The Hero - Black Falcon
2 Capitulo Dois
Notas iniciais
“A mudança é a lei da vida.E aqueles que confiam somente no passado ou no presente estão destinados a perder o futuro”
Emily pega as espadas sentindo o aço em suas mãos, relaxando em seguida. Tinha aprendido a usar qualquer coisa como arma, seu corpo principalmente, mas se sentia confortável com o peso familiar das laminas nas mãos. Era bom tê-las de volta, aquelas eram extensões de corpo, como garras, as garras de um falcão.
Horas se passaram até que Emily decidiu ir para casa, pegou uma das facas e colocou na parte de trás da calça, escondida pela camisa, não gostava de andar nua e ficar sem armas era exatamente isso. Trancou a caixa com o cadeado e percebeu uma coisa Inferno praguejou. Não podia carregar aquilo na moto e nem roubar um carro. Não que não soubesse fazer isso, uma ligação direta era tão fácil de fazer que até um bebê conseguiria. O que não podia era chegar em casa com um carro roubado. Tantas regras idiotas. Bufa. Amanha voltaria com um carro e levaria tudo para seu quarto até que encontrasse um local melhor para deixá-las.
Chega em casa e guarda a moto com cuidado para não fazer barulho, se bem que, ninguém nos quartos conseguiria ouvir nada. Antes de entrar repara nas luzes acessas por trás de cortina e se prepara para o incrível sermão. 10 anos de novo pensa sarcástica,Ótimo.
–É tarde. Porque ainda estão acordados? – pergunta se fazendo de desentendida
–Ficamos preocupados – responde Catelyn
Emily suspira – Eu...precisava de ar...pensar
–Você passou por muita coisa, nós sabemos. Mas agora você está em casa, conosco. Não precisa fugir – responde Charles
–Eu não fugi, eu precisa pensar. É diferente – responde apressadamente com aspereza
–Tudo bem, eu entendo – responde com um meio sorriso –Se quiser conversar, nós estamos aqui. Lembrem-se disso.
–Okay. Obrigado – diz subindo as escadas de casa – Vou dormir. Amo vocês pensa, mas não diz uma palavra.
Emily sempre fora extremamente próxima do pai, se quisesse conversar, falava com ele. Quando tinha que chorar, ele a confortava. O pai era um homem extremamente sério e dedicado ao trabalho, mas nunca foi ausente na vida da filha. Porém aquilo tinha mudado, não entenda mal, Emily amava os pais, amava Charlie, mas nunca iria ser como antes, ela tinha plena certeza disso.
XXX
Emily não dorme bem naquela noite, mal chega a fechar os olhos pela primeira vez e os pesadelos a atingem. Pesadelos estes que não podia se dar o luxo de ter, ou melhor, de ligar para eles, nos últimos anos. Contudo eles tinham voltado a assombra-lá.
Ela estava em uma rave, escura e esfumaça, a música estava tão alta que o eco fazia as paredes tremerem, isso só deixava o lugar mais divertido. As pessoas assim como ela, dançavam conforme o ritmo da batida frenética, com copos na mão, cigarros na boca curtindo o momento da melhor maneira que encontravam. Pelo canto do olho via pessoas se agarrando em cantos escuros, outras cheirando pó em mesas, bêbados e drogados estavam por todos os lados.
–Está sozinha? – pergunta um rapaz. Um belo rapaz não pode deixar de notar, tinha bonitos cabelos castanhos bagunçados, e uma barba rala. Vestia uma camisa azul que só deixavam seus músculos em evidência.
–Isto depende. Estou? – pergunta sorrindo. Aquela sem duvida seria uma noite divertida pensa.
A cena muda.
Agora esta correndo em um beco escuro com homens encapuzados a perseguindo. Uma espada surge do nada em suas mãos. Os homens estão se aproximando cada vez mais. Os passos dele se aproximavam na medida em que seu pânico aumentava, ela sabia o que tinha de fazer. Só não sabia se era capaz.
–Corra o mais rápido que conseguir vadia – diz um homem com voz grave – Só vai deixar as coisas mais divertidas- zomba, rindo.
Um calafrio percorre a espinha da mulher quando está se depara com um beco sem saída. Os homens a alcançam assim que se da conta do que ira acontecer. Segura firmemente a espada em sua mão que está suada e tremendo, eram três deles. Três homens que mais pareciam seis de tão grandes.
Ela luta, soca, corta um deles, quando outro chega por trás e a segura pelos cabelos a levantando. A mulher solta um grito de dor quando sente seu coro cabeludo se partir, desesperada tira uma adaga de sua jaqueta e atinge seu carcereiro caindo em baque surdo no chão. Então sente uma dor aguda nas costelas, no peito e na cabeça, estava sendo espancada. Vou morrer pensa apavorada.
