Notas iniciais
Faaaaaala galera aqui quem fala é a mellody E como sempre eu posto os cap da cora, lerigo? Lerigo!

POV Cora

Ok... Não teriamos outra alternativa senão seguir os lobos. Afinal, Ártemis está na profecia, e eu não estava pensando direito com o maldito frio.
Soltei meu arco, o transformando em pingente novamente enquanto seguíamos a loba alfa. O resto da matilha nos acompanhava pelos flancos. Um lobo esbarrou em mim, farejando a minha calça. O afastei com um gesto.
Chegamos em um acampamento, com cerca de dez barracas e uma grande tenda que valeria cerca de três. Parecia que não era tão frio nessa parte da floresta. Fosse Apolo ajudando a irmã ou qualquer outro motivo, foi bem-vindo. Mas pô, temos um filho dele conosco, por que ele não nos ajuda também, né?
Das barracas, meninas entravam e saiam. Usavam roupas parecidas. Calças jeans brancas ou claras, casacos de pele branco, uma tiara na cabeça, arco ou espadas de prata. Constantemente nos olhavam, e eu fazia questão de retribuir o olhar. Algumas eram jovens, com cerca de 12, 13 anos. A mais velha do grupo parecia ter 16. Tinha cabelos pretos curtos e olhos. Parecia a Isa, mas o azul era mais intenso. Ela pareceu mais curiosa do que as outras.
– Sou Thalia, filha de Zeus, e tenente das Caçadoras. — Ótimo. Mais uma filha de Zeus. Isa estava mordendo a língua. Argh. — Posso ajudar?
As outras Caçadoras encaravam Luigi e Samuel com nojo, medo ou fingiam que iam vomitar, fazendo as amigas cairem na risada. Uma vez eu ouvi falar dela, lembra Cora, lembra...
– Sou Michele, filha de Atena, é uma honra conhecer uma das minhas inspirações. — Disse Myh, sorrindo. — Esse é Samuel, filho de Poseidon, Luigi, filho de Apolo, Coraline, filha de Hades, e Isa...
– Filha de Zeus. — Cortou ela, meio sem graça. Ah! Thalia, a semideusa que foi transformada em árvore por Zeus. Que pai legal.
– Ah! Sério? — O sorriso de Thalia se iluminou. — Legal! Mas o que fazem por aqui?
– Estamos em uma missão suicida procurando Gabriel, filho de Hades, que está tentando reviver Urano novamente.
– Ele não tinha morrido? — Thalia franziu a testa.
– Não. Achamos que tinha, mas não morreu. — Disse Luigi. Uma Caçadora passou ao lado dele. Ele deu uma piscadela, e recebeu um soco no estômago. Mordi a língua para não rir.
– Não faça isso. Elas não gostam. Sou mais tolerante porque sou amiga de alguns meninos do Acampamento Meio-Sangue. Conhecem o Percy? Como está a Annabeth?
Samuel e Mi se animaram ao ouvirem os nomes dos irmãos.
– Estão bem, obrigada. Eles foram cursar faculdade juntos. — Respondeu Mi. — Viemos procurar orientação de Ártemis. Um trecho da profecia disse que ela poderia nos ajudar. Podemos vê-la?
– Ártemis não está, saiu em caçada, mas ainda volta hoje. Acho que vocês podem montar acampamento conosco. — Respondeu Thalia. — Mas vocês dois, vão ter que ficar dentro das barracas de vocês. — Disse, apontando para Samu e Luigi.
– Ainda não entendi. Qual o problema? — Perguntou Samuel.
– As Caçadoras de Ártemis, para serem admitidas, precisam fazer um juramento em que prometem jamais terem um relacionamento amoroso com um garoto.
– “ Eu me comprometo com a deusa Ártemis. Dou as costas para a companhia dos homens...” — Citou Thalia, como se lembrasse de algo.
Algo se remexeu no fundo da minha mente.
– Bianca... Di Angelo...? Ela também era da Caçada, não era? Irmã de Nico?
Thalia pareceu pensativa.
– Sim. Eu, Percy e Annabeth tínhamos que tirá-los de um colégio, em que fomos atacados por um manticore. Quase fomos mortos, mas as Caçadoras nos salvaram. Bianca se juntou a Caçada. Mais tarde, depois que tudo acabou, depois que Zoë Doce-Amarga, antiga tenente, morreu, Ártemis me convidou para entrar na Caçada. Faz muito tempo. Bem, se não se importam, tenho assuntos para resolver antes da senhora Ártemis chegar. Bom dia para vocês.
Depois que Thalia se afastou, exclamei:
– Senhora Ártemis?
– O que? — Disse Michele. — É um modo de mostrar respeito.
– Não sei se vocês ouviram as conversas, mas tem algumas meninas daqui que falam como se estivéssemos no século XIX.
– Depois que elas se juntam a Ártemis, se tornam imortais. — Disse Isa, distraída.

