The Hero
1 O Ancião
Notas iniciais
Há muito tempo atrás, num vasto deserto, caminhava um garoto de cabelos longos, usando uma calça bem comprida, blusa num tom de verde claro, esta com uma peculiar estampa, e uma preta de manga comprida por baixo. Esta blusa mais clara estava bem suja e rasgada. Ele também caminhava com um grande pedaço de madeira, que usava como apoio para que não caísse por conta do forte sol. Seu caminhar era lento, estava exausto, quase a desmaiar.
Até que avistou ao longe um ancião, que vestia um manto que era impossível ver qualquer parte de seu corpo se não o rosto. Caminhou bem devagar em direção a este, que também vinha ao seu encontro. O velho, chegando no menino, viu que estava destruído, mas estava com um pouco de receio de ser um ladrão.
Porém, ao ver a estampa no peito dele, arregalou os olhos, e o ofereceu o ombro para apoiar, para que não fosse ao chão. Caminhou até uma pequena moradia, que ficava ao lado de um pequeno lago. o ofereceu abrigo, é o garoto aceitou, é claro.
Ao chegarem, o garoto deixou o graveto ao canto da porta, O ancião perguntou o nome deste, mas sem resposta. Achou que este estava mal demais para responder. Ele se sentou em um banquinho, enquanto o ancião puxou uma cadeira para a frente deste. O ofereceu também água e comida, e novamente o jovem aceitou. Enquanto este comia, o dia caiu e chegou a noite. Deu-lhe lugar para dormir, e disse que tinham algo importante a conversar.
Após a noite cair, o ancião foi para sua cama e dormiu, enquanto garoto ficou a observar a casa. Era bem diferente do que já tinha cinto. O ancião possuía alguns escudos pendurados na parede, couro espalhado por toda a casa, lâminas sobre uma bigorna, e uma enorme estante cheia de livros.
Aproximou-se da restante para ver do que os livros se tratavam. Havia alguns livros sobre contos, infantis e adultos, outros sobre religiões, e mais alguns, em uma linguagem diferente, que este que o jovem nunca tinha ouvido falar. O mais estranho é que todos pareciam iguais, as capas eram as mesmas, somente o nome dos livros que mudavam. Depois disto, ele também foi até a cama que o velho o deu, e dormiu.
Na manhã seguinte, o garoto foi acordado por cutucadas no peito, com uma vara de pesca que o ancião também possuía. Disse novamente que queria conversar com ele. Deu o café da manhã para ele, e após disso se sentaram cada um em uma cama, e o velho começou a falar :
—- É incrível, eu te esperei por décadas, meu jovem! Minhas visões estavam corretas !
O menino estranhou por um momento, e ele continuou :
— Este desenho no seu peito... É como eu vi ! Você é o herói da minha visão!
A visão dizia que, quando alguém chegasse com este símbolo até ele, a Terra entraria em caos, e somente ele poderia salvá-lo.
O garoto espantou-se novamente. O ancião então implorou para que acreditasse neste. O jovem achou então que este fosse um lunático, e, por achar que teria comida e um teto com as maluquices deste, disse acreditar...
Após o menino aceitar sua proposta, o ancião abriu um sorriso no rosto de orelha a orelha, percebendo que sua visão se tornava realidade.
— Ótimo! Porém... Você precisará de armas... E minha madeira acabou. — Complementou o velho.
O garoto então apontou para o seu pedaço de madeira que ele carregava. O ancião foi até a porta, segurou a madeira, analisando. Após alguns segundos olhando, decidiu que era um ótimo pedaço para fazer uma arma para ele.
Foi então até a forja que este tinha atrás de um armário, e a arrastou até o centro da humilde casa. Pegou algumas barras de ferro, e colocou-as lá dentro para virar líquido. Depois de alguns minutos, este tirou o ferro derretido colocando diretamente numa forma de lâmina para machados, enquanto o garoto apenas observava, achando tudo aquilo maluquice dele, sem entender muito o que acontecia. Depois de aproximadamente meia hora dentro da forma, o velho colocou o ferro semi-solido num balde d'água, fazendo uma fumaça que tomou conta da casa toda, fazendo ele e o garoto tossirem. Após isso, pegou o pedaço de madeira, o cortando num tamanho médio com um pequeno facão, e fazendo um corte na parte superior do cabo, para encaixar a lâmina na madeira. Tirou o ferro do balde de água e o secou. E assim fez uma arma primária rapidamente. Pegou um fio de palha, de um dos chapéus que tinha na estante e amarrou a lâmina no cabo, para encaixar com mais força e a madeira não escapar com tanta facilidade. Lhe entregou o machado, e disse para ele sair para treinar, pois o velho já não conseguia por conta própria fazer isto, a idade já o abalava um pouco. O garoto negou primeiramente, mas o ancião insistiu bastante para que este fosse, e ele, num suspiro aceitou de cabeça baixa. Foi até a porta junto com o ancião, abrindo-a. Ali o velho o parou, tirando duas ampulhetas do bolso, levantando-as na altura do rosto, e as virou ao mesmo tempo.
— Quando a ampulheta chegar ao final de seu ciclo retorne, essa ampulheta em minha visão determinava o início da era que se aproximava, e não quero que se atrase. Não se preocupe, pode balançar ela à vontade. Não há problema se atrasar um pouco. É só para ter uma noção de quando voltar. — Disse o velho, enquanto o garoto olhava para elas.
Então o ancião amarrou uma das ampulhetas na cintura do garoto com outro fio de palha, colocando a outra sobre um armário ao lado da porta, enquanto o jovem ia atrás de algo para fazer, que não envolvesse lutas, por ainda não confiar nas palavras dele...
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