar como esse. Já sentiu essa situação?
Madison: Não. Não sou fã de praias.
Johan: Que pena. Está perdendo a diversão.
[Johan então se vira e vai falar com Nineveh.]
Johan: Nineveh, bom trabalho!
[A baleia esguicha água como forma de agradecimento e volta para os oceanos.]
Freedan: Você realmente gosta muito de sua amiga baleia.
Madison: Amiga dos animais que chamam?
Johan: Uhhh... Não tirem conclusões precipitadas.
Freedan: Em ambos os casos, vamos seguir caminho até o tesouro.
Madison: Onde vocês acham que ele deve estar?
Jonah: Bem... Eu não sei...
Freedan: Mas vamos encontra-lo. Aliás, é dever de um aventureiro explorar o local.
Madison: Ele tem razão. Eu tenho uma razão para ir para esta ilha, e não vou sair daqui até procurar a Erva da Lua.
Jonah: Bem, se é assim... Pessoal, vamos procurar pelo tesouro!
Freedan e Madison: Vamos!
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=cJgCo7e0EpQ]
[Jonah, Freedan e Madison seguem em busca do tesouro. Eles vão para vários e vários lugares da Zefiglio Island em busca do tesouro de Goldenbeard, mas nada. De repente começa a chover.]
Freedan: Grrr, tá de brincadeira...
Madison: Começou a chover. Melhor nos abrigarmos.
[Freedan, Madison e Jonah correm em busca de um lugar para se abrigar. Por sorte, eles encontram uma caverna.]
[Cenário: Ilhas Zefiglio, pequena caverna.]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=soF2_iSNOZw]
[Dentro da caverna, Freedan e seus companheiros observam a chuva. Eles também não ficam felizes com as roupas molhadas.]
Freedan: Tch... Chegamos muito tarde.
Madison: Nossas roupas acabaram molhadas por causada chuva...
[Jonah fica muito apreensivo.]
Freedan: Algum problema Jonah?
Jonah: Não. Nada de especial... Fora os problemas com as roupas.
Madison: Odeio admitir, mas o único jeito da gente esperar as roupas secar é ficando do jeito em que chegamos ao mundo.
Freedan: Quer dizer...
[Madison balança a cabeça pra cima e pra baixo dizendo que sim.]
Jonah: Meleca!
Madison: Bem, vai ter que ser assim ou vamos acabar tomando um resfriado.
Freedan: É o melhor que podemos fazer a este ponto.
Jonah: Mas lá tá chovendo também! Se tirarmos nossas roupas, vamos ficar expostos ao vento e vamos morrer de frio.
Madison: Melhor do que ficarmos ensopados com nossas roupas.
Freedan: Concordo plenamente.
[Freedan então tira todas as suas roupas de clérigo e as coloca em algum lugar pra secar. Ele sai um pouco da caverna para pegar uma folha de palmeira. Ao voltar para a caverna, ele entra com um novo visual, surpreendendo a todos.]
Jonah: Você tá parecendo um nativo.
Madison: Parece, só que não muito.
Freedan: Eu precisava cobrir minha masculinidade.
Jonah: Agora é sua vez, Madison.
Madison: Tudo bem, mas só estou fazendo isso porque eu não quero morrer ensopada.
[Madison tira as suas roupas e as coloca em algum lugar pra sentar. Ela sai um pouco da caverna para pegar uma folha de palmeira e dois cocos. E tal como Freedan, ela entra com um novo visual.]
Freedan: Ô lá em casa...
Madison: Tch... Você está me fazendo passar vergonha.
Freedan: E daí? Você está linda.
Madison: E você é sujo, mesmo quando está limpo.
Freedan: Eu não posso ajudar.
Madison: Agora só falta mais um.
[Freedan e Madison olham para Jonah.]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=6kGwrjM5-Qg]
Jonah: Não olhem pra mim.
Freedan: Olha, nós estamos tentando se salvar. Tire suas roupas agora.
Jonah: Mas eu não posso!
Madison: Se continuar vestido deste jeito, vai acabar esfriando.