Decidimos montar as barracas, para já ficar tudo pronto ao anoitecer. Os meninos foram tirar um cochilo, assim como Michele.
Caminhei pelo acampamento. O frio podia ter ficado mais fraco, mas o vento gelado, não. As garotas pareciam comentar quando passava. Claro, eu parecia um ponto preto no meio de pontos brancos. Mas duvidava que fosse a minha roupa. Não me importei.
Perdida em pensamentos, acabei me distanciando do acampamento. Achei que a floresta mórbida seria um bom lugar para praticar tiro ao alvo, então transformei a presilha em um arco de ferro estígio (com flechas do mesmo material) e passei a praticar. Mais ou menos na terceira flecha, avistei um vulto.
Tentei mirar, mas o vento me atrapalhava, empurrando meu cabelo pro meu rosto. Respirei fundo, me focalizei apenas na flecha e atirei. Por míseros centímetros não acertei o... Urso pardo furioso de 2,50 metros?! Me mantive calma e preparei o arco novamente, quando Isa me empurrou.
– Não o mate, vai enfurecer Ártemis!
– Como assim? Ela não é deusa da caça?
– Sim, mas também é deusa protetora dos animais. A probabilidade desse urso ser dela é enorme. — Olhei pra ela, incrédula. — Eu sei, é irônico. CUIDADO! — Bradou ela.
Me abaixei no exato momento em que o urso ficou de pé, ficando com 3 metros de altura, e passou as garras por cima da minha cabeça. Por pouco não alcançou, caso contrário, adeus rosto bonito.
Bati o arco no urso, gerando um grito de “Não!” de Isa e um grunhido revoltado do urso. Agarrei a mão de Isa e mergulhei nas sombras, aparecendo perto da nossa barraca.
– É péssimo viajar pelas sombras. — Reclamou ela, se apoiando em uma árvore.
– Fresca. Com o tempo você se acostuma. — Respondi.

Quando Ártemis chegou, quase no final da noite, depois do jantar mas antes do toque de recolher, Thalia nos chamou.
– Cuidado com o que dizem. — Disse, apenas.
Entramos na tenda maior. Havia várias almofadas dispostas em torno de uma mesinha com salgadinhos e doces. A iluminação vinha de uma lâmpada no teto. Em ambos os lados, duas cortinas separavam a tenda em três ou mais partes. Uma garota ruiva, de cerca de dez anos, estava sentada em uma almofada maior prateada.
– Por favor, sentem-se. Sintam-se a vontade.
– Você é Ártemis? — Deixei escapar. Mi pareceu incrédula, enquanto Isa apenas colocou a mão no rosto.
– Posso ter a aparência que quiser, Coraline, filha de Hades. — Tentei não parecer surpresa por ela saber meu nome. — Samuel, filho de Poseidon. — Samu parecia meio desconfortável. — Isadora, filha de Zeus.
Isa sorriu.
– Honrada em estar em vossa presença, lady Ártemis.
“Bajuladora...” Pensei.
– Michele, filha de Atena.
– É uma honra conhecê-la, milady.
– E Luigi, filho de Apolo.
– Espera. — Disse ele. — Quer dizer que você é minha tia?
Ártemis apenas franziu a testa.
– Eu também sou sua tia. — Disse Isa. — Você nunca parou pra pensar nisso? Sou sua tia e da Mi.
– Meus deuses, como assim? — Luigi começou a rir.
– Então... — Interrompeu Ártemis. — Vocês são os escolhidos da profecia?
– Sim, somos. — Disse Michele. — A profecia nos diz que teremos orientação sua. Pode nos ajudar?
– Posso. Vocês procuram pelo filho de Hades. — A deusa lançou um rápido olhar a mim. Os outros pareceram não perceber. — Ele está ao norte, com outros semideuses. Um filho e uma filha de Tânatos. Um filho de Hécate. E uma mortal, que inclusive, é o próprio Espírito de Delfos.
– Hécate? Eric? — Perguntou Samu. — Ele deve ter voltado. E a mortal deve ser a Rachel.
– Sim. Apolo ficou extremamente revoltado com a situação. Quase queimou a Itália.
– Mas e os dois filhos de Tânatos?
– Jane. — Disse.
– Lá vem história. — Exclamou Isa. — Mereço saber porque fui espancada pela Michele que não era a Michele.
– Jane era uma garota que costumava dar em cima do Stefan, meu namorado, nas festas que ele costuma organizar. Mas aí eu me irritei e dei um soco na cara dela. Ela partiu pra cima de mim e começamos a brigar. Jane foi separada pelo irmão Rodrigo, e eu por Stefan. Ela é meio doida. Nunca mais vi eles depois daquela festa. Esperava que tinham morrido, até que as evidências voltaram.
Ficaram em silêncio por um instante.
– Uou. Esclarecedor. — Disse Luigi, baixinho. — Isso explica alguns dos meus sonhos.
“E alguns dos meus também.” Pensei. Pareci não ser a única a compartilhar o mesmo pensamento.
– Ta errado. Tem uma garota, Jane. E quatro meninos, o Eric, Rodrigo e o Gabriel. Ta faltando um. — Disse Michele.
– O quarto garoto... — Ártemis pareceu pensativa. — Filho de quem...? Ah sim, me lembrei, filho de Dionísio.
Meu coração deu um pulo. A deusa olhou para mim, intrigada, como se soubesse o que eu estava pensando. Quem essa deusa pensava que era? Não, ela só podia estar brincando.
– Não, Stefan não faria uma coisa dessas. Ele é gente boa e...
– Gente boa? — Interrompeu Isa. Ela não podia simplesmente calar a merda da boca?! — Coraline, ele contrabandeia drogas.
– Sim, mas é só pra diversão. Não é pra fazer mal.
– Você mesma já teve overdoses. Com as drogas dele. Não são pra diversão, são pra pessoa ficar viciada, e ele lucrar arruinando a vida dela. — Não tive argumentos. Fiquei calada. Mas Stefan não faria uma coisa dessas. Eu sabia que não.
– Mas por que Stefan iria se unir a Urano? — Perguntou Luigi.
– Não faço a mínima mas... — Disse Michele, e continuou dizendo, mas me desliguei de parte da conversa. Não queria ouvir o que estavam dizendo. Movi a minha mente para o Acampamento, pensando nos momentos que tive com Stefan. Ele pegava no meu pé de vez em quando, mas isso era normal... Eu também pegava no pé dele...
– Lady Ártemis, sabe onde eles estão? — Perguntou Isa.
– Mais ao norte, a cerca de dois dias de viagem daqui. Encontrei o esconderijo, mas não pude me aproximar. Quanto mais distante do Olimpo estivermos, atualmente o Empire State em Manhattan, mais fracos se tornarão os nossos poderes. Fica em uma colina nevada, com uma passagem subterrânea.
– Algo mais? — Perguntou Michele.
– Sim. A área está cerca de monstros. Receio que seja mais seguro vocês se esgueirarem a atacar diretamente. E mais uma coisa. Eu gostaria de falar em particular com a filha de Atena.
Michele pareceu desconcertada por um instante, mas assentiu. Ela nos dirigiu um olhar de “Eu fiz algo errado?” enquanto saíamos. Ignorei. Isa deu de ombros e sussurrou algo em seu ouvido. Ela concordou.
Saímos da tenda, deixando Michele sozinha com a deusa da caça.