–Você vai morrer vadia. Vai m-o-r-r-e-r- soletra um dos homens. – Mas não antes de nos divertimos muito – sussurra.
Ela estava com tanto medo que não era possível medir. Tenta se soltar de seu agressor quando ele a soca de novo, mas seus membros na respondem.
Tudo muda.
Agora esta sentada em uma cadeira do avião, atada a poltrona. Estava caindo para a morte. Tenta gritar, se mexer, se libertar, não queria morrer, mas nada acontece, esta impotente.
Imbecil a palavra ecoa em seus ouvidos.
A velocidade a atinge em cheio, o avião está girando, girando e girando rumo a escuridão.
–NÃÃÃÃÃÃÃÃÃ0 – grita
Emily acorda em sua cama, suada e tremendo. É só um pesadelo fica repetindo pra si mesma, Vai passar.
–Não perca o controle Emily, vai passar – sussurra na escuridão.
Sabendo que nunca conseguiria voltar a dormir Emily resolve treinar um pouco. Não tinha nenhum equipamento bom o suficiente, porém uma coisa básica serviria. Tudo o que precisava era gastar energia, deixar a adrenalina passar. Resolve então fazer flexão e abdominais, perdendo completamente a noção do tempo. Quando se da conta o sol já tinha nascido e seu corpo estava molhado de suor.
Estava deitada no chão somente de top e calças de pijama quando sua mãe abre a porta de seu quarto.
–Emily, querida, está acordada? – pergunta Catelyn abrindo a porta de seu quarto.
A mulher rapidamente levanta-se do chão, mas sua mãe ainda a vê.
–Ó, já levantou
–Não consegui dormir muito bem – diz como que se desculpando.
–Entendo. Está com fome filha?
Só quando a mãe diz isso que repara que estava faminta
–Estou. Que horas são? – pergunta pelo que se lembrava a mãe não acordava assim tão cedo.
–Vão dar 9:00 horas.
Emily então repara que tinha perdido o tempo, mais do que imaginava.
–Tudo bem, só vou tomar um banho, dez minutos no máximo.
Emily entra no banho quente se forçando a relaxar. Não se lembrava da ultima vez que fizera algo assim. Na verdade imaginava, fazia isso todos os dias antes do acidente. Quando sai do chuveiro coloca uma calça jeans, uma blusa longa e um par de tênis. Comprar roupas novas. Preciso de roupas novas. Pensa.
–Bom dia – diz assim que se acomoda a mesa do café da manhã. Era estranho e inusitado ter toda sua família comendo a mesa, como nos velhos tempos. Todos ali fingiam que o episódio da noite passada nunca tinha acontecido, mas Emily não pode deixar de notar que a empregada que assustou ontem a noite não se encontrava em nenhum lugar a vista. Provavelmente a mãe tinha a dado “férias” e um aumento no salário para que ninguém de fora soubesse do ocorrido. Aquele era o jeito como os Danvers arrumavam as coisas.
–Senti falta disso – diz o pai enquanto toma uma xícara de café – Minha família junta novamente.
A conversa na mesa flui de uma maneira estranha e Emily somente concorda com tudo que é dito sem prestar atenção em nada.
A campainha toca e alguns minutos depois Emily ouve o barulho de um par de saltos altos.
–Emily- uma voz feminina a chama
–Katie – diz feliz enquanto se levanta para cumprimentar a convidada. Tinha sentido falta dela. Katie nunca fora uma simples amiga para Emily, tinham sido melhores amigas e irmãs desde que se lembravam. A amiga também não tinha mudado muito, continuava com os mesmos cabelos ruivos lisos e olhos verdes, seu corpo era magro e esbelto, como de uma modelo.
Katie a puxa para um abraço de urso, surpreendendo a própria Emily que ainda não tinha voltado a se acostumar com tanto contato físico. Normalmente quando o fazia era em uma luta ou algo do tipo e alguém sempre saia ferido, mas aquilo era diferente.
–Senti tantas saudades suas – diz a ruiva com olhos marejados de emoção.
–Eu também, eu também – responde verdadeiramente.
As duas vão para o jardim da casa para poderem conversar melhor. Katie senta-se em um banco e Emily se senta ao seu lado.
–Então o que esta fazendo agora? Me atualize do que aconteceu nos últimos anos – diz com verdadeira curiosidade.
–Hum, deixe-me ver...Eu agora trabalho na empresa do meu pai, é bem chato mas assim ele para de me encher sobre como sou irresponsável. – conta a ruiva soltando uma risada.
–Isso é ótimo – responde e realmente era, Emily gostou de saber que a amiga tinha amadurecido.
–E eu estou saindo com um cara. Você já o conhece eu acho, lembra do Tyler? Então é ele.