Freedan: E isso não vai ser bom nem pra você nem pra gente.
Jonah: Eu não posso fazer isso?
Madison: Infelizmente vai ter que ser assim. Sinto muito.
Freedan: Só estamos tentando ajudar.
Jonah: Não, eu não quero!
[Jonah hesita em tirar as roupas, e Freedan e Madison não tem outra escolha exceto tirá-las a força. Os dois ficam surpresos quando eles descobrem uma coisa particular envolvendo Jonah.]
Freedan: O quê!?
Madison: Tá de brincadeira comigo, não tá?
Freedan: O Jonah é... O Jonah é...
[Jonah, cobrindo suas partes essenciais com um de seus braços, acaba sem querer revelando toda a verdade para seus amigos: Ele é uma mulher. Jonah não diz nada, provavelmente por vergonha.]
Freedan: Mas eu não entendo! Quatro horas atrás você estava...
Madison: Quero dizer... Como?
Jonah: Ah... Pelo visto eu vou ter que explicar tudo tintim por tintim...
Freedan: Ótimo.
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=9ZklBUdrd74]
Jonah: Bem, pra começo de conversa, meu nome verdadeiro é Irene Partgrafic. Durante muito tempo eu sonhei em ser uma navegante, como meu pai foi.
Freedan: Pai? Então ele não era cartógrafo?
Irene: Meu pai trabalha como pescador, como todos os mercadores da vila, e pra isso, ele viaja pelo mundo em busca do peixe mais delicioso. Consequentemente, eu não o via muito, e ele eventualmente tinha que se virar para sobreviver.
Madison: Você mentiu pra nós!
Freedan: E pensar que você era uma pessoa confiável... Você nos usou!
Irene: Não. Não é isso. Me deixem explicar!
Madison: Freedan, eu temo que há mais que o olho possa ver em relação a este homem... Digo mulher... Digo... Quer saber, melhor que ela explique tudo.
Irene: Certo.
Freedan: Então... Seu pai, que é um pescador, te deixou, certo?
Irene: Sim. Pelo fato de que ele não tinha tempo de me visitar, Meu pai me deixou com um amigo dele, o qual é um cartógrafo. Sua esposa é uma cozinheira e nós nos demos muito bem.
Madison: Mas eu não entendo uma coisa. Porque você se disfarçou de homem para fazer algo deste tipo?
Irene: Simples. A sociedade nunca vai aceitar uma mulher como navegante.
Freedan: Credo. Que antiquado.
Madison: Antiquado é pouco. Já vi várias mulheres em profissões inicialmente consideradas masculinas durante toda a minha vida. Tipo, profissões são unissexuais, não tem um gênero específico. Inclusive meu irmão mais novo trabalha como clérigo.
Marilyn: Vocês tem sorte de poder viver em lugares nos quais as pessoas são mais abertas.Na vila do Pôr-do-Sol, por outro lado, a sociedade tem mais orgulho de ver pessoas trabalhando em profissões dependentes de gênero. Não que isso seja ruim, isso ajuda na sobrevivência deles. Mas por outro lado...
Madison: Deixe-me adivinhar... Você deseja que todas as pessoas, independente do gênero, tenham os mesmos direitos de compartilhar a mesma profissão, certo?
Marilyn: Sim.
Freedan: Não é muito à frente de seu tempo, mas eu entendo o seu ponto.
Madison: Freedan!
Freedan: Quero dizer, não é culpa dela ela viver em uma vila onde as mulheres são tratadas como flores delicadas.
Madison: (Onde foi que eu me meti?)
Irene: Enfim, por influência da minha figura paterna, eu decidi me tornar uma navegante para um dia conseguir encontrar o meu pai.
Freedan: E é por isso que você está atrás do tesouro do Capitão Barba Dourada, certo?
Irene: Isso mesmo.
Madison: Pobre Irene... Incapaz de ser uma navegante nesta situação...
Freedan: A esse ponto ela decidiu se disfarçar de homem apenas para poder salvar seu pai... Me pergunto o que eu faria se eu estivesse em seu lugar...