Michele demorou muito para voltar. Isa, Luigi e Samuel já estavam dormindo quando ela voltou. Quando chegou, tentei perguntar, mas ela desconversou e disse que estava cansada.
Mesmo assim, demorei para dormir. Fiquei pensando na cidade fantasma em que nos hospedamos. E se fosse meu pai que a tivesse recriado para nós descansarmos? Talvez essa fosse uma forma de meu pai mostrar que se importa conosco.
Um “obrigada pai”, foi meu último pensamento antes de afundar em um pesadelo.
Era diferente de todos os outros. Estávamos na frente de uma mortalha. Tentei ver o corpo, mas as cabeças tristonhas a minha frente também não deixavam. Michele me abraçava de lado e fala algo, mas era inaudível. Me livrei dela, empurrei as pessoas e finalmente consegui ver o brasão. Um raio segurado por uma águia e a escritura “Chalé 1”.
Entrei em pânico. Olhei ao meu redor. Vi todo o Acampamento, menos a Isadora. Merda. Será que afinal de contas, eu não conseguiria salvá-la? Meus pesadelos pareciam cenas de um filme. Um filme que poderia acontecer. Um filme que realmente vai acontecer?
Acordei assustada. Olhei para os lados. As meninas ainda dormiam. Coloquei meu casaco e saí da barraca.
A diante, vi o brilho de uma pequena fogueira. Ártemis cutucava o fogo. Me aproximei com cautela. A deusa me convidou a sentar a seu lado. Ela parecia ter um brilho prateado ao seu redor.
Ergui a cabeça e passei a observar as estrelas. A deusa, curiosa, perguntou:
– O que está fazendo?
– Pensando. Quando eu era criança, costumava pensar que, quando as pessoas morriam, elas se tornavam estrelas.
– Algumas tem esse privilégio.
– O que? — Indaguei, confusa.
– Me deixe contar a história da constelação da caçadora. Há alguns anos...

Notas finais
PESSOAS! NÃO VEJO VOCÊS COMENTANDO, E NADA VOU TER QUE PUXAR SEUS PÉS DORMINDO EM