–Hum. Se o Tyler estiver tão gostoso quanto era antes é uma boa escolha – diz somente porque tinha de manter a fachada – Com todo respeito é claro – diz sorrindo.
–Ó ele está gostoso, você não imagina o quanto. Nós temos de sair um dia, eu, você e ele.
–Certo- diz meio a contragosto duvidava que tivesse tempo com seus outros afazeres.
–Por falar nisso. Escolha uma roupa bonita Ems, vamos sair hoje.
–Sair? Posso saber para onde?
–Sair Ems, sair. A cidade está à espera da Danver mais badalada que acaba de voltar dos mortos. Aposto que onde quer que você estivesse não tinha uma boate. Nem vodka ou wiskhy. Meu Deus como você conseguiu suportar sete anos sem vodka?
–Pensando no dia que eu ia voltar a beber de novo Katie, eu ficava pensando “Quando eu voltar eu vou tomar todo o estoque de vodka da cidade. Vou beber tanto quanto eu aguentar e vou acordar na cama do cara mais gostoso que eu conseguir sem lembrar nada da noite anterior” – diz fingindo uma risada, tudo o que não pensou foi vodka.
–Seu desejo será uma ordem senhorita – responde a ruiva brincando. – Agora sério, o que diabos eu posso fazer por você?
–Você já esta fazendo Katie- depois de alguns minutos de silencio Emily toma coragem para perguntar – E o Ian como...?
Katie demora algum tempo para responder e depois diz meio rápido – Ele está bem, se formou, agora é médico como sempre quis.
–Eu quero vê-lo, preciso falar com ele, mas eu não...
–Ou, agora não Em, sério. De um tempo para ele pensar e se acostumar com tudo isso. Se você for lá agora só vai atrapalhar tudo.
–Se você diz – da de ombros fingindo que não se importava.
–Olha, eu sei que as coisas não acabaram bem entre vocês naquela época e que você o amava com seu jeito estranho, eu sei disso. É só que...
–É só que eu sou a ultima pessoa que ele quer ver. Pelo menos depois que vocês souberam do Dick – completa sorrindo amargamente.
~~Flashback on~~
Emily estava sentada confortavelmente em sua poltrona no jatinho que tinha fretado a pouco menos de três horas para aquela viagem. Tinha sido difícil achar um piloto e um avião que aceitassem voar tão em cima da hora e com o tempo naquelas condições. Mas a morena não ligava, tudo o que ela queria era chegar em seu próximo destino.
A sua frente estava um bonito homem que tinha conhecido a uma semana, ele tinha cabelos castanhos e uma barba um pouco maior do que quando se conheceram. Ele era alto e sua camisa preta acentuava seus músculos definidos. Era uma bela visão, melhor ainda com ele preparando dois drinks.
–O que você vai querer gata?
–Faça algo especial Dick- responde sorrindo.
–Tudo bem. Um duplo sendo preparado – diz pegando as garrafas do open bar e se preparando para misturar as bebidas.
–Senhor e senhora Danver apertem os cintos, sentem em suas poltronas e apertem os cintos vamos passar por turbulências.
Dick solta as garrafas na mesa e caminha até Emily.
–Você ouviu gata? Vou ter que te segurar bem forte pra você não cair – diz a beijando ferozmente.
Emily o beija com a mesma ferocidade e levanta a camisa do homem enquanto ele beija seu pescoço. Ela ri –Eu quero meu drink Dick, vá buscar.
–Você vai ter de me recompensar quando eu voltar- avisa e vai buscar as bebidas.
Emily sente o avião balançar e fica com medo, mas tenta lembrar que aquilo era normal. Turbulências aconteciam toda hora. De repente o avião sacode realmente forte fazendo com que as garrafas da parede caiam no chão.
–Merda – grita
–UOW – diz Dick. E de repente as coisas começam realmente a ficar feias.
–Venha sentar Dick – diz Emily sentando em uma das cadeiras por precaução
Dick vira para ela – Que isso gata, é só uma tremidinha. Nada vai aconte...
O avião começa a sacudir, realmente a sacudir e uma das garrafas cai em cima das costas de Dick. Emily grita e tenta levantar, mas é jogada na cadeira de novo, e o avião começa a girar. A mulher aperta os cintos por instinto e grita para que o homem faça o mesmo.
Ele tenta alcançá-la mais o avião começa a girar e Dick é jogado de um lado para o outro como um boneco enquanto Emily grita por ele. Um colete salva vidas cai em cima da mulher e uma mascara de oxigênio quando o avião começa a cair e cair.
Emily grita e se agarra como pode a cadeira até que ouve um forte baque antes de senti-lo e tudo fica preto.
~~FlashBack off~
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