Irene: Me desculpem por enganar vocês. Tudo o que eu queria é provar meu valor como navegante.
Madison: Tudo bem, todos cometem erros em suas historias...
Freedan: Mas é melhor não fazer isso de novo.
Irene: Como se isso fosse fácil.
[Madison se afasta de Freedan e Irene.]
Freedan: Aonde vai?
Madison: Pegar folhas de palmeira e um coco. Temos que cobrí-la de algum jeito.
Freedan: É. Mulheres tem mais lugares para se cobrir do que os homens.
Irene: Tch, você é chato...
Freedan: E então, o que você acha que deve ser o tesouro do Barba Dourada?
Irene: Ouro, prata... Enfim, tudo o que eu preciso para poder achar o meu pai.
Freedan: Em outras palavras, riqueza.
Irene: Isso mesmo.
[Madison chega com a folha de palmeira e o coco.]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=soF2_iSNOZw]
Madison: Tudo pronto. Freedan, faça o favor de se virar.
Freedan: Certo.
[Freedan então vai dar uma olhada na chuva. Algumas horas depois, Irene aparece com um novo visual.]
Freedan: Uau! Você está linda!
Irene: Muito obrigada.
Freedan: Mais bonita do que com suas roupas de navegante.
Madison: Haha, muito engraçado.
[O tempo passa, e a chuva para. A esse ponto, a noite já tinha chegado.]
Freedan: Finalmente a chuva parou.
Madison: É, mas tá de noite.
Irene: Ótimo. Que tal aproveitarmos para olhar as estrelas?
Freedan: Legal.
[Cenário: Zefiglio Island, área florestal]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=2FV17_wWcuA]
[Freedan, Madison e Irene vão para uma área florestal olhar as estrelas.]
Freedan: Nossa, essas estrelas são lindas, não são?
Madison: Olhar as estrelas a céu aberto... Certamente é uma experiência que eu gostaria de fazer várias e várias vezes.
Irene: E não é apenas isso. Meu pai, ou melhor, minha figura paterna me disse que as constelações contam historias que aconteceram em Midgardia vários anos atrás.
Freedan: Constelações?
Madison: Um conjunto de estrelas, mais especificamente, aqueles que formam desenhos.
[Madison aponta para uma das constelações, que parece formar um bicho de quatro patas.]
Madison: Por exemplo, esta é a constelação Anta.
Irene: As antas são conhecidas por se alimentar dos sonhos das pessoas.
Freedan: Vish... Tomara que não tenha uma na nossa direção.
Madison: Bem, existem antas que se alimentam de pesadelos, então não seja tão medroso.
Freedan: Bem, não sei o que é mais esquisito, uma anta que come sonhos ou uma que come pesadelos.
[Irene e Madison riem.]
Irene: Esta aqui é uma das minhas favoritas.
[Irene aponta para uma constelação que forma um bicho de quatro patas, só que mais magro.]
Freedan: O que é isso?
Irene: Esta é a constelação de Tigre. Ela está sempre em conflito com os dragões, já que estes são considerados como os herdeiros do céu em uma antiga lenda.
Madison: Tigres... Já ouvi falar desta lenda. Nele, os tigres são associados a terra.
Freedan: Terra... Tipo, o mundo em que vivemos?
Irene: Dragão e Tigre. Céu e Terra. É uma simbologia bem conhecida, até mesmo para uma criança.
Freedan: Pois eu não ouvi falar.
Madison: Que pena. Você deveria um dia aprender a ser Astrônomo.
Freedan: Haha. Como se esta classe existisse.
[Freedan então aponta para uma constelação que parece muito com uma baleia.]
Freedan: Aliás, já que vocês querem brincar de apontar estrelas, esta constelação lembra muito uma baleia, não lembra?
Irene: É porque esta é a constelação de baleia.
Freedan: Uau, eu não sabia disso.
Irene: E se eu não estiver enganada, estes pontos em cima dela é o homem que a baleia engoliu.
Madison: Já tinha ouvido falar desta historia antes. Um homem foi destinado a mandar uma mensagem para as pessoas de uma cidade. No entanto, a cidade faz parte de um país inimigo, e o homem se recusou a enviar a mensagem.
