América saia aliviada da sua última aula do dia. Agora só queria descanso e ir ao salão de beleza para fazer as unhas e uma hidratação capilar.

–- Srª América, seus mais estão esperando-lhe na

Sala do Trono – disse Anne, sua mais fiel criada.

Anne cuidara – e ainda cuida – de América desde que ela era um bebê recém-nascido. É sua melhor amiga e conselheira, até mais que sua mãe.

Com um suspiro América desceu até a Sala Real. Lá encontravam-se seu pai Charlie, sua mãe Renée e sua irmã mais nova Isabella.

Todos encontravam-se sérios, exceto sua irmã Isabella, que sustentava um sorriso amplo – mas cauteloso — no rosto.

–- Pois não, pai... Mãe – ela colocou-se aos pés dos dois, direcionando o olhar para cada um enquanto falava. Ela esperou, um tanto impaciente algum deles dizer algo.

–- América querida, precisamos tratar de um assunto muito importante com você...

–- Precisa mesmo ser agora? – ela interrompeu o pai, com a voz desgostosa – tenho um horário marcado no salão daqui a alguns minutos. Não que eles não abram uma exceção para mim depois, mas eu realmente preciso ir.

–- Está vendo Charlie? O fim desta reunião está premeditado. A decisão final está óbvia! Ou acha que América deixará de ir fazer compras ou passar um dia do salão de beleza para participar das reuniões reais? Ela não conseguirá tomar conta deste reino, se isso não parece obvio para você, bom, parece para mim. Isso está mais do que certo! – Renée disse nervosa.

Renée sempre foi uma mulher e mãe amorosa e carinhosa, mas a futilidade da filha era uma das poucas coisas que a deixava nervosa.

–- Renée, essa reunião não pode, nem poderá mudar o que acontecerá. Mas América tem, pelo menos, que saber o que a espera não acha? – Charlie apertou levemente a mão da esposa que, desde o começo esteve entrelaçada a sua.

Charlie sempre fora um bom marido, rei e pai. Muito atencioso e paciente com suas filhas e principalmente com Renée, que era muito distraída e meio instável com algumas coisas. Mas apesar de todos os defeitos – da cabeça leviana de Renée e a responsabilidade demasiada de Charlie que as vezes deixava-o chato – eles se amavam.

Renée suspirou, já mais calma – afinal não poderiam esconder o que aconteceria com América, era seu futuro em jogo, apesar de que ela não poderia escolhe-lo.

Agora América estava curiosa, e como já estava em cima da hora resolveu ficar e ouvir, chegaria atrasada de qualquer jeito mesmo.

–- Mas afinal, do que estão falando? – América perguntou – podem falar, não pretendo mais sair – ela disse e virou um pouco a cabeça a tempo de avistar uma empregada que até então passava despercebida pela porta aberta da sala – Hey, você! – chamou-a, a garota que deveria ser pouco mais velha do que América virou-se – Venha cá. É, você mesma. Rápido garota!

–- Sim senhorita América? – ela fez uma reverencia.

–- Encontre Anne e diga a ela para cancelar meu horário do Salão de Beleza hoje e remarcar para amanhã. Diga apenas isso, ela entenderá o recado. – América disse sem ao menos olhar para a garota.

–- Mais alguma coisa Senhorita?

–- Não, pode se retirar. E feche a porta quando sair, não quero ninguém se metendo no que não é da conta de vocês...

–- Claro. Com licença – ela fez uma reverencia a todos ali presentes e começou a se retirar.

–- Ah, Sandy! – Bella chamou-a antes que pudesse fechar as portas, falando pela primeira vez.

Sandy, a criada, virou-se com um pequeno sorriso – lisonjeada pela princesa ter lembrado seu nome – para a voz gentil de Isabella.

–- Pois não Princesa?

–- Obrigada – disse gentilmente e Sandy ficou confusa – por atender ao pedido da minha irmã. Sei que ela apenas se esqueceu deste detalhe, por estar curiosa sobre o assunto que meus pais tem a tratar com ela, perdoe-nos.

–- C-claro Princesa, sem problemas... Com licença – e ela saiu meio desajeitada pela importância que Bella mostrou por ela, uma simples criada.

Mas ambas sabiam que América não havia se esquecido de agradecer a empregada, apenas não o fez porque nunca fazia. Diferente de Isabella; uma garota humilde e doce, e que na opinião de Renée daria uma excelente rainha, e de fato daria, seria muito parecida com a mãe; boa e carinhosa. E como o pai; responsável e sensata, uma mistura perfeita. Bella, apesar de aparentemente se parecer mais com o pai; olhos castanhos-chocolate, timidez, também tinha muitas características de sua mãe. Já América era ruiva como a mãe, e seus olhos igualmente azuis. Mas o caráter sempre foi muito diferente; uma garota fútil e que foi mais mimada no começo por inicialmente ter sido a primeira filha do casal, por isso ainda achava que o mundo girava ao seu redor, tendo que acontecer tudo quando e como ela queria. Apesar das diferenças, Bella não poderia ser a próxima rainha, pois haviam duas regras que a impediam;

1. O sucessor, caso fosse mulher deveria casar-se antes de assumir o reino

2. A filha mais nova, só terá liberdade para se casar, após a irmã mais velha já o tê-lo feito.

Notas finais
Gostaram? Continuamos???