Freedan: E o que aconteceu depois?
Madison: Ele foi engolido por uma baleia. Mas felizmente ele não morreu.
Freedan: Phew, ele realmente deve ter passado poucas e boas. Isso é que é sobrevivência.
Irene: Só que não.
Freedan: Como assim só que não?
Madison: Pelo que eu sei o mensageiro sobreviveu a baleia... Mas não ao que acontece depois.
Freedan: E o que acontece depois?
Irene: Bem, o mensageiro falou tudo o que estava escrito na cidade do país inimigo. O país aceitou com bravura, mas o homem ficou enfurecido, pois no fundo, no fundo mesmo, ele queria que a cidade morresse. Então ele se suicidou.
Freedan: Nossa, mas que perda humana sem sentido.
Madison: Nem toda historia tem um final feliz.
Irene: Que pena.
Freedan: Parece que essas constelações tem muitas historias. Vocês podem me contar mais?
Irene: É claro. Estou disposta pra tudo.
Madison: Pelo visto ele gostou muito das historias, não gostou?
Irene: Na vila do Pôr-do-Sol, uma vez que alguém fala sobre estrelas, ele nunca termina.
Madison: Então ele vi continuar ouvindo até pegar no sono?
Irene: Se ele tiver energia o suficiente...
Freedan: Oe! E as constelações? Quero que me contem mais!
Irene: Calma calma... Bem, vamos para a próxima constelação.
[Freedan, Madison e Irene falam mais sobre as constelações e o foco então vai para o céu estrelado.]
[Cenário: Mares de Midgardia]
[Música: https://www.youtube.com/watch?v=7ALHEZNt8NE]
[Enquanto o céu está a brilhar, um navio aparece, desta vez com velas vermelhas e uma harpia na proa. No topo, há uma bandeira preta com uma caveira em cima, o mesmo símbolo dos piratas.]
[Cenário: Navio Pirata]
[O navio pirata está acompanhado de uma figura familiar – Pegleg the Unpleasant, junto com seu papagaio Polly. E desta vez ele não está para brincadeiras.]
Pegleg: Olá, amiguinhos. Eu sou o capitão Vacilão Perna-de-Pau, infame pirata que irá tomar o tesouro do Capitão Barba Dourada!
Polly: Barba Dourada! Barba Dourada!
[Pegleg então exibe o navio para o leitor.]
Pegleg: Seja bem vindo a Harpia Sombria, meu mais novo navio pirata. Este navio tem uma capacidade de 50 passageiros, em outras palavras, eu posso ter uma tripulação de 50 pessoas se eu quiser.
[Pegleg então mostra mais do seu navio.]
[Cenário: Shadow Harpy, cabine do capitão]
[Pegleg mostra a cabine do capitão para o leitor.]
Pegleg: E esta é a cabine do capitão. É aqui onde eu planejo as coisas, e também relaxo e curto do bom e do melhor.
Polly: Bom e do melhor! Bom e do melhor!
[Cenário: Shadow Harpy]
[Pegleg sai da cabine e então vai para a proa.]
Pegleg: E agora, meu caro leitor... Você deve saber para onde estamos indo, certo? Sim. Estamos indo para as Ilhas Zefiglio. Terras férteis, cheia de várias plantas. Lugar esse que talvez seja onde o tesouro está escondido.
Polly: Tesouro! Tesouro!
Pegleg: Mas desta vez, eu não vou deixar que ninguém, nem mesmo meros viajantes possam impedir meu sonho de se tornar realidade. Eu, Vacilão Perna-de-Pau, irei me tornar o mais famoso pirata de todos os sete mares, e terei toda a fama e fortuna deste mundo!
Polly: Fortuna! Fortuna!
Pegleg: Guardem minhas palavras, o grande Perna-de-Pau terá seu desejo realizado!
[O capítulo acaba com uma visão do céu estrelado, e a lua então se transforma em uma caveira, formando então uma bandeira de pirata.]
[Continua no próximo capítulo.